Texto sobre Sol

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O dia se cala e o sol vai embora,
Guardando a promessa de um novo amanhã.
O céu de veludo se acende agora,
Com luzes de prata e mansidão manhã.
É hora de soltar a pressa e a dor,
Entregar o cansaço ao silêncio e à luz.
Pois a noite acolhe com todo o seu amor,
E em paz, com as estrelas, o sono conduz.

O SOL E A LUA DE ASSIS.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.

Ó Sol de Assis, seráfico arauto da alvorada,Que fizeste da pobreza tua púrpura sagrada,Ergueste ao céu a voz de tua harpa peregrina,E a criação inteira tornou-se ladainha divina.

Ó Lua de Assis, Claríssima entre as claridades,Espelho da mansidão e das eternidades,No claustro floresceste em silêncio e oração,Como lírio celeste guardando o coração.

Juntos, irmãos no Cristo, em fraternura perfeita,Tecestes sobre a terra uma esperança eleita;Ele, qual fogo ardente, em júbilo fecundo;Ela, qual lâmpada alva velando sobre o mundo.

E vieram convosco os irmãos da criação:O Irmão Sol em fulgor, a Irmã Lua em mansidão;As estrelas, em silêncio, a bordar o firmamento;O vento, monge errante, a cantar no movimento.

A irmã Água chorava em cristalina pureza;O irmão Fogo tremia em rubra gentileza;A irmã Mãe Terra, em seu fecundo regaço,Guardava as sementes do eterno abraço.

Os pássaros ouviam a palavra peregrina,E o lobo, outrora fero, curvou-se à lei divina;As árvores erguiam seus braços ao Senhor,E as pedras aprendiam o idioma do amor.

Mas eis que a humanidade, em delírio homicida,Cobriu de ferro e cinza a face da própria vida;E sobre o lenho augusto da suprema redenção,Derramou sangue insano em cruel exaltação.

Então chorou a Terra em noturna agonia,E o céu velou seus astros na mais profunda aridez;As fontes soluçaram em líquida tristeza,E os montes estremeceram diante da aspereza.

As rosas desfizeram-se em rubicundo pranto,Os rios carregaram um silencioso canto;O vento repetia, em lúgubre gemido,O nome do Justíssimo, na cruz escarnecido.

Ó lágrimas da natureza ante a cruz erguida!Ó sangue desvairado ferindo a própria vida!As aves emudeceram nos ninhos do arrebol,E a Lua empalideceu ao contemplar o Sol.

Francisco, Sol de Assis, beijou as santas chagas;Clara, Lua de Assis, velou as noites vagas;E ambos, como dois círios diante do Redentor,Fizeram da existência um cântico de amor.

Eles chamaram irmãos os homens e os animais,Os pobres, os enfermos, os pequenos e os mortais;Chamaram irmã a morte, e irmão cada vivente,Pois viam Deus oculto no pó e na corrente.

Que o Irmão Sol nos desperte do orgulho e da ambição;Que a Irmã Lua derrame brandura no coração;Que a Água nos purifique, que o Fogo nos dê ardor,Que a Terra nos ensine o labor e o louvor.

E quando o mundo inteiro, cansado de seus erros,Ouvir de novo o brado que ressoa pelos cerros,Francisco e Clara, unidos na celeste comunhão,Farão de cada lágrima uma estrela em ascensão.

Então a cruz, outrora banhada em sangue humano,Será jardim de paz sobre o deserto insano;E todos os irmãos, em jubilosa harmonia,Cantarão com Assis a eterna cortesia.

Ó Sol de Assis! Ó Lua de Assis! Em vossa claridade,Aprenda a criatura a santa fraternidade;E cesse finalmente a loucura dos conflitos,Para que a Terra inteira seja um coro de benditos.

Porque onde houver amor, ali floresce a aurora;Onde houver mansidão, o céu sobre nós vigora;E o universo, reunido em um só resplendor,Entoará eternamente o cântico do Senhor.

Desde Eclesiastes...


O sol desaprendeu a nascer.
Impossível isso... está no seu DNA
Nascer de manhã do lado de cá...
Morrer depois de seu caminho atravessar.


Mas ele esqueceu como se faz.
E parece que uma mudança tão radical
Muda também todo e qualquer coração (a)normal.


O doce perdeu seu sabor.
A flor do meu jardim perdeu a cor,
Qualquer palavra torta causa uma imensa dor.
Coisas que antes nem incomodavam...
Hoje nos jogam no chão e dobram o peso do coração.


Os dias são cinzas,
A inutilidade das coisas atingiu o superlativo.
A pergunta que mais surge nas mentes: por que se está vivo?
Está-se apenas a preencher um espaço...
Por um tempo limitado...
Anda-se um pouco...
E quando se vê um precipício bem à frente.
E... tudo acabado.


O bom é que nem todos sentem assim.
É preciso contrabalancear.
O mundo todo não pode enlouquecer...
Porque se assim acontecer...
Quem estará lúcido pra contemplar o fim?


Mas, já está dito, né não?
'Tempo de plantar e tempo de colher'.
"Tempo de nascer e tempo de morrer'.


Está escrito: vai acontecer"


Rosangela Calza

Guardei o teu sorriso na memória como quem fotografa o pôr do sol mais bonito da estação. Olhar para você é como contemplar a imensidão do mar lá do alto do mirante: traz um misto de calmaria, vertigem e a certeza de que a vida é bonita demais quando compartilhada. Que o nosso amor continue assim, firme como as rochas e infinito como o horizonte que a gente costuma admirar em silêncio.


DeBrunoParaCarla

Um pedacinho...


Ei, hoje eu vi o sol indo dormir lentamente, Olhei para trás e lá no auto estava a lua linda e silenciosa,
Logo ao meu lado, estava o rio São Francisco com sua grandiosidade e sua correnteza sendo sacodida pelos ventos fortes,
Então me perguntei:
_Deus aqui é um pedaço paraíso?

O sol foi descansar
Surgiu o anoitecer
A Lua saiu devagar
Para te envolver
O amor está no ar
Para nos enlouquecer.

Os bancos de areias
- a festejar -
A loucura boa de fazer
Nas águas de abençoar.

O céu de seda a se abrir
Receptivo aos versos
De natureza atentatória
Íntimos e completos.

Estrelinhas tilintando
- testemunhas -
Da nossa agarração
Repleta de paixão.

Estou aqui na Ponta do Seixas



Curtindo esse sol que vem dentro

É assim que tu me deixas:

No mais alto sol de primavera.



Vou caminhando aos poucos

Rumo ao Farol do Cabo Branco

Aos passos pensando no teu corpo

Colando no meu, o meu corpo é teu!...



Porque esse amor pela Paraíba

Não se explica, é uma poesia

Que dá até a impressão

De estar sendo vivida...

Voltei a ser menina!...



Nesse litoral pessoense,

Não tem como não viver contente...

É sempre um despertar novo

Ao lado dessa linda gente

- Sorridente!...







Estou aqui na Ponta do Seixas



Curtindo esse sol que vem dentro

É assim que tu me deixas:

No mais alto sol de primavera.



Vou caminhando aos poucos

Rumo ao Farol do Cabo Branco

Aos passos pensando no teu corpo

Colando no meu, o meu corpo é teu!...



Porque esse amor pela Paraíba

Não se explica, é uma poesia

Que dá até a impressão

De estar sendo vivida...

Voltei a ser menina!...



Nesse litoral pessoense,

Não tem como não viver contente...

É sempre um despertar novo

Ao lado dessa linda gente

- Sorridente!...








Estou aqui na Ponta do Seixas



Curtindo esse sol que vem dentro

É assim que tu me deixas:

No mais alto sol de primavera.



Vou caminhando aos poucos

Rumo ao Farol do Cabo Branco

Aos passos pensando no teu corpo

Colando no meu, o meu corpo é teu!...



Porque esse amor pela Paraíba

Não se explica, é uma poesia

Que dá até a impressão

De estar sendo vivida...

Voltei a ser menina!...



Nesse litoral pessoense,

Não tem como não viver contente...

É sempre um despertar novo

Ao lado dessa linda gente

- Sorridente!...

Como o Sol existe para o dia,

Você existe dentro de mim,

Você me seduz do alto,

Como um navio que navega

Sobre a poesia,


Nada passa a vontade

[nada sublima].



A mudez e a nudez,

Falam mais do que mil

[imagens].

Tanto uma quanto a outra

Insinuam mil miragens...

Como o vento persuade

as ondas do mar,

você existe para mim.



A tua [voz,

A tua [face,

A tua [mão,

A tua [presença,

Todas juntas são sugestivas

Inda de mãos dadas com as lembranças.



Guardo-te como a terra prometida,

Até na memória a tua carícia

Tem o poder de deixar-me entorpecida,

Há um jardim aqui que guarda

A tua rosa mística [rósea],

E uma intenção infinita,

Eis uma malícia definida

Repleta de uma vontade bendita...

HINO NORDESTINO DO BRASIL

Ô meu Brasil de sol queimando
De mandacaru florescendo
Do vaqueiro forte lutando
E do povo nunca se rendendo.

Terra de fé e de coragem
De sanfona, verso e oração
Que transforma a dor da viagem
Em esperança no coração.

Do sertão ao verde da mata
Do agreste ao mar de anil
Cada canto dessa pátria
É um pedaço do Brasil.

Respeite esse chão sagrado
Que tanto filho já criou
Com suor foi cultivado
Com amor se levantou.

Se a seca castiga a terra
A coragem faz resistir
Nordestino não se encerra
Nasceu mesmo pra seguir.

Brasil amado, companheiro
Nosso orgulho sem igual
Do Oiapoque ao Juazeiro
És gigante e fraternal.

Salve o povo brasileiro
Salve a força do sertão
Que carrega o mundo inteiro
Dentro do seu coração.

CALÇADA DA ROÇA


Quando o Sol se despedia
Por detrás da serrania,
E o céu vestia de ouro
A última luz do dia,


Lá estava ela, paciente,
Feita sala de estar do chão:
A velha calçada da roça,
Ponto de encontro e união.


Chegava um com sua cadeira,
Outro com banco de madeira,
Trazendo histórias guardadas
Na alma a vida inteira.


Ali não havia relógio
Mandando o tempo correr.
A pressa ficava distante
Para a conversa acontecer.


Falava-se da chuva antiga,
Do inverno que prometia,
Do milho, do feijão plantado,
Da colheita que viria.


Os meninos corriam soltos,
Inventando assombração.
Enquanto os velhos contavam
Casos de outra geração.


As moças trocavam sorrisos,
Os rapazes olhares também.
Muita história de amor nasceu
Sem que ninguém soubesse bem.


Quando a noite se achegava
Com seu manto estrelado,
A Lua fazia companhia
Ao povo ali acomodado.


E cada prosa partilhada
Virava riqueza sem preço.
Pois quem reparte palavras
Também reparte afeto.


Hoje o mundo corre ligeiro,
Pela tela e pela conexão.
Mas ainda mora saudade
No fundo do coração.


Saudade daquele costume
Que o tempo não levou embora:
Ver o dia se despedindo
Sentado do lado de fora.


Porque a calçada da roça
Nunca foi somente lugar.
Foi varanda da amizade,
Escola do escutar,


Foi descanso para o corpo,
Foi remédio para a solidão,
Foi o endereço mais simples
Da humana comunhão.

ESTÃO INDO EMBORA


Estão indo embora aos poucos,
Sem fazer grande alarde não,
Como o sol que se despede
No final da tarde, então.
Deixam marcas pelos caminhos,
Saudades em nossos ninhos,
E amor no coração.


São os avós de cabelos brancos,
Bibliotecas do viver,
Que ensinaram com exemplos
O valor de agradecer.
Cada ruga é uma história,
Cada lembrança, uma memória
Que o tempo não vai vencer.


Estão indo embora os pais,
Sentinelas da existência,
Que enfrentaram tempestades
Com coragem e resistência.
Construíram nosso abrigo,
Foram força e foram amigo,
Fonte viva de experiência.


Também partem nossos tios,
Companheiros da jornada,
Que enchiam as reuniões
Com risadas na calçada.
Contadores de causos bons,
De conselhos e lições,
Na família respeitada.


A cadeira fica vazia,
Mas não fica sem valor,
Pois quem viveu com virtude
Nunca morre por completo, senhor.
Permanece na lembrança,
Na fé, na perseverança,
E nas sementes do amor.


O relógio segue andando,
Sem parar sua missão,
Mostrando que nesta vida
Tudo tem sua estação.
Quem hoje é filho e neto,
Amanhã segue o trajeto
Da divina criação.


Mas não devemos chorar
Somente pela partida,
Pois quem plantou bons exemplos
Continua dando vida.
Na palavra ensinada,
Na família edificada,
Sua presença é sentida.


Quando o vento sopra manso
E a noite cobre o terreiro,
Parece ouvir a voz antiga
De um avô conselheiro.
Ou de uma mãe carinhosa,
Ou de uma tia bondosa,
Num abraço verdadeiro.


Estão indo embora, é certo,
Como manda a natureza,
Mas deixam em cada filho
Sua maior riqueza.
Honra, caráter e fé,
Para quem segue de pé
Com amor e com firmeza.


Por isso ergamos os olhos
Ao Deus da eternidade,
Agradecendo o legado
Que venceu a brevidade.
Pois quem vive para o bem,
Mesmo partindo, mantém
Sua luz na humanidade.


Estão indo embora os corpos,
Mas o exemplo permanece.
Quem semeou amor na Terra,
No coração nunca falece.

CALDO DE CANA

No roçado amanhecendo,
Vi o sol beijar a estrada,
A enxada cortando o mato,
Na lida abençoada.
O cheiro verde da cana,
Na memória adormecida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.

No engenho a roda cantava,
Gemia o velho moendão,
A garapa escorria farta,
Feito bênção pelo chão.
Cada gota era esperança,
Pela família repartida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.

Tinha a cana Caiana,
Alta, forte e vigorosa,
Ao lado da velha Pitú,
Sempre doce e generosa.
Cada talo era um tesouro,
Na jornada tão sofrida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.

O caldo de cana gelado,
Com pão-doce e boa broa,
Era um banquete de pobre
Que a lembrança ainda entoa.
Pouco havia sobre a mesa,
Mas nunca faltou comida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.

O melaço fervilhando
Na panela de carvão,
Perfumava o terreiro inteiro,
Adoçando o coração.
O doce vencia a dureza
Da batalha já vivida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.

Quando vinha o tempo da safra,
Era festa no canavial,
Mas depois da derrubada
Recomeçava o ritual.
A terra pedia de novo
A semente repartida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.

Na reçoca do plantio,
Brota a força da raiz,
A cana vence o tempo,
Sem esquecer seu país.
Quem conhece esse mistério
Vê a vida refletida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.

O suor de cada homem
Era chuva sobre o chão,
Misturando fé e coragem
Com trabalho e oração.
A colheita era pequena,
Mas a honra garantida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.

Hoje o engenho silencia,
Muita coisa já mudou,
Mas o cheiro da garapa
O tempo nunca apagou.
Quem provou aquele caldo
Leva a alma comovida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.

Que o caldo de cana ensine
O valor da tradição,
Da família reunida,
Da coragem do sertão.
Pois o doce da memória
Jamais conhece partida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.

MINHA VIAGEM AO SOL


Quando fechei meus olhos,
O impossível deu sinal;
A razão ficou na Terra,
Parti rumo ao Astro-Rei celestial.
No lombo da imaginação
Cruzei o vazio sideral.


Foi num instante de luz
que viajei até lá.


Disseram: "És um lunático,
Não sabes o que faz."
Respondi com um sorriso:
"Quem sonha sempre vai mais."
Pois o sonho abre caminhos
Que a dúvida nunca traz.


Foi num instante de luz
que viajei até lá.


Passei por luas e cometas,
Vi planetas a girar;
Cada estrela me saudava
Como quem sabe esperar.
No silêncio do Universo,
Aprendi a escutar.


Foi num instante de luz
que viajei até lá.


Quando alcancei o grande Sol,
Não encontrei destruição;
Vi um oceano de luz
Banhando toda a criação.
Seu calor não era fogo,
Era divina compaixão.


Foi num instante de luz
que viajei até lá.


No centro daquela chama
Vi um brilho sem igual;
Não tinha forma definida,
Nem princípio, nem final.
Era a Divindade de Luz,
Eterna, pura e celestial.


Foi num instante de luz
que viajei até lá.


Bastou um único olhar
Para entender o infinito;
Todo medo se desfez,
Todo mistério foi bendito.
Num segundo compreendi
O que jamais fora escrito.


Foi num instante de luz
que viajei até lá.


Voltei trazendo a certeza
Que o possível nasce em nós;
Quem alimenta a esperança
Faz mais forte a própria voz.
O impossível se rende
Quando Deus caminha após.


Foi num instante de luz
que viajei até lá.


Hoje contam minha história
Como um sonho sem igual;
Uns dirão que foi delírio,
Outros, viagem celestial.
Pouco importa o julgamento,
Se encontrei o essencial.


Foi num instante de luz
que viajei até lá.


Assina este viajante
Que fez do verso um altar;
Quem semeia a fantasia
Sempre aprende a alcançar.
Pois quem segue a luz divina
Nunca deixa de sonhar.


Foi num instante de luz
que viajei até lá.

Esperando o pôr do sol
Todos os dias espero ansiosa o pôr do sol,
Como se pudesse amenizar minha dor.
Não imaginei que seria dessa forma,
De repente a viagem perdeu seu sabor.

Como se a felicidade tivesse ido embora nas ondas,
Restando apenas lágrimas de solidão infinda.
Os dias passam lentos, arrastados,
E trago angústias que não se findam.

O ócio não me faz bem,
Não nasci para ficar parada.
Mas uma gravidez me detém,
E a vida parece suspensa, calada.

Ganhamos por ser mãe?
Quem nos paga, quem nos vê?
Calor, dores, fome, enjoos,
E ele distante, sem saber.

Talvez seja loucura da minha cabeça,
Não há provas reais, só espera.
Logo eu, tão impaciente, inconstante,
Agora encontro na maternidade a prova maior.

A FEBRE
Quando o sol se despede,
uma chama se acende em mim,
não de calor do dia,
mas de um fogo que vem de dentro,
sutil, insistente,
que me envolve no escuro.
Durante o dia, rio e caminho,
o mundo me segura, me distrai,
mas a noite… ah, a noite
me consome como brasa viva,
sussurra meus medos,
faz dançar a febre que carrego.
Procuro a calma nos lençóis,
na respiração que estica e solta,
no silêncio que às vezes dói,
mas que me ensina a ouvir
a voz do meu próprio peito,
a poesia da minha febre,
que queima e revela
quem eu sou quando ninguém me vê.

*5 Anos do Ravi*

Cinco voltas o sol já deu
Desde que o Ravi apareceu
Cinco vezes mais travessura
Cinco vezes mais ternura

Tem energia de cometa
Sorriso que desmonta dieta
Corre, pula, faz bagunça
E a casa inteira balança

Que tenha bolo, brigadeiro
Presente, abraço verdadeiro
E que o fim da festa seja só
O começo de mais um sonho bom

Parabéns pro Ravi!
Que a vida seja quintal grande
Pra caber toda a alegria que é só dele.
(Saul Beleza)

Assim caminhava João, estrada a fora, sol escaldante, botina apertada, calça larga, e imbira era o curião, camisa remendada com retalhos de um tecido cortado de um velho colchão de capim, na gibeira, algumas palhas para o cigarro, no bornal, uma banda de rapadura e uma lesga de carne seca, o cantil já pelo meio, água por perto não existia, o córrego estava a oito léguas a frente, João pensando na dificulidade da vida que levava, mas no fundo era feliz, pois estava longe dessa guerra que assusta o mundo.
Então, João continuou sua jornada, o sol a pique, a botina apertada, mas o coração leve. Ele sabia que a vida era dura, mas também sabia que a liberdade valia a pena. Ao longe, viu uma sombra, um oásis no deserto. Era uma velha árvore, com um córrego murmurante ao lado. João se aproximou, sentou-se à sombra, e começou a mastigar a rapadura, sentindo a vida simples, mas plena.
(Saul Beleza)

As Coisas que Continuam

O sol continua nascendo.

O café continua esfriando na caneca.

Os pássaros continuam discutindo assuntos importantes que ninguém entende.

As ruas continuam cheias.

A vida continua acontecendo.

É curioso perceber que o mundo não para por causa das nossas dores.

Durante muito tempo achei isso cruel.

Hoje penso diferente.

Talvez seja justamente essa continuidade que nos salva.

Porque mesmo quando algo termina,
o amanhã sempre encontra um jeito de chegar.

E junto dele vêm novas histórias,
novas pessoas,
novos motivos.

A vida tem esse hábito curioso de continuar.

E, aos poucos,
nós continuamos também.

Às vezes cansados.

Às vezes feridos.

Às vezes reconstruídos.

Mas seguimos.

Porque viver talvez seja isso:

aprender a florescer outra vez,
mesmo depois de algumas tempestades.

Autora: Lucci Santz

⁠Cá por essas bandas de um sol para cada um, que cada qual tenha a hombridade de não se descuidar do seu.


Nem superaquecer o outro.


Bom e abençoado dia de verão embalado nos 40.


Cá por essas bandas, onde há um sol para cada um, não nos falta luz — falta, às vezes, hombridade.


Hombridade para cuidar do próprio astro, regular o próprio calor e vigiar as próprias sombras.


Porque há quem, descuidado de si, tente aquecer a própria falta queimando o outro.


O verão ensina sem levantar a voz: o sol que amadurece também pode ferir.


Tudo depende da distância, do respeito, do tempo de exposição.


Há calores que nutrem e há calores que adoecem.


Que cada qual carregue o seu sol com responsabilidade,
sem invejar o brilho alheio,
sem projetar suas secas sobre jardins que não lhe pertencem.


Num dia abençoado, embalado nos quarenta,
que saibamos ser verão sem incêndio,
luz sem arrogância,
calor sem invasão.


Bom e abençoado dia, ainda que embalado nos 40.

Ela é Sol! Eu sou Lua!


Ela é o Sol,
eu sou a Lua,
duas almas diferentes
sob a mesma imensidão.


Ela chega trazendo luz,
eu chego trazendo mistério;
ela ilumina o que toca,
eu guardo o que sinto em silêncio.


Ela é calor,
eu sou maré;
ela desperta sentimentos
que eu nem sabia que havia em mim.


Talvez seja por isso
que eu escreva tanto sobre ela:
porque há pessoas que simplesmente passam,
e há aquelas que deixam o céu diferente
depois que chegam.


Ela não precisa saber
quantas constelações acendeu em mim.
Talvez nem perceba
que, quando penso nela,
até minhas noites encontram claridade.


E eu, Lua,
continuo orbitando meus próprios pensamentos,
tentando transformar em versos
aquilo que não consigo dizer.


Porque o Sol não sabe
o quanto a Lua o observa.


E a Lua talvez nunca conte
o quanto é bonito receber sua luz.


Mas existe algo que o céu sabe
e nós talvez ainda não:


há encontros que não precisam acontecer no mesmo instante
para pertencerem ao mesmo universo.


Ela é o Sol.
Eu sou a Lua.


E, entre a luz dela
e as minhas fases,
existe um céu inteiro
guardando aquilo que somente nós
poderíamos entender.