Textos de Ausência
Tu que não estás cá. Cada vez que ouço o teu nome estremeço. Seja ele espelhado num letreiro, num livro, numa campa. Sempre foste uma personalidade forte. Demasiado forte. Temos isso em comum. Tenho a certeza que poderia ter aprendido muito mais contigo, e que continuaria a apreender se ainda cá estivesses para me mesquinhar e alourar o pensamento, tal como aquele que divagava na raiva inútil de uma criança, confrontada pelo seu maior semelhante.
Orgulho-me de ti e de quem foste. Orgulho-me de todas as trocas de palavras que ficaram por acontecer, nas entrelinhas de quando nos víamos agarrados ao mesmo pensamento.
Gostava que estivesses cá para ver quem eu sou e quem me fizeste ser. O meu Ser, só o é, completo, se carregar no coração tudo o que me passaste. Por amor, por carinho, por cismas e alaridos.
Com a idade e a ausência aprendi a valorizar as diferenças que nos unem. Aprendi a valorizar os teus erros, que surgiam apesar de tentares fazer o que achavas melhor, e a ver o melhor deles.
Sabes que me dói a alma? Porque não soubeste olhar, ou ver, ouvir e sentir, mas acima de tudo assentir. Porque não estás cá agora? Desde a partida que sinto que não apareceste em lado nenhum, por muito que te procure. Prometi-me continuar a procurar-te no céu e nas estrelas que dançam à noite, que formam as constelações de que tanto gostavas, o que torna obrigatório que lá estejas, porque mereces. Porque fazes parte disto tudo, mesmo não estando cá. E mereces ser feliz. Tenho a ideia, embora bastante enovelada, de que prometeste um reencontro platónico. Quando vi a porta fechar-se, mesmo sem saber (pelo menos conscientemente) de que seria a última vez que te veria, sabia-lo no fundo do coração, na medula dos ossos, no tutano da insignificância humana que me subjugaria a uma vida prostituída: por amor, por limpeza de consciência, por nivelação de sofrimento.
Desejo-te, com algum atraso, mas muito amor, um feliz Dia do Pai. Este foi o teu dia, mas todos os dias são e hão de ser, sempre, nossos. Sei que desde que a porta se fechou, há uma estrela no céu que brilha mais que as outras, principalmente quando daqui brilha um sorriso de volta.
MOMENTOS
Existem momentos
diferentes,quase irreais.
Momentos em que no
mundo tudo para, e apenas
nós, nele em atividade
estamos.
São pedaços de um dia,
ou então breve segundos.
O íntimo se mostra,
o coração nem se sente,
os olhos da alma vêm a vida
da forma real, não como nós.
São minutos,talvez em que
alguém ao nosso lado está,
para nos mostrar a realidade.
De algum modo ,teremos de
ter a ausência das ilusões,
para vermos a verdade.
Roldão Aires
Membro Honorário da Academia Cabista. (ACLAC).RJ
Membro Honorário da Academia de Letras do Brasil
Membro da U.B.E
Sempre neste dia sinto esse vazio no peito,
Quase como um imenso vácuo que sufoca a garganta e aperta minhas entranhas.
Um buraco negro que suga toda a alegria.
Como eu gostaria,
Gostaria que o tempo fosse só uma ilusão
Que pudesse acordar e ver que tudo não passou de um sonho.
Um sonho não, um pesadelo.
A sua existência vazia é pior que pensar que não existia.
Ter vivido com sua ausência,
Ter ouvido ou lido suas cartas de puro ódio,
Nada disso deveria me afetar,
Mas afeta, dia após dia.
Ainda que eu veja um sorriso seu,
Ainda que me esforce pra sorrir de volta,
Ainda que meus frutos te amem,
O tempo não retorna.
Eu não o tive como deveria,
Sua presença rara só trazia dor,
Agora, ainda que amadurecida eu esteja,
ainda que seja possível entender,
Infelizmente, toda a dor insiste em bater e bater,
De novo e de novo.
Gostaria que o tempo fosse só ilusão
E nada disso tivesse se passado.
que eu fosse filha de um pai amado,
Que eu fosse filha de alguém pra me proteger.
Mas, o tempo não vai voltar,
Eu não voltarei.
Sua ausência na minha vida, por minha ausência na sua, se perdeu também.
Só me restou esquecer.
Nem lembrar mais me foi permitido.
Nem sonhar.
Devo dar um salto no tempo.
Ir para um futuro onde você não existe.
Devo encontrar a felicidade imaginando a sua completa ausência.
A sua completa inexistência.
Aquelas histórias, nada disso existiu.
E se existiu, hoje não fazem mais sentido.
Não faz mais sentido saber quem você é ou o que você faz.
Devo seguir a minha bússola.
Refaço meu caminho.
Como um espiral ao contrário.
CHAVE DA VIDA
Em tempos de crises, nos tempos mais difíceis onde tudo parece escuro no mais breu dos sentidos. Quando a voz barganha no meios das pregas, quando o olhar se enche de lágrimas e os ouvidos atroa no ouvir de uma bela canção. Pode existir ausência de pessoas e a falta de palavras. Mas não faltará o amor porque ele é a chave da vida!
Vasculho minhas imagens na escuridão do tempo, já me faz tanto acalento e a atenção de não poder olhar, as coisas que me eram belas faz tempo que já não são mais, o mesmo atencioso amigo também já não é o mesmo de tempos atrás.
Insólitos verbos cruéis, faces da ignorância, de alguns quero distância, pois tenho certeza que irão me ignorar, não existe sentimento pior que o sentimento de rejeição, aflora no nosso coração algo que não se pode explicar, talvez potencialize aquele vazio escondido, que só cresce quando estamos isolados, calados e pensativos.
Os suspiros desencorajadores já bateram a minha porta, da janela as vozes mortas de quem não se faz escutar. Quero o sorriso estampado, quero atenção descomprometida... Ou a casualidade do abraço gostoso de alguém que queríamos tanto encontrar.
DELETE
Acredito que o tempo e a distância são os melhores mestres..., através deles podemos conhecer, aprender e discernir.
Num mundo onde as pessoas são esquecidas, as amizades estão desnecessárias e os amores são rapidamente substituídos, o que mais podemos esperar?
Nada!
Senão a opção "Delete"
Delete o que não te faz feliz.
Delete o que não te traz paz.
Delete quem não se lembra.
Delete de sua vida a pouca importância.
Os abraços de urso.
E o carinho barganhado.
Delete o prazer sem o mérito da conquista.
A Ignorância do ego ferido.
Delete pessoas, pensamentos e lembranças.
E diante do descaso, delete até a esperança.
Delete a incerteza e a ansiedade pelo futuro.
O rancor e mágoas passadas
Transforme as promessas falidas
Na real convicção de uma vida descomplicada .
Rê Pinheiro
A dor é mesmo inevitável
A lembrança de ti
A lembrança de nós
Como eu quero ouvir sua voz
Como eu quero sentir seu coração
Como eu quero sentir seu calor
Tudo isso tem o seu valor
Ainda que pra mim seja esse horror
Uma lágrima rouba a cena
Me engana e me chama
Pra uma realidade que não quero enxergar
Quero mesmo é me alegrar
Mas como?
Se essa alegria não combina com sua ausência
Eu sei, eu me basto
Mas também sei eu te quero
Quero ser sua
Quero ver a lua
Quero atingir o êxtase
Você sabe, eu não espero
Mas mesmo assim eu te quero
Não deixa essa vida passar
Vem me amar
Deixa de falar
E vem calar
Minha boca com a sua
Me mostra o caminho
Se desnuda pra mim
Que eu to mesmo afim
De ser feliz
15/02/2013
NÃO ENTENDO. NÃO DÁ (LARA FLORES)
Seu silêncio me enlouquece,
Me entristece, me aborrece.
E me irritar é algo que você nem gosta, não é?
Só pra constar.
Por que você não fala o que tem que falar?
Por que não esclarece sem que eu tenha que perguntar?
Para que me deixar tão aflita?
Não entendo. Não dá.
Ora, por que será que alguém se aproxima, te cativa, expressa estima,
Para depois se afastar?
Não é maldade fazer alguém pensar tanto em você, te querer, te desejar,
Só por fazer? Só pelo conquistar?
Juro que não entendo. Não dá.
Não sei o que pensar.
Medos adolescentes novamente a me apavorar.
E não devo interpretar?
Não tenho palavras que me esclareçam.
E em compensação, as minhas palavras não param de me incomodar.
Não. Não entendo. Não dá.
Também não sei como me portar.
Te procuro? Deixo estar?
Puxo assunto, mesmo sabendo que você vai visualizar e nada responderá?
Não. Não consigo entender. Não está dando. Não está.
Brincadeira perigosa, que eu não quis começar.
Mas você insistiu, espaço alcançou, meu carinho conquistou...
E agora simplesmente desinteressou?
Não entendo. Nem sei se algum dia conseguirei.
Longe de ti
Longe de ti,
Eu sou uma miragem,
Refletida nos campos sem vida da solidão.
Sou um sonho,
E sou uma imaginação.
Longe de ti,
Eu sou uma saudade,
Sou um pranto de lágrimas,
Quase uma insanidade.
Longe de ti,
Eu sou um rio frágil,
Ansioso para encontrar o mar,
Sou um arco-íris apagado no céu,
Sou o reflexo de um sonho bonito,
Suspenso, planando no ar.
Longe de ti,
Eu sou uma flor pálida,
Nascida à beira de um escuro caminho.
Sou uma poesia lacrimosa e nostálgica,
De um poeta triste e sozinho.
Longe de ti,
Eu sou um andarilho incompreendido,
Perdido nos labirintos do pensamento.
Vivendo uma vida inventada,
Em um mundo sem sentido.
Mar
Mergulhei-me sobre as ondas da madrugada quieta e solitária.
Consolei - me com um trago do cigarro que queima ininterruptamente.
Vi-me esvaecer assim como a fumaça dança e flutua nesse mar melancólico.
Afoguei-me em sentimentos não expressos e na maré alta de pensamentos existentes só no meu mar.
Tentei remar em direção à não sei onde
Fazendo preces aos deuses até Iemanjá
Procurando por ti nessa imensidão
Fazendo sinais de fogo, procurando por teu olhar.
Afaguei-me na sua ausência.
Ausências
Muito perto essa sua voz, essa voz, da lembrança, que ecoa em mim.
E ainda mais longe, a sua mente em outro lugar, como uma viagem me escapa,
Estou lá, presente e ausente, assentindo ocasionalmente.
Muito perto, chego a pensar, que vem de dentro de mim essa voz que ecoa num eco sem fim
Porém ainda mais longe, a sua mente em outro lugar querendo se dispersar fugindo de mim.
Quantas vezes já me traiu? Essa voz vibrando na minha lembrança do que foi a paixão.
Segure novamente a minha mão, me diz que o que ouço veio do seu coração.
Um parêntese aberto palavras e gestos que abraçam-me de muito perto essa voz da sua presença distanciando de mim a sua ausência. A sua vida é aqui e não em outro lugar, ó tu que foste a minha vida, também o tesouro que eu tinha por tudo de bom.
Vai olhar para outros lugares, verá jardins florescer. O sol a cada dia nasce, ó minha linda, querida, renascendo como um outro amor como a fênix que surge das cinzas de uma chama que se apagou. Porém surge mais bela e mais vívida.
Deixe minhas memórias esquecerem aquela voz já perdida da ausência e revela-te a mim, querida.
A presença não somente física mas das emoções já vividas.
Vazio...
(Nilo Ribeiro)
Para que escrever,
para que versar,
se já não há prazer,
nem você para inspirar
existe um vazio,
abstrato como espírito,
como vela sem pavio,
como briga sem conflito
um vazio absoluto,
de alma silenciosa,
como se guardasse o luto
de uma pessoa preciosa
um vazio sem dimensão,
sem medida exata,
vai da cabeça ao coração
e o espírito ele maltrata
um vazio como a escuridão,
forte, densa e sufocante,
sem guia e sem direção,
sem luz ao alcance
vazio é o tema
a estória é vazia,
mas o coração ainda teima,
mesmo que com ironia
em fazer poesia
sem tema e vazio,
não tenho o que escrever,
assim ficou meu coração, baldio,
depois que perdi você
o que é o vazio...???
é a vitória sem desafio,
é apenas viver
sem ter prazer
vazio não é ausência de pensamento,
é a falta de sentimento,
pois o coração endurece
e o amor empobrece...
O teu silêncio
O teu silêncio me ensurdece de saudade.
A memória insiste no perfume de instantes
abreviados por uma fronteira que nunca existiu.
E quanto a mim, perdido estou em sonhos flutuantes,
recostado à cabeceira, numa noite de lua minguante.
Meu coração míngua também, ele apequena
e a saudade só aumenta.
O teu silêncio, eu quereria no instante de um abraço.
Mas o silêncio é a presença de tua ausência.
E eu nada poderei.
Aonde
Por onde andará agora aquela em que
pensamos,
e que de nós se apartou, só saudades
deixando.
Saudades que não vai embora.
Será longa a sua ausência?
Será que ela demora?
O coração se apequena e não vê o momento,
que o telefone toque, que um pequeno recado
até ele chegue.
Poucas palavras, algo com muito afeto que
atinja o coração direto, dando-lhe a paz
que precisa.
Paz que seria tudo, se eu tivesse a tua
presença, em vez desta tua ausência,
que como uma névoa encobre um céu repleto de
estrelas.
Névoa que o torna cinzento e triste.
Volta, fica, para juntos podermos vê-las.
Roldão Aires
Membro Honorário da Academia Cabista
Membro Honorário da Academia de Letras do Brasil
Membro da U.B.E
Nada...
(Nilo Ribeiro)
Poetizar o nada,
como pode acontecer,
se não há palavra,
nada pode se escrever
coisa nenhuma,
coisa nula,
em suma,
sinônimo que se rotula,
o nada não tem substância,
o nada não tem matéria,
o nada é vacância,
o nada é miséria
o nada não tem interior,
o nada não tem ingrediente,
o nada não tem teor,
em nada está presente
nada não existe,
nada é o vazio,
nada é triste,
e nada eu crio
nada é ausência,
é o contrário de tudo,
nada não tem presença,
nada é nulo
nada não é bom,
nada não é mau,
nada não tem dom,
nada não tem grau
poesia sem nada,
nem ao menos chocou,
poesia mal começada,
em nada ela acabou
nada na poesia,
de nada vale,
o poeta não sabia,
que nada nem é detalhe
poesia do nada,
nada relevante,
mas se entendeu uma palavra,
o nada se torna um gigante...
sentindo nada eu sentia tudo
acordei
em êxtase
sentei na cama e senti um enorme vazio
nessa lacuna existencial pude sentir todos os meus sentimentos passando por cada centímetro meu corpo
não sei qual deles ecoavam mais alto
a dor da ausência
a solidão em estar só
(...)
e mesmo
sentindo nada
eu sentia tudo
na dor
me senti viva
2014 (o tempo não cura tudo)
nada irá curar a dor da saudade de você
o buraco que ficou desde que você partiu
a dor da sua ausência ...
o saber de nunca mais poder ouvir a sua voz
ou sentir o seu toque
minha lágrima não caiu quando você partiu mas por dentro eu desmoronei
mesmo quebrada em mil pedaços eu permaneço aqui
mas eu nunca mais serei a mesma
A importância do seu ato
para mim, está na possibilidade
de que eu possa sofrer as consequências dele,
portanto, o que venhas fazer para
agradar-me,
que seja feito enquanto eu esteja por aqui.
Para que eu possa usufruir ou ignorar,
agradecer ou repudiar, pois
na minha ausência ele não tem sentido.
Saudade não se explica ? Quem disse tal absurdo ?
Se tem uma coisa que estrangeiros talvez nunca vão saber ou experimentar é a essência desse sentimento nobre da língua portuguesa.
Saudade não é tristeza pela ausência, mas sim uma experiência carregada de sentimentos profundos que trazem conforto memoral agradável que se exala gratidão.
