Coleção pessoal de MauricioCCantelli
A incompletude tanto pode ser promessa de alegria quanto temor da ausência:
sente-se algo prestes a se cumprir, ou é a falta daquilo que nos foi tirado?
De qualquer modo, o vazio permanece.
Algumas almas divagam, seduzidas pelo simples ver passar, e apenas passam; outras se movem encantadas com o tocar e o fazer — essas são imparáveis.
Jogue gotas de óleo sobre um copo d’água e observe:
o óleo apenas toca a superfície, e a água permanece quase alheia ao que nela repousa. Assim interagem certas essências.
Todos querem trilhar o melhor caminho;
difícil é manter-se firme quando os espinhos ferem, o sol castiga e o horizonte já não se mostra.É então que os valorosos se revelam.
Há quem esteja constantemente feliz, e isso sempre desperta críticas; mas a paz alcançada exigiu muito esforço e muito sofrimento contido — justamente aquilo de que ninguém quer saber.
Ser intenso exige freios firmes;
perceber mais requer domínio do próprio sentir para não se afogar no que se percebe.
Não é rico quem tem tudo, mas quem precisa de pouco; não é sábio quem acredita saber tudo, mas quem compreendeu que nada sabe.
Quando você encontra o real sentido da vida, a urgência cede lugar ao próprio viver: a pressa nos tira o sentir.
Muitos querem impor suas concepções e frequentemente se contradizem nas verdades que proclamam; a sabedoria, porém, tem a sutileza de um pôr do sol: dá apenas a luz necessária para clarear o pensamento antes que a noite chegue.
Metas muito altas exigem um preço igualmente alto; impagável seria perder o sentido naquilo que se busca.
Tomar parte da própria vida é o que nos dá lembranças; onde faltam memórias, quase sempre faltou protagonismo.
Viver apenas dentro do que já parece viável é pouco; descobrir a extensão real das próprias possibilidades exige avançar sobre o pretenso impossível.
Se algo vive, é porque muda; o que não muda, cedo ou tarde, apenas parecerá vivo. Nada se perpetua como era; é a vida que permanece, mas já como outra coisa.
O mundo sempre foi e continuará caótico e ruidoso; ainda assim, não perde a paz quem governa a própria alma.
Na vida, portas e janelas se abrem e se fecham; mas ela nos ensina que, mesmo fechadas, ainda deixam alguma brecha de luz.
