Textos de Mar
Dias de tempestade
No coração havia um mar revolto em plena ressaca, que teimava em transbordar pelos olhos. Disposta a estancar a dor que visivelmente lhe inundava a face, ela ergueu a cabeça, secou o sal da última lágrima que solitária morreu no canto dos lábios, respirou fundo, e olhando no espelho abissal dos olhos ainda úmidos, disse para si mesma com firmeza e a força soberana da certeza: Vai passar! Vai passar! Vai passar!
Na palma de minha mão
cabem os esguichos daquele emaranhado mar
ofegante
esfiam-se cachos de búzios nas bordas
tacteando uma pandemia de linhos a puxarem-se
temperamentalmente
do bico pontiagudo das aves a moer
o céu pálido da boca
amedrontava num arrepio arenoso
embora fosse embarcar nas ocas águas
sem os antepassados existirem
decidi riscar
o fundo que não estava destinado
à visita de grandes visões
e apaguei os declinados olhos migrantes
até esgaçar o ódio que restava
no punho carregado de sal aberto
é notável defesa redescobrir o exílio lânguido
quando se move
uma traça míope antes da sua nascença fétida
donde vejo
redentor sorriso a caber-me
SAUDADE
Então, você se foi, sem dizer nada,
e pôs um mar sem fim em meio a nós.
E no vai-vem das ondas fui levada
ao porto das plangentes almas sós.
Então, você se foi, sem dizer nada,
e confinou-me à solidão atroz,
à uma saudade onde estou presa, ilhada...
Onde naufraga o que sonhei pra nós.
Como é sua vida, em mundo tão distante,
quem lhe acarinha num tristonho instante...
De qual olhar você recebe paz?
Hoje acordou-me o canto da tristeza,
a repetir-me a mais cruel certeza:
Você partiu... E já não volta mais!
-Patricia Neme _
POEMA TRISTE. (Autor: Henrique R. de Oliveira).
Ondas em rochedos.
Canção do mar.
Brisa no rosto a acariciar.
Por que de todo peso.
A leveza ao avistar.
O mar, o céu, um beijo.
E o horizonte o encontrar.
Expirar, botar pra fora.
Deixar o ar sustentar.
Repentino vento sopra.
E os problemas a dissipar.
Num vai e vem incessante.
Uma onda grande a formar.
Forte, bate no rochedo.
Formando gotas no ar.
Só pra me banhar.
Pra me lavar.
E a natureza me curando.
Sabendo o meu necessitar.
As pedras sem arestas que avisto.
Polidas pelo oceano num confrontar.
Eram pontiagudas, com cantos vivos.
Mas se sucumbiram e vivem a se moldar.
Pela persistência do mar, a força do mar
No meu observar.
Eu na pedra sozinho.
E os sinais da paisagem a me ensinar.
SINAIS. (Autor: Henrique R. de Oliveira).
Ondas em rochedos.
Canção do mar.
Brisa no rosto a acariciar.
Por que de todo peso.
A leveza ao avistar.
O mar, o céu, um beijo.
E o horizonte o encontrar.
Expirar, botar pra fora.
Deixar o ar sustentar.
Repentino vento sopra.
E os problemas a dissipar.
Num vai e vem incessante.
Uma onda grande a formar.
Forte, bate no rochedo.
Formando gotas no ar.
Só pra me banhar.
Pra me lavar.
E a natureza me curando.
Sabendo o meu necessitar.
As pedras sem arestas que avisto.
Polidas pelo oceano num confrontar.
Eram pontiagudas, com cantos vivos.
Mas se sucumbiram e vivem a se moldar.
Pela persistência do mar, a força do mar
No meu observar.
Eu na pedra sozinho.
E os sinais da paisagem a me ensinar.
caminha-se na sombra das paredes
que se erguem envoltas
num mar duro de pedra
e sal
uma nesga de luz que sai
das trevas
por curto instante e faz gerar
da palavra a semente
rebentam do fundo da garganta
apertadas por dizer e formam-se
em interrogações constantes
no seio do poema que se faz
grita a liberdade
acordam os sentidos conscientes
duma nova realidade
in "Meditações sobre a palavra" (um tributo a Ramos Rosa, o poeta do presente absoluto), editora Temas Originais, do poeta Alvaro Giesta
prolonga-se na comunhão doutro corpo
funde-se com ele
no desejo que lhe sacia a sede
mar salgado de desejos por cumprir
renasce a força que agita
o cosmos
renuncia à solidão
penetra no centro do mundo
fecunda o fecundo
respira com o acto de criar
que lhe sorve o ar que o anima
em permanente renovação
in "Meditações sobre a palavra" (um tributo a Ramos Rosa, o poeta do presente absoluto), editora Temas Originais, do poeta Alvaro Giesta
apenas compreenda a felicidade,
tente sentir a verdade,
seja o mar tua vida,
desejo seja breve amar,
sempre com felicidade,
na dor esta o prazer...
belo partido de tua vida
que esta felicidade,
para todas as horas do dia,
transmigrada por sentenças
numa pura estrutura de amor.
por celso roberto nadilo
È Natal!
É Natal! Cantam os sinos!
Festejando Deus-menino
Brilham o céu e o mar...
Versos de amor pelo ar
Cenário ímpar, divino,
Corações a palpitar.
Saudade do Ser ausente!
Recordações tão presentes
De afetos perpetuados
Dentro da alma guardados,
Na magia desse instante
Unem presente e passado...
Um convite à oração!
Entrelaçar d emoção
Com fervor agradecer
Pela graça de viver
Com a coragem dos fortes,
Que tudo sabem vencer.
Que as bênçãos de Jesus
Feito raios de luz
Invadam nossa vidas...
Cicatrizando as feridas
Num renascer de esperança,
Tragam alegrias infindas...
Dentro de uma mente adolescente, há sempre um objetivo.
O que nos guia até um mar imenso de problemas, só que cheio de surpresas.
As imprudencias que nós vemos em quem chamamos de amigos nos cai sobre os ombros.
A capacidade de nos tornar melhores, uns melhores que o outro. Isso nos faz grandes e novos.
Embora todos tenhamos reclamações, tudo parte de uma criança que vive no nosso inteiror. Nos julgamos por sermos às vezes crianças, mas tudo parte disso.
A vida, embora muito radical, tem suas boas coisas, só basta saber rende-las.
E sempre, dentro de um amor, há um motivo bom e um sofrimento.
Tudo depende do quanto nós expressamos essa nossa criança inteiror, e tudo o que vem em minha cabeça é Apenas uma Criança!
Te darei o sol
Te darei o mar
Te darei as estrelas
Te darei o luar.
Te darei amor
Te darei paixão
Te darei carinho
Te darei meu coracão.
Te darei meu colo
Te darei meus braços
Te darei meus sorrisos
Te darei tudo que faço.
Te darei sonho
Te darei desejos
Te darei pensamentos
Te dareis meus beijos.
Uma voz me persegue, um cheiro me consome
Saudades me apertam, lembranças me seguem
Rio, mar...lua, sol, flores, vinho, música.
No ar dos meus pensamentos, no vão das minhas vontades
Desejos, ilusão, corpo em chama te implora um abraço
Um beijo, corpos colados...coração !
Pele pede teus olhos na rede do meu olhar, vem...sonha
Sonha junto comigo, não me acorda não,
Deixa eu me embalar no teu sorriso, me leva
Dança comigo, segura minha mão
Quero muito mais que um amigo...quero paixão !
Que me enlouqueça, que me devore, que se perca
Não encontre mas portas, janelas se fechem
Que não haja mas caminhos para saídas
Fique preso para todo o sempre nas minhas garras,
Nos meus sentidos...eterno em mim !
Estava parada olhando o mar sentada na areia, e então um menino que aparentava ter seus cinco anos se aproximou, ele sentou ao meu lado e me perguntou "o que é o amor", eu olhei diretamente no rosto dele e abri um sorriso e retruquei
- o que você sabe sobre isso?
- Não sei nada.
Eu fique perplexa pois eu também não sabia o que era o amor e muito menos o que responder.
- Amor é... querer estar perto de alguém, se importar, procurar, se apaixonar todo dia pelo jeito que ela anda, que ela se veste, que ela fala, que ela te olha, que ela sorri, o jeito que ela mexe no cabelo... amor é gostar demais.
Tempestade...tempestade livre e solta....
Hoje até o mar está revolto.....
E as ondas sobem até ao topo....
Das ramagens.....desgrenhamentos....
Sua volta arrebenta nas areias mornas...
Precisam de apreciar o vento.....
O choro vai até à água triste..
Longo vento....onde vem morrer no coração.....
Batendo nos meus cabelos soltos...
Os olhos contemplam os pensamentos....
Corro na areia..... mergulho na água pura...
Libertando-me das tonturas...loucuras....
Imagem.....poder dos sentidos....
Abandonando a razão...
Embriagando-se de si mesmo..
De um amor que estou à procura...coberto de doçura.!!!
Trouxe a brisa do mar comigo......
Senti a maresia nos meus cabelos....
Absorvo o teu aroma...
Afago-me no teu colo....
Beijo-te.....leio-te...devoro-te....
Sinto a tua essência.....
A lua clareia as noites de solidão.....
Escuta-me.....
Escuta-me... bebe as minhas lágrimas..
Que são de alegria.....
O teu perfume ficou tatuado em mim.......
Abraça-me......com um suspiro do vento...
Acaricia, faz-me voar nas tuas asas.....
Acolhe-me nos teus braços..!!!
O menino nunca havia visto o mar de noite, nunca tinha visto a praia sem gente, ficou sentado ao lado do pai em silêncio, até que não aguentou mais. Falou como se a sua notícia fosse tão importante que o pai ficaria cheio de orgulho dele, como se fosse salvar a humanidade.
-Pai.
-Oi.
-Esqueceram de desligar as ondas.
-O quê?
-O salva-vidas saiu e esqueceu de desligar as ondas.
O pai deu risada. Riu muito até ficar com água nos olhos e abraçar o menino.
-As ondas nunca param meu filho.
-Sério, pai?
-Sim.
-Elas não servem só para a gente brincar e no final do dia o salva-vidas desliga um botãozinho que tem la na casinha dele?
O pai riu mais um tanto.
-Não, filho, as ondas estão aí sempre, sempre estiveram e sempre vão estar. Nunca param.
-Nossa!
A ruiva é má
Tem olhos azuis da cor do mar morto
e um mau humor encantador...
Costuma reclamar dos palavrões, das coisas que digo
mas reclama mais das que eu não digo.
Tem a pele incrivelmente branca, porém
suja de sardas alaranjadas e veias aparentes.
Raramente sorri,quando acontece fica com as bochechas vermelhas. Tem vergonha de sorrir.
Seu sutiã preferido é de renda preta
com fundo cor vermelho magenta
Passo horas reparando todos os detalhes e contrastes.
Nunca foi sentimental, não assiste comédias românticas,
Gosta de ler Nietzsche e Dostoiévski.
Sabe que nunca pertencerei a ela e jura não se importar.
A ruiva é do blues,tem gosto de Vinho branco.
A morena é a louca,
tem olhos de cigana oblíqua e dissimulada como os de Capitu.
Está sempre rindo, consegue de fazer piada de tudo
seu sorriso parece muito grande para uma pessoa só
é impossível ficar triste perto dela.
Quando falo demais, me puxa pela cintura,
põe seus lábios tão próximos aos meus
que me sujo de batom sem tocá-la.
Enlaça suas pernas negras sobre as minhas pálidas
ri e diz que parecemos "Casadinho", seu doce preferido.
A morena é do samba, tem sabor de café.
Não posso pensar em escolher entre as duas,
temo que esse dia chegue.
Uma é extremo da outra, preciso viver no equilíbrio.
Aprecio o cobertor quente quando está frio demais,
aprecio a brisa fria quando está quente.
Gosto do blues e do vinho branco gelado de noite,
mas também preciso do café quente de manhã ouvindo samba.
Saudade
Estive no mar olhando,
Um por do sol tão divino.
Sua imagem flutuando
Seu doce olhar de menino
Lembro-me de como olhava
Sua imagem refletida,
Nas águas do sol se pondo,
E conversava sobre a vida.
Essa saudade ainda fica
No coração machucado,
Procurando um consolo,
E nunca ter encontrado.
Eu sei que não vai voltar
Mas não deixo de sofrer,
A saudade vai ficar
Junto a mim até eu morrer.
Montanha ou Mar?
Ei, vamos fugir?
Ainda não desisti
De procurar por um lugar
Onde felicidade irei encontrar
Paz e muita tranquilidade
Sem luxo e vaidade
Vivendo em harmonia
Colorindo os dias
Só o amor no ar
Montanha ou Mar
Frio ou calor
Seja o que for
Quero estar com você
Pra tentar esquecer
A vida na cidade
Quero simplicidade
Não quero rotina
Sem adrenalina
Quero andar devagar
Ver o tempo passar
Seu abraço me aquece
Passa o frio e o estresse
O Lugar pode até ser bonito
Mas nunca ofusca o seu sorriso
Vivendo sem medo de errar
Sem ninguém pra criticar
Então, vamos fugir?
Ainda não desisti
De procurar um lugar
Onde sempre irei te amar...
Nascentes de água do mar
Meus olhos são nascentes
de águas do mar
Que gotejam persistentes
as mágoas a transbordar
O tilintar desse dia
onde a luz mal chegada
iluminava outra despedida
Faltou o "Eu te amo" na partida
Oceanos eu crio em um momento
Tempestades crio em copos d'água
"A minha alma partiu-se como um vaso vazio" - Apontamento
A minh'alma se diluiu, e salgou o mar
Tempo, aproveite-se de meu olhar vazio
Passe sem me fazer perceber
Jogue-me a beira da morte
Pra que possa finalmente me esquecer.
