Trem
Regionalismo Mineiro
Apito
De trem
Que
Lá vem
Apito
De trem
Que
Envem
Apito
De trem
Faz tremer
Trem
De saudade
Passageira
Trem
Que não
Vai passar
Descarrilhado
Natureza
Pra ser
Natureza
Precisa
De quatro
Estação
Trem de ferro
Esse trem
Só de uma
Só uma
E tá bão
Café com pão
Café com pão
Café com pão
Muita força
Muita força
Muita força
Vou depressa
Vou correndo
Que só levo
Pouca gente
Pouca gente
Pouca gente
Pouca gente...
Estamos todos a bordo de um trem que viaja em alta velocidade por um trilho, e que nos levará a destinos que não sabemos. A maior parte das pessoas encontra-se no último vagão... olhando para trás!
“ESPERANDO UM TREM NO AEROPORTO”
Destino e Opção: duas palavras com significados totalmente diferentes. Todos sem exceção; temos nosso destino traçado, como num projeto de engenharia, mesmo antes de nascermos, ou até mesmo antes de sermos gerados.
Um automóvel, por exemplo, não é projetado da noite para o dia, assim como o ser humano: se bem elaborado definirá como será o amanhã, o depois do amanhã e assim por diante. Todas as fases devem ser bem estudadas, nos mínimos detalhes; evitando-se assim contratempos durante a concepção, execução, ajustes, entregas e finalizações.
Para cada fase existirá os desafios. Tanto na vida pessoal, amorosa ou profissional, estes preceitos seguem o mesmo padrão, definindo assim o tempo de maturidade e decadência. Os caminhos são apenas dois: certo ou errado; não existe meio certo ou meio errado. “Atalhos são sinônimos de Recall”.
Opção significa escolha: optar por alguma coisa, por isso ou aquilo, porém esta decisão ocorre quando temos nosso juízo formado, sabemos o que queremos, temos consciência do que é certo ou errado. A capacidade de discernimento nos conduz às decisões corretas, embora estas escolhas muitas vezes mudam o curso natural do destino traçado na fase inicial.
Tudo isso nos parece meio louco, abstrato, confuso...!!!
Você deve, em algum momento da sua vida, ter se deparado com alguma coisa que te deixou intrigado, como por exemplo, uma cachoeira, na qual percebeu a disposição das pedras: todas assimétricas, movimentando as águas de forma que o resultado final tenha ficado indescritivelmente fantástico.
Você comenta: Como será que esta pedra foi colocada aqui? Ou se impressiona com o modo que a água cai daquela forma, contínua, sem atropelos, na mesma quantidade.
Tudo isso foi projetado um dia: não tenha dúvidas. Não apareceu ali simplesmente.
Podemos mudar o curso natural do Destino, porém estas alterações podem gerar resultados catastróficos, podendo durar anos, até que se torne à fase inicial, de onde foi mudado. A decisão em se tomar atalhos é arriscada, mas há os que a fazem.
Não importa a situação; seja ela na vida profissional, pessoal ou amorosa, as opções muitas vezes acabam, num certo tempo, cruzando paralelamente ao traçado na fase inicial, ou seja, se tivermos que passar por certa dificuldade, passaremos: Ninguém passará por você, algo que faz parte do seu destino, pois “Nada acontece por acaso e Tudo tem o tempo certo para acontecer”.
Algumas pessoas tem o costume de dizer que as coisas que nos parece impossíveis de acontecer são as que temos que dar mais valor: Fato!
O ser humano é ensinado desde criança a agradar aos outros e passa a ser escravo dessa necessidade. O verdadeiro mandamento deveria ser “Fazer o bem sem olhar a quem”, pois assim seriamos beneficiados reciprocamente: Faço o bem, recebo o bem! Mas na prática é diferente. Existem as exceções, onde, além de não haver reciprocidade, não há nem o troco justo.
Partindo-se do principio que: se você trabalha - recebe; se você ama - é amado; se você é justo – será justificado; e assim por diante, as ações desta vida deveriam ser entendidas como “moedas de troca” em todos os sentidos. Porém se observarmos em nossa volta, veremos que não é bem assim.
Basta apertar o “Play” da TV ou gastar alguns reais com um jornal de notícias diárias na banquinha do seu Zé, e ver que algumas coisas mudaram com o tempo.
“O Amor se perdeu, e ninguém sabe explicar quando e onde”; a inocência foi corrompida, os valores estão totalmente invertidos.
Tudo isso está resumidamente compreendido em como queremos que seja nosso futuro: Feliz ou incerto! Queremos a todo custo embarcar num trem que passará por aqui: o trem do amor perfeito, da felicidade em família, do emprego dos sonhos, entre outros, porém não construímos a nossa ferrovia.
O trabalho árduo de construir ferrovias é cansativo, angustiante, cheio de medos, incertezas: parece impossível!
O trem das paixões mal resolvidas, dos amores impossíveis, da valorização humana, de tudo que pensamos que deveria ser melhor do que é; este é pesado e difícil de esperar: Enquanto não conseguimos embarcar neste trem, fiquemos no Aeroporto da vida, aguardando que o destino construa nossa ferrovia ou tomemos atalhos. A decisão é individual.
Será por ela que nosso trem virá, por mais impossível que seja. Os atalhos, ou seja, as opções ou escolhas nos tornaram egoístas ao longo do tempo; porém devemos fazer com que esse egoísmo seja positivo a nosso favor. Ame primeiramente a si próprio, depois aos outros: assim nunca haverá restrições nas suas doações de amor.
“Quanto mais você doar, mais receberá”.
Com o tempo você verá que amar sem restrições é algo indescritível, maravilhoso e às vezes até mal interpretado. Esteja preparado para quando o seu Trem chegar ao Aeroporto, pois este pode ser o único, ou quem sabe, o último da sua vida.
E quando estiver embarcado, seja feliz, olhe pela janela, veja o quanto foi bom esperar, curta a brisa batendo no seu rosto, esvoaçando seus cabelos, sorria, chore, relembre os momentos angustiantes que passou durante a espera e que pareciam infinitos, mas que agora foi conquistado.
Valorize os momentos e transforme cada minuto, cada gesto, cada palavra em algo inesquecível, para que no futuro sua história seja contada e utilizada como exemplo de vida para aqueles que continuarão e estarão “ESPERANDO UM TREM NO AEROPORTO”.
Há dias em que minha memória sente saudades daquele trem que, ao atravessar a ponte suspensa, me leva de volta a um tempo distante. Um tempo em que o cheiro do verde e da areia quente, misturado aos trilhos velhos e enferrujados, trazia um aroma doce e juvenil. Esse aroma penetra em mim, trazendo a nítida sensação de um “eu” puro e transparente, onde o medo não existia, nem permitia existir.
Há quem diga que a vida é um trem desgovernado. E é, dependendo da situação. Mas acredite, antes de ficar completamente desgovernado, já foi equilibrado, planejado, cuidado. Planejaram cada parada nas estações, cada embarque e desembarque. Porém, em algum momento algo ficou por despercebido, alguns cuidados e ajustes foram deixados de lado, e somente a existência dos trilhos não foi suficiente para manter o equilíbrio necessário.
No postremo vagão do trem,
tem alguém, no hemisfério da dúvida
de cabeça baixa, à vida
imaginando o dia,
uma folha branca na mão,
escrevendo...
na pausa,
o trem passou..
A DAMA CANDIDA:
Ela virá tal qual trem
Que as paralelas trilha
Fugaz, viril como sempre vem
Insana, em sua palidez marmórea brilha
A lápide seu refugio
Epitáfio a própria identidade
Anoite indumentária... Negra qual Vesúvio
Hostil, sem carisma ou piedade
De semblante pálido, olhar galhardo
Ela brada e rir, sem sentir-se vai
E consigo leva seu maior finório sem deixar recado
Qual vento se vai sem deixar vestígios
De volta ao seu “Paraíso” fúnebre
Como se frenesi, te chama ao verdadeiro equilíbrio.
O Trem das Cinco e Quinze
Na Suíça, os trens são pontuais como o bater de um relógio de cuco. Foi às cinco e quinze da tarde, precisamente, que ela entrou no vagão carregando uma mala de rodinhas desengonçada e um livro sob o braço. Ele já estava lá, sentado próximo à janela, com os olhos perdidos nos Alpes que desfilavam como pinceladas brancas e cinzas. O sol de inverno, baixo e pálido, fazia o lago de Zurique cintilar à distância, como um espelho quebrado.
Ele a viu primeiro tropeçar no degrau do trem, recuperar o equilíbrio com uma risada abafada pelo cachecol vermelho. Ela se sentou diagonalmente a ele, dois assentos de distância. Entre eles, apenas o silêncio alpino e o leve rangido do trem nos trilhos. Até que, em algum momento após St. Gallen, ele perguntou, em um alemão hesitante, se ela sabia a que horas chegariam a Lucerna. Ela respondeu em inglês, com sotaque francês: "Você fala como quem decorou as frases de um manual ontem à noite". Ele riu, confessando que era brasileiro, um arquiteto em fuga de um projeto mal resolvido no Rio. Ela, por sua vez, era belga, pianista, voltando de um concerto em Viena onde havia tocado Chopin para uma plateia de casacos de pele e suspiros contidos.
No vagão-restaurante, dividiram uma garrafa de vinho branco suíço tão seco quanto o humor dela. Ele falou de linhas retas e concreto; ela, de escalas menores e metrônomo. Quando o trem atravessou um túnel, a escuridão os uniu mais do que a luz: naquele breu repentino, suas mãos se encontraram sobre a mesa de mármore, e nenhum dos dois soube dizer quem havia se movido primeiro.
Em Lucerna, desceram juntos, embora ela devesse seguir para Bruxelas e ele para Milão. Na plataforma número 3, sob o relógio que marcava sete e quarenta e três, ele lhe deu um cartão de visita rabiscado com o número de um hotel em Veneza. Ela lhe entregou uma partitura improvisada no verso de um mapa de trem, com notas que subiam e desciam como os trilhos que os haviam levado até ali. Prometeram escrever, ligar, encontrar-se na primavera. O beijo foi breve — um sopro de vapor no ar gelado —, mas suficiente para que, anos depois, ambos ainda se perguntassem se o gosto daquele momento havia sido de vinho, neve derretida ou simplesmente de *quase*.
Ele seguiu para o sul, onde o concreto de seus projetos ganharia raízes. Ela voltou ao norte, onde as teclas do piano a esperavam, frias e pacientes. Escreveram-se por um tempo, cartas que levavam semanas para cruzar a Europa, até que uma delas se perdeu no correio de Berna, e a outra, por orgulho ou cansaço, nunca foi reenviada.
Anos mais tarde, numa estação em Genebra, ele reconheceria uma melodia ao piano distante — *Nocturne op. 9 nº 2* — tocada por mãos que já não usavam anel. Sentado num banco, deixaria o trem das cinco e quinze partir sem ele, paralisado pela doce crueldade de um destino que os reunia apenas em segundas estrelas, estações erradas, e em todas as versões não vividas daquela tarde nos Alpes, onde o amor foi tão preciso quanto um horário de trem, e tão fugaz quanto o vapor de seu hálito misturando-se ao frio.
"A vida é uma viagem de trem inesperada onde embarcamos numa estação qualquer, e só percebemos que deixamos nossa bagagem em algum lugar do passado, seja no ato do embarque ou desembarque. Por isso estamos constantemente perdidos procurando a mala (o equilíbrio ou o peso de nossa existência...)
Trem da Vida...
Perdemos muitas coisas nessa vida.
Amores... Amigos... Família...
Animais de estimação... Oportunidades...
O trem... Esperando a felicidade passar.
Só não podemos perder o quetemosde bom,perdendo tempo à esperar.
“Seu Bem, Mas Não Demais”
As pessoas querem o seu bem,
Mas que não brilhe além do trem.
Se for sucesso, que seja pouco,
Pra não ferir o ego louco.
Querem te ver subir, sorrindo,
Desde que seja no mesmo ritmo.
Se voar alto demais, cuidado:
O aplauso vira olhar fechado.
“Torço por ti”, dizem com calma,
Mas pesa a inveja dentro da alma.
E se a vida enfim te recompensa,
Vem a comparação — e a sentença.
O mundo aplaude quem resiste,
Contanto que não se destaque na pista.
Pois teu progresso vira espelho,
Reflete o medo, o próprio conselho.
Então, caminhe — firme e inteiro,
Não pelo grito alheio, passageiro.
Brilhe, mesmo que incomode,
Porque tua luz é o que te move.
Eu quero que o Reino de Deus se estabeleça em mim. O trem fora dos trilhos, não vai a lugar nenhum.
Sou o trem dos meus trilhos, sou o condutor dos meus caminhos, dias podem ser corridos, tento terminar com o melhor que posso deixar.
