Talvez o destino mais distante que a... Alessandro Teodoro

Talvez o destino mais distante que a Oração Sem Ação alcance seja os ouvidos dos tolos que a fazem.
Há uma contradição profundamente triste em quem dobra os joelhos diante de Deus, mas se recusa a mover os pés na direção daquilo que pede.
É como semear palavras ao vento e esperar colher frutos na terra; como pedir que o céu abra caminhos enquanto se permanece voluntariamente imóvel diante das portas.
A oração é, sem dúvida, uma das mais belas expressões da fé humana.
É encontro, entrega, reconhecimento da própria pequenez diante do infinito.
Mas há algo que precisamos compreender: Deus não nos concedeu a oração como esconderijo da responsabilidade, tampouco como desculpa sagrada para a nossa omissão.
A fé não foi concebida para substituir a atitude, mas para lhe dar sentido, coragem e direção.
Não se pode pedir justiça enquanto se pratica a indiferença.
Não se pode suplicar por transformação enquanto se alimentam os mesmos hábitos que produzem a ruína.
Não se pode pedir a Deus que mude o mundo quando não se tem disposição para começar pela própria consciência.
Há quem peça oportunidades, mas não se prepare para recebê-las; quem implore por reconciliação, mas cultive o orgulho; quem rogue por prosperidade, mas despreze o trabalho; quem peça paz, mas faça da própria existência um território de conflitos.
E talvez uma das maiores distorções da espiritualidade seja transformar Deus em responsável por tudo aquilo que nos cabe realizar.
Afinal, a oração não deveria ser o ponto final da esperança, mas o ponto de partida da transformação.
Quem ora por pão precisa compreender a dignidade do trabalho; quem ora por amor precisa aprender a amar; quem ora por um mundo melhor precisa aceitar o desconforto de ser parte dessa melhoria.
Até porque a fé que não se traduz em gestos corre o risco de se tornar apenas um discurso confortável, uma espécie de anestesia da consciência, na qual se terceiriza ao Divino aquilo que a humanidade recebeu como responsabilidade.
Tiago já nos advertia, em sua epístola, em (Tiago 2:17, 26) que a fé sem obras é morta.
Não porque as obras comprem a graça, mas porque uma fé verdadeiramente viva inevitavelmente produz movimento.
A árvore não precisa anunciar que está viva: seus frutos testemunham por ela.
Talvez Deus não espere de nós orações mais longas, mas consciências mais despertas.
Talvez algumas das respostas que tanto procuramos nos céus estejam escondidas nas atitudes que insistimos em adiar na terra.
Orar é muito importante.
Crer é necessário.
Esperar também faz parte da jornada.
Mas há momentos em que o maior ato de fé não consiste em fechar os olhos e pedir que Deus faça, e sim em abri-los, reconhecer o que precisa ser feito e encontrar coragem para começar.
Porque a oração pode elevar a alma, mas é a ação que revela se aquilo que a alma professa encontrou morada no coração.
Deus não nos chamou para sermos espectadores de milagres, mas participantes conscientes da transformação.
Afinal, de pouco adianta conversar com o céu se continuamos nos recusando a caminhar sobre a terra.
