Nao me Comove mais
Quando a vida não dói mais.
"Às vezes vem sonhos ruins
A gente se assusta e se acorda
Mas, se não se recorda de sonhos assim
Não tem nada que nos faça
Ver a graça da chuva que te surpreende
Recordar-se da pedra, onde um dia tropeçou
Numa queda que te feriu.
Até mesmo na doença lá da infância
E de todas as distâncias que venceu
Nessa fase, onde tudo se ajusta
E você só vai vivendo a própria vida
Se não existe mais risada ou quase riso
Você deixa de ver graça em sonho bom também
Quando a gente se esquece e nem pensa
Em todo aquele medo que sentiu do escuro
Todo dia acorda
Porém, só se sente apressado...atrasado
E nem agradece à bênção da claridade
O pássaro voando é só uma ave que passa
Não enxerga mais a paz do voo, tanto faz.
Não existe mais mistério em nada
Não existe mais vontade de sorvete lá na praça
Nem mentira e nem verdade
Não há flecha que te atinja e nem te fira
Nesse duro coração vazio, fortalecido pela vida
Tanto faz ir ou ficar
Calor ou frio
Esqueceu-se da alegria
Quando, um dia era tão bom poder sair para brincar
À exceção daquilo que se enxerga
Não existe mais magia em nada...ela existia.
Mas o mundo tornou-te igual a mim."
Edson Ricardo Paiva.
De tanto as folhas crescerem
Chega uma hora em que o galho desce
Já não existem mais escombros sob a sombra
Há paz e alegria de sobra
Só quem chora é a chuva
Mas ela nem chove agora
Houve um tempo em que sobravam dias
Agonias normais
De tanto ver cairem as folhas
Chega uma hora em que ninguém repara
E de tanto sobrarem dias
As horas, feito feras, só se maltratavam
Não havia ombro onde chorar
Tinha o ar, que se movia
Tinha a chuva que molhava, indiferente
E de tanto ver crescerem as sombras
Chega uma hora em que os olhos secam
Broncos, endurecem tanto quanto o pé de amora
Hoje, quando a chuva chora, as folhas verdejam
E o coração, na paz de um tronco, parece até que nem se molha
Agora, a tudo carrega dentro de si
De modo, que todo aquele que passa e que olha, não veja.
Edson Ricardo Paiva.
Não me lembro bem que ano era
Tem bem mais que muito tempo
Era só mais outra primavera
Mas setembro tem o dom dessa saudade
Tinha um sapo que cantava à toa
Sua voz tinha o som de piano ou de sanfona
E tinha a sapa, que valsava
E tinha uma canção, que vinha no vento
O sapo era tão vagabundo
Que esperava a balsa pra ganhar o mundo
E tinha a rã, com cheiro doce, de hortelã
Porém, a sapa era do mês de agosto
A marrafona era mulher sem rosto
E eu ainda era criança
Mas o tempo passa e sempre tem setembro
Trazendo essa saudade, essa lembrança
Uma coisa boa, uma verdade que é so minha
E não me lembro muito bem que ano que era
Nem qual idade que eu tinha.
Edson Ricardo Paiva.
Fito.
Não me lembro se chovia ou não
Era só mais um dia
Todo aquele, que anda fora do quadrado
Há de lembrar-se assim
Tinha a escada, lá no fim da rua
Um caminho sem volta
Não me lembro se pisei devagarinho ou não
Era só mais uma estrada torta
e tinha outra ao lado
Dessas, que tem muitas, era sempre assim
Sinuosa como a vida
Todo mundo pensa
Em vencer o tempo um dia
Tempo que povoa nossa fantasia
Momento e momento sem conta
Voa ao vento
Coisa boa é ver o tempo flutuando
Que, voando lento
Atento, te desmonta
Nem dá tempo de pensar
Não pense
Pise bem devagarinho a vida.
Confia no tempo, ele espera
Era ainda de manhã, bem cedo
O caminho era sem volta
Segredo, que a palavra vida abrange
Quando é a gente que flutua
Pra um lugar chamado longe
Mesmo perto
O destino põe deserto intransponível ali no meio
Pois domina a arte, essa desconhecida
De partir e repartir o tempo
O lenço, aceno, a despedida
O incompleto e o pleno
O atalho, o orvalho, o sereno, a madrugada
E, volta e meia... a vida alheia
Grasna, a gralha
Queima a ponte, o ninho, a palha
Torna sem retorno esse caminho
Mente descontente:
O morno, o incipiente que povoa a nossa fantasia
Voa ao vento a vida à toa
Flutua até a lua, beija e volta
Noite e meia, olha de longe
Luz do sol, essa que dourava a pele
Toda vez, agora agoura
Lírico empirismo
Limite do que não se vê
Se havia um fito na existência
Era do espírito
A vivência de saber ser leve
É hora de aprender, se apresse
A beleza da vida, em resumo, era essa
O tempo, em seu vagar garboso de aprumado
Não deu tempo de pensar, não pense
O tempo brumo, impiedoso
No final, te vence.
Edson Ricardo Paiva.
A dor mais cruel não é a que mata, mas a que se vive no espetáculo da vida, com direito a plateia, porém sem aplausos. Quando todos os aplausos seria mais que merecido.
O que mais espanta no homem,
não é a sua veraz erudição;
a vistosa capacidade em saber
cada vez mais...
Mas sua insistência emportar-se
como um ser inferior; e, sobretudo,
alheio aquilo que
sabe!
... o mais pertinente
desafio não está no acolhimento
de novas e mais consistentes ideias,
que te sugerem um olhar
mais à frente...
Mas escapar das antigas
que teimosas, sorrateiras,
sempre te induzem a olhares
para trás!
O mais insuspeito
encantamento temperando
um simples escrito, não está
na talentosa fluidez ora
envolvendo cada palavra
ou ideia ali sugerida...
Mas nas consistentes
interrogações e argumentos
que ele provoca!
... aos olhos do Criador
não existem grandes ou pequenas obras;
como não existirá o mais sábio, ora
transformado num incômodo contraponto aqueles que ainda penam por mais
consistentes respostas...
O que na verdade existe é o razoável
e necessário prescrito a cada espírito;
logo, que reconheças e viva
o 'teu' necessário!
... e o que
mais desejam certos
aduladores da censura,
a não ser, confiscar
da Verdade
um dos seus princípios
mais peculiares e incisivos:
o incômodo!
... creio
não ser mais tão difícil
perceber o quanto temos
trocado a 'arte de viver' - seus
fartos princípios e possibilidades -
por implicâncias e malefícios
que não respeitam
limites!
... a grande
tragédia que hoje abate
os mais jovens não decorre de
um habitual destrato à ordem
e princípios já estabelecidos: e sim,
da desoladora inabilidadedetectada
naqueles que, à posse de justos
argumentose atitudes, revelariam as benessessuscitadas pelo
respeito à ordem!
No sempre dispendioso
mas compensador caminhar destinado a cada espírito,
não haverá um mais aplicado
mestre ou eminente juiz
que não seja ele
mesmo!
Uma das coisas mais importantes da sua vida, que seria interessante você aprender é:
- Não dê ouvidos as lamentações alheias, dê ouvido ao de "fato problema real". E se não puder resolver, não se envolva com situações que não sejam as suas.
Hoje eu estou menos que ontem, meus olhos estão maiores e mais seletivos. Resultado: Não amo o passado que tanto me infernizou a mente.
"Eu acreditei em você sabe?
Não se preocupe, sem danos maiores (não mais dos que eu já tenho).
Eu esperei mil anos e descobri que eu te esperaria mais mil, eu morri todos os dias da minha vida, esperando por você. E eu fui apunhalada da pior maneira.
O que eu aprendi com isso?
Você jogou fora todo o amor que eu te dei, em troca de ser normal. Então eu descobri que você nunca mereceu todo o amor que eu tinha.
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