Alguns poemas são mesmo especiais para ler com crianças, pelo modo como estão escritos e por terem significados que possibilitam boas reflexões. Pensando nisso, selecionamos aqueles que são considerados os mais famosos. Boas leituras!

1. A Bailarina - Cecília Meireles

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.

Não conhece nem mi nem fá
Mas inclina o corpo para cá e para lá

Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.

Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.

Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.

Uma poesia inspirada no folclore. Pelas suas rimas, é um poema cheio de sons, especial para a diversão das crianças.

O poema tem, como tema, a menina que sonha em ser bailarina e que, tão nova, já busca tentar alguns movimentos.

Cecília Meireles (1901 – 1964) foi uma escritora reconhecida pelo seu talento com a literatura infantil, tendo realizado vários trabalhos para esse público, como Ou isto ou aquilo e Giroflê, Giroflá.

2. Poeminha do Contra – Mario Quintana

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

Um poema curto, mas de grande significado: passa o recado de que os problemas passam e a vida continua. O "passarinho" é um jogo de palavras de "pássaro" e o verbo "passar". É um poema de esperança e superação em relação às dificuldades da vida.

Poeminha do Contra tem uma forma simples, assumindo a estrutura de rima em quadra, que rima o primeiro verso com o terceiro, assim como o segundo com o quarto (A-B-A-B).

Mario Quintana (1906 – 1994) ficou popular como "o poeta das coisas simples", por ter uma linguagem simples, trazendo, ao mesmo tempo, verdadeiras lições de vida com as suas palavras.

3. Pontinho de vista - Pedro Bandeira

Eu sou pequeno, me dizem,
e eu fico muito zangado.
Tenho de olhar todo mundo
com o queixo levantado.

Mas, se formiga falasse
e me visse lá do chão,
ia dizer, com certeza:
– Minha nossa, que grandão!

Pedro Bandeira escreve nesse poema: tudo na vida é subjetivo, ou seja, tudo depende de um ponto de vista. No caso, o menino é pequeno para os adultos, mas, para as formigas, é grande.

Assim, de forma leve, num pequeno poema, Pedro Bandeira fala sobre o "pontinho de vista" de uma criança em relação à vida que a rodeia.

Pedro Bandeira (1942) é um famoso escritor de obras infantojuvenis. Chegou a receber um Prêmio Jabuti em 1986. Além de poesias, Bandeira dedicou-se a escrever muitos textos em prosa, como o livro: A Droga da Obediência.

4. Ou isto ou aquilo - Cecília Meireles

Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão ,
Quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!

Ou guardo dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e não guardo o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranquilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

Um poema que, com exemplos do cotidiano, mostra que sempre temos que fazer escolhas na vida. Se algo é feito, não podemos, ao mesmo tempo, fazer outra coisa.

Ou isto ou aquilo é um poema sobre o sentimento de que as coisas parecem incompletas na vida. É muito interessante de ser lido e refletido por trazer, com ele, uma lição sobre a vida de modo leve e com exemplos simples do dia a dia.

5. Bilhete - Mario Quintana

Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda…

Um poema pequeno que tem uma importante mensagem sobre o amor: para amar, não é necessário gritar. O amor deve ser algo tranquilo, ele cresce com o tempo. Por mais breve que seja o amor, não é necessário ter pressa e nem forçar as coisas. É importante dar tempo ao tempo e respeitar as vontades do ser amado.

É uma poesia realista, que carrega uma lição de vida: para amar, é necessário respeito, harmonia e sentimentos correspondidos. Não se ganha o amor por se gritar.

6. Por Enquanto Sou Pequeno – Pedro Bandeira

Por enquanto sou pequeno,
mas vou aprender a ler:
já sei ler palavra inteira,
leio pra cima, e pra baixo,
e plantando bananeira!

Por enquanto sou pequeno,
uma coisa vou dizer,
com certeza e alegria:
sei que nunca vou esquecer
da beleza da poesia!

Uma poesia que traz o crescimento de um menino que vai aprender a ler, junto de outras mudanças que irão acontecer na sua vida.

Apesar disso, a beleza da poesia continuará sendo algo que ele não esquecerá: apreciar uma boa poesia!

7. O Menino Azul – Cecília Meireles

O menino quer um burrinho
para passear.
Um burrinho manso,
que não corra nem pule,
mas que saiba conversar.

O menino quer um burrinho
que saiba dizer
o nome dos rios,
das montanhas, das flores,
– de tudo o que aparecer.

O menino quer um burrinho
que saiba inventar histórias bonitas
com pessoas e bichos
e com barquinhos no mar.

E os dois sairão pelo mundo
que é como um jardim
apenas mais largo
e talvez mais comprido
e que não tenha fim.

(Quem souber de um burrinho desses,
pode escrever
para a Ruas das Casas,
Número das Portas,
ao Menino Azul que não sabe ler.)

Um belo poema infantil com rima de Cecília Meireles. Tem como tema uma brincadeira leve, sobre ser um pequeno menino e sobre todos os sonhos e vontades que acompanham a infância. O burrinho seria o grande companheiro do menino.

No entanto, no fim do poema, a autora traz uma mensagem: a importância da alfabetização. Afinal, caso o menino soubesse ler, ele poderia realizar seus sonhos sem precisar de ajuda.

8. Infância – Carlos Drummond de Andrade

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.

Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
– Psiu… Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro… que fundo!

Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé

Um poema sobre as saudades do passado, em que o menino revive momentos da sua infância, do seu pai indo para o campo e da sua mãe em casa com ele e o irmão.

Para o fim do poema, ele lembra que naquela época, da infância, não sabia que sua história era mais bela que a do próprio Robinson Crusoé.

Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987) integra a segunda fase do modernismo brasileiro, tendo ficado famoso por abordar temas do cotidiano e fazer críticas sociais e políticas.

9. Ser criança – Tatiana Belinky

Ser criança é dureza-
Todo mundo manda em mim-
Se pergunto o motivo,
Me respondem “porque sim”.

Isso é falta de respeito,
“Porque sim” não é resposta,
Atitude autoritária
Coisa que ninguém gosta!

Adulto deve explicar
Pra criança compreender
Esses “podes” e “não podes”,
Pra aceitar sem se ofender!

Criança exige carinho,
E sim! Consideração!
Criança é gente, é pessoa,
Não bicho de estimação!

Uma ótima poesia para a educação infantil, que traz uma reflexão sobre o que é ser criança. O que a criança deve fazer e o que a criança merece receber?

Essas reflexões sobre "ser criança" podem abrir espaço para uma discussão sobre os Direitos e Deveres das Crianças.

Tatiana Belinky (1919 – 2013) é uma reconhecida escritora infantojuvenil, tendo recebido o Prêmio Jabuti, em 1994, com o livro A Saga de Siegfried.

10. Amarelinha - Maria da Graça Rios

Maré mar
é maré
mare linha
sete casas a pincel.
Pulo paro
e lá vou
num pulinho
segurar mais um ponto
no céu.

Alguém está pulando amarelinha e seus passos estão sendo narrados: pulo paro e lá vou. Um belo poema curto que traz versos que parecem estar em movimento junto com a amarelinha.

É um poema divertido que mostra como também é possível fazer um jogo de palavras com a escrita.

Maria da Graça Rios é poeta e autora de livros como Uma, Duas, Três Marias.

11. As Borboletas – Vinicius de Moraes

Brancas
Azuis
Amarelas
E pretas
Brincam
Na luz
As belas
Borboletas.

Borboletas brancas
São alegres e francas.

Borboletas azuis
Gostam muito de luz.

As amarelinhas
São tão bonitinhas!

E as pretas, então…
Oh, que escuridão!

Vinicius de Moraes brinca com as cores das borboletas. É uma canção infantil e um poema de rimas que tem muita musicalidade nos seus versos (com diferentes sons).

Para as crianças, é um poema que diverte e tem uma escrita simples, possibilitando a repetição e memorização da poesia.

Vinicius de Moraes (1913 – 1980) foi fundamental para a literatura brasileira, tendo sido poeta, dramaturgo, compositor e diplomata. Foi um dos grandes nomes da Bossa Nova.

12. A Casa - Vinícius de Moraes

Era uma casa
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada

Ninguém podia
Entrar nela não
Porque na casa
Não tinha chão

Ninguém podia
Dormir na rede
Porque na casa
Não tinha parede

Ninguém podia
Fazer pipi
Porque penico
Não tinha ali

Mas era feita
Com muito esmero
Na Rua dos Bobos
Número Zero.

Uma poesia que é também uma bela canção infantil. As rimas e a musicalidade são pontos fortes deste poema, permitindo que as crianças tenham momentos de diversão, enquanto treinam sua leitura ou seus ritmos na cantoria.

A composição da poesia teria sido inspirada numa casa que fica em Punta Ballena, no litoral do Uruguai, chamada de Casapueblo, do artista Carlos Vilaró.

13. No Meio do Caminho - Carlos Drummond de Andrade

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

A repetição dos versos nesse poema é de propósito, por querer enfatizar as dificuldades enfrentadas na vida. Os problemas e obstáculos que aparecem pelo caminho. Assim, o próprio poema busca trazer este peso nos seus versos. A palavra "fatigadas" representa o cansaço enfrentado em lutar contra os obstáculos.

Para a leitura do público infantil, essa poesia traz um estilo de repetição diferente, porque quer transmitir a sensação dos obstáculos.

14. Seiscentos e sessenta e seis - Mario Quintana

A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo…
Quando se vê, já é 6ªfeira…
Quando se vê, passaram 60 anos…
Agora, é tarde demais para ser reprovado…
E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
seguia sempre, sempre em frente …

E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.

Conhecido popularmente como O Tempo, esse poema reflete sobre a passagem do tempo e sobre como tudo passa de modo veloz. Mario Quintana traz a mensagem de que é importante aproveitar cada dia da vida.

Para as crianças, é um poema que tem a lição sobre a importância de viver a infância, de ser feliz, de se aproveitar os momentos, pois, quando se olha para o relógio, o tempo está já voando.

15. A Centopeia – Marina Colasanti

Quem foi que primeiro
teve a ideia
de contar um por um
os pés da centopeia?

Se uma pata você arranca
será que a bichinha manca?

E responda antes que eu esqueça
se existe o bicho de cem pés

Será que existe algum de cem cabeças?

Um poema curto e divertido sobre a imaginação da infância nas suas rimas: já que existe o bicho de cem pés, será que existe algum de cem cabeças?

Traz ainda a curiosidade da criança, perguntando quem primeiro teria feito a conta de cada pé da centopeia para saber que ela tinha cem.

Marina Colasanti (1937) é uma escritora ítalo-brasileira que escreve para o público infantil e adulto, tendo mais de 70 obras publicadas.

16. Verbo Ser - Carlos Drummond de Andrade

Que vai ser quando crescer?
Vivem perguntando em redor. Que é ser?
É ter um corpo, um jeito, um nome?
Tenho os três. E sou?
Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito?
Ou a gente só principia a ser quando cresce?
É terrível, ser? Dói? É bom? É triste?
Ser; pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas?
Repito: Ser, Ser, Ser. Er. R.
Que vou ser quando crescer?
Sou obrigado a? Posso escolher?
Não dá para entender. Não vou ser.
Vou crescer assim mesmo.
Sem ser Esquecer.

Um poema que brinca com os verbos "ser", "crescer" e "esquecer", trazendo dúvidas sobre como será crescer e se será que é possível escolher quem ser.

É um poema pequeno que, com leveza, traz um tema importante de ser conversado com crianças: a infância e as tantas dúvidas sobre as mudanças e o crescimento.

17. Receita de Espantar a Tristeza - Roseana Murray

Faça uma careta
e mande a tristeza
pra longe pro outro lado
do mar ou da lua

vá para o meio da rua
e plante bananeira
faça alguma besteira

depois estique os braços
apanhe a primeira estrela
e procure o melhor amigo
para um longo e apertado abraço.

Uma bonita poesia que conta como "espantar a tristeza". De um modo simples, são conselhos para se buscar alguma forma de voltar a sorrir e de sentir alegria.

O poema inclusive sugere "plantar bananeira" e "procurar um amigo" como formas de acabar com a tristeza.

Roseana Murray (1950) é uma escritora e poetisa brasileira que ficou famosa pela delicadeza das suas obras infantojuvenis.

18. A Porta – Vinicius de Moraes

Eu sou feita de madeira
Madeira, matéria morta
Mas não há coisa no mundo
Mais viva do que uma porta.

Eu abro devagarinho
Pra passar o menininho
Eu abro bem com cuidado
Pra passar o namorado
Eu abro bem prazenteira
Pra passar a cozinheira
Eu abro de supetão
Pra passar o capitão.

Só não abro pra essa gente
Que diz (a mim bem me importa...)
Que se uma pessoa é burra
É burra como uma porta.

Eu sou muito inteligente!

Eu fecho a frente da casa
Fecho a frente do quartel
Fecho tudo nesse mundo
Só vivo aberta no céu!

A canção e poesia que brinca nos seus versos, colocando a porta como sujeito. Ela é que conta sua história, o que pensa e para que serve.

Nessa poesia, as rimas acompanham os ciclos da porta, desde sua construção até seu uso numa casa.

19. O Direito das Crianças - Ruth Rocha

Toda criança no mundo
Deve ser bem protegida
Contra os rigores do tempo
Contra os rigores da vida.

Criança tem que ter nome
Criança tem que ter lar
Ter saúde e não ter fome
Ter segurança e estudar.

Não é questão de querer
Nem questão de concordar
Os diretos das crianças
Todos têm de respeitar.

Tem direito à atenção
Direito de não ter medos
Direito a livros e a pão
Direito de ter brinquedos.

Mas criança também tem
O direito de sorrir.
Correr na beira do mar,
Ter lápis de colorir…

Ver uma estrela cadente,
Filme que tenha robô,
Ganhar um lindo presente,
Ouvir histórias do avô.

Descer do escorregador,
Fazer bolha de sabão,
Sorvete, se faz calor,
Brincar de adivinhação.

Morango com chantilly,
Ver mágico de cartola,
O canto do bem-te-vi,
Bola, bola,bola, bola!

Lamber fundo da panela
Ser tratada com afeição
Ser alegre e tagarela
Poder também dizer não!

Carrinho, jogos, bonecas,
Montar um jogo de armar,
Amarelinha, petecas,
E uma corda de pular.

Um poema muito importante na educação infantil, que toca no tema dos Direitos da Criança. As crianças devem ter uma infância feliz.

De forma leve e poética, esse poema, quando lido com crianças, traz reflexões sobre o lugar da criança no mundo, abrindo espaço para dar um conhecimento necessário sobre a infância.

Ruth Rocha (1931) é uma escritora famosa pela importância de seus livros direcionados ao público infantojuvenil. Sua obra mais conhecida é Marcelo, Marmelo, Martelo.

20. A Lua no Cinema - Paulo Leminski

A lua foi ao cinema,
passava um filme engraçado,
a história de uma estrela
que não tinha namorado.

Não tinha porque era apenas
uma estrela bem pequena,
dessas que, quando apagam,
ninguém vai dizer, que pena!

Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava pra ela,
e toda a luz que ela tinha
cabia numa janela.

A lua ficou tão triste
com aquela história de amor,
que até hoje a lua insiste:
— Amanheça, por favor!

Um bonito poema que toca no tema da solidão, utilizando, para isso, a lua e a estrela como personagens dos versos que narram a história.

De forma delicada, essa poesia tem uma linguagem simples e figuras próprias (lua e estrela) para abordar um tema mais difícil e adulto, como é a solidão.

Paulo Leminski (1944 – 1989) era o poeta dos trocadilhos e das brincadeiras, tendo um jeito muito próprio de escrever suas poesias.

21. Trem de Ferro - Manuel Bandeira

Café com pão
Café com pão
Café com pão
Virge Maria que foi isto maquinista?

Agora sim
Café com pão
Agora sim
Voa, fumaça
Corre, cerca
Ai seu foguista
Bota fogo
Na fornalha
Que eu preciso
Muita força
Muita força
Muita força

Oô...
Foge, bicho
Foge, povo
Passa ponte
Passa poste
Passa pasto
Passa boi
Passa boiada
Passa galho
De ingazeira
Debruçada
No riacho
Que vontade
De cantar!

Oô...
Quando me prendero
No canaviá
Cada pé de cana
Era um oficiá

Oô...
Menina bonita
Do vestido verde
Me dá tua boca
Pra matá minha sede
Oô...
Vou mimbora vou mimbora
Não gosto daqui
Nasci no Sertão
Sou de Ouricuri
Oô...

Vou depressa
Vou correndo
Vou na toda
Que só levo
Pouca gente
Pouca gente
Pouca gente...

Os versos são rápidos e curtos, trazendo a ideia de que se está no trem em movimento. A linguagem do poema também tem outra característica importante: é uma linguagem do cotidiano, com termos populares.

Trem de Ferro foi escrito na revolução industrial na década de 30. Uma época em que os trens eram muito utilizados no Brasil.

Manuel Bandeira (1886 – 1968) foi um poeta da primeira geração modernista no Brasil, tendo obras que encantam as diferentes faixas etárias.