Poemas a um Poeta Olavo Bilac
“Já tenho algumas décadas e sei, tenho muito a caminhar. Desejo ainda ser lido mesmo depois quando enfim for encontrar minhas origens. Espero até lá parecer mais sábio aos olhos dos que me descobrirem. Não sou propriedade da minha propriedade. Tudo que tenho e fiz só faz sentido se puder ser, de alguma forma apropriado por outros. Sou poeta e a poesia não tem dono cada um que a ressignifica se torna co-autor. Essa é a a forma que encontrei de me tornar eterno a cada vez em que eu for recontado.”
"O grande erro de uma pessoa é não saber valorizar, quem de verdade lhe valoriza. Enquanto uma outra pessoa busca e quer tanto isso na vida,
para algumas pessoas, isso é sem importância."
A muitos escritores (dentre eles Autores e Poetas, se não todos) deve ser considerada a necessidade de se passar algum tempo sem escrever. Sem falar. Sem nada dizer. Apenas a produzir silêncio – do melhor e mais intenso tipo. Ou em diferentes níveis (não lineares, por falar nisso). Saber que o Silêncio é elemento essencial à sua obra é um sinal de maturidade.
Implacáveis, os filósofos são “duros”, como os poetas, como todos aqueles que têm algo a dizer.
Só há uma atitude humana que me faz duvidar se fomos realmente feitos à semelhança de Deus, é a ingratidão.
A vida e tudo em tua volta pode até desmoronar, esmorecer, mas se ainda te restar forças pra cantar, cante e então acharás razão para viver.
Saiba que a finitude não silenciará sua voz, porque tudo o que construístes em vida ainda permanece aqui.
As vezes escrevo, não porque sinto, apenas sei como é sentir.
Em outros momentos não escrevo, não porque não sei sentir, apenas sinto.
Aquele bairro tinha se tornado uma grande privada satélite, anexada ao centro velho e abandonado da cidade, um território esquecido por seres civilizados, antro supremo das mais relevantes categorias do tráfico, drogas, armas, contrabandos e piratarias de todos os gêneros imagináveis, prostituição. O lar do crime rigorosamente organizado, refúgio de marginais, imigrantes, putas, travecos, ligeiras, minorias, desempregados, miseráveis e mais miseráreis, mas nenhum culpado.
Dizer que não é fácil ser honesto no paraíso dos corruptos seria inocência demais, honestidade e dignidade não existem, são basicamente impossíveis de serem praticadas, num lugar como este. O próprio ar em si é corrompível, as ruas não alimentam o crime, o crime alimenta as ruas, sem ele não há forma de vida aqui; e ninguém é culpado.
Nata, mais nata mesmo me fazia feliz. Era simplesco e ia simploriando os cômodos, incômodos por serem minúsculos; pequenos eram os nervosismos, nocivos se insistentes, incentivados na maioria absoluta por preocupações; precauções não sendo tomadas; tomadas desprotegidas chocando-se; as serpentes só vivem se chocadas, os escândalos só existem se chocarem.
Fico de queijo caído se me derreto demais, sou facilmente impressionável quando a pressão é constante, na estante coleciono copos, cascas, taças, sementes, uvas-passas de parafina, soldadinhos de metal enferrujados; na clínica particular o terapeuta diria que é uma boa terapia colecionar, não tenho verba pra pagar terapeuta, sempre fui peralta, tratamento pra marotíce era cinta, jamais apanhei.
Tamanho é documento, extrato não é pagamento, identidade não é só uma cédula com data de nascimento e expedição, é teu caráter, tua atitude, tua coragem, tua concepção do que aprendeu, aplicou, questionou, descartou, revisou, reciclou; como incentivador te convido a escrever e encher de sentido o que vem desmedido acima da linha do coador.
Anteontem foi aniversário de uma Estilista parisiense, fez 48 anos, participou de uma entrevista para a semana fashion, falou sobre as tendências mundiais, desenhou três vestidos para a próxima coleção, comprou um bolo com nove camadas de recheio, humilhou duas modelos anoréxicas, demitiu um estagiário, encontrou-se a luz de velas com seu novo affair (amante vinte anos mais jovem).
