Textos de Lua
Todas as feridas precisam de tempo,
A solidão precisa apenas de uma lua
Algumas estrelas e uma varanda
Os poetas precisam de ilusões,
Algumas mentiras, promessas e solidão;
Acho que perdi tudo isso
Eu só preciso de tempo, de algum tempo ainda,
Uma longa caminhada no campo
Onde qualquer sorriso se perca
Nos sons de curiós e pintassilgos
Preciso do encanto de novos ocasos
E auroras promissoras
Ter a tristeza como medida de sensibilidade
Para ter a noção exata do que é,
E o que define um olhar...
ENQUANTO HOUVER SONHOS
Ontem ela virou a esquina como se fosse dona do mundo, levou a lua e a estrelas com seu magnetismo, e eu fiquei ali com um copo e os meus fantasmas; éramos anjos do mesmo éden, ela seguiu com a luz e eu fiquei comigo mesmo e a noite; falavam de corrupção, insegurança, criminalidade; todas essas coisas que a gente vê diariamente na mídia, e particularmente eu tinha solução paratudo isso. para combater o tráfico e a fragilidade do sistema carcerário; estávamos todos ali diante de um jogo de dama e um dominó; de vez em quando uma o outra piada sobre as preferencias clubísticas de um ou de outro, sobre deslizes e infidelidades de alguma esposa e brincávamos com coisas seriíssimas, como se fossem banalidades; como se aquilo não abalasse nossas estruturas emocionais.
Tomei mais algumas doses e cantarolei alguns boleros, como se assim, ninguém percebesse como me abalou a sua altivez, a sua aura, sua indiferença. Ela passou como um cometa, como se fosse parte integrante do sistema planetário; como se sua presença fosse parte indispensável à harmonia etérea . fiquei ali doendo a minha insignificância, tolerando sorrisos fáceis e palavras levianas; um falatório gratuito sobre a essência corrupta e indolente do nosso povo; sem o idealismo nato por honra e dignidade; afinal era o que me restava; mudo fiquei com minha mágoa, jamais falaria dessa paixão, e então a vida continuaria insignificante... não, não; jamais a vida seria insignificante enquanto houvesse sonhos e paixões; mesmo aqueles estavam ali, ébrios e desesperados, amuados com suas crises e seus vícios; desesperançados, mas se houvesse sonhos e paixões... se houver sonho provavelmente há paixões. O sonho faz orvalhar em qualquer deserto; paixão e sonho frutifica em qualquer solo. Ontem ela virou a esquina como se fosse um sonho; orvalhou sobre a minha paixão... parecia indiferente, mas era só dissimulação, era um jogo; o jogo jogo que me trazia aquela ansiedade, o jogo irresistível e fascinante do amor.
REFLUXO
tinha a solidão da lua no olhar,
o azul do que não discernia a clarear
o dia e o que não entendia
tinha o perfil suave de uma ave
a planar sozinha e soberana,
era a beleza simples, absoluta e singular
esquece os meus desejos,
os versos, o universo dessas emoções,
a vida é muito mais que uma cachoeira
o fluxo e o refluxo de um rio...
a vida continua depois do fim do mundo
depois dessa represa a vida continua
continua pra quem percebe
que esteve bem perto
do que é perto de felicidade
ficou essa ilusão que nem é ilusão
mas é o suficiente pra romper a névoa
que embaça o pensamento,
sigo firme nessa incerteza
que sustenta o insustentável:
é só desejo que eu vejo, é só desejo...
vem o alvorecer mas a solidão da lua
continua na luz do olhar
LEÕES E TIGRES
Tem alguém do outro lado da lua
Que arremessa as estrelas...
Depois do horizonte tem os pilares
Que sustentam o mundo...
E o que sustenta o teu orgulho
Se o tempo curva as nossas espinhas...
Lá na África tem gente tão bonita,
Diamantes negros, puros sangues,
Perdemos nossa melanina
Com o passar dos séculos,
Mas eles têm a pele retinta,
Os espíritos que habitam a savana
Com o rugir dos leões e o bramir dos tigres,
Isso corre em nosso sangue
E nos fez resistir a rebenques e troncos
E nos induz a procurar planetas;
Éramos deuses astronautas
E resistimos aos meteoros,
Resistimos à tirania de senhores feudais,
Resistimos à burguesia...
Nos fortalecemos nos canaviais,
Nos quilombos já planejávamos viagens espaciais;
Ganhamos com a miscigenação,
Agora somos quilombos e colonos,
Colecionamos estrelas na via láctea,
Mas leões e tigres ainda correm nas savanas,
Impune ninguém derramará o nosso sangue...
A NOITE
Fica de sobreaviso: a lua é uma referência, mas toda a nostalgia, as desilusões, todas as agruras, todas as tristezas então se acentuam; mas especificamente pode não ser essa coisa física, essa metáfora vai muito além de um céu estrelado, penumbra e todas as características que envolvem a noite.
Genilse carrega um saco nas costas; garrafas pet e latinhas, atravessa; a praça e diante da torre do relógio, para e constata meia noite; diante da igreja se benze como se ainda atendesse aqueles temores cristãos que um dia lhe foram ensinados; naquela selva, "amai-vos uns aos outros" parecia algo impossível de se praticar. Ali entre os galhos do velho oitizeiro guardava um colchonete e uns molambos com os quais se cobria; "morava" sob uma marquise onde durante o dia funciona um restaurante, onde sempre lhe sobrava um resto de comida que lhe era entregue por um velho cozinheiro; ali, de uma forma ou de outra ela funcionava como uma espécie de vigia, num momento em que o ser humano perde suas referencias de ser humano e o único laço que os uni é o medo. passará pela cabeça de alguns, ou de muitos, naquele momento crucial do último suspiro em que pensarão; "até que enfim, o
fim dessa eternidade, enfim a morte". temor, pânico e ansiedade é o preço para esse alívio, essa é a noite subjetiva de cada um; a droga é o elo, por paradoxal que possa parecer, a tornar naquele espaço, harmoniosa e suportável psicologicamente essa pressão.
Uma criança correndo em suas lembranças, muitos abraços, beijos, muitos momentos de paz; uma referencia que se perde quase imperceptivelmente e assim se vão o zelo, o cuidado, o carinho, a palavra doce; tudo isso é parte do lado iluminado da vida, o que não é iluminado é penumbra; e quem saberá lidar com suas armadilhas. Genilse tinha uma luz no fim do túnel, naquele momento raríssimo de privacidade, quando estendia seu colchonete, depois de uma breve oração, tirava de uma velha carteira, uma foto três por quatro de uma criança com a pureza dos seus primeiros anos; seu sorriso era um farol iluminando toda aquela noite densa que era sua vida. Era fato corriqueiro e naquela noite era o corpo de Genilse morto; ao seu lado, uma marmita com restos de comida, migalhas pelo chão e uma foto três por quatro de tudo o que era referência de luz. muitos olhavam enquanto o IML fazia o seu trabalho... Genilse vivia imaginando aquela cena de tanto vê-la acontecendo com os outros; imaginara aquela cena, aquilo jamais acontecera, não consigo. Vira muitos morrendo por uma marmita, um pedaço de pão, por qualquer discussão fútil e banal. Naquela noite discutira com outra garota por espaço, pela marmita, acabara dividindo-a mas então decidiu: pegaria o corujão que lhe levaria de volta à Vila Norma; e assim o fez. Três anos depois voltara à praça, agora a passeio com Maria Eugênia, a filha, criada pela avó, agora com sete anos; acenou para alguns entrou na Igreja, rezou e pediu forças aquele ser superior que certamente lhe salvou de muitas mazelas; foi até o restaurante comeu um sanduíche com a filha, agradeceu ao velho cozinheiro e saiu, olhou o velho oitizeiro que ainda guardava alguns colchonetes; anoitecia, mas não havia mais aquela sensação de medo; depois de todas as noites agora tinha uma única certeza; pra quem tem um sinal de luz e acena pra esse sinal, haverá sempre manhãs ensolaradas.
"Diamantes em África dançam"
Diamantes em África dançam,
Sob a luz da lua cheia,
Seus brilhos refletem as estrelas,
Em um ritmo que só a noite conhece.
Suas facetas cintilam,
Como se fossem olhos de fogo,
Dançam ao som do vento,
Que sussurra segredos antigos.
Na savana, onde a terra é vermelha,
Eles brilham como estrelas caídas,
Seus passos são leves e graciosos,
Como se fossem dançarinos de uma corte real.
Diamantes em África dançam,
Com um ritmo que é só deles,
Um segredo que só a noite sabe,
E que ecoa pela eternidade.
A LUA
Dizem que em noites sem fins,
Os namorados passeiam,
Por praças ou jardins,
Sem perceber quem os rodeiam.
Debaixo da lua trocam,
Beijos e juras de amor,
Olhares e abraços que provocam,
Em outras faces o rubor.
Dizem que é a lua dos apaixonados,
Ou os apaixonados da lua.
De corações alados,
Com os pés descendo a rua.
Autor: Agnaldo Borges
10/10/2014 - 22:40
Esse amor
Um longe... alhures... distante.
Um som que chega de instante a instante.
Uma lua no céu a brilhar.
Um mar... as ondas num ir e voltar.
Amplexo complexo.
União de duas almas raras.
Um beijo, um sussurro...
Vai-se embora todo o escuro.
Estrelas bruxuleiam no céu.
Uma brisa suave a nos acariciar.
Um amor tão lindo como esse
jamais pensei que fosse ganhar.
Lua
Lua que passeia pelos céus.
Conhece da noite o mistério.
Reflete no enorme oceano
um brilho que dissimula sua beleza.
Não entendo por que razão não deixa aparecer toda a sua beleza.
Esconde-se timidamente por detrás de nuvens.
Desaparece, por um instante, por detrás dos montes.
Chega o dia.
Já pode ela disfarçar no brilho do sol
o que na escuridão da noite não conseguia
Lua
Ando pela calçada.
Sorrio e teu sorriso iluminou meu dia.
Solta em pensamentos e inspirações...
Sigo e mentalmente componho canções.
Sentei num banco da praça...
As crianças a brincar... que graça.
Dialoguei contigo.
Meu amor, meu amante, meu amigo.
Levantei-me... deste-me força pra seguir adiante.
Ando pela calçada da rua.
Solta, segui sempre avante...
Não importa se não estás aqui...
Sinto-me o tempo todo sempre tão tua.
A lua não surgiu
Luz macia.
A escuridão da noite parece não querer aparecer.
Esconde-se por detrás dos altos edifícios.
Ruas tumultuadas...
Tanta gente apressada.
Pressa que não leva a nada.
A lua não surgiu no céu do anoitecer.
Quer ela também brincar de se esconder.
Nuvens róseas e lilases...
O crepúsculo tarda.
O sol não está com pressa de se esconder...
Dourado... afáveis raios cobrem a terra.
Paz... a noite sua hora calmamente espera.
Lua...
tu que estás aí desde toda a eternidade,
leva este meu verso
passear pelo Universo.
Lua...
que a noite ilumina,
leva minha alma menina
e entrega àquele que me fascina...
Lua...
conheces o amor de tanto tempo,
sabes diferenciar o sempre de um momento
vês neste amor toda verdade,
leve-o pra viver a eternidade.
Outro dia acabou,
outra vez o sol no horizonte pousou...
outra noite a lua brilhando
e eu aqui te esperando...
O maior amor do mundo
me estendeu a mão,
olhou nos meus olhos... bem fundo,
cativou meu coração...
Allora, amore mio
"ci risiamo..vabè, è antico, ma ti amo"
è antico, ma ti amo ;)
Prepare seu coração
pras coisas que vou te contar...
o sol se apagou
e a lua parou de brilhar...
O amor que existe em mim
é o mesmo que você viu nascer,
crescer... e mais crescer...
mais amor se fazer.
Por que você não volta?
Não sabe a falta que faz?
Escolheu o caminho errado...
e por isso o sol continua apagado.
How long will I love you?
Me transformei na tua Lua.
Sou o Sol mais bonito para teus dias aquecer.
Sou aquele farol que te guia
todo dia, todo dia, todo dia.
Quero feliz te ver
não importam tempestades...
invernos não contam
sou as águas cheias de calma
que aquecem e acalmam tu'alma.
Vou te amar por todo o tempo que eu for capaz.
Espelho d'água... imensidão de mar
reflete o céu, e a Lua nele vem se banhar...
As estrelas cintilantes... tão distantes
piscam deslumbrantemente deslumbradas ao te ver chegar.
E o mar se acalma
toda vez que nele vens te banhar
sua água aquece pra te envolver, pra te abraçar...
E eu, na praia, atrás das dunas (testemunhas)
fico a te espiar, a te admirar...
E tu, dentre todas, a mais bela,
não sabes que eu só sei te amar.
E lá fico eu... a repetir, mil vezes a repetir: pra sempre vou te amar!
E em mim a esperança mais louca - um dia dos teus lábios ouvir:
E eu nasci só pra te amar...
...
E o meu amor é do tamanho do mar.
Venha me buscar
As estrelas e a lua anunciam,
Deixa esta noite chegar...
Se eu te amar hoje
Amanhã nós seremos um só.
Eu te aguardei ansiosamente,
Você demorou tanto a chegar...
Achei que era pra ficar
E que viera me amar.
Mas partiu sem me levar,
Tão rápido se foi
Que nem de mim se despediu...
Veio só pra machucar meu coração.
E no repente em que se foi
Eu a anseio ver voltar...
Se não for para ficar,
Ao menos venha me buscar.
Edney Valentim Araújo
Lua prateada
Oh! dia sem fim que tarda acabar
Nesta angustia de esperar por ti.
Onde estás? amada minha,
Minha lua prateada.
Por que tardas a chegar?
Se fosses para mim uma estrela
No céu da minha vida não haveria solidão.
És a lua que reflete a luz de outro astro
Distante da minha constelação.
E na vastidão do universo
Em que espero um raio de tua luz,
Vejo de longe teu brilho prateado
Cobrindo outro corpo celeste distante de mim.
Por que tardas chegar para mim?
Minha lua prateada,
Minha amada....
Edney Valentim Araújo
O portal foi aberto
Sempre que a lua aparece um espanto repentino acontece, eu não sei dizer se é pelo retrato perfeito da lua ou se é pela imagem enigmática que ela representa,
em todos os dias eu busco aquele acaso que outrora me fez bem e é por isso que deixo por todas as noites a porta entreaberta na intenção de deixar os ventos e não somente os ventos entrar,
o tempo tem seus portais aonde podemos ultrapassar o que nos limita no nosso querer e pensar, alguns portais são conhecidos como os sonhos, ou olhar para a lua na madrugada silenciosa, eles existem no topo das montanhas, estão na floresta quando estamos sentados a noite meditando ou olhando para a fogueira e até se abrem quando observamos a neve cair nos seus dias terrivelmente frios,
mas, a os portais desconhecidos as pessoas comuns, estes jamais serão vistos a olho nu, pois eles percorrem a alma, são vigiados pelos corações puros, estes portais resistem de formas diferentes ao tempo, aos corpos, eles são raros e não oferecem passagem a quem não tenham luz vibrante, conexão em alta voltagem e aura autentificada no amor,
a lua subiu novamente, tudo em volta está mais bonito, as ondas estão se movimentando diferente, as estrelas querem falar mais são silenciadas pelo poder da lua, nesse paralelo um sensação de felicidade toma conta de mim, sinto-me abraçado, no olhar vejo respostas, nas lágrimas tenho a confirmação, um portal desconhecido se abre e está sendo vigiado pelo meu coração.
No ato!
Na calada da noite o silêncio toma conta; no Céu tudo está normal e bonito, a Lua e as estrelas brilham como sempre; o clima de mais uma noite de inverno predomina e mantém a vizinhança nas suas casas em absoluto repouso; na minha casa uma confusão de pensamentos acaba de acontecer e é devidamente descrita em forma de versos...
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