Texto sobre Sol
Percebi que fugir não tem funcionado. Caminhei para longe, tentei encontrar um lugar onde o sol não me lembrasse do brilho que perdi, mas parece que, não importa a distância, eu sempre acabo voltando para aquele 'coração de pedra'.
É difícil admitir, mas eu ainda preciso de tempo — um tempo que o relógio insiste em não me dar. Tento fechar os olhos e reconstruir o mundo com outras cores, mas toda vez que você aparece, meus disfarces caem. Tento me esconder, tento fingir que superei, mas quando nossos olhos se cruzam, percebo que ainda sou aquele mesmo homem desarmado.
Sabe o que é pior? O silêncio que fica quando você sai do quarto. É como se o ar fosse embora com você. Sinto-me murchando, exatamente como uma flor que foi arrancada do solo e deixada sob uma chuva gelada. Esta cidade parece tão fria e vazia agora; às vezes me pego falando sozinho, tentando encontrar respostas nos ecos dos meus próprios gritos, mas não há nada lá.
Eu só queria que você soubesse que estou tentando me encontrar de novo. Estou tentando deixar de ser essa rosa abatida pela tempestade. Mas, por enquanto, a verdade é que cada partida sua ainda me faz desabar em lágrimas quando o dia termina.
E dói perceber que, embora eu tente seguir um longo caminho para longe de casa, todas as estradas parecem levar de volta ao que fomos. O vazio que você deixa não é apenas a sua ausência; é a presença constante de uma saudade que não descansa. Estou aprendendo, da maneira mais dura, que não se cura um coração de pedra tentando quebrá-lo, mas tentando sobreviver ao frio que ele emana. Enquanto o sol se põe sozinho mais uma vez, eu sigo aqui, esperando o dia em que o meu mundo não murchará toda vez que você se for.
Horizontes
Nos horizontes sem muros, o sol desponta,
plantando sonhos em solos de liberdade.
Medos, como sombras, tentam cercear o caminho,
mas o coração forte ergue-se, desafiando a tempestade.
Caminhos serpenteiam por terras desconhecidas,
onde a esperança brota em cada amanhecer...
E, ao silenciar as vozes que sussurram dúvidas,
encontramos a beleza no simples simplesmente viver.
Soltar as amarras, deixar a alma livremente fluir...
É nesse espaço vasto que podemos realmente existir.
Assim, seguimos em frente, sem olhar para trás,
Cultivando um futuro em que tudo o que nos rodeia é paz, só e somente paz.
Nas ondas do mar
Nasce o sol nas ondas do verde mar,
Em dança suave, a brisa bailando, bailando... a tudo encantar.
Sussurros de espuma, segredos antigos,
cantos de sereias, sonhos amigos.
O balanço das águas embala a razão,
em cada gota, surgindo se vê uma nova canção.
Navegar é sentir, com o corpo e a alma,
a liberdade e a paz que embalam e trazem enorme calma.
Entre horizontes, meu barco desliza...
a luz do entardecer, uma suave brisa.
mares de esperança, surpresas a florir,
no coração do oceano, só quero existir e existir .
Que as ondas me abracem, me envolvam, me guiem...
Nesse azul profundo onde os sentimentos indeléveis flutuam.
Mar verde, brisa suave, eternamente a sonhar,
Nessa viagem infinita, hei de sempre navegar.
Quero acordar
Nasce o dia sem certezas.
O sol aparece suavemente.
Brilha um brilho fugidio...
Correm pro mar as águas do rio.
Meus sonhos atravessam a vida...
Como esse rio está toda a terra a atravessar...
Meus sonhos, em transversais suspensas, não sabem aonde irão chegar...
Mas o rio tem seu destino certo: o mar.
Meus desejos se vão com as nuvens
Vagueiam por terras tão distantes
Faço força pra acreditar que realidade se tornarão em um instante.
Um canto de sereia cega.
Um turbilhão de vozes a me atordoar.
Medo dessa escuridão que me cerca....
Por que não consigo logo acordar?
(Des)esperança
“- Ah, como dói viver quando falta a esperança!”
Não há sol que aqueça.
Não há noite que amanheça.
Quando a alma esperança não mais alcança.
Tudo passa vagarosamente...
se dilui... desaparece...
estrangeiro no mundo
a vida se desvanece.
Cores desbotadas.
Descolorindo a monotonia dos dias...
“O silêncio é tão largo, é tão longo, é tão lento”
Só desalento o que sinto por dentro.
Pressinto um medo...
Um mau presságio...
Velozmente está chegando perto do fim o meu momento.
Cada vez mais desentendo a vida...
Chega com as cartas marcadas...
Traçada da entrada à porta de saída...
a desesperança não é um luxo de ninguém...
é apenas um capricho da vida!
Rosangela Calza
A vida no campo.
Da janela do meu quarto, vejo a luz do dia, o sol radiante me passa energia, os pássaros cantando, o estresse alivia, a chuva quando aparece, a plantação e o solo agradecem, o ar, as plantas umidificam e purificam, pelas minhas narinas, ar puro respiro todos os dias. A natureza é rica, pois, é uma obra divina. Gratidão! Sempre, meu Deus.
Você não é o teto que me abriga da chuva, você é o sol que faz valer a pena atravessar a tempestade. E mesmo que o mundo inteiro desmoronasse lá fora, se eu tivesse que recomeçar do zero, fecharia os olhos e correria de volta para o único lugar onde o meu coração reconhece o som da própria voz,nos seus braços.You and me Rebirth.
_Enzo Ruchell_
Não tão próximo quanto a lua desejaria, nem tão distante para deixá-la ir. o sol atravessava seus dias com uma luz que alcançava tudo, menos o vazio que existia entre os dois. a lua, em silêncio, fingia que algumas sombras eram suficientes para sobreviver. dizia a si mesma que amar também era aceitar o inverno, que nem todo calor precisa ser sentido para existir. mentia bem. porque toda noite ainda esperava que o sol esquecesse, por um instante, de iluminar o mundo inteiro e escolhesse aquecer apenas ela. nunca aconteceu. e, ainda assim, a lua permaneceu no mesmo céu. deverá acostumar-se ao frio de quem nasceu para ser calor, mas nunca soube aproximar-se o bastante para queimá-la.
Dizem que o sol jamais compreenderá o frio da lua. ele nasce disposto a aquecer, ela, acostumada ao silêncio, acredita que toda aproximação dura pouco. então afasta-se antes que precise sentir. o sol insiste por um tempo, confunde a distância com prudência, o silêncio com paz. até descobrir que há quem ame sem tocar, quem permaneça sem permanecer. talvez esse seja o preço do equilíbrio: aceitar que algumas luas nunca deixarão de ser inverno. e o sol… deverá acostumar-se a aquecer de longe.
O sol nunca percebeu que a lua esperava ser aquecida. acreditava que sua simples presença bastava. enquanto isso, a lua colecionava silêncios, caminhava ao lado do próprio brilho sem jamais sentir o calor que imaginava existir. não havia abandono, apenas uma ausência difícil de explicar. perto o suficiente para alimentar a esperança, distante o bastante para fazê-la duvidar de si. e talvez seja essa a mais cruel das órbitas: aquela em que ninguém parte, mas ninguém realmente chega. a lua continuará olhando para o céu. o sol continuará nascendo. e ambos chamarão isso de equilíbrio.
Quando você para para contemplar o pôr do sol, percebe que a vida também sabe falar em silêncio.
É nesse instante, quando o mundo desacelera e o único som é o da própria quietude, que os pensamentos encontram espaço para ecoar.
As respostas nem sempre chegam. Às vezes, chegam apenas novas perguntas. E tudo bem.
A vida não revela seus mistérios de uma só vez. Ela os apresenta em pequenos detalhes: nas cores do céu, na brisa do fim da tarde, no tempo que insiste em seguir seu curso.
Talvez a verdadeira sabedoria esteja justamente nisso: aprender a contemplar, antes de tentar compreender.
Há momentos em que o silêncio ensina mais do que qualquer palavra.
O silêncio do Real.
Havia um buscador inquieto,
que perguntava por que o sol nascia
e para que o vento soprava.
Sempre lhe respondiam:
“Assim quis Deus.”
E ele silenciava.
Mas numa noite, sob o véu do céu estrelado,
sentiu-se pequeno,
ferido por uma saudade sem nome.
Correu aos guias de sua alma,
e disseram-lhe:
“Te falta Deus.”
Então mergulhou nos livros,
e a crença que o sustentava
tornou-se peso insuportável.
Viajou por tradições,
bebeu de fontes diversas,
mas a sede não cessava.
E quando nada restou,
quando o vazio gritou mais alto que a fé,
ergueu os olhos novamente ao céu.
E viu:
aquela imensidão não estava fora,
mas dentro dele.
No silêncio, ouviu o Amado dizer:
“Antes que teu nome fosse sussurro,
Eu já te chamava.
Antes que teus olhos se abrissem,
Eu era tua luz.
Em tua primeira lágrima,
era Eu quem corria em teu rosto.
Deixei-te perdido
para que Me buscasses.
Dei-te sede
para que descobrisses:
a água sou Eu.
Cada dor em teu peito
era Meu chamado.
Cada dúvida,
era Minha presença oculta.
Eu te amei em silêncio
por eras incontáveis.
Agora que Me reconheces, ouve:
Nunca estive longe.
Foi apenas tua pele que te separou de Mim.
Volta para dentro.
Ali te espero,
onde o mundo não alcança,
onde teu ‘eu’ se dissolve,
e só o Amor permanece.”
- Aluízio (inspirado em Ibn Arabi).
Agora que o dia acabou
O sol se pôs
E eu vi o mais lindo
Pôr do sol
E finalmente, a noite
Chegou rápido
À meia-noite
A luz se apagou
E também, o tráfego na
Estrada
Diminuíra
E Toronto estava quieta
Agora
Também, não há ninguém
Andando
À meia-noite na rua
Espero que todas as pessoas estejam
Dormindo em suas camas à
Meia-noite
Também, eu sei que a noite
É muito longa
Porque Deus fez a noite
Assim
Para nós dormirmos
Além disso, Deus fez as quatro estações
Para que possamos viver nelas
Agora estamos no fim
Do outono
Amanhã será o primeiro
Dia do inverno
E todos os dias está muito frio
Já atrasamos o relógio
Uma hora
E os dias estão mais curtos
Anoitece às 17h
Eu acho isso muito deprimente
Hoje eu fui dormir às
17h
Porque eu já estava cansado
Ao cair da noite desabrocham-se as flores abastecidas de sol... (Hélio Soares Pereira. In: Eclipse das Mentes)
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A matéria é triste, mas o espírito é alegre na forma e na cor. (Hélio Soares Pereira. In: Eclipse das Mentes)
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Os teus ossos precisam de tua carne, mas o que te anima não precisa de carne para viver. (Hélio Soares Pereira. In: Eclipse das Mentes)
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A Luz vaja do cosmos às grandes superfícies semeando infinitas essências. (Hélio Soares Pereira. In: Eclipse das Mentes)
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Ah! Morte! Morte! Morte! Essa companheira inseparável da matéria! (Hélio Soares Pereira. In: Eclipse das Mentes)
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Forma-se no cálice humana, o mais lindo arco-íris do infinito Oceano. (Hélio Soares Pereira. In: Eclipse das Mentes)
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Deus! - Única essência que se transforma e não se deforma. (Hélio Soares Pereira. In: Eclipse das Mentes)
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Não haverá espelho para reflexos quando as sombras da Terra brilharem nas trevas do homem. (Hélio Soares Pereira. In; Eclipse das Mentes)
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Quando o homem olhar para dentro de si, na razão que move o universo, verá suas mãos mutilando gerações. (Hélio Soares Pereira. In: Eclipse das Mentes)
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São as asas que iluminam as mentes para o voo infinito...(Hélio Soares Pereira. In: Eclipse das Mentes)
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Ontem, o botão se fez rosa. Hoje, a rosa desfez-se em pétalas... (Hélio Soares Pereira. In: Eclipse das Mentes)
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No abismo dos céus, escalei montanhas ocultas... (Hélio Soares Pereira. In: Eclipse das Mentes)
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Não estarás sozinho no barco do silêncio, pois entre a noite e o dia te observa a Natureza. (Hélio Soares Pereira. In: Eclipse das Mentes)
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Joga tua âncora no mais simples cais. Não importa a distância nem a profundeza do rio. - O Horizonte estará te esperando... (Hélio Soares Pereira. In: Eclipse das Mentes)
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O sol mergulhará no infinito quando o homem decidir cobrir-se com o lodo de suas ações. (Hélio Soares Pereira. In: Eclipse das Mentes)
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Talvez, um dia, os vermes andarão sobre a Terra ao lado do ser humano e haverá quem diga -são parecidos! (Hélio Soares Pereira. In: Eclipse das Mentes)
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Ah! Míseras ações de ínfimas estruturas. Nunca se tornarão puras, se a luz as perturba tanto! (Hélio Soares Pereira. In: Eclipse das Mentes)
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Paz! -Como sobre viverás, se o homem é míssil-atômico do seu próprio egoísmo? (Hélio Soares Pereira. In: Eclipse das Mentes)
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Um dia, a gigantesca rosa dourada brotará como um sol; e, sobre as pedras, cairá o pó -ânsia do viver... (Hélio Soares Pereira. In: Eclipse das Mentes)
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A rosa de Hiroshima talvez ainda esteja nos pesadelos dos corpos sem almas... (Hélio Soares Pereira. In: Eclipse das Mentes)
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A luz que anima tua alma jamais se consome...(Hélio Soares Pereira. In: Eclipse das Mentes)
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A carne que te veste foi apenas um empréstimo que fizeste da matéria que o tempo desgasta e te fará ausente. (Hélio Soares Pereira. In: Eclipse das Mentes)
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Dize adeus às asas mutiladas de cada dia, és parte da espiga debulhada sobre a Terra...(Hélio Soares Pereira. Eclipse das Mentes)
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Houve um tempo em que sobrevoávamos nossos sonhos... Há um tempo em que voamos com nossos sonhos... Haverá um tempo em que nossos sonhos nos sobrevoarão, segurando-nos com linhas transparentes...(Hélio Soares Pereira. In: Eclipse das Mentes)
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Um dia, o sol abrir-se-á, de vez, queimando as linhas que nos prendem ao voo...(Hélio Soares Pereira. In: Eclipse das Mentes)
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Mãe! -Laços de primavera te envolviam o ser num suave arco-íris de flores e perfume...(Hélio Soares Pereira. In: Eclipse das Mentes)
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Mãe! Iluminaste o jarro no pouco espaço de minha janela. Ah! Como sofri entender! Ser - a flor e o jarro - tão simples e tão belos quanto a mão que te veio colher um dia... (Hélio Soares Pereira. In: Eclipse das Mentes)
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Fugir para dentro das ruas é tornar-me desfigurado entre os figurantes... (Hélio Soares Pereira. In: Eclipse das Mentes)
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Fugir para dentro de mim é libertar-me em gestos crescentes de amor e memória. (Hélio Soares Pereira. In: Eclipse das Mentes)
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Tudo sai de perto das vidraças e dos concretos. Fica só o tempo incerto e o homem sem canto...(Hélio Soares Pereira. In: Eclipse das Mentes)
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O pássaro é a esperança do ninho que traz mais pássaros... (Hélio Soares Pereira. In: Eclipse das Mentes)
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Entre vidros e concretos, o canto não é canto, é um eco... (Hélio Soares Pereira. In: Eclipse das Mentes)
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Fiquei, em mim, ausente, por tua ausência... (Hélio Soares Pereira. In: Eclipse das Mentes)
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O Sol, a Lua e Eu ☀️🌜
Já era adolescente.
Sabia exatamente o que desejava, embora talvez não soubesse o motivo...
Meu pai me perguntou o que eu queria e disse que me daria qualquer coisa.
Duvidei, é claro...
E, talvez por já carregar dentro de mim um certo fascínio pelo impossível, respondi sem pensar muito:
— Eu quero a Lua. 🌜
Como se aquilo fosse a coisa mais simples do mundo, respondeu:
— Tá bom. De hoje em diante, a Lua é sua.
Sorri.
Agradeci.
E, nesse momento, ele tentou me testar. Talvez a minha sanidade ou a dele, não sei, e completou:
— Vai lá pegar a sua Lua.🌜
Olhei para o céu e respondi:
— Não precisa. Gosto dela assim, exatamente como e onde está.
E, sabendo que ela é minha agora, ela se tornou ainda mais bonita.
Talvez porque as coisas não precisem nos pertencer para serem nossas.
Talvez porque o amor nunca tenha sido posse.
Talvez porque a beleza exista justamente na distância que nos permite admirá-la.
Sempre achei que tudo possui um lugar, um tempo e uma lógica.
Não preciso mexer nas obras de Deus. Elas são perfeitas. Até uma flor que se arranca precisa de um motivo, uma razão, uma circunstância; caso contrário, é matar em vão.
Desde então, sempre disse que a Lua era minha.
A minha Lua.🌜
Livre.
Inteira.
Brilhando para todos.
O que eu não sabia era que sempre fui a própria Lua.
Nasci Lua.
Cresci Lua.
Era a Lua da família...
Admirava-a através das grades da janela, como um segredo absoluto...
E, enquanto outras pessoas corriam em direção ao Sol, eu me recolhia.
O Sol queimava minha pele.☀️
Fazia meus olhos arderem.
Seu brilho intenso me incomodava.
E, sem perceber, passei boa parte da vida tentando me esconder.
O que não entendia era que precisava dele para viver.
Afinal, a Lua não existe sem o Sol.
Seu brilho não nasce dela.
É reflexo.
É encontro.
É dança silenciosa entre opostos que parecem distantes, mas que dependem um do outro.
Porque talvez, só talvez, sem a presença da Lua, o Sol também não tivesse motivo para existir.
Porque há luzes que brilham sozinhas.
E há luzes que só descobrem a própria grandeza quando encontram algo digno de iluminar.☀️🌜
Na hora dourada, uma venustidade se veste de pôr do sol
Iluminada pelo Sol,
parece que a hora dourada está sorrindo
— a personificação radiante de um pôr do sol —,
numa ocasião emocionante,
quando vejo o amor e a arte refletindo
um belo fragmento do poder divino em vários tons.
Diante dela, o valor de cada instante é reconhecido;
dessarte, ela é uma venustidade intensa
como um fogo que permanece vivo,
não importa o que aconteça.
Se o sol lhe pedisse em casamento, você aceitaria ou diria que não sabe, assim como a lua disse?
Mas a lua tem fases e, assim como as pessoas que não gostam das mudanças climáticas, o sol precisa voltar a brilhar...
O sol daria voltas por ti, o brilho poderia ser teu...
Não posso brilhar por você
Não posso me esconder no escuro com você.
🦁 Ouve-se o rugido antes que se veja o raio, mas saiba: eu sou ambos.
☀️ Quando o Sol atingir o zênite e não houver mais sombra onde se esconder, eu estarei no convés. Não como uma passageira, mas como a LEI que sustenta a MADEIRA sobre o abismo. A minha luz não é apenas para iluminar; é para queimar o supérfluo e revelar a ossatura do destino.
🌬️ A Fera que habita em mim não está mais solta na selva; ela agora guarda a proa. Eu a vesti com o ouro da consciência. Seus olhos, que antes viam apenas a caça, agora veem o mapa das estrelas.
🦁 Aquele que eu mantenho sob controle não é um prisioneiro, mas uma força capturada. Eu domino o turbilhão porque me tornei o seu centro. Sob o meu olhar solar, as águas se curvam e o caos se organiza.
⚔️ Nenhum movimento escapa à minha vigília. Nenhuma oscilação abala o meu domínio. Eu sou a Senhora da minha própria tempestade e a carcereira do meu próprio abismo.
👑 Do convés eu governo, pelo Sol eu vejo, pela Fera eu contenho. O controle é meu, pois a minha coroa foi forjada no fogo do meu próprio ser.
CONFIDÊNCIAS
Meu sol, quando me toca, acaricia-me e deixa um rastro de queimor.
Meu corpo estremece diante da proximidade desse calor. A temperatura se altera, transbordo, e me entrego como uma flor que desperta sob o orvalho da manhã. Ele sorve as ardentes consequências dessas delicadas carícias, vaporizando, com a naturalidade de quem conhece o próprio caminho, tudo aquilo que despertou.
Seu toque alcança minha intimidade, rasga minhas reservas, dissolve minha privacidade. Faz-me cativa de um delírio sereno, entregue ao abandono consentido, enquanto meu corpo, rendido, prazerosamente se derrama.
O futuro, porém, é vago.
É barco à deriva, esperando as ondas do mar e a cumplicidade dos ventos, que o empurram para cá e para lá. Nesse constante movimento, habitam possibilidades infinitas. Sonhamos com a certeza de que amanhã pisaremos em terra firme e que tudo mudará. Mas o mar da vida também sabe inundar, desfazer as fortalezas construídas e devolver-nos à solidão do alto-mar.
Nada nos é dado prever.
Ainda assim, podemos desfrutar do percurso, recolhendo as maiores grandezas nas concessões da Mãe Natureza, que nos ensina, silenciosamente, a arte de amar.
Resta, então, apenas um desejo:
Que a vida nos reserve um sol para iluminar nossos caminhos e um mar sereno, onde possamos navegar sem temer as tempestades, sabendo que, mesmo quando elas vierem, haverá sempre um horizonte esperando por nós.
Eli Odara Theodoro
Que eu possa te escolher todos os dias. Não apenas nos dias de sol, em que a vida parece fácil e o riso transborda, mas principalmente naqueles em que o céu fecha e as tempestades resolvem testar a nossa estrutura.
Quando o caos chegar , eu quero que a nossa primeira reação não seja o medo ou a fuga, mas a certeza. A certeza de que, não importa o tamanho do vendaval, nós somos um lugar seguro um para o outro.
Enzo Ruchell
Você é o sol que rasga os meus dias depois da tempestade, o calor que cura o frio das minhas ausências e a certeza de que, não importa o tamanho do inverno, com você sempre haverá um calor aconchegante no seu abraço. Olhar para você é entender que a escuridão nunca teve chance. Você me habita de um jeito tão profundo que já não sei onde termino eu e onde começa você. É um sentimento urgente, que incendeia o peito e acalma a alma ao mesmo tempo. Enquanto houver fôlego em mim, você será o meu farol, o meu porto e o meu eterno recomeço. Te amo na calmaria, mas te amo com ainda mais força na intensidade de tudo o que somos. You and me rebirth.
_ Enzo Ruchell_
Há dias
Há dias em que some o Sol
Há dias em que somem as nuvens
Há dias em que some a alegria
Há dias em que só há nostalgia.
Há dias em que some o tempo
Há dias em que some a paz
Há dias em que some o chão
Há dias em que só há a batida do coração.
Hoje sumiram as palavras...
Hoje só o que há é o silêncio
... um silêncio tão silencioso,
gritando que como as palavras ele tão poderoso.
