Coleção pessoal de Moapoesias

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Nada existe
A solidez frágil
Vira carências.
Ao vento o sonho
Bagunçado
Esvazia-se.

O silêncio entra na alma
Rasgando o véu.
Quanto mais me afasto
Mas nele me acomodo.

Nada existe
Só o tempo insiste
Em passar.

Moacir Luis Araldi
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Lástima
E o rio a me percorrer
Léguas de águas enlameadas
Ansiada!
Perdido na cabeça
A crença despenca.
É lenda
É lenta
É alma.
Os olhos lastimados
Olham o sul.

Moacir Luis Araldi
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Pés
O caminhar feminino
dá vida aos saltos
em passos que lembram pássaros.

Moacir Luis Araldi
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... antes o sol
com mar
acompanhando.

Moacir Luis Araldi

Regressou
Desfez seus poemas
Escureceu o cabelo
Sumiram as rugas
Livrou-se da experiência
Confundiu os sabores
Correu no campo
Pés descalços
Árvores
Rios
Um tantinho de colo de mãe
Finalmente
Nasceu.

Moacir Luis Araldi
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Rotina
Sonho se escreve desejo
Desejo se escreve vontade
Angústia se escreve nó
Esperanças se escreve pó
Ânsia se escreve chocolate
Certezas se escreve talvez
Verdades se escreve dureza
Ternura se escreve amor.
Medo se escreve insegurança
Solidão se escreve tristeza
Estou bem se escreve – deixa prá lá.
Infância se escreve distante
Criança se escreve doçura
Conta nova se escreve dívida
Busca se escreve tentativa.
Natureza se escreve em extinção
Eterno se escreve “até onde der”
Sólido se escreve derrama
Poesia se escreve...
Em versos.

Moacir Luis Araldi
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Entre a maiúscula inicial e o ponto final queria colocar o mundo, mas tão grande era ele que optou por não pontuar.

Moacir Luis Araldi
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Sobre mim
Pingos de chuva
Guarda-chuvas.

Réstias de sol
Guarda-sóis.

Rosas dos ventos
Pétalas se abrindo
De um girassol.

Moacir Luis Araldi
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Tags: pétalas ventos

Atravesso-me
Sou demasiado frágil
Sinto.
Regresso ao ponto.
É onde sempre
A vida segue.

Moacir Luis Araldi
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Leve

A um bando me juntei
Por fim...
Voei.

Desprendi-me
Nas asas poéticas
Que criei.

Vai poesia
Rufle seus versos
Iça o poeta
Ás nuvens da inspiração.

Moacir Luis Araldi
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Enquanto vivo
Vejo a beleza
Em poesias que alguém
Faz.

Jamais terei tal perfeição,
Carrego a inquietude
De não desistir.

Não aprendi transmitir
A sensibilidade
Estocada no peito
Querendo sair.

Tento frear.
Nessas horas
Recolho-me e disfarço
Mas a alma...
A alma sempre chora.

Moacir Luis Araldi
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Leveza
Anoiteceu na aldeia,
Como um vulto,
A aranha
Balança-se na teia.

Que sorte tem ela
Agarra a própria linha
Se lança destemida
Segura de si.

Me vejo imóvel
Não tenho igual certeza
Não me desprendo da teia
Me falta a leveza.

Moacir Luis Araldi
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Vós
Quase a última voz do verbo
Ofereço-te complacência
Nada em ti renego
Com tua soberba e negligência
Por vezes de tristeza me entrego
O que supões inteligência,
É inflação do ego.

Moacir Luis Araldi

Sustento o orgulho em dizer: prefiro perder por ser justo a ganhar por justo não ser.

Moacir Luis Araldi
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E que amanhã o sol
Desarrume tudo o que foi escrito
E provoque outras reflexões.

Moacir Luis Araldi

E ao sorver o mate
De ondas verdes
O gaúcho arrasta seu mar.

Moacir Luis Araldi

Envelhecer é perceber que as metáforas de outrora já não fazem mais parte do poema.

Moacir Luis Araldi
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Passamento
A funda
afunda
penas

A pedra
preteia
o peito

Partiu
pobre pássaro.

Moacir Luis Araldi

A leitura e sempre recomendável, exceto se você deseja fazer descobertas.

Moacir Luis Araldi
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Suave música ao fundo
Só a quietude destoa
Baixas vozes melódicas
Aguçam estranhas manias
De empurrar o mundo.

Vento cantando
Sopra feito solidão
Voz única e violão
O mundo se move
Nesta canção.

Canto teus encantos
Repetindo o intérprete
Canto-te em mim
Na minha voz falsete.

Foi-se a meia noite,
A vida, a esta hora,
É o próprio silêncio
Que a gente cala.

Moacir Luis Araldi
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Tags: silêncio noite