Coleção pessoal de Moapoesias

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Ondulante
O vento que nos permeia
Balança as águas
Ondula as areias.

Desafiante entra pelas janelas
Sacode as cortinas
Bate nas telhas.

Apaga-me a voz
Grita-me zunindo levemente
Esvoaça grisalho a cabeleira.

Vá ser feliz,
Por favor, vá-se embora
Vai ventar lá fora.

Moacir Luis Araldi

Trunfos
Tens pele sedosa com cheiro de amor,
Sob a blusa vermelha trunfos ávidos
Ângulo suave e sedutor
Em marcantes sândalos encantados.

Domada na generosidade da fragrância
Atributos das essências viris,
Adjetivos caracterizados na abundância
Solícitas provocações quase febris.

Deita teu algodão neste braseiro
Tórrida de desejos arrocha os lábios,
Pulsando vertentes no corpo inteiro
Maliciosos segredos outrora guardados.

Moacir Luis Araldi

Ônus e bônus
Vivemos a fazer contas
Sem saber que a vida não é exata
O inesperado sempre apronta
Num piscar vai de crédito a duplicata.

Dentro cada um tem o que precisa
Para o caminho que escolher seguir,
Definindo as próprias divisas
As decisões tomadas indicam por aonde ir.

Seremos sempre o que nos fizermos
A ninguém devemos atribuir nada
Somos ônus e bônus do que escolhemos
Resultados das nossas metas certas ou erradas.

Moacir Luis Araldi

Menino
Ah! Meu eu menino
confia em mim
Tenho vivência
E alguns sonhos jovens.
Deixa o dia florir
No sol que te abraça,
Ainda há vida
É preciso ser feliz
Até o dia que não amanhecer.

Moacir Luis Araldi

Desisto-me.
Todos meus sonhos
Vivem outros sonhos.
Todos meus gostos
Tem outros gostos.
Aquilo que choro
Sorri para vida.
Tudo que eu ganho
Perde o valor.
Meu tropeço
Quebra uma flor.
Tudo o que existo
Não resiste.
Desisto-me.

Moacir Luis Araldi

De zero a Dez

Seguiram os dois na nau desgovernada;
Um por querer tudo
O outro por não querer nada.

No caminho nada se ajeitou,
Um não sabe por que foi
O outro não sabe por que voltou.

Nenhum deles entendeu,
Olharam-se nos olhos no adeus,
Para finalizar um no outro um beijo deu.

Moacir Luis Araldi

Todos os dias...

Todo dia hoje vira ontem,
Presente vira passado,
Dúvida vira certeza,
Sonho é realizado.

Todo dia
Uma flor nasce
O sol brilha
Alguém sorri.

Todo dia
Diga bom dia
Se contagie
Pela alegria.

Todos os dias...

Moacir Luis Araldi

Míssil
Sofismadas no sorriso estavam às angustias,
Tremores de quem toca o infinito
Na incerteza do que virá ao abrir a porta
Além do bilhete pendurado
No girassol já sem abelhas.

Fecha-se o portão criado
De um mundo invisível
Ante o abismo....
Cante.

Talvez faltem pernas para o pulo,
Um passo atrás...
O embalo
Três...
Lança-se.

É a própria lança,
É míssil futurístico
Que não se prende a muros.

Levante-se...
Sentado
Nem na melhor música se dança.

Faça a troca;
A uma vida enfadonha
Arisque algumas festanças.

Moacir Luis Araldi

Gramado
Cidade de sonhos
De invernos gelados.
Gramado da luz natalina
Das belas meninas
Do chocolate
E da neblina.

Gramado
Dos lagos
Dos cinemas
Dos vales e museus...

Gramado
Dos apaixonados
Da felicidade
Da gastronomia
E da hospitalidade.

Moacir Luis Araldi

Em suaves devaneios autorais
transformei meu sujeito em composto
misturei consoantes e vogais
só para descrever a beleza do teu rosto.

Moacir Luis Araldi

Coroada.

Tenho em mim cada gosto
Que quiçá, provarei nos lábios teus
A meiguice dócil do teu rosto
Trazendo saudade antes do adeus.

Desejarei poetar teus olhos brilhantes,
As covinhas das tuas bochechas ocas,
Descrever tua beleza cintilante,
Preso no fascínio da tua boca.

Numa poesia meio mágica e inconsequente,
Tirarei dos versos a rima reprimida
Colocarei no mesmo verso inocente
Em ordem invertida, eu, você e a vida.

Moacir Luis Araldi

Bálsamo
O mar, mistério a explorar,
Acaricia ondas que cabelos não têm,
Como o corpo nu a encantar
Afogando desejos no suave vai e vem.

Bronze em reflexo solar
Na profundidade de tudo há sonhos,
É mágico nestas águas nadar
Bálsamo salgado onde me recomponho.

Este mar de esperança e fé
Onde o fim é impossível ver sequer
Balança na alma
Um corpo lindo de mulher

Moacir Luis Araldi

Para o poeta a vida melhora
Com um toque de poesia,
Se não estiver ao alcance na hora,
Criará ele, em sua fantasia.

Moacir Luis Araldi

Incêndio
O fogo, impiedoso, devasta
A vegetação toda incandesce
O calor, incômodo se alastra
Dissipando um mundo verde.

No meio dele, desmaiam flores róseas
Dos ipês ora floridos,
Avança como um corcel sem rédeas
Deixando corpos vitais no chão estendidos.

Clarão que a noite aquece
Flechando réstias de naturezas inacabadas,
Em meio a escombros a vida amanhece
Relatando destruições inesperadas.

Moacir Luis Araldi

Acordar
Acordar depois de muitos anos
Sem pista no horizonte para pousar
Sem alicerce para formular planos
Sem trazer da noite um sonho para sonhar.

É espinho causando dor intensa
Correndo pela mente inteira
É lacuna que sublinha a ausência
É vida escapando da peneira.

É querer voltar a ser criança
Pedir doces e guloseimas na calçada
É não ter par na hora da dança
É desejar tudo e não ter nada.

Moacir Luis Araldi

Em mim
Em mim um temporal destruidor,
E lá fora sol e calor.
Em mim inverno tenebroso
Lá fora primavera florida.
Em mim escuridão e trevas
Lá fora luz em aquarelas.
Em mim o meu mundo
Lá fora o de todo mundo.

Moacir Luis Araldi

Amantes
O poema pronto precisou de muitos rascunhos,
Quem o lê nem sempre imagina,
As noites de luz acessa e as xícaras de café sobre a mesa.
Quanto se fez e desfez por uma frase,
Por um verso interessante.
Mais do que vício
Poesia é para amantes.

Moacir Luis Araldi

Ficou
Restou um rastro de poesia
Em folhas rabiscadas
Um rascunho de poema
Uma caneta trincada
Um caderno envelhecido
Pelo café marcado
Bitucas abundantes
Num cinzeiro enferrujado.

Ficou a vida sem óculos
O poeta foi cegado.

Moacir Luis Araldi

Neste exato momento a humanidade esta entrando num mundo totalmente desconhecido.

Moacir Luis Araldi

Não leve tão a sério os elogios externos, quase sempre são só para te agradar. Valorize sempre seu interno, este não te decepciona nem te dá falsas ilusões.

Moacir Luis Araldi