Poemas Góticos de Amor
Sintomas
Ando meio chateada com tudo e com todos
Não acho meu lugar
Me sinto numa selva do lute pelo seu
Queria caminhar, queria sorrir, queria ser leve
Mas eu me sinto triste, perdida e sem rumo
Ouço músicas e sinto dor
Vejo pessoas e quero fugir
O cheiro de perfumes me faz ir pra longe
Eu busco o sabor das primaveras
As flores da manhã
O calor do café
A delícia do sorrir
E eu nada encontro
Fica um vazio em mim
Me sinto ausente de mim mesma
Não sei onde me achar
Não sei onde me procurar
Queria poder voar
Me permitir viajar no meu mundo
Queria tirar essa dor que me acomete
Essa angústia lasciva que me degenera
Essa prisão que me orbita
Eu crio meus demônios
Eles impedem minhas percepções
Eu projeto uma realidade inventada
Eu não sei mais o que é real
Eu estou sempre nos meus sonhos
E meu pião nunca para de rodar
Tudo que eu vejo é fantasia
Não há amor
Não há sabor
Não há euforia
Qual o sentido de existir?
Por que eu não consigo mais sorrir?
Vou continuar a ser um faquir?
Eu vejo o tempo na cara das pessoas
E como o tic-tac dos relógios
Ele persiste em fazer tudo agonizar
Ele sempre me cobra
E eu só consigo reparar
Me sinto agora, como uma neptunia plena ao anoitecer
Fico esperando cada manhã
Cada gota de orvalho secar
Cada sol nascer
Buscando incessantemente, algum calor que lubrifique
Estou ficando velha. Me sinto tão fora de época.
Sou jovem de idade, mas tão castigada pelo tempo na alma.
Sou ranzinza com crianças, meus valores são corretos até demais pros tempos atuais. Os papos da galera não me interessam o bastante, por isso às vezes falo sozinha e logo perguntam se estou ficando louca. Sim, eu digo, estou gagá.
Como não ficar depois de se ter vivido tão pouco e já ter tristeza na alma que equivalem a três vidas…
"E pouco a pouco
Se esvai meu corpo
Mas não fico louco
Por morrer assim.
E pouco a pouco
Se esvai minha mente
Mas fico contente
Por morrer assim.
"As fraquezas paralisam-nos,
porque ao contrário
de as domarmos e contornarmos,
ultrapassando-as por completo,
deixamo-nos tomar por elas."
A vezes paro.
Começo a rir.
Que grande palhaçada.
Que vida desarrumada.
Me dá o meu nariz de palhaço?
O que adianta dar conselhos, sendo que eu não os sigo?
O que adianta deixar as pessoas felizes, se me sinto tão triste?
E porque me sinto triste?
Sinto como se algo me faltasse, só não sei o que é.
Queria poder fazer meu coração de caixa e tirar os desnecessários...
(...)
Enquanto poeta Alvaro Giesta, a liberdade da palavra, no uso poético que lhe é dada, permite-lhe, em O Retorno ao Princípio, filosofar acerca da morte. A morte, que é a garantia da ordem no mundo dos homens, que é o que concede o diálogo, pois, no mundo humano adquire-se a vida através da morte. Só, assim, a vida tem sentido.
A linguagem poética, neste caso na enfatização da morte pela palavra, não procura uma finalidade, uma explicação, não procura atingir algo, atingir um fim - isto, é para as religiões e seitas. Na linguagem poética a palavra não morre. A palavra, se morre, é para dar vida à palavra nova porque "a palavra é a vida dessa morte", como nos diz o filósofo Maurice Blanchot e o poeta Alvaro Giesta, num dos poemas iniciais de O Retorno ao Princípio.
A linguagem poética, neste caso na enfatização da morte pela palavra, não procura uma finalidade, uma explicação, não procura atingir algo, atingir um fim - isto, é para as religiões e seitas. Na linguagem poética a palavra não morre. A palavra, se morre, é para dar vida à palavra nova porque "a palavra é a vida dessa morte", como nos diz o filósofo Maurice Blanchot e o poeta Alvaro Giesta, num dos poemas iniciais de O Retorno ao Princípio.
(...)"
do posfácio ao livro O Retorno ao Princípio, de Alvaro Giesta
inclina-se o decadente tempo
para o ir das frias águas
onde misteriosa
e incógnita
é a sorte.
nessas fontes enigmáticas
a luz, antes intensa, deixa de o ser
e cai no esvaziamento.
é o tempo do inverno!
ali, nesse tempo, a matéria se nomeia
MORTE.
nessa permanência intemporal
permanecemos esquecidos
mas, em essência, somos.
*
desse tempo etéreo
pulsando
um halo se evola,
quando
a lucidez em indizível ciência
estremecida
traz da essência o ímpeto
que ressumbra desse húmus,
até aí ignorado.
ilumina-se a uma luz
intensa
essa penumbra crepuscular;
como na árvore,
que do cálamo em sono mergulhado
se acendem em flor os gomos
essenciais à VIDA.
in "O Retorno ao Princípio", Editora Calçada das Letras, 2014
Quando morre um escritor morre uma estrela do céu,
meu coração compadece pois sempre vou escreve,
mais seria uma estrela pois minha alma é um constelação,
num mar de solidão compreendo a existência...
pois mar se dá como ar de uma estrela...
mesmo morta está no céu.
por celso roberto nadilo
SIGO MEU CAMINHO
DESALINHANDO
PASSADAS LENTAS CORRO
CURVAR TORTUOSA
CURVAR SINUOSAS
VOU ANDANDO E DIREÇÃO
E O MUNDO GIRANDO EM VOLTA DE MIM
MAS NÃO SEI PRA ONDE VOU
CONFUSA FINJO NÃO ENTENDER
MAIS NESSA ESTRADA DESERTA
O MEU RUMO INCERTO TRISTE SAGA
VENTOS FORTES SOPRAM O MEU ROSTO
EU INERTE OUÇO O CANTO DO SABIA
ONDE NÃO SEI ME PERDI-ME
NO VAGO DESSA SOLIDÃO
O SOL ESCALDANTE EU ERRANTE
PERDIDA UMA OVELHA DESGARRADA
A PROCURA DE UM ABRIGO PARA CHORAR
AS LÁGRIMAS QUE RETIVE
GRITAR O GRITO QUE SUFOQUEI
DENTRO DO CORAÇÃO ATINGIDO
NO ÂMAGO que e minha vida
e assim fenecendo
em suplicas
soluçando a dor desesperada
de uma historia inacabada
Louvado Seja Deus,
o criador,
Louvado Seja Di cavalcanti,
o pintor,
Louvado Seja Dionisio,
o Baco,
Louvado Seja Donald,
o pato.
Louvado Seja Dorival
Da Bahia, Brasil,
Voz e violão,
Louvado Seja David,
Das aranhas de Marte,
O Ziggy camaleão.
Louvado Seja Diógenes,
Do desprendimento,
Do cinismo, da rua...
Louvado Seja David,
Do muro, do virtuosismo,
Do lado escuro da lua...
Louvado Seja Dante,
o poeta,
Louvado Seja Djavan,
O esteta.
Louvado Seja Diderot,
O pensador,
Louvada Seja Dolores,
Da dor e dos amores.
Louvado Seja Dominguinhos,
Da bossa e do baião,
Louvados Sejam Doors,
As portas da percepção.
Vejo, leio, ouço...
Bebo, sinto, louvo...
Com a bela Caetana
Bom encontro pra você,
Que o galope do sonho
E o riso a cavalo
Me ensinaste a ter.
Que me livrou do peso
De não ter imaginação,
De ser doido e mentiroso
E mesmo assim ter razão.
Me fazendo encontrar
O realista esperançoso
Dentro de mim,
Em paz com o meu
"só sei que nada sei"
E meu "só sei que foi assim."
Passageiro do nada
Picotou-me o coração a vida.
E para sempre me quer assim.
Faz-me sentir não credora de mim.
Culpa-me por respirar,
E por não valorizar este ato de amar.
Rapinou-me a mente a morte,
Sem traumas me parou.
Debruçou-se sobre mim
E as chamas da vida,
Uma a uma de mim arrebatou.
Desfez-se de mim o tempo,
Que nem para a morte
Nem para a vida me entregou.
E sobre meu corpo, vivo morto.
O tempo se largou.
Enide Santos 30/10/14
O que estão pensando?
Elas me olham se perguntando
Sem querer
Seus olhos riem chorando
Mas continuo pensando
Elas me olhando
Dupla curiosa
Não que eu não seja
Trocaria uma prosa
Mas e essa cerveja?
Deixo em cima da mesa?
Mal sabem
Que em mim habita cada tristeza
Não olhariam tão curiosas
Se soubessem o que tem atrás dessa mesa.
Ora, você que inventou a beleza
Tenha a nobreza
De se redimir
Me deixe achar algo feio
Pois tudo, tudo que rodeio
Acho beleza, me faz sorrir
Tanta beleza
Também faz sofrer
No ato de ver
Preciso sentir
Preciso morrer
Vejo poesia em cada canto
No meu sorriso
No meu pranto
No espaço livre
No papel em branco
Esse papel em branco
Me incomoda
Cato filosofia e poesia
Tudo que tenho em volta
Essa beleza perturbadora
Me faz cuspir poesia
Limpa como tua camisa
E suja como uma vassoura.
Tenho me esforçado para plantar
muitas flores por onde passo...
Sou movida a perfumes.
Cheiros.
Essências...
Os espinhos que por ventura eu
os encontrar por entre elas,
serão sempre um alerta de perigo!
Um sinal de preocupação.
Posso observar que algo anda dando errado.
E ao observar isso...
Eu não os arranco, são como sinais de trânsito...
Indicam quando devemos passar,
e ou se preciso desviar.
Desvio deles e sigo adiante!
Sei que logo à frente,
encontrarei sombra e água fresca...
Ainda estou aqui
Por mim passou a noite a madrugada agora vejo o dia surgi
Por onde andou? Com quem falou?
Pela manhã não apareceu aqui.
Despedida
Pq tudo tinha que ser tão difícil
Pq vc sempre na deixou na dúvida
Pq vc nunca demonstrou a mim
o que demonstrei a ti como sempre te amei
Pq tudo tinha que ser tão bom e ao mesmo
cheio de tristeza e dor
É agora acabou ,mas estará na minha alma
a marca desse amor e a cicatriz da dor que a envolveu
Adeus amor
