Escrever
Fazer as pessoas lerem é fechar os caminhos para que elas leiam só no que eu estou pensando.
Saber escrever é outra coisa.
Eu escrevo como quem beija.
Um beijo longo, demorado, carinhoso.
Um beijo desses de língua.
A língua se movimenta lentamente
e me permite um gosto
ao mesmo tempo do outro
e de mim mesma.
Do outro que me encontra
neste texto
e do que há em mim que permite o encontro.
Eu escrevo como quem vive.
Assim, simples,
fazendo um texto de vida,
na vida.
Às vezes, penso,
afinal, que texto é esse que eu produzo?
Que vida é essa agenciada
pelo sabor das palavras compartilhadas,
sussurradas, como um afago?
Quem é esse outro que me encontra
e quem sou esse eu mesma que se expressa,
que se entrega...
Nesse delicioso beijo de língua?
Nesse movimento que, afinal,
eu mesma provoco?
O gosto vem do meu movimento mesmo
associado ao movimento do outro.
Quando escrevo, eu me inscrevo.
Fica também o meu gosto
no gosto da língua do outro.
E isso me remete a não querer parar de escrever. Nunca.
(Maria Luiza Cardinale Baptista)
Escrevo tanto sobre mim, mas ainda estou tentado me encontrar em alguns dos tantos trechos que inventei.
Escrevo pras paredes, pro ar que respiro,
não dependo de algo ou alguém pra me expressar.
Escrevo porque escrever é amar, assim como dançar ou cantar.
Escrever é dizer aquilo q se sente, a arte de um poeta, mas não necessariamente amar.
Ser poeta não é amar, ser poeta, é escrever sobre aquilo que pensa-se ser o amor, pois ninguém nessa vida o desvendou...
" INVERNO "
Ouve, ouve o silêncio do inverno meu amor
Nas folhas molhadas da chuva já mortas no chão
Que escorregam pelas minhas mãos vazias
Onde tu deixaste tatuado o teu nome na minha pele
Palavras escritas no tempo, que ecoam no nosso momento
Abraços silenciosos que deixamos no caminho em pedaços
Meu amor rasga o meu corpo, neste inevitável passar do tempo
Enche as páginas vazias do meu livro em poemas solarentos
Quero escrever envolta em ti para ti, num sonho refeito e feito
Num encontro perfeito de corpo e alma, eu em ti, tu em mim.!!
ESCREVO...ESCREVO
O nosso silêncio amor, dorme
Nos livros já lidos no cesto do nosso quarto!
Tantas vezes escrevo sem pensar
Tudo o que a minha alma dita
Tudo o que o meu corpo sente
Tudo o que o meu inconsciente grita.
Porque tornou-se impossível não escrever
Gosto tanto e faz-me falta !
QUERIA TRANSFORMAR
Queria transformar as saudades
Amando-te ainda mais
Solto o meu desejo
Inventando-te
Prendo-te em mim em cada gesto
Mostro-te quem sou eu
Nos trilhos da nossa emoção
Palavras ditas baixinho num gemido
Coração que bate em descompasso
Olhares que se encontram no desencontro
Caminhos traçados nas pontas dos dedos
Língua que se encontra na boca sem medo
Aromas que se misturam num braço apertado
Toque de ternura suave das mãos que exploram
Rasgam todas as asas que me prendem
Libertando-me da prisão dos sentidos
Solto as amarras nas palavras que escrevo
Escrevo-te em cada segundo do meu pensamento
Invento-te de novo em mim nas palavras mágicas
Ditas, escritas na tempestade do tempo, para o tempo.!
Querem descalçar os pés? Mantenham por perto sua família, seus melhores amigos e os novos amigos que a vida lhe traz, mas não abdique de um tempo sozinho para fazer uma leitura de um livro, assistir a um filme ou uma boa cantoria ao chuveiro. Sorria e cante quando a vida lhe disser um não, chore, extravase, corra e grite quando a vida lhe disser um sim, dedique mais as suas emoções em coisas boas. Faça uma viagem ao invés de comprar um aparelho de TV mais moderno, ao invés de olhar todos os capítulos de uma novela porque você próprio não escreve uma, ou melhor, junte sua família na hora do jantar, pergunte-lhes como foi o dia, conversem, se amem. Seja satisfeito com o que tens, com as pessoas que vês, sejam simples, sonhem com os pés no chão, mas as mãos nas nuvens.
A diferença entre um escritor fracassado e um de sucesso é que ambos falam do óbvio: o primeiro rebusca demais e o segundo é simples. Imagine milhares de pessoas adorando o óbvio, que por ser óbvio deveria ser simples de entender, mas não entendem. Isso que faz o sucesso de um escritor, escrever o óbvio do óbvio.
Escrevo-te, sem tentar esconder a tristeza que sinto, meu ser longe de ti; escrevo-te, pra saciar a minha sede de te ter, fonte inesgotável de água farta e límpida; escrevo-te, pra me sentir eternizada nos teus olhos ao leres as minhas mal traçadas linhas; escrevo-te com toda a sofreguidão, pra beberes momentaneamente o mel que escorre das minhas palavras, e relembrares a doçura da tua infância; escrevo-te palavras de amor, meu amado poeta volátil, inalcançável; escrevo-te por mil razões; sem motivos, também escrevo-te...
Escrevo-te incansavelmente...só assim estarás vivo, pra sempre, ao meu lado...
Eu me sinto como um livro as vezes...
Inacabado, cheio de páginas e com mil histórias....
Tenho muito o que contar e escrever ainda.
Por isto eu escrevo...
Cláudia Leite S.
Eu queria ser uma boa dona de casa, mas infelizmente eu não sou, eu não nasci para isto e o meu mundo é ser jornalista, é escrever, é ser...
Adoro ser...
Cláudia Leite S.
Ser pensador pode vir a ser um problema.
Você deve ser quem vive, não quem lamenta.
Amores não são só para escrever um poema.
O Pensador | Cabo, 16-Dez-2013
Eu escrevo, não por talento, pois sou desprovido dele... Escrevo pois é meu escape, meu ponto de fuga. Então você deve perguntar: fuga de que? Então respondo: fuga de mim...
Por que alguém quereria escapar de si mesmo?
Simples, pois é difícil conviver consigo toda sua vida, e eu sei o quão difícil é conviver no meu mundo, tenho uma breve noção de como é...
Escrever me faz viajar por terras onde a dor é de mentira, onde a felicidade perdura, o fraco se faz forte, o ímpio se faz crente, o cego vê, o surdo escuta, o mudo fala, e eu escrevo, ou finjo... Fujo para um lugar sereno, pois o melhor lugar para se guerrear é em um campo limpo.
Mas no fim me faço presente em mim novamente, no meu mundo terreno. Vejo que quase nada é igual, apenas as batalhas, mas tenho que me amar, pois serei totalmente obrigado a conviver comigo, a guerrear comigo...
Então fujo, finjo, luto, morro, e volto para quem eu sou obrigado a amar, e amo amar, eu mesmo, meu eterno inimigo...
