Poemas de Escuridão
Navegante solitário
escuridão da madrugada
ao meu redor, somente o som do Mar
distante, eu posso ver a luz das tochas
Que se movimentam
Como se empunhadas por formigas
Cessaram-se todas as brigas
Já transpus também
todas as rochas
Apesar dessa aparente e transitória
ausência de luz
Eu sei onde estou
E sei também onde é que estão
As coisas que eu faço questão
de ter por perto
Elas estão exatamente
onde eu as pus
Agora é somente
Aguardar um pouco mais de tempo
e o dia amanhece
desaparecem todas as brumas
e as vistas novamente
Se acostumam
Àquela branca e viva luz
Apesar de parecer
Não estou e jamais estive
à deriva
Eu conheço muito bem as armadilhas
e as esquivas
Estou a caminho
de colher as flores
e as frutas que plantei
Nesta vida eu me fiz rei
Em meu próprio ninho
Superei todas as dores que encontrei
Fiz o melhor que pude
em tudo que fiz
Portanto eu sei
Que falta muito pouco
Pra eu poder descansar
e me sentir feliz
Azar de quem não quis
Atravessar o Mar comigo.
Sob a cor da longa escuridão
ao som que emana do vento
e que hoje é somente uma brisa
no calor desta noite indecisa
ao lado a tristeza e a solidão
ou insõnia ou sono sem sonhos
Sonhos; histórias sem fim
no momento, só eu penso em mim
nesta noite, que nada eterniza
em que ouvir-me
ninguém mais precisa.
A ausência de escuridão
nem sempre se traduz em Luz
Luz não é aquilo que vem
do Sol ou de fontes artificiais
Aquilo é luminosidade
ou energia luminosa
Luz é algo que te faz
viver em Paz
te faz sentir proximidade
com a fonte Universal
de toda Luz
Mesmo na escuridão
Luz não vem de fora
Luz é algo que nasce
e existe
Dentro.
Existem cegos
que são cheios de Luz
e gente calcinada
que espiando-lhes
a alma
Não vemos nada
nem paz, nem luz
nem calma.
Um velho carrega uma lanterna
atravessando a escuridão dos tempos
seus olhos quase cegos
permitem que veja
poucas imagens
a emergir da escuridão:
Contempla humanos poderosos
Abusando do poder
com o dedo em riste
Não pode conter então
um triste riso
por saber que apesar que
por mais breve que seja
por aqui nossa passagem
não queremos nunca abrir mão
e nem nos ocultar do prejuizo
do preconceito
nem dos erros do pretérito
E tudo mais
que não é mais preciso
A vaidade
a encobrir aquilo
que valeria de verdade
Almejando alçar ao Céu
sem mérito
Querendo ocultar
aquilo que não se oculta
Daquele a que tudo sabe
O velho é apenas um velho
Que chora, então
pelos incautos
Que ainda não perceberam
que tudo passa
e há de passar
o Mundo inteiro
Aquele que chega em primeiro
nem sempre será vencedor
Haverá de se ver perdido
em meio ao nevoeiro
ou à fumaça
que emana das chamas
acendidas pelos próprios erros
daqueles que acreditavam
não haver amanhã
buscando sempre
viver o agora
pois sabe passada a hora
não há volta
pois por mais velho
que o velho seja
Ele aprendeu a enxergar
com olhos que não veríamos
se pudéssemos olhá-lo
porém, sempre supomos
mais que ele sabermos
nos embrenhando
cada vez mais
por um caminho
que não conduz
e nunca levará
ninguém a conhecer
a Paz.
Vai
Vai-te igual a tudo nesta vida
Vai
Vai-te pra sempre
Vai
E desaparece na escuridão da noite
Vai
Vai-te criatura das trevas
de anjo travestida
Mas vai
Vai-te pra sempre e me esquece
Vai
Desaparece de vez da minha vida.
Edson Ricardo Paiva.
Escuridão
É um lugar muito triste
Mas esse lugar existe
Pra que gentes de alma ruim
Lá, procurem outras gentes assim
Que digam que são do bem
E também tenham alma escura.
Edson Ricardo Paiva.
Demônios Internos
Não há demônios sob a cama,
nem monstros à espreita
nas frestas da escuridão.
Procure-os dentro de si
e os encontrará,
enraizados na alma,
como raízes densas
de medos nunca podados.
Eles se alimentam
do silêncio amargo
das noites insones,
bebem das culpas
que se ocultam
nas sombras da consciência,
crescendo nas rachaduras
dos segredos sufocados.
Não há monstros lá fora,
não há presenças que assombrem,
apenas os fantasmas
que nós mesmos criamos
com os escombros
das verdades que tememos.
Eles não gritam,
não quebram portas,
não urram no escuro.
Sussurram
na voz da ansiedade
que ecoa dentro do peito,
esperando que um dia
tenhamos coragem
de encará-los
sem medo do reflexo.
Ao chegar, seja a Luz que dissipa a escuridão.
Ao ficar não seja problema, mas sim solução.
Ao sair, deixe boas lembranças e não frustração.
Se tropeçou no caminho,
não se entregue à escuridão.
Levante-se, siga adiante,
pois há graça em sua mão.
O Cristo venceu a escuridão,
com cravos nas mãos e amor no coração.
Hoje, o túmulo é só lembrança,
e nossa alma canta com esperança.
Eu não o julgo, eu reconheço,
Também já chorei na escuridão.
Sei que às vezes o mundo atrai,
E tenta calar o som da salvação.
Mas oh, meu irmão, eu ainda creio,
Que a graça te alcança outra vez.
O Pai continua à porta, esperando,
Com vestes novas e anel de Rei.
A escuridão não é a ausência de luz. É algo muito mais complexo. Eu já estive lá várias vezes, aliás, ela, de vez em
quando, vem ao meu encontro. Mas, mesmo nas sombras, eu sei que Deus está sempre comigo, nunca me
desamparou. Mesmo na escuridão completa, segura a minha mão e me mostra o caminho. A ausência física de claridade simboliza apenas a fração visível do que sinto, há uma densidade sombria que engole sentido e esperança. Porém, a percepção de uma presença divina me faz acreditar que existe, mesmo no ponto mais escuro, uma mão invisível capaz de me guiar quando minhas forças falham.
Na noite escura,
A alma é nua,
Escuridão pela rua,
Iluminada pela lua.
A noite é escura,
E a certeza é sua,
A cidade em sonho flutua,
A palavra doce é crua.
A noite é pura,
O silencio intua,
A penumbra perpetua.
Tentações humanas
(Inspiração adolescente)
Da escuridão gélida da noite,
Sem conter um ar de vida em cores,
O feroz ser das multidões longínquas
Fez-se mais uma vez presente!
Conseguias derrubar montanhas onipotentes,
Destruir mil vidas encarniçadas.
Enquanto outras, ainda mais desgraçadas,
Se debruçavam no mundo tristemente...
Em cada face amiga que surgia,
Mais um tremor entre o céu e a terra se fazia,
Mais uma vez plantar seu ódio conseguias!
Tu, o que queres?
O que desejas?
Nenhuma resposta!
Mas algo era certo: era o diabo que surgia!
Agosto/1968
Em meio ao caos e à escuridão
Só em Ti confiarei
Sei que eu não naufragarei
Tu comigo estás
Tu és Bom
Tu és Bom em todo tempo
Brilha Tua luz, dissipa as trevas
Coloca por terra toda escuridão
Jesus, Te adoramos
Cordeiro santo, vem viver em nós
Escuridão
Já há alguns poemas que não te vejo
talvez estejas escondida entre os versos
ou entre as minhas amarrotadas madrugadas
aquelas que eu respiro na tua pele
cada vez que escrevo os meus
movediços e sonoros vazios
de amar-te até à exaustão dos poentes.
Sei que irei encontrar-te onde estou perdido
naquele lugar naufragado em mim.
A madrugada
estava escura
e muito triste,
eu escrevi
o nosso beijo
naquela escuridão
e ela amanheceu.
O ar oprime e faz medo, e o frio, e a escuridão;
mal se sente bater o próprio coração…
E assim nenhum consolo encontram os amigos,
e tímidos, então, rodeiam meu jazigo
e sentem, de meu sopro, o ar da morte passar.
– Ó vós, tudo o que tendes, a fala, o olhar,
e que trazeis a mim, o sepulcro devora,
insaciável sugar de meu túmulo agora.
Porém, ante o sepulcro, eis o Cristo postado!
Olhai! De quanta luz Ele está rodeado!
Reparai no calor que se irradia dele,
subi do vosso Nada ao Tudo que está nele,
estendei vossas mãos em sua direção,
cruzai-as junto ao peito e: “Eu sou!”, dizei então.
E o calor e a luz, fluindo em mim, florescem,
e o último inimigo – a morte – se esvanece.
