Talvez
Talvez não exista Livro mais bobo e inocente do que o Livro Aberto da nossa própria história.
Afinal, o que há de tão extraordinário em uma história que se oferece de bandeja aos olhos de qualquer um?
Que mistério pode sobreviver quando já não existem páginas por descobrir, entrelinhas por decifrar ou silêncios por interpretar?
Talvez o maior equívoco de quem se julga um Livro Aberto seja acreditar que ser visto é o mesmo que ser compreendido.
Há quem confunda transparência com profundidade, sinceridade com exposição e liberdade com a ausência de segredos.
Como se a alma, para ser verdadeira, precisasse andar despida pelas ruas, entregando seus capítulos a leitores que mal aprenderam a reconhecer as próprias palavras.
Mas a vida não é um livro que se termina de ler.
É uma obra em permanente contradição, escrita com tintas que nem sempre combinam, corrigida por mãos trêmulas e, às vezes, rasgada justamente nas páginas que mais desejávamos preservar.
Somos, ao mesmo tempo, autores e personagens, narradores pouco confiáveis das nossas próprias histórias, capazes de recordar com ternura aquilo que nos feriu e de esquecer, por conveniência, aquilo que nos condena.
E talvez seja por isso que o chamado Livro Aberto me pareça tão bobo e inocente: não porque a sinceridade seja uma tolice, mas porque a pretensão de ser inteiramente decifrável ignora a natureza misteriosa de existir.
Há coisas em nós que nem o tempo traduz, sentimentos que sobrevivem à própria razão e lembranças que mudam de significado cada vez que voltamos a elas.
Somos feitos também daquilo que não sabemos explicar.
Nem toda página precisa ser mostrada.
Nem toda cicatriz precisa de legenda.
Nem toda dor merece plateia, assim como nem toda alegria precisa de testemunhas para ser verdadeira.
Há uma intimidade sagrada em certas experiências, um território interior onde a vida acontece sem a obrigação de se transformar em narrativa para o consumo alheio.
Talvez a sabedoria não esteja em fechar o livro por medo de ser lido, tampouco em deixá-lo escancarado por necessidade de aprovação.
Talvez esteja em compreender que a intimidade não é uma forma de esconderijo, mas uma maneira de pertencer a si mesmo.
Afinal, o que somos aos olhos dos outros muito raramente coincide com aquilo que somos quando ninguém nos observa.
Cada pessoa lê em nós o que sua própria experiência lhe permite compreender.
Uns enxergam grandeza onde outros veem arrogância; alguns chamam de frieza aquilo que nasceu como mecanismo de sobrevivência; outros interpretam como fraqueza o silêncio de quem já se cansou de explicar as próprias dores.
Somos lidos através das lentes alheias, e não há biografia capaz de corrigir todas as interpretações.
Por isso, talvez seja inútil desejar que todos nos compreendam.
Há uma espécie de vaidade escondida na necessidade de sermos decifrados, como se a compreensão alheia pudesse finalmente nos conceder uma identidade definitiva.
Mas ninguém nos conhece por inteiro.
Nem aqueles que nos amam, nem aqueles que nos abandonam, nem mesmo nós, que carregamos a ilusão de morar confortavelmente dentro de nossa própria consciência.
Somos, em alguma medida, estrangeiros de nós mesmos.
E há beleza nisso.
Há beleza em continuar sendo uma pergunta, em não caber inteiramente nas definições que nos oferecem, em descobrir, depois de tantos anos, que ainda existem quartos fechados dentro de nós.
Há liberdade em não precisar ser coerente com todas as versões que já fomos, porque amadurecer também significa contradizer antigas certezas, abandonar personagens e reconhecer que algumas verdades tiveram prazo de validade.
A vida, afinal, não exige que sejamos uma história fácil de contar.
Exige apenas que tenhamos coragem de vivê-la, mesmo quando os acontecimentos não obedecem à lógica dos nossos desejos, mesmo quando os capítulos mais importantes não produzem frases bonitas, mesmo quando tudo o que conseguimos escrever é uma pausa, um ponto de interrogação ou uma página em branco.
E, se algum dia alguém se aproximar de nós com o desejo sincero de nos conhecer, que não encontre apenas um Livro Aberto, disposto a revelar tudo de uma vez.
Que encontre uma biblioteca inteira, com suas obras inacabadas, seus volumes esquecidos, suas páginas sublinhadas pela saudade e seus manuscritos que ainda não encontraram palavras.
Que saiba, sobretudo, que conhecer alguém não é percorrer apressadamente suas páginas, mas aprender a respeitar os intervalos entre elas.
Porque talvez o verdadeiro encanto de uma vida não esteja naquilo que ela revela, mas naquilo que continua florescendo em silêncio, longe dos olhos, livre dos julgamentos e imune à necessidade de explicação.
No fim, não precisamos ser Livros Abertos.
Precisamos apenas não nos tornarmos livros falsificados para agradar aos leitores.
E, se a vida é mesmo um livro, que tenhamos a coragem de escrevê-lo com honestidade, a delicadeza de preservar algumas páginas e a humildade de reconhecer que, por mais que vivamos, sempre haverá um capítulo que ainda não saberemos interpretar.
Afinal, viver não é oferecer ao mundo uma história perfeitamente compreensível.
É continuar escrevendo, mesmo quando ninguém lê, mesmo quando ninguém aplaude, mesmo quando nós próprios já não entendemos muito bem o enredo.
Pois há histórias que só adquirem sentido depois de vividas.
E há páginas que, para permanecerem verdadeiras, precisam continuar sendo nossas.
Se a Partida dos que amamos não fosse tão Dolorosa, talvez quiséssemos fazer baderna no céu.
Talvez quiséssemos habitá-lo antes do Tempo de Deus — e sem ao menos nos dar ao trabalho de construí-lo.
Talvez a saudade nos parecesse menos absurda se pudéssemos atravessar os limites do invisível, arrombar as portas da eternidade e exigir de Deus, em voz alta, a devolução de quem o nosso coração ainda insiste em procurar.
Talvez fizéssemos perguntas inconvenientes aos anjos, contestássemos os decretos do Altíssimo e reclamássemos, sem qualquer reverência, que o céu não deveria ter o direito de nos parecer tão distante quando abriga justamente aqueles que nos fazem tanta falta.
Porque há dores que não sabem rezar em silêncio.
Há ausências que transformam os joelhos em pedras, os olhos em fontes e a fé em uma espécie de luta íntima entre aquilo em que acreditamos e aquilo que não conseguimos suportar.
Há dias em que a alma não deseja compreender os mistérios da providência; deseja apenas um abraço.
Não quer explicações sobre a eternidade, quer ouvir novamente uma voz conhecida, reconhecer um sorriso, tocar uma mão e experimentar, ainda que por um instante, a mentira mais doce que a morte nos roubou: a de que certas despedidas jamais aconteceriam.
E quem poderia condenar um coração que, de tanto amar, se revolta contra a própria finitude?
Talvez a nossa vontade de fazer baderna no céu seja apenas outra maneira de confessar que ainda não aprendemos a conviver com a imensidão de uma ausência.
Afinal, quando alguém que amamos parte, não é somente essa pessoa que deixa de estar entre nós.
Parte também de uma versão do mundo, uma geografia de afetos, uma coleção de pequenos hábitos que, sem percebermos, havíamos transformado em eternidade cotidiana.
A cadeira continua no mesmo lugar, mas já não é apenas uma cadeira.
A mesa permanece posta, mas alguma coisa falta à sua volta.
O telefone continua funcionando, mas há números que se tornam santuários de uma impossibilidade.
E a casa, por mais que conserve as paredes, os móveis e os retratos, aprende a falar uma língua que somente os enlutados compreendem: a linguagem de tudo aquilo que permanece sem poder voltar.
É nesse lugar que a teologia encontra o seu maior desafio.
Porque falar de Deus diante da morte é fácil quando a morte está longe.
É relativamente simples defender a soberania divina quando não somos nós que precisamos enterrar um pedaço da própria história.
É confortável falar sobre os desígnios celestes quando o céu ainda não nos parece o endereço de alguém cuja ausência nos desorganiza.
Mas, quando a despedida chega, a fé deixa de ser apenas aquilo que professamos e passa a ser aquilo que tentamos sustentar enquanto desabamos.
Talvez seja por isso que tantos salmos tenham nascido de perguntas, e não de respostas.
Talvez seja por isso que Jó tenha discutido com o silêncio, que Jeremias tenha chorado sobre os escombros e que Jesus, diante do túmulo de Lázaro, não tenha oferecido imediatamente uma explicação sobre a morte, mas tenha chorado.
Sim, Jesus chorou.
E há uma revelação profundamente humana nesse detalhe: o Deus que, segundo a fé cristã, conhece o fim desde o princípio não despreza as lágrimas de quem ainda está preso ao meio da história.
Cristo não precisou negar a dor para anunciar a ressurreição.
Não precisou diminuir o luto para demonstrar a esperança.
Diante da morte, o amor divino não se apresentou como uma teoria impecável, mas como uma presença capaz de chorar com os que choram.
Talvez precisemos reaprender essa verdade: a fé não é a obrigação de sofrer sem reclamar.
A esperança não é uma mordaça colocada sobre a saudade.
E a confiança em Deus não exige que chamemos de leve aquilo que nos esmaga.
Há lágrimas que também são orações.
Há revoltas que escondem um amor imenso.
Há momentos em que a única maneira de continuar acreditando é permitir que Deus nos encontre exatamente onde a nossa crença parece insuficiente.
E, se Ele é verdadeiramente Pai, talvez não se escandalize com a nossa "baderna" .
Talvez compreenda que, por trás de cada pergunta desesperada, exista um filho tentando entender por que o amor, que nos ensina a desejar a eternidade, precisa atravessar a experiência tão brutal da despedida.
Ainda assim, existe uma contradição bonita e dolorosa em tudo isso: queremos o céu, mas queremos chegar lá apenas para buscar quem partiu; queremos a eternidade, mas, muitas vezes, não pensamos em construir nada que a anuncie aqui na terra.
Queremos reencontros sem travessias, respostas sem amadurecimento, consolo sem transformação.
Queremos que Deus antecipe o amanhã porque o hoje se tornou insuportável.
Queremos habitar o destino antes de compreender o caminho.
E talvez seja justamente aí que a saudade, além de ferida, se torne também uma convocação.
Porque, se não podemos antecipar o tempo de Deus, podemos aprender a santificar o tempo que ainda nos pertence.
Podemos transformar a ausência em presença oferecida aos vivos.
Podemos continuar uma gentileza que alguém nos ensinou, repetir uma oração que ouvimos de quem partiu, cuidar de alguém com a mesma delicadeza com que um dia fomos cuidados.
Podemos fazer da memória não um túmulo onde aprisionamos o passado, mas uma semente que devolve ao presente alguma coisa do amor que julgávamos perdido.
Não se trata de substituir quem morreu.
Ninguém substitui ninguém.
O amor não funciona como uma cadeira vazia que outra pessoa pode simplesmente ocupar.
Cada vínculo possui uma linguagem própria, uma história irrepetível, um lugar que não se reproduz.
Trata-se de compreender que o amor, quando é verdadeiro, não termina necessariamente onde a presença física termina.
Ele muda de morada dentro de nós.
Deixa de ser encontro de mãos e passa a ser encontro de memória; deixa de ser conversa cotidiana e passa a ser voz interior; deixa de caminhar ao nosso lado e passa a participar, silenciosamente, daquilo que escolhemos nos tornar.
É uma permanência diferente, imperfeita e insuficiente para calar a saudade, mas ainda assim capaz de nos ensinar a continuar.
E talvez construir o céu comece exatamente aí.
Não porque nossas boas obras possam comprar a eternidade, nem porque tenhamos o poder de determinar os mistérios da salvação, mas porque a esperança cristã nos convida a antecipar, na história, os sinais do Reino que aguardamos.
Cada gesto de misericórdia, cada reconciliação sincera, cada mão estendida a quem sofre, cada injustiça enfrentada e cada vida tratada com dignidade tornam o mundo um pouco menos estranho ao amor que esperamos encontrar plenamente em Deus.
Talvez não possamos fazer baderna no céu, mas podemos nos recusar a fazer do mundo um lugar ainda mais doloroso, sobretudo para quem já está sofrendo.
Talvez não possamos arrombar as portas da eternidade, mas podemos abrir as portas da nossa casa, do nosso coração e da nossa indiferença.
Talvez não possamos exigir que Deus antecipe os reencontros, mas podemos impedir que a pressa, o orgulho e a vaidade nos roubem os encontros que ainda são possíveis.
Porque existe uma tragédia silenciosa em passar a vida inteira desejando reencontrar no céu aqueles a quem não tivemos tempo, coragem ou disposição de amar suficientemente bem enquanto estavam aqui.
E, se a partida dos que amamos nos ensina alguma coisa, talvez seja precisamente isto: a vida é breve demais para adiarmos indefinidamente o amor e preciosa demais para desperdiçarmos a presença daqueles que ainda podemos abraçar.
Não sabemos quando chegará a nossa vez de partir.
Não conhecemos os caminhos pelos quais Deus conduzirá a história até o seu desfecho.
Não temos acesso a todas as respostas que a morte arranca de nossas mãos.
A fé não nos concede o controle sobre a eternidade; concede-nos, antes, uma maneira de atravessar o tempo sem entregar a alma ao desespero.
E, no centro dessa esperança, permanece a promessa cristã da ressurreição: não a negação da morte, mas a confiança de que ela não terá a palavra definitiva sobre aqueles que pertencem a Deus.
Talvez o céu seja, para nós, muito mais do que um lugar para onde desejamos ir.
Talvez seja também a promessa de que o amor não foi criado para terminar em um cemitério, de que a história humana não se encerra necessariamente na última respiração e de que as despedidas, por mais definitivas que pareçam aos nossos olhos, não são maiores do que a fidelidade d'Aquele em quem depositamos a esperança.
Até lá, porém, teremos que aprender a viver com as mãos vazias de algumas presenças e o coração cheio de tudo o que elas nos deixaram.
Teremos de aceitar que a saudade não obedece ao calendário, que a fé nem sempre impede o choro e que existem dias em que continuar vivendo é, por si só, um ato de coragem.
E, quando a falta apertar a garganta, quando o nome de alguém nos atravessar como uma oração involuntária, quando olharmos para o céu com a sensação de que Deus está perto demais para ser ignorado e longe demais para ser compreendido, talvez possamos apenas dizer:
"Senhor, hoje eu não quero entender a eternidade. Hoje eu só queria mais alguns minutos."
Alguns minutos para ouvir aquela voz.
Para dizer o que ficou preso na garganta.
Para agradecer o que a rotina nos fez tratar como garantido.
Para abraçar demoradamente quem, agora, só conseguimos abraçar por dentro.
E talvez Deus, que conhece a fragilidade da nossa condição, compreenda que essa pequena súplica não é falta de fé, mas a confissão mais honesta de um amor que ainda não sabe o que fazer com a ausência.
No fim, talvez a nossa vontade de fazer baderna no céu seja apenas a saudade tentando negociar com a eternidade.
Mas, enquanto o céu não se abre e os reencontros permanecem guardados no mistério de Deus, que não nos falte coragem para fazer do tempo presente uma morada de amor.
Que não esperemos perder para reconhecer o valor de uma presença.
Que não precisemos de um túmulo para aprender a dizer "eu te amo".
Que não transformemos a esperança do céu em desculpa para abandonar a construção de um mundo mais humano.
E que, quando finalmente compreendermos aquilo que hoje apenas esperamos, possamos olhar para trás e perceber que, mesmo sem antecipar o tempo de Deus, fizemos da nossa passagem pela terra um testemunho do amor que desejávamos encontrar na eternidade.
Porque talvez a questão nunca tenha sido apenas chegar ao céu.
Talvez a questão seja aprender a viver de tal maneira que, quando a saudade nos fizer olhar para cima, não encontremos somente o lugar onde imaginamos que os nossos amados estejam, mas também a memória de tudo aquilo que o amor nos ensinou a construir enquanto ainda caminhamos por aqui.
Afinal, se a partida dos que amamos nos faz desejar tanto o céu, talvez seja porque o amor, desde sempre, carregue dentro de si uma saudade de eternidade.
Talvez
não haja Fábrica de Costura mais nobre do que aquelas onde se costuram palavras.
Afinal, há tecidos que vestem o corpo, mas existem palavras que vestem até a alma.
Há linhas que unem pedaços de pano, enquanto outras, invisíveis aos olhos, conseguem aproximar distâncias, remendar afetos, bordar lembranças e, por vezes, costurar aquilo que o tempo já tentou rasgar.
Escrever é, de certa maneira, exercer o ofício de quem trabalha com tecidos delicados: exige mãos pacientes, olhar atento e sensibilidade para perceber que nem toda palavra serve para qualquer ocasião.
Algumas precisam de seda para acariciar, outras de linho para resistir.
E há aquelas que precisam ser costuradas com a firmeza da verdade e outras com a delicadeza do silêncio.
O curioso é que, nessa fábrica, não se trabalha apenas com aquilo que se sabe, mas sobretudo com aquilo que se sente.
As matérias-primas são as experiências, os retalhos são as memórias, as agulhas são as ideias e os fios, quase sempre invisíveis ou ignorados, são as emoções que atravessam a existência humana.
E talvez seja por isso que algumas palavras nos vestem tão bem, enquanto outras nos deixam completamente despidos diante de nós mesmos.
Existem frases que funcionam como mantos em noites frias, pensamentos que nos servem de abrigo e poemas que parecem conhecer nossas medidas antes mesmo de nos encontrarem.
Mas há também uma responsabilidade nessa arte: palavras podem costurar até feridas, mas também podem abrir rasgos; podem aproximar corações, mas igualmente fabricar abismos.
A língua é uma ferramenta extraordinária nas mãos de quem compreende que nem tudo o que pode ser dito merece ser pronunciado, assim como nem tudo o que precisa ser dito deve permanecer guardado.
No fundo, talvez a grandeza de quem escreve não esteja na quantidade de palavras que consegue reproduzir, mas na capacidade de escolher aquelas que conseguem permanecer depois que a leitura termina.
Porque o tempo desfaz tecidos, a moda substitui estampas e até as vestimentas mais caras perdem o encanto.
Entretanto, há palavras que atravessam gerações sem perder a costura, porque foram alinhavadas com verdade, bordadas com sensibilidade e arrematadas com humanidade.
E, se a vida é esse imenso tecido de encontros, despedidas, alegrias e desencontros, escrever talvez seja uma das maneiras mais bonitas de impedir que tudo se transforme em fragmentos.
Afinal, há quem costure roupas para cobrir o corpo, há quem costure histórias para aquecer a memória e há quem, sem perceber, costure palavras tão profundamente que acaba vestindo a alma de quem jamais conheceu.
Eis a nobreza dessa fábrica: nela, não se mede o valor da produção pelo número de peças confeccionadas, mas pela quantidade de vidas que uma palavra consegue tocar sem sequer precisar de mãos para abraçar.
Talvez eu nunca consiga ser o Irmão que os meus Merecem, mas fui agraciado com os Melhores.
E talvez seja justamente nessa consciência que resida uma das mais belas e charmosas formas de gratidão: reconhecer que nem sempre somos capazes de corresponder, na mesma medida, ao amor que recebemos, mas que ainda assim somos profundamente abençoados por encontrá-lo em pessoas tão especiais.
A vida, em sua misteriosa sabedoria, ensina-nos que família não é apenas uma questão de origem, sobrenome ou laços sanguíneos.
É também a construção silenciosa de vínculos que resistem ao tempo, às distâncias, às diferenças e até aos nossos próprios desencontros.
São aqueles que permanecem quando a vida nos despe das certezas, que celebram nossas conquistas sem inveja e que nos acolhem nas nossas fragilidades sem exigir explicações.
Tenho as minhas imperfeições, minhas ausências, minhas limitações e tantas coisas que ainda preciso aprender.
Talvez nem sempre encontre as palavras certas, nem consiga demonstrar todo o carinho que carrego.
Mas existe uma riqueza que nenhuma dificuldade da existência consegue me roubar: a certeza de que não caminho sozinho.
Porque ter irmãos assim é descobrir que Deus também manifesta Seu cuidado através de pessoas.
Gente que se torna abrigo, que empresta o ombro, compartilha o riso, divide as dores e transforma a simples experiência de existir em algo muito mais leve e bonito.
E se há algo que a vida me ensinou é que não precisamos ser perfeitos para sermos amados, mas precisamos ser gratos o suficiente para reconhecer os presentes que recebemos pelo caminho.
Não sei se sou tudo aquilo que meus irmãos precisam e merecem, mas sei, com uma certeza que até transborda o peito, que eles são muito mais do que eu poderia pedir.
No fim das contas, talvez a maior bênção não seja ter irmãos para chamar de nossos, mas perceber que fomos escolhidos pela vida para pertencer a pessoas tão extraordinárias.
Que eu nunca me acostume com essa dádiva, nunca banalize esses afetos e jamais perca a capacidade de agradecer por eles.
Gratidão, Pai!
Por me permitires ter tão pouco de perfeito em mim — ou nada —, mas tanto de extraordinário ao meu redor.
Talvez o destino mais distante que a Oração Sem Ação alcance seja os ouvidos dos tolos que a fazem.
Há uma contradição profundamente triste em quem dobra os joelhos diante de Deus, mas se recusa a mover os pés na direção daquilo que pede.
É como semear palavras ao vento e esperar colher frutos na terra; como pedir que o céu abra caminhos enquanto se permanece voluntariamente imóvel diante das portas.
A oração é, sem dúvida, uma das mais belas expressões da fé humana.
É encontro, entrega, reconhecimento da própria pequenez diante do infinito.
Mas há algo que precisamos compreender: Deus não nos concedeu a oração como esconderijo da responsabilidade, tampouco como desculpa sagrada para a nossa omissão.
A fé não foi concebida para substituir a atitude, mas para lhe dar sentido, coragem e direção.
Não se pode pedir justiça enquanto se pratica a indiferença.
Não se pode suplicar por transformação enquanto se alimentam os mesmos hábitos que produzem a ruína.
Não se pode pedir a Deus que mude o mundo quando não se tem disposição para começar pela própria consciência.
Há quem peça oportunidades, mas não se prepare para recebê-las; quem implore por reconciliação, mas cultive o orgulho; quem rogue por prosperidade, mas despreze o trabalho; quem peça paz, mas faça da própria existência um território de conflitos.
E talvez uma das maiores distorções da espiritualidade seja transformar Deus em responsável por tudo aquilo que nos cabe realizar.
Afinal, a oração não deveria ser o ponto final da esperança, mas o ponto de partida da transformação.
Quem ora por pão precisa compreender a dignidade do trabalho; quem ora por amor precisa aprender a amar; quem ora por um mundo melhor precisa aceitar o desconforto de ser parte dessa melhoria.
Até porque a fé que não se traduz em gestos corre o risco de se tornar apenas um discurso confortável, uma espécie de anestesia da consciência, na qual se terceiriza ao Divino aquilo que a humanidade recebeu como responsabilidade.
Tiago já nos advertia, em sua epístola, em (Tiago 2:17, 26) que a fé sem obras é morta.
Não porque as obras comprem a graça, mas porque uma fé verdadeiramente viva inevitavelmente produz movimento.
A árvore não precisa anunciar que está viva: seus frutos testemunham por ela.
Talvez Deus não espere de nós orações mais longas, mas consciências mais despertas.
Talvez algumas das respostas que tanto procuramos nos céus estejam escondidas nas atitudes que insistimos em adiar na terra.
Orar é muito importante.
Crer é necessário.
Esperar também faz parte da jornada.
Mas há momentos em que o maior ato de fé não consiste em fechar os olhos e pedir que Deus faça, e sim em abri-los, reconhecer o que precisa ser feito e encontrar coragem para começar.
Porque a oração pode elevar a alma, mas é a ação que revela se aquilo que a alma professa encontrou morada no coração.
Deus não nos chamou para sermos espectadores de milagres, mas participantes conscientes da transformação.
Afinal, de pouco adianta conversar com o céu se continuamos nos recusando a caminhar sobre a terra.
Não exponha a sua vida com tantos detalhes.
Os ombros amigos que hoje te dão ouvidos,
talvez se aliem as línguas que amanhã te traem.
— Jucelya McAllister
Sentir algo novo é tão especial... Cá estava eu pensando, sim, ou não... Bem talvez pros dois.
Lá estava nós com os mesmos pensamentos não compartilhados, pelo medo de tentar. Lá estávamos os dois, em lugares diferentes formando "nós". O momento de espera eram o de nossas mãos unidas... Juntos por algo que nos tornou de eu e você para "nós", dois.
Era inverno, chuva, gostas embaçaram nossas janelas, o frio era tanto, que um bom e apertado abraço resolveria, apenas um bom e apertado abraço. No frio conhecemos nossa alma gêmea, no frio nos foi apresentado um calor... interno.
Essa é uma história, talvez seja a nossa história, talvez seja outra história, apenas de duas pessoas que se tornaram uma...
Se a vida for uma viagem,talvez eu tenha vindo somente a passeio, quando eu for embora não quero que chores por mim,apenas lembre-se que fui alguém que não queria muito da vida,mais a vida me deu tudo, inclusive o privilégio de conhecer uma pessoa especial...(VOCÊ)
Talvezes
Talvez o tempo me leve você
Talvez não
Talvez me permita esquecer –te
Talvez não
Talvez eu ame outro alguém
Talvez não
Talvez esse alguém me faça feliz
Talvez não
Talvez você volte a me procurar
Talvez não
Talvez o sentimento que hoje arde em mim perdure
Talvez não
Talvez isso não passou de um lance
Talvez não
Talvez eu eu te esqueça pra sempre
Talvez não
E nesse caso eu fico hoje com o não
Eu não vou te esquecer, assim como não aceito te perder,
Eu não vou me conformar com a sua falta
E peço a Deus para manter me firme diante de tanto sentimento
Que hoje eu devoto a ti
Talvez você nunca entenda e talvez eu não tenha uma outra chance de declarar o quanto eu amo você.
Para uma bailarina.
Não existe coisa mais bela
Talvez nem tamanha felicidade
De voltar o meus olhos e vê-la.
Como em uma dança, a sua complexidade,
Sua voz como música clássica,
Seu andar como ballet,
E você, um quadro da beleza da primeira mulher.
Fico triste em saber
Que você sofreu com o amor,
Uma bailarina sem soldado,
Que desperta em mim um clamor,
De guardá-la em uma caixinha com a mais bela canção,
Para evitar que sofra, e dance
E darei valor na sua mais insignificante ação.
Talvez por serem tão belos esses claros olhos teus
Quando encontram os meus mesclam caminhos e luz
E o silêncio traduz esse brilho em sentimento
E eu até vejo o momento que a minha alma reluz.
A Partida
Na rodoviária, lugar de fins e começos
Onde há lagrimas de tristeza e alegria
Talvez a ultima chance de trocar abraços
Com quem você nunca pensou que perderia.
No aeroporto, as dores e sonhos viajam no mesmo avião
E as dúvidas nos enchem a mente
E lembra como o colo dos seus pais é quente
E confortável, e você diz tchau, acenando com a mão.
Peço que tome cuidado,
Haverá momentos de solidão,
Se não houver alegria no presente, busque no passado
E se isso te deixa alegre, lembre-se do seu irmão.
O desconhecido é assustador
Então não tome um grande susto
É verdade, na vida o crescimento tem um custo,
Mas não se esqueça do meu amor.
Apenas outras ideias.
Você já se imaginou procurando algo que talvez não exista? Não me refiro as suas crenças, ou aos fatos paranormais, estou falando do seu futuro. Você pode retrucar dizendo que seu futuro é real, mas se sua morte ocorrer exatamente enquanto lê isso, uma série de combinações, probabilidades e situações seriam simplesmente apagadas.
Nós somos no mínimo audaciosos. Vou explicar: do momento em que acordou ao momento em que se deitou novamente, você pensou. Milhões, bilhões, ou até mesmo trilhões de pensamentos, no entanto alguns destes eram planos sobre o amanhã, e por mais que sua vida seja uma rotina, o futuro não será exatamente como pensou. Então por que tentamos planejá-lo?
“Para obtermos algum tipo de controle”, você diria? Eu poderia até concordar, mas digo que não é o principal motivo. A necessidade de planejar está ligada à nossa razão. O seu planejamento é apenas uma justificativa para o que você faz, ou fez da sua vida. Por trás de suas expectativas há um fundamento, explicação, ou ideia que não necessariamente elimina o acaso. É como este exato segundo fosse uma pergunta, o próximo seria a resposta. Mas se o próximo segundo não chegar, não significa fim, e sim simples ausência.
Haverá um momento em que não existirão mais respostas, e o chamarão de morte.
Nada é pra sempre, mais tem coisas que queremos fazer durar, uma amizade talvez, um amor. As coisas mudam com o tempo, mais cabe a nós fazer mudar pra melhor ou pior. Uma coisa que mudou foi a nossa amizade , porém nunca ha esqueci. Uma amizade longa e que se depender pelo menos de mim não acabaria assim. O que dizer, uma amiga que se torna uma irmã, vira inesquecível. Hoje se perguntarem a mim quais são minhas prioridades terei orgulho de dizer que são: Deus, família e amigos. A minha vida se resume em amar cada um de vocês. Ah claro brigamos, nos xingamos, paramos de se falar, mais nada é pra sempre. Eu queria que pelo menos nossa amizade fosse. Yanca passamos por tanta coisa juntas, lembra? Acho que sim. Não quero e nem vou jogar tudo isso fora. Claro tivemos brigas mais também tivemos abraços,sorrisos, danças, festas, coisas que sempre em minha memória estarão... Menina estimo sua amizade!
Não, eu não estou no ” mundo das drogas ” e que expressão não é mesmo ? talvez o mundo das drogas seja pra alguém que perdeu o seu ” mundo ”
Procure saber qual é o seu verdadeiro sentimento com os que te cercam pois talvez você algum dia irá precisar deles
“Se apaixonar é negociar o coração, é trocar tudo o que se tem por talvez um nada quase nada que o outro tem a oferecer.”
