Berço
O chão que tu pisas, é o berço em que durmo, e para chegar a ti, preciso de uma escada feita de nuvens...meu sol.
Há quem diz que a humildade vem do berço ou já nascemos com ela, para mim eu penso que a humildade é talhada através das dores das perdas muitas das vezes injustificadas, das incansáveis batalhas diárias da vida, mas principalmente da indiscutível incapacidade dos acometidos de doenças metais ou até mesmo posso dizer dos acometidos de doenças terminais que só nos trazem dor, sofrimento e um profundo mal-estar e só quem passa por isso pode realmente justificar esta afirmação.
Procure conhecer a minha história por inteira, antes de deitar a sua língua julgadora, sobre o berço alquebrado do meu viver.
Sou berço de gentilezas, aprendi que educação e bom senso vem de berço. É moldado junto ao caráter, a empatia e a compaixão pelo próximo. É que eu acho que existem qualidades que nenhum dinheiro do mundo pode comprar, porque o que vem de coração não se vende por aí em qualquer esquina. Está na raridade daqueles que ainda são do bem e transbordam gentilezas pelo mundo.
Humildade veio de berço, hoje só venho aprimorando, o que aprendi pequeno outros não aprendem nem com anos.
EXALTAÇÃO AO CERRADO (soneto)
Retorcido, bem se sabe. Mas encantador
nos seus planaltos, berço extraordinário
desabrocham ipês, pequis no seu cenário
de um chão cascalhado e forrado de flor
E neste imenso entrançado, e tão vário
a vida luta com garra, resistência e ardor
tal como gladiador, ou um guará solitário
o cerrado é aos olhos ato transformador
Nada o impede que seja do belo apogeu
se o belo no encanto o encanto acendeu
e fascina, do dessemelhante embaixador
Deus o pôs, de um nobre a um plebeu
riscando o horizonte com a luz e breu
em uma quimera de paixão e de amor!
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, junho
Cerrado goiano
Eu queria a morte,
num berço de palha receber
construído às minhas mãos
moldado pelo tempo
instaurado ao acaso
cultivado nesse chão.
Por que é que falamos da morte?
como o fim de toda beleza,
como o resto do homem nu
a testar a natureza
Esse homem que come cru,
o prato da finiteza.
Como se a vida tivesse fim,
como o caos instaura a ordem.
Pois, dos Gregos aos Troianos,
Judeus aos Muçulmanos,
Russos, americanos,
nenhum ser chegou olhar
muito menos a dizer
que sua vida assim chegara,
ao fim do próprio ser.
Num país que tem no berço o samba e a bossa nova, reina o funk. Justamente a cultura apanha da falsa idealização de vida prenha e bruta.
Depois a culpa é toda do governo.
Sua Mãe não é SUA e muito menos MÃE se você já não é mais uma criança. Afaste-se do berço do covardismo e assuma o seu papel nessa vida!
Berço é algo que não se vende nem se compra. Ele tem valor, mas não tem preço; não costuma ser entregue em alguns endereços...
É coisa de criação, índole, coração e alma. Às vezes dribla o DNA, embaralha as suas fitas e se engana. Não tem nada a ver com contas bancárias, habilidades diversas ou diplomas.
Ter berço é saber respeitar o outro; é ter o dom de ouvir, falar e calar na hora certa; é se fazer presente quando necessário; é ser discreto, desprovido de preconceito, caridoso sem alarde e grato sempre.
É ser autêntico sem ferir o outro e humilde para enxergar os próprios defeitos; é ser verdadeiro e fiel aos amigos em qualquer situação e em todos os momentos...
É sentir-se bem em todos os lugares, com todas as pessoas, sem perder a identidade.
É a melhor herança que os pais podem deixar aos seus filhos.
Isso é nascer em Berço de Ouro!
O resto... é ouro de tolo.
Rodeado de inferno com o cão do satanás e com diveros demônios a circular, mas, protegido no berço eterno de paz.
Favela, berço de grandes artistas, berço de bons jogadores, alvo de discriminações, templo de muitos valores.
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