Poemas de Escuridão
ESCURIDÃO
O mundo anda escuro demais, mas isso é uma questão cíclica como a das estações do ano; o pior não será a escuridão, mas sim andar sem ideia do caminho nem saber aonde ele leva. Temos o exemplo da escuridão da noite e verificamos que também ela tem sentido, mas para podermos andar nela temos de adaptar as pupilas ao escuro. O mais importante é saber como caminhar e para onde. Por vezes, andar às apalpadelas pode ajudar a afinar o sentido de orientação.
Sozinho, mergulhei na escuridão
Num declínio borbulhante
Afundando num oceano gelado e negro como a noite
Cada vez mais distante
Você ainda consegue ver?
Sozinho e sem esperança, desejei voltar
Mas você não está lá me esperando
- Hopeless Solitude
Estou caindo na escuridão para te completar
Levarei seu coração comigo e libertarei minha alma
- My Last Breath
Na escuridão dos meus pensamentos imagino uma vida sem medo
Eu me sinto como um pássaro cujas asas foram arrancadas
Mas quem continua se jogando contra as grades
- Young Voice of the Holocaust
Se você fizer as perguntas certas
Você pode iluminar a escuridão
Porque quando um rosto reflete o sol
Para corações malignos é noite
- The Voice of the Light
Este mundo é silencioso
Não há sentimentos aqui
Entre a luz e a escuridão da vida
Sempre senti que algo estava me esperando
Acho que perdi meu caminho
Perdi minha vontade de lutar
Como pessoas sem esperança perderam o sorriso
Algo está errado comigo hoje
- Wings of Hope
Seguirei sempre ao seu lado, ser seu porto aonde for
Ser seu guia, abrigo, luz na escuridão, seu protetor
- Espólio
Mão poderosa
Esqueço.
Pereço.
Nesta escuridão que me cerca meus olhos doem...
Sofrendo desesperanças...
Nada do que busco minha mão alcança.
Falta-me discernimento?
A mim mesma me atormento?
Poderia ser mais fácil...
se eu por um momento na esperança acreditasse?
Mas meu coração está tão fechado.
É um eterno desconsolado.
Não sei se por minha própria vontade...
Ou se o destino é quem manda em tudo de verdade...
Queria ter nas mãos o controle.
O caminho por conta própria desenhando...
Pela estrada andando...
Meus próprios pés decidindo onde pisar...
Fugindo do que me atrapalha...
Não indo por vias tortas...
Um caminho completamente aplainado...
Um andar em que nada desse errado.
Queria...
Ser dona de mim.
Queria...
Minha vontade sempre prevalecendo.
Queria...
Viver, e viver...
Acabar sempre vencendo.
Queria...
Mas sei que assim não é.
Há uma mão poderosa que comanda onde coloco meu pé.
Melancolia
O frio da madrugada.
A escuridão que não me deixa ver nada.
Partiste e sozinha me deixaste.
Contigo toda a minha paz e alegria levaste.
Escrevo agora minha última poesia.
Sem rimas... sem métrica... sem nenhuma melodia.
Só uma nota triste que em toda ela persiste: a mais corrosiva melancolia.
Vida em escuridão
Em momentos de descontrole
O mundo dele virava do avesso...
E por mais que as pessoas orientassem
Ele sentia como se coisa alguma tivesse fim... nem mesmo tinham começo.
Ele dizia que o que via era só escuridão.
Sob seus pés areia movediça.
Na boca um gosto de fel...
Um castelo sem ponte levadiça.
Ele sentia bater acelerado seu coração.
O mundo girava sem parar...
Sentia-se tonto, desnorteado.
Como se tudo estivesse fora de lugar
Abismo
Escuridão.
Medo.
Amplidão.
Ninguém me avisou que depois do fundo do poço havia um abismo.
Tsunami, vendaval, sismo.
Tento no silêncio me refugiar.
Só ouço pessoas a gritar.
São gritos que pedem pra parar.
Como faço?
Em pedaços me desfaço.
Lutar ou resistir.
De qualquer jeito continuarei a cair?
Resisto.
Luto.
Consigo, enfim.
As vozes começam a se calar.
O medo a de mim se desapegar.
Sou o que sou.
E gosto do que vejo,
do que sou.
Vou continuar.
Da memória… não vou apagar
tudo o quanto caí.
Quero as lembranças todas.
No fim estarei inteira aqui.
É frio.
Na noite as trevas são pura escuridão.
Triste bate meu coração.
Meu corpo treme.
Meu canto é triste.
A solidão insiste.
O vento geme.
É frio.
A noite brilha com o brilho das estrelas e do luar.
Meu corpo se aconchega no teu.
Tuas mãos a me acariciar.
Uma sinfonia nossa sintonia… o melhor som no ar a espalhar.
Tua companhia tudo encanta.
O vento canta.
Deixe-me
Deixe-me, como a noite deixa o dia...
Nas trevas, na escuridão total... quando nada mais reluz.
O Sol mergulha na fenda do horizonte.
Engole, a noite, todos os raios da mais ínfima luz.
Cobre-se com a escuridão o céu.
A noite... o dia seduz.
Deixe-me...
Prefiro a escuridão da solidão.
Prefiro a dor da verdade escancarada
das tristes, frias e vazias madrugadas.
Deixe-me...
Apenas... deixe-me.
Eu sei me virar sozinha.
Eu sei lidar com a perda.
Eu sei trancar a porta...
Apagar as luzes... artificiais...
Entrar no quarto e ficar quietinha...
Chorar baixinho...
Já me convenci a viver bem... sem o seu carinho.
Aprendi a viver na falta
de luz
de calor
do seu amor...
...só não aprendi, como a noite, a acreditar na mentirosa luz das estrelas.
Me refaço
Volta e meia entro nesta escuridão.
O dia que não se faz jamais dia.
A noite que se repete livre pra ser noite todo dia.
Eu sei que vale a pena... esse vale da morte.
Desafios, incompreensões, períodos de crise...
Fatalidade do destino: perder meu tino.
Vai secando o meu mar...
Estou prestes a me afogar... no desespero e confusão... dessa profusão de tristeza.
Mas eu dou a volta por cima... volta e meia respiro o ar viciado ao meu redor
e me liberto... um novo balão de oxigênio... um riso belo de aconchego... a certeza da tua beleza.
Tal Fênix... renasço... assopro as cinzas pra longe...
Dos laços me desfaço.
Faço-me nova...
Mais uma vez minha vida se renova.
De gota em gota me refaço.
Minha prece
Os morros lá longe
na escuridão da noite que desce…
desaparecem.
Tudo, há pouco, era tão verdinho.
Aos poucos, tudo em cinza se transforma.
Tudo parece mudar sua forma.
Chuva fininha que do céu desce.
Anoitece.
Tudo umedece.
Pelo mundo todo faço minha prece.
Um novo dia – muita paz, saúde e alegria.
Um futuro sem medos.
Vidas sem desassossego.
Um mundo que não mais adoece.
Faço, por todos, minha prece.
Teu canto
É frio
Na noite as trevas são pura escuridão.
Triste bate teu coração.
Teu corpo treme.
Teu canto é triste.
A solidão insiste.
Marcas profundas
revelam a tua dor.
Só queres um abraço de proteção.
Só buscas carinho pro teu coração.
Queres das lágrimas se esquecer.
Tremula a alma... falta-te calma.
Nuvens sombras... já está outro dia a alvorecer.
A lua não surgiu
Luz macia.
A escuridão da noite parece não querer aparecer.
Esconde-se por detrás dos altos edifícios.
Ruas tumultuadas...
Tanta gente apressada.
Pressa que não leva a nada.
A lua não surgiu no céu do anoitecer.
Quer ela também brincar de se esconder.
Nuvens róseas e lilases...
O crepúsculo tarda.
O sol não está com pressa de se esconder...
Dourado... afáveis raios cobrem a terra.
Paz... a noite sua hora calmamente espera.
Adormeço
Na escuridão do quarto me sinto bem.
Consigo me ver como realmente sou.
Percebo nuances... percebo quando triste estou.
A escuridão do quarto deixa-me antever com clareza minha razão e coração.
A luz do dia
oculta minha dor e minha alegria.
A luz do dia, da vida, tira toda a magia.
A escuridão deixa visível a discussão entre minha razão e meu coração.
Debatem os dois: razão e coração
Numa guerra feroz.
Nada fica oculto.
Nada fica na escuridão.
E o bate-boca sempre termina sem solução.
Continuo sempre sem saber quem realmente sou.
Acalmam-se os dois vencidos pelo sono...
Adormeço... que buscava saber quem sou esqueço.
Escuridão fúnebre
Estava escuro como breu quando ele partiu...
E a escuridão persiste...
Já faz tanto tempo e nada muda de cor.
Nenhuma luz difusa paira sobre mim.
Nenhuma luz confusa a me ofuscar.
Tudo a se negrejar.
Há um odor a desespero em volta de mim.
Tudo jaz em uma umidade lúgubre, feral... sinistra... por onde passo.
Pálida, lívida, adoentada, derrotada, cansada... estou assim
