Mannu Viana Rios
Disfarçado de Você
Se você quiser,
meu corpo eu empresto,
mas, quando estou diante de você,
o silêncio vence,
e um simples "para"
desfaz toda a coragem que carreguei até ali.
Ainda assim,
sei da verdade escondida nas entrelinhas,
na forma como teu braço parece abrigo,
e em como, por um instante,
o mundo inteiro cabe nesse toque.
Entre madrugadas afora
e palavras lançadas ao vento,
você se tornou um sentimento.
Tão profundo,
que, no fundo,
às vezes até parece obscuro.
Em segredo,
continuo te olhando.
Ô, moça bonita...
pode, por favor,
parar de me hipnotizar?
Você é um poema
disfarçado de saudade,
disfarçado de ilusão,
disfarçado de você.
Disfarçado daquilo que sente,
e daquilo que ainda não conseguiu me dizer.
Já dedilhei violões,
já fiz guitarras cantarem histórias,
mas nenhuma melodia encontrou tanta beleza
quanto as curvas do teu corpo
e a calmaria escondida no teu olhar.
Talvez seja isso o amor,
ou apenas uma bonita confusão:
viver entre o desejo de te alcançar
e o medo de estragar
o pouco que existe entre nós.
Enquanto isso,
eu sigo escrevendo.
Porque há sentimentos
que nunca aprenderam a ir embora;
apenas encontraram na poesia
o único jeito de permanecer.
Meu Paraíso
A pureza de uma criança
é a mais bela obra que a vida já escreveu.
Não há tempo, dor ou tempestade
capazes de apagar a luz que nasce em um sorriso sincero.
Menina dos olhos cor de mel,
dos cabelos banhados pelo luar,
da pele alva que o sol beija com carinho,
e do sorriso que ensina meu coração a continuar.
Minha pequena de cachinhos dourados,
minha Dorothy amada...
Foi em vocês duas que encontrei abrigo,
um lugar onde o silêncio também é paz
e o amor fala sem precisar de palavras.
Quando vejo seus sorrisos,
o mundo desacelera,
as feridas esquecem de doer
e meu peito encontra descanso.
Em vocês, descobri um paraíso
que não existe em mapas,
não se mede em distância
e nem se explica em palavras.
É um lugar que só eu sou capaz de desbravar,
porque foi o amor quem me mostrou o caminho.
E, enquanto houver o brilho dos seus olhos,
saberei que sempre existirá um lar
onde minha alma poderá repousar.
"Há pessoas que passam pela nossa vida como o vento.
Outras ficam como o sol da manhã:
chegam em silêncio, aquecem a alma
e nos fazem acreditar que recomeçar também é uma forma de amar."
O Feitiço
Nunca acreditei em bruxas,
feiticeiras ou sereias.
Achava que eram apenas histórias
criadas para explicar o impossível.
Até você.
Porque desde que chegou,
tudo o que vem de você
carrega um feitiço silencioso.
Não um feitiço que aprisiona o corpo,
mas aquele que alcança a alma
e faz o coração esquecer o caminho de volta.
Já vivi algumas vidas
dentro da mesma existência.
Ouvi incontáveis palavras,
vi pessoas entrarem e saírem do meu mundo,
mas nenhuma delas me ensinou
que era possível viver com a alma.
Então me pergunto,
em silêncio:
será que somos almas gêmeas?
Ou apenas duas almas
que o destino resolveu fazer se reconhecer
por um breve instante?
Ainda lembro do instante
em que te senti entre os meus braços.
Do cuidado com que toquei tua pele,
como quem segura algo sagrado,
com medo de que um gesto brusco
pudesse quebrar o encanto.
Tudo o que eu queria
era cuidar de você
do jeito mais puro e sincero
que o meu coração conhecia.
Nunca quis confundir meus sentimentos.
Nunca quis ultrapassar os teus limites.
Jamais desejei que o peso do que eu sentia
se tornasse um fardo para você.
Eu só queria que soubesse
o quanto a tua existência
transformou a minha.
E talvez seja justamente esse
o maior dos feitiços.
Porque, entre todas as certezas
que um dia pensei possuir,
você se tornou a única dúvida
que eu nunca quis responder.
Você é o meu pensamento mais perigoso...
porque é o único do qual
eu jamais desejei escapar.
Não sei se o destino escreveu nossos nomes
na mesma página,
ou se o universo apenas cruzou
duas almas cansadas de procurar.
Só sei que, desde você,
o impossível deixou de ser lenda.
As bruxas passaram a existir,
as sereias deixaram de ser mitos,
e os feitiços ganharam o teu nome.
Porque há pessoas
que chegam como passagem.
Você chegou como permanência.
E, se um dia me perguntarem
qual foi o maior risco que corri,
não direi que foi amar.
Direi que foi encontrar alguém
capaz de transformar
o meu coração
na morada da própria alma.
Pois você continua sendo
o meu pensamento mais perigoso...
Não porque me destrói,
mas porque me faz acreditar
que existem encontros
que nenhuma explicação alcança.
Para: Bruxinha.
Onde A Paz Procura Abrigo.
Amigos são aqueles
que encontram o nosso coração
mesmo quando as palavras
se perdem entre as lágrimas.
São aqueles
diante de quem chegamos chorando,
mas de quem nos despedimos sorrindo,
porque transformam o peso dos dias
em leveza para a alma.
Amigos são aqueles
que nem a distância consegue apagar.
O tempo pode mudar os caminhos,
a rotina pode afastar os encontros,
mas jamais será capaz de levar
as lembranças construídas
nem o carinho que permanece.
São pessoas
em quem a paz encontra abrigo,
onde o silêncio também é acolhimento
e a presença fala mais alto
do que qualquer palavra.
Amigo é aquele
que permite que você seja exatamente quem é,
sem máscaras,
sem medo,
sem julgamentos.
É quem segura a sua mão
quando o mundo parece pesado
e, sem perceber,
faz você acreditar outra vez
na beleza da vida.
Porque a verdadeira amizade
não se mede pela frequência dos encontros,
mas pela certeza
de que, aconteça o que acontecer,
sempre existirá um lugar
onde o seu coração será recebido
como se nunca tivesse partido.
Porque Amigos...
Amigos não são apenas pessoas
que caminham ao nosso lado.
São pedaços da nossa história
que o tempo escolheu eternizar.
São laços que não se desfazem com a distância,
nem se enfraquecem com o silêncio.
Porque a amizade verdadeira
não precisa ser lembrada todos os dias
para continuar existindo.
Ela apenas permanece.
E, quando a vida pesa,
é para esse abraço invisível
que a alma sempre encontra o caminho de volta.
Talvez seja esse
o maior significado da amizade:
ser o lar de alguém,
mesmo quando os caminhos
seguem em direções diferentes.
A Dança das Almas
Dançar com você despertou em mim
uma sensação que eu não sabia nomear.
Era leve, intensa, prazerosa...
como se cada passo revelasse
uma parte de mim que estava esquecida.
Teu corpo junto ao meu,
o encaixe perfeito em cada melodia,
como se a música conhecesse
o caminho exato até a alma.
Ah... o calor dos teus braços.
Tão incrível, tão magnífico,
tão surreal,
que por alguns instantes
o mundo inteiro pareceu silenciar.
Éramos duas almas cansadas
de viver pelos outros,
de esquecer de si mesmas,
e que encontraram, na dança,
um breve refúgio para simplesmente existir.
Foi então que compreendi:
gosto de dançar com você
porque sei que, se meus pés falharem,
suas mãos me conduzirão de volta ao ritmo.
E, ao seu lado, a vergonha desaparece.
Não preciso fingir, esconder ou parecer.
Quando você está por perto,
eu apenas sou.
E talvez essa seja
a mais bonita de todas as danças.
Te Dollu
Te Dollu...
Uma palavra simples,
mas com um significado que o coração jamais conseguiria traduzir por inteiro.
Passei por tempestades
que muitos sequer imaginariam existir.
Caí, chorei, recomecei,
e fiz das cicatrizes
o caminho que me trouxe até aqui.
Lutei tanto para ser quem sou,
que hoje sei:
ninguém é capaz de impedir
os passos de quem aprendeu
a caminhar sobre a própria dor.
Encontro abrigo
em um café quente,
na imensidão da praia,
no abraço do mar
e no silêncio dourado do sol
que me ensina, todos os dias,
que até o fim da tarde
pode ser belo.
Minhas filhas...
são o maior presente
que a vida depositou em minhas mãos.
Meu motivo,
meu orgulho,
meu amor sem medida.
Ensino com carinho,
porque acredito
que toda criança merece crescer
cercada de afeto.
E, no brilho de seus sorrisos,
também encontro paz.
Amo as corujas,
símbolos da sabedoria,
da calma
e da capacidade de enxergar
o que muitos não conseguem ver.
Minha paz,
meu sossego,
meu lar...
são lugares sagrados.
Ninguém os tira de mim.
E quando algo dentro da alma
sai do lugar,
não faço guerra.
Apenas me afasto.
Porque aprendi
que preservar a própria paz
também é uma forma de amar a si mesma.
Talvez seja isso
o significado de Te Dollu:
a força que resiste,
a ternura que permanece
e a paz que sempre encontra
o caminho de volta para casa.
E se um dia perguntarem
quem sou eu,
direi que sou feita
de recomeços silenciosos,
de cafés que aquecem a alma,
de mares que lavam o coração,
de crianças que me ensinaram
que o amor mora nos pequenos gestos,
e de filhas
que transformaram minha existência
no mais bonito dos propósitos.
Sou abrigo para quem amo,
mas também aprendi
a ser abrigo para mim.
Porque quem encontrou a própria paz
já não precisa provar força a ninguém.
Basta continuar caminhando.
E se, durante o caminho, eu precisar parar, que seja apenas para ouvir o barulho do mar, sentir o aroma do café, abraçar minhas filhas e lembrar que a vida sempre floresce outra vez.
No fim, talvez seja isso o verdadeiro significado de Te Dollu: um coração que resistiu às tempestades, sem deixar de acreditar na beleza das manhãs, na inocência das crianças, na sabedoria das corujas e no amor que faz da alma o lugar mais bonito para morar.
Talvez Apenas Para Sentir
Como eu queria
que você soubesse
tudo o que cabe aqui dentro de mim...
Tudo o que é intenso,
tudo o que me atravessa
e, ainda assim,
me faz continuar.
Queria que entendesse
que talvez
não seja assim
que o destino nos quis.
Que talvez
existam sentimentos
que não nasceram
para ser explicados,
apenas para serem sentidos.
Tenho medo
de perder
tudo o que há de belo
entre nós.
Às vezes me pergunto
se meu impulso
seria capaz
de mudar o caminho
que o destino
escolheu para nós.
Enquanto a resposta
não chega,
guardo o silêncio.
Porque alguns segredos
não pesam por serem escondidos,
mas por serem grandes demais
para caber em palavras.
E talvez
o mais bonito deles
seja justamente este:
sentir,
sem nunca precisar dizer.
Às vezes,
o silêncio também é uma forma de cuidar.
Há sentimentos
que se tornam mais bonitos
quando encontram abrigo
em vez de explicação.
Talvez um dia
o tempo revele
o que hoje escolho guardar.
Ou talvez não.
E tudo bem.
Porque nem todo destino
precisa ser compreendido,
assim como nem todo amor,
nem todo afeto,
nem toda intensidade
precisam de um nome.
Basta que existam.
E, existindo,
já mudam para sempre
quem os carrega no peito.
O Acaso
Nos conhecemos por acaso.
Ou pelo menos
foi assim que chamamos
aquilo que jamais conseguimos explicar.
Havia algo no ar.
A natureza parecia conversar conosco,
as folhas dançavam com o vento,
e a paz reinava
como se o tempo
tivesse escolhido repousar ali.
Foi um daqueles instantes
que não pedem sentido,
porque a beleza
nunca precisou de explicação.
É difícil compreender
as maluquices
que o universo insiste em nos preparar.
Mas talvez
essa seja a graça da vida:
não entender absolutamente nada,
e ainda assim,
aceitar o convite
para viver.
Porque alguns encontros
não acontecem para serem decifrados.
Acontecem apenas
para lembrar
que o acaso,
às vezes,
é o jeito mais bonito
que o destino encontra
de escrever uma história.
Talvez
o universo já soubesse
o que nós ainda desconhecíamos.
Talvez
cada folha que dançava,
cada sopro de vento
e cada raio de sol
fossem apenas testemunhas
de um encontro
que já existia
muito antes de nós.
Há momentos
que chegam sem pedir licença
e permanecem
mesmo quando o tempo passa.
Não porque entendemos
o motivo de terem acontecido,
mas porque a alma
reconhece aquilo
que a razão jamais será capaz de explicar.
E, no fim,
talvez o acaso
seja apenas o nome
que damos aos encontros
que o coração
sempre soube
que aconteceriam.
Antes do Abraço.
Engraçado, não é?
Tudo começou
com um simples aplicativo de mensagens.
Algumas palavras,
algumas risadas,
e, sem que percebêssemos,
uma amizade começou a criar raízes.
Hoje,
já não me vejo
sem você por perto,
mesmo que esse "perto"
caiba apenas na tela de um celular.
Foi o seu jeito.
Suas manias,
sua teimosia,
essa vontade bonita de viver
e a forma tão única
de enxergar o mundo
que me fizeram permanecer.
Dizem
que a distância afasta.
A nossa,
fez o contrário.
Transformou mensagens
em presença,
silêncios
em companhia,
e o tempo
na prova mais bonita
de que uma amizade verdadeira
não precisa dividir o mesmo lugar
para encontrar morada no coração.
Três anos...
e, ainda assim,
nunca dividimos
o mesmo abraço,
o mesmo caminho
ou o mesmo pôr do sol.
Mas dividimos
alegrias,
medos,
lágrimas,
conquistas,
esperas
e tantos dias,
que a distância
já não consegue medir
o tamanho do nosso laço.
Às vezes,
conto as horas
imaginando o momento
em que finalmente
vou te encontrar.
Não para descobrir
quem você é,
porque isso
eu já sei.
Mas para confirmar,
em um abraço,
tudo aquilo
que o coração
já conhece há muito tempo.
E, quando esse dia chegar,
não será o começo
da nossa amizade.
Será apenas
o encontro
de duas almas
que a vida apresentou
por uma tela,
mas que o coração
fez questão
de guardar para sempre.
Porque existem pessoas
que chegam por acaso,
outras pela tela.
Mas há aquelas,
raras,
que atravessam qualquer distância
e fazem do afeto
o lugar mais bonito
para chamar de lar.
Para: Larissa 💌
Onde a Memória nos Guarda
Quando deixaremos
de esconder a beleza
daquilo que chamamos de amizade?
Por que desejam tanto
o nosso distanciamento?
Será inveja,
ou apenas a tristeza
de quem nunca aprendeu
que o afeto não precisa de permissão
para existir?
Não há fotografias
capazes de contar a nossa história.
O tempo preferiu gravá-la
na memória,
onde nenhuma mão alcança
e nenhum olhar invejoso
é capaz de apagar.
Houve dias
em que nos escondemos do mundo,
trancadas entre paredes,
presas a promessas
que nunca nasceram do coração,
apenas da vontade
de evitar guerras
que jamais deveriam existir.
Mas há encontros
que nem o silêncio desfaz.
Há pessoas
que a distância não diminui.
E há amizades
que continuam florescendo
mesmo quando o mundo
insiste em cobri-las de sombras.
Talvez nunca entendam
que não existe culpa
em encontrar abrigo
no coração de alguém
que nos faz bem.
Porque amizades verdadeiras
não vivem de fotografias,
vivem de presença,
mesmo quando ela acontece
apenas na lembrança.
E se um dia
o tempo nos levar
para caminhos diferentes,
que ele nunca seja capaz
de levar aquilo
que construímos juntas.
Pois algumas histórias
não foram feitas
para serem vistas por todos.
Foram feitas
para serem eternas
no coração de quem as viveu.
A Culpa de Sentir Demais
Quando escuto que minhas escolhas machucaram alguém,
o mundo parece perder a cor.
É como se eu me tornasse um monstro,
como se tudo o que existisse dentro de mim
fosse apenas um vazio disfarçado de coração.
Dizem que uso pessoas como abrigo,
como quem tenta fugir de si mesma.
Dizem que minhas atitudes machucam,
que nem sempre sei permanecer sem ferir.
Então começo a me esconder.
Guardo as palavras, os afetos, os sorrisos.
Porque talvez o silêncio doa menos
do que a culpa de existir.
Mas me explica...
Como desacelerar uma vida
quando tudo em mim grita intensidade?
Como aprender a ser calma
se meu peito nasceu tempestade?
Como perceber que todos estão indo embora,
se sou eu quem fecha as portas
antes mesmo de ouvir a despedida?
E como aceitar que, no fim,
talvez eu fique sozinha,
vendo cada pessoa partir,
acreditando que me odeiam simplesmente por eu ser quem sou?
Talvez a terapia consiga traduzir
os sentimentos que nem eu compreendo,
esses nós invisíveis
que apertam meu peito todos os dias.
Porque eu já não consigo chorar.
Parece que minhas lágrimas
secaram antes de cair,
e que cada emoção precisa morrer em silêncio
para não terminar me destruindo.
Mas, no fundo,
eu não queria sentir menos.
Queria apenas que alguém entendesse
que toda essa intensidade
nunca foi uma tentativa de machucar.
Era só a minha forma, imperfeita e humana,
de amar, de permanecer, de existir.
E talvez exista um dia
em que eu deixe de pedir desculpas
por ser quem sou.
Um dia em que eu descubra
que intensidade não é pecado,
que errar não me transforma em um monstro,
e que até os corações mais cansados
merecem um lugar para descansar.
Até lá, sigo recolhendo os pedaços de mim.
Porque, se um dia todos forem embora,
eu espero que ainda reste alguém...
eu mesma.
E que, pela primeira vez,
isso seja suficiente.
"Eu amo você, da mesma forma que o sol ama a lua; da mesma forma que o céu amar o mar e da mesma forma que os meus pulmões precisam de ar para respirar."
Ass: Mannu Viana Rios
Entre o Desejo e o Silêncio
Quero descobrir teus mistérios
como quem aprecia, sem pressa,
o vinho mais raro da vida.
Quando a lembrança dos teus lábios
atravessa meus pensamentos,
me perco imaginando
como seria estar ainda mais perto de ti.
Será que desejar um instante,
um breve toque,
um segundo a mais da tua presença,
é pedir tanto assim?
A maior loucura
não é o desejo que nasce,
mas todas as histórias
que a imaginação insiste em escrever.
Penso na tua pele
encontrando a minha,
na distância deixando de existir,
nos teus cabelos caindo
como cascatas ao vento,
enquanto teu olhar
encontra o meu
e o tempo esquece de passar.
Então o coração acelera,
o mundo parece menor,
e até o ar se aquece.
Talvez seja apenas saudade.
Talvez seja encanto.
Ou talvez seja esse desejo silencioso
de um dia descobrir
como é morar,
nem que seja por um instante,
no abraço que a minha alma
há tanto tempo imagina.
E, enquanto esse dia não chega,
guardo teu nome entre os meus pensamentos,
como quem protege um segredo bonito.
Há encontros que primeiro acontecem na alma,
antes mesmo que a vida permita
o encontro das mãos.
Talvez seja por isso
que você habita tantos dos meus versos:
porque algumas pessoas
se tornam eternas
muito antes de se tornarem presença.
Há desejos que não encontram voz.
Não por vergonha,
mas porque algumas vontades
são grandes demais
para caberem em qualquer palavra.
É estranho como a ausência
é capaz de aproximar.
Quanto mais distante você está,
mais perto mora dos meus pensamentos.
Talvez o mais perigoso
não seja imaginar um encontro,
mas perceber que, antes mesmo dele acontecer,
você já mudou a forma
como o meu coração aprende a sentir.
E sigo assim:
entre a coragem de confessar
e o silêncio de guardar.
Porque existem desejos
que não precisam ser vividos
para deixarem marcas.
A nossa ligação é de outro mundo. Não foi o acaso que nos uniu; foi a vida nos lembrando de que algumas almas estão destinadas a se encontrar, a caminhar juntas e a permanecer uma na história da outra.
Há encontros que o tempo explica, mas o nosso pertence à eternidade do coração.
Minha Cachinhos Dourados.
Minha cachinhos dourados...
Você é tão doce quanto um pedaço de algodão-doce, daquelas doçuras que encantam sem fazer esforço.
Sua alegria contagia, sua imaginação não conhece limites e seu jeito de enxergar o mundo colore até os dias mais comuns.
Ver você brilhando nos palcos do balé ou nas apresentações da escola faz meu coração acreditar que os anjos realmente caminham entre nós.
Você é tão pequena, mas carrega uma presença imensa, capaz de iluminar qualquer lugar por onde passa.
Amo sua sinceridade, sua leveza, seu sorriso e a pureza que existe em cada gesto seu. Amo tudo aquilo que faz de você a menina tão especial que é, minha princesa.
O destino uniu vocês a nós, e nós a vocês. Desde então, construímos um laço que o tempo apenas fortaleceu: uma ligação de almas, de carinho, de anos compartilhados e de um amor que escolheu permanecer.
E se um dia o tempo tentar levar as lembranças, que ele saiba que algumas delas foram feitas para permanecer.
Porque existem pessoas que passam pela nossa vida, e existem aquelas que se tornam parte da nossa própria história.
Você é uma delas, minha cachinhos dourados.
Que seus passos continuem leves, que seus sonhos nunca deixem de dançar e que a luz que existe em você jamais se apague.
Enquanto houver amor, sempre haverá um lugar onde o seu sorriso será lembrado com a mesma doçura com que um dia iluminou o meu coração.
Você sabia onde doía.
Eu amei tanto você,
que, entre sorrisos e promessas,
esqueci de perguntar
quem realmente era.
Entreguei minhas verdades
como quem entrega o próprio coração,
sem imaginar
que um dia seriam usadas
contra mim.
Você me jogou aos lobos,
fez da minha dor um espetáculo,
e eu, sem perceber,
virei a palhaça
de uma história que nunca escolhi viver.
Não compreendi
o que existia em suas palavras.
Se sabia onde doía,
por que insistiu em tocar a ferida?
Às vezes, o silêncio
também é uma forma de cuidado.
O que mais machucou
não foi ouvir os meus segredos ecoando,
mas descobrir
que era assim
que você me enxergava o tempo todo.
Então escolhi partir.
Não por falta de amor,
mas porque pensei
que a minha ausência
lhe faria menos mal
do que a minha permanência.
E, ironicamente,
foi no instante em que fui embora
que compreendi:
algumas despedidas
não acontecem porque deixamos de amar,
mas porque continuar
é ferir a nós mesmos
todos os dias.
A Coragem de Dizer Adeus
Eu deixei você partir.
Deixei.
E não houve um único instante
em que essa escolha
não atravessasse meu peito
como uma despedida sem fim.
Doeu ver suas lágrimas,
doeu perceber seu coração se partir,
mas doeu ainda mais compreender
que permanecer
seria continuar ferindo
quem eu mais queria proteger.
Então fui embora.
Não porque deixei de amar,
mas porque precisava aprender
a caminhar sem o abrigo da sua presença,
a enfrentar meus próprios medos,
a sobreviver às minhas tempestades
e a compreender as minhas próprias loucuras.
Você foi o sonho
do qual eu nunca quis despertar.
Um daqueles encontros
que fazem a vida parecer mais leve,
mais bonita,
mais cheia de esperança.
Mas até os sonhos mais belos
acabam encontrando o amanhecer.
Eu lutei contra mim mesma.
Tentei não manchar
o amor tão puro que você me ofereceu.
Tentei preservar o brilho
que existia nos seus olhos quando me olhava.
Mas foi inevitável.
Foi inevitável decepcionar você.
Foi inevitável descobrir
que o amor, às vezes,
também precisa ir embora
para não se transformar em sofrimento.
Não sei quanto tempo
você levará para se curar de mim.
Talvez hoje exista raiva.
Talvez amanhã você deseje
que eu nunca tenha cruzado o seu caminho.
E eu entenderei.
Porque algumas feridas
precisam sangrar
antes de aprenderem a cicatrizar.
Tive que deixar você ir,
para aprender, enfim,
a viver por mim.
E espero que, quando o tempo
silenciar toda essa dor,
você consiga enxergar
que minha partida
nunca foi ausência de amor.
Foi, talvez,
a forma mais difícil de amar alguém:
abrir mão da própria felicidade
para que a outra pessoa
voltasse a encontrar a sua.
Se um dia lembrar de mim,
não guarde apenas a dor do adeus.
Lembre-se também
de que houve alguém
que amou você com toda a intensidade que podia,
mas que precisou partir
porque, às vezes,
o amor também se revela
na coragem de dizer adeus.
Filha de Vênus
Ela é de Libra.
Carrega no olhar a delicadeza de quem aprendeu que a verdadeira força mora na serenidade.
É linda, charmosa e naturalmente atraente, mas não é apenas a beleza que encanta.
É o seu intelecto, a forma como enxerga o mundo e a sensibilidade com que acolhe as pessoas que fazem qualquer coração permanecer.
Odeia a injustiça.
Não consegue fechar os olhos diante da dor alheia e, sempre que pode, estende a mão sem esperar nada em troca.
Tem o coração mais bonito que já conheci,
daqueles que fazem do carinho um abrigo e da bondade uma forma de existir.
Ela é calmaria em pessoa.
Foge das confusões porque sabe que a paz vale mais do que qualquer discussão.
Prefere viver no seu próprio mundo,
onde os dias têm o ritmo da tranquilidade
e a alma pode florescer sem pressa.
E, silenciosamente, agradece a quem respeita esse lugar sagrado que chama de paz.
Libriana,
regida por Vênus,
traz consigo a beleza que não se explica,
apenas se contempla.
Dona de um encanto raro,
de um sorriso que ilumina,
de uma presença que acalma
e de uma essência impossível de esquecer.
Porque existem pessoas que impressionam pela aparência.
Mas ela...
ela permanece na memória pela alma que carrega.
E talvez seja por isso que sua presença transforme qualquer lugar em refúgio.
Ela não precisa elevar a voz para ser notada,
nem disputar espaço para mostrar quem é.
Sua essência fala por si.
Carrega no peito o dom de equilibrar o que parece impossível,
faz da gentileza a sua maior fortaleza
e da empatia o seu jeito mais bonito de existir.
Como filha de Vênus,
espalha beleza não apenas por onde passa,
mas principalmente por onde permanece.
Porque sua verdadeira luz
não está no que os olhos conseguem enxergar,
e sim na paz que sua alma desperta em quem tem o privilégio de conhecê-la.
Algumas pessoas são bonitas.
Ela é inesquecível.
Não apenas pelo encanto que possui,
mas pela bondade que transborda de seu coração.
Onde o Agora Nos Encontra
Somos a prova de que dois corpos podem ocupar o mesmo espaço,
mesmo antes de se tocarem.
Porque existem encontros
que acontecem primeiro na alma,
antes de qualquer abraço,
antes de qualquer palavra.
Deixa eu te contar uma história.
Mas não a que todos conhecem.
Quero contar aquela que escondi entre sorrisos,
a que aprendeu a sobreviver em silêncio,
a que colecionou partidas
e, ainda assim, nunca deixou de acreditar nos reencontros.
Passei tanto tempo tentando traduzir o que sinto
que me perdi entre rascunhos.
Escrevi versos na esperança
de que eles encontrassem você
antes da minha coragem.
Queria que cada palavra dissesse
o que meus olhos sempre esconderam.
Mas a vida tem esse estranho costume
de vestir as verdades com a roupa da dúvida.
Às vezes,
o que é,
não parece ser.
E o que parece tão distante
é exatamente o que mora mais perto do peito.
Quero entender você.
Não apenas o que você diz,
mas aquilo que o silêncio insiste em guardar.
Quero conhecer os seus medos,
as tempestades que ninguém viu,
os sonhos que você enterrou
por medo de acreditar neles outra vez.
Diz...
o que você esconde nessas entrelinhas?
Quantas palavras morreram
antes de alcançar seus lábios?
Quantos sentimentos aprenderam
a respirar em segredo?
E nós...
por que temos tanto medo de viver o agora?
Quem foi que nos convenceu
de que sentir era perigoso?
Quem nos ensinou
a esperar o momento perfeito,
se a vida nunca prometeu perfeição,
apenas oportunidades?
Talvez o tempo
não queira que sejamos eternos.
Talvez ele só queira
que sejamos verdadeiros.
Então deixa-me entender você.
Sem armaduras.
Sem desculpas.
Sem a necessidade de parecer forte o tempo todo.
Porque até as estrelas
precisam da escuridão para mostrar que existem.
E me diga...
O que você faria
se me visse na sua frente agora?
Talvez não dissesse nada.
Talvez o silêncio fosse a resposta mais bonita.
Talvez nossos olhos escrevessem
o poema que minhas mãos nunca conseguiram terminar.
Ou talvez descobríssemos,
na simplicidade de um único instante,
que o destino nunca quis que fôssemos perfeitos.
Quis apenas que tivéssemos coragem
de viver aquilo que sempre escrevemos
nas entrelinhas do coração.
Nas entrelinhas do meu coração
Eu poderia fazer de tudo...
Ser melhor do que alguém
que um dia ocupou o teu coração.
Poderia aprender teus medos,
decorar teus silêncios,
amar até as partes de ti
que ninguém teve coragem de conhecer.
Talvez pudéssemos ser mais
do que um simples talvez.
Mais do que encontros escondidos,
mais do que conversas que atravessam madrugadas,
mais do que dois destinos
insistindo em caminhar lado a lado,
mesmo sabendo
que nasceram para seguir caminhos diferentes.
Só não sei quando tudo começou.
Talvez esse sentimento
sempre tenha vivido adormecido em mim,
esperando apenas
que tua presença lhe desse um nome.
Ou talvez tenha sido aos poucos,
entre os jogos que inventávamos,
entre risos despretensiosos,
olhares demorados
e palavras que nunca tiveram coragem
de confessar o que realmente diziam.
Sem perceber,
você despertou em mim
uma parte que eu desconhecia.
E agora,
às vezes fecho os olhos
e imagino como seria
se fugíssemos de tudo.
Deixaríamos para trás
os nomes,
as lembranças,
as promessas,
os pesos.
Talvez eu carregasse o teu nome,
talvez você encontrasse abrigo no meu,
como se duas vidas
pudessem recomeçar
sem que o passado nos alcançasse.
Mas a realidade sempre nos encontra.
E ela me lembra,
todos os dias,
que existe uma distância
que não foi feita de quilômetros,
mas de escolhas.
É estranho...
Encontrar paz
justamente na pessoa
de quem eu deveria me afastar.
É cruel descobrir
que o lugar onde meu coração repousa
é o mesmo lugar
onde ele jamais poderá permanecer.
Porque é errado
te trazer para o meu mundo.
É errado desejar
que teus passos caminhem ao lado dos meus.
É errado sonhar contigo,
sabendo que teus sonhos
já dividem espaço
com outra pessoa.
Então eu sorrio,
finjo que nada mudou,
escondo o caos atrás da calma
e continuo vivendo
como quem sabe
que alguns amores
não foram feitos para acontecer.
Foram feitos para transformar.
Para ensinar
que nem tudo o que floresce
foi criado para ser colhido.
Algumas flores
existem apenas para lembrar
que até o impossível
é capaz de perfumar uma vida inteira.
E, se um dia você perceber
que existia amor
escondido entre as minhas entrelinhas,
talvez seja tarde.
Porque haverá restado apenas o silêncio...
e um poema,
escrito por alguém
que encontrou em você
o lugar onde sempre quis ficar,
mesmo sabendo
que nunca poderia chamar de lar.
Se você quiser...
Se você quiser, podemos fugir para um chalé, ver o sol se despedir no mar e assistir à lua começar a brilhar.
Se você quiser, podemos fugir para qualquer lugar. Basta você aceitar.
Eu sei que é fácil falar. Eu sei que é fácil prometer. Mas, se você aceitar, nem que seja por um único dia, eu faço você esquecer os problemas que insistem em morar perto de você.
Nem que seja por apenas uma noite, vamos fugir para bem longe de tudo o que pesa. Deixar o tempo correr sem pressa, ouvir o silêncio, sentir a brisa e lembrar que a vida também sabe ser leve.
Porque, às vezes, tudo o que a gente precisa não é de um lugar diferente, mas de um instante onde o coração consiga descansar.
Onde o Mundo Não Nos Alcança
Se você quiser,
podemos fugir para um chalé,
ver o sol se despedir no mar
e esperar a lua vestir o céu de estrelas,
como se o universo nos lembrasse
que toda despedida também anuncia um recomeço.
Se você quiser,
podemos fugir para qualquer lugar.
Não importa o caminho,
nem a distância.
Às vezes, o melhor destino
é aquele onde a mente silencia
e o coração finalmente encontra paz.
Eu sei...
é fácil falar.
É fácil sonhar com um lugar
onde a dor não nos encontre.
Mas, se você aceitar,
nem que seja por um único dia,
quero caminhar ao teu lado
até que o peso nos teus ombros
pareça um pouco menor.
Nem que seja por apenas uma noite,
vamos esquecer os relógios,
desligar o mundo,
deixar os celulares de lado
e permitir que o som das ondas
fale tudo aquilo
que nunca conseguimos colocar em palavras.
Vamos rir sem motivo,
dividir o silêncio sem desconforto,
sentir o cheiro da chuva chegando,
o calor de uma xícara de café entre as mãos,
a brisa bagunçando os cabelos
e a certeza de que ainda existem momentos
capazes de curar o que o tempo não conseguiu.
E quando o amanhecer pintar o horizonte,
talvez os problemas ainda estejam esperando por nós.
A vida dificilmente muda em uma noite.
Mas nós mudamos.
Porque existem viagens
que não servem para fugir da realidade,
e sim para nos lembrar
de quem éramos
antes que o mundo pesasse tanto sobre nós.
Então...
se você quiser,
podemos fugir.
Nem para esquecer a vida,
nem para escapar dela.
Mas para lembrar
que ainda existe beleza,
que ainda existe calma,
e que, às vezes,
o melhor lugar do mundo
é aquele onde alguém segura a nossa mão
e faz qualquer lugar parecer casa.
