Coleção pessoal de I004145959
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O paradoxo de viver sem pausas, mesmo tendo aplicativos que otimizam e liberam nosso tempo.
A autoridade dos pais não repousa apenas nos exemplos; eventuais incoerências não lhes retiram o poder familiar.
Basta deixar de atender aos anseios para passar de amigo a bandido.
Para o mercado, é mais lucrativo patologizar a "turma do fundão" do que investir na educação.
Antes, os amigos acolhiam nossas angústias e frustrações; hoje, no segundo encontro, já indicam terapia.
Nascer para si é despedir-se do outro em si.
Inimigo em comum une mais que amigo em comum.
As cotas nasceram para reparar, não para separar.
O teatro de horrores pós-moderno não é para amadores.
Na hipervigilância, até o gesto espontâneo pede permissão.
O cérebro se prende ao que ameaça; o que acalma passa despercebido.
Somos moldados para notar o perigo antes da beleza.
Nossa espécie se adaptou para temer, não para admirar.
Quanto mais perto, mais visíveis os defeitos; quanto mais longe, mais visíveis as virtudes.
A convivência desnuda o que a distância oculta; por isso, julgamos mais os que vemos de perto.
Tendemos a notar falhas, não virtudes; o que incomoda prende, o que encanta escapa.
Há quem viva de apontar erros: é a forma mais rasa de sentir superioridade.
Há quem viva de autópsia moral: abre os defeitos dos outros para não dissecar os próprios.
O mundo é aleatório, violento e muitas vezes sem sentido.
A vida não é cinematográfica. Ela é caótica.
E você é o improvável protagonista.
Na fome, a autenticidade vira luxo.
Há ideias que dão status a quem as defende — palavras ao vento para quem tem vida remediada e vive distante da realidade dos menos favorecidos.
Vida no improviso, destino impreciso.