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⁠Ó SAUDADE QUE PASSAIS

Ó saudade que passais, ao sol poente 
Pela estrada da lembrança, a suspirar
E na solidão vais em uma vertente
Sugerindo o aperto pra nos sufocar

Deixai-me, aqui, assim, indiferente 
O sol que tomba, notando o pesar
O mesmo que já declinou contente:
- na graça, no vinho, no alvo luar...

Deixai! Deixai ir com as cantigas 
Do entardecer, as dores sem fim
E contigo todas as ilusões antigas

Que eu quero dormir no descanso 
Com anso, calmo e que nada digas
Adormecer num voo leve e manso

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado 
13/10/2020, 18’00” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠AO LONGO DA PROSA UMA TRISTE POESIA

Ao longo da prosa uma triste poesia 
Já quando o entardecer deslustrava
no silêncio que o dia, assim, estava
e o cerrado baforando melancolia

A solidão pelo horizonte estendia 
um rubro vago no céu caminhava
entre os suspiros e choro exalava
saudades que a lembrança dizia

E na rudeza que o sentido fingia 
a sofreguidão num só tormento
levai, ligeiro vento, está agonia

Oh se podeis ter dó do lamento 
meu, vos imploro, nessa avaria
levai, levai do meu sentimento!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
Outubro, 14 de 2020 – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠Quais são os sonhos que podemos ter?
Quem nós podemos ser?
De quem é a culpa?

A dúvida é minha! 
Meu coração,
talvez.

Inserida por davidballot

⁠FAMINTO

Vai, mísero sofrimento esfaimado 
pastar noutra sensação livremente
deixai meu coração de te ausente
faminto, carente, mas imaculado

Não percas tempo, vá apressado 
pois se insiste em estar presente
a paixão do teu olhar pendente
despojo inútil, inútil o passado

Deixai o vento levar, que o leve 
hei de me arrancar do teu nome
e, assim, de ti isento, serei breve

Aqui, piedoso a dor me consome 
nos soluços que o choro descreve
e sem que ventura emoção tome

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
16/10/2020, 16’10” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠O bom de ser poeta é que posso estar feliz e compor um verso triste; estar cabisbaixo e inventar um amor.

Inserida por juniodamaso

Sabe o que a maquiagem disse para uma mulher linda? Eu não sou digna de ser usada por você.

Inserida por RonnySilvaGeneve

⁠RIMAR DUMA SAUDADE

Teve um tempo que mandava 
Nas poesias que eu escrevia
Cada versar uma companhia
E em cada linha festa bordava

Com emoção, assim, andava 
Nas mãos a imaginação ia
E em toda a obra que fazia
A ventura, ao lado, ajudava

Pobre a poesia, sem aquarela 
Sem fantasia, um dia tão bela
E hoje, pedinte de qualidade

E, no amor, sem substância 
Sobre o vazio da distância...
Só o rimar duma saudade! 

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado 
18/10/2020, 09’29” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠Numa discussão onde todos querem falar juntos e ao mesmo tempo...
 tá sobrando impaciência e faltando argumentos. 

Inserida por poeta1958

"⁠Se na tua vida, teu Porto seguro só é Deus...
Você sempre poderá nadar de braçada em qualquer mar revolto.

Inserida por poeta1958

⁠ATANAZAR

Viste-me abatido um dia no caminho 
em devaneios de que, nem eu o sei
ó aperto no peito, assim, eu lhe falei:
Cara poesia. Na jornada indo sozinho

Trovei, e rimei, foi por entre espinho 
E em nenhuma postagem descansei
Em cada uma loa que por ela passei
Saudei! Umas até degustando vinho

E neste poetar pedregoso, solitário 
Os pés deplorando em um calvário
Imolado. Eu num canto, no entanto

Ao chorar o prazer em um dejejum 
Tu e eu poesia. Em drama comum
Versejamos com o mesmo pranto

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado 
18/10/2020, 14’13” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠[...]mais um pôr do sol...
...mais um dia que se vai e é a sombra que agora cai, trazendo a lua pra confortar, o cerrado, na Imensidão do escuro da noite... a vida em continuação!



© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Sertão da Farinha Podre

Inserida por LucianoSpagnol

⁠A MESA

A mesa tem seis ou mais cadeiras 
circundada dos lugares
entre conversa e cafeteiras
flores, alimentos e familiares

De fazer parte, dares e tomares
Também, conciliação e, nas beiras
Discussão, brincadeiras, milhares
Silêncio, espertezas e besteiras...

De madeira, ouviu histórias sem fim
louças de cor e brancas marfim
Carregadas de emoções 

Enfim, entre o olhar pueril
E a velhice, lá está ela, gentil
Servindo a diferentes gerações

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
19/10/2020 - Cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

⁠O MEU PESAR

Tenho pesar da solidão numa vida 
Da sensação que o carente sente
Dum amor que assim de repente
Sai do querer, e vai de partida...

Da ilusão que da alma é fugida 
Do olhar ingrato frente a frente
Dos que ostentam toda a gente
E os que não aquietam a ferida

Tenho pesar do senso dividido 
De não estar sorrindo à revelia
Contente de um dia ter nascido

Pesar de mim, de quem sofreu 
De não ser mais e mais alegria
E, de ter posposto o meu eu!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
19/10/2020, 09’36” - Cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

⁠Um poeta é um ser sobrenatural
Brinca com a realidade e a ilusão
Tem um olhar diferente
Pode ser o que quer 
Rei, Príncipe
Pode ser tudo
Ou pode ser nada 
Faz você ri ou chorar 
É uma incógnita
Inabalável, absoluto, autêntico
Intenso, inatingível 
Exagerado
Auto suficiente
É um ser pleno
Um ser poeta!

Inserida por monique_jesus

⁠[...]poeta é um ente que da palavra senti inteiramente...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
Outubro de 2020 – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠ANTES DO ÚLTIMO

Que estros fugitivos me deixou aqui 
No silêncio... e a mim não mais veio
Ilhando a trova sem frescor e asseio
Que me falta, e que por ele me perdi

Em que seda de lacuna me envolvi 
Se hoje parece um sonetar alheio
Com palavras sem zelo, sem freio
E, em qual da imaginação remordi

Achei que fosse meu o teu prazer 
E que no versejar eu fosse te ter
Eternamente, e você... de saída!

Partiste, bem antes do último verso 
E o soneto na imensidão submerso
E a emoção numa saudade perdida...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
20/10/2020, 14’22” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠Um bule cheio de inspiração... 
café com leite em ebulição, 
ao tomar com poesia... 
amor e emoção!

Luciano Spagnol - poeta do cerrado

Inserida por LucianoSpagnol

⁠Onde houver um sorriso ou uma lágrima, aí também haverá um poeta.

Inserida por paduadesousa

O MAIOR REVÉS DO VIVER

Cá dentro da alma de crer ser poeta 
Alma feita de paixão e de imaginação
Sedento de devaneio e de sensação
Quanta coisa, quanta ilusão secreta

Quão querer escrever em linha reta 
E, nas rimas aquela rima sem demão
A certeza do canto certo na emoção
A agnição que desejou ser completa

Porque a dor aberta, o que mais dói 
E também que a tendência destrói
Não é a saudade do outrora perdido

Pois se foi, se suporta, é inevitável 
É bem mais vândalo o irreparável
Do podido viver e não ter vivido!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
21/10/2020, 09’27” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

Solitário Poeta.


⁠Solitário Poeta...
Solitário escritor...
Solitário sonhador....
Perdi o varejo...
Dei de cara com o atacado...
Quis eu...
Chegar rápido...
Quis eu...
Encarar o mundo de uma só vez....
Opostas proprostas...
Óperas em grande sinfonia..
Fui aquele no palco....
Com o violino quebrado...
Reformei...
Troquei as cordas que estavam enferrujadas...
Encantei plateias....
Grandes idéias....
Foi um tempo...
O sol mostrou sua cara....
A garoa caiu...
O orvalho regou...
O sereno cultivou....
O deserto que era seco....
Em mim floresceu....
No vago da noite...
No encanto da lua....
Nas profundezas do mar azul....
Oh Criador!....
Talento de Sol....
Gladiador de raio quente...
Que combate as trevas...
Oh vida!...
Oh serenata!....
Encantam-me com os anjos da paz....
Perdidas estrelas no espaço infinito....
Tanto talento....
Se move sem ventos....
Cambaleia no horizonte...
Se move na hora quando pode....
Nos achados e perdidos....
Sempre há uma lamparina a frente....
Quero a fruta doce do pomar....
Hortaliças verdes e frescas...
O trigo para fazer o pão....
O arroz e o feijão....
O milho para o fubá...
E mais e mais....
Sinto-me comigo....
Sinto-me em outro lugar....
Sonhador escritor....
Sonhar não é pecado...
Sonhar faz bem....
E é bom um bocado....
Águas...
Águas cristalinas....
Que nascem nas montanhas...
Jorram sempre sem parar....
Oh fase!....
Arvoredos nas avenidas...
Arvoredos nos campos....
Do seco ao verde...
Que nunca nos falte...
O encanto....


Autor:Ricardo Melo.
O Poeta que Voa.

Inserida por JoseRicardo7

⁠Ser poeta é não ter medo de abrir a alma, é ser um livro aberto, em cujas páginas podem ser lidas realidades e fantasias quase infindas. Quem poderá, realmente, traduzir o que é um "Ser "poeta?

Inserida por neusa_marilda_mucci

⁠AOS PÉS DA CRUZ (soneto)

A Vós submisso vou, braços crucificados 
Nesse calvário sacrossanto da paixão
Receba-me, na Tua elevada compaixão
E, por nos livrar do mal, estais cravados

A Vós, Pai, que pelos pecados fustigados 
Piedade! ... poupe os ceticismos incertos
No Teu perdão, Teus zelos estais abertos
Perdoai nossas falhas, e rumos errados

A Vós, pés encravados, por nos amar 
A Vós, chagas abertas, para nos ungir
A Vós, na dor, e Teu sangue a libertar

Por não nós deixar, nem de nós desistir 
Por ser o filho escolhido, o meu olhar
Aos pés da cruz, aqui estou pra remir...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
29/07/2020, 11’02” – Triangulo Mineiro
paráfrase Gregório de Matos Guerra

Inserida por LucianoSpagnol

⁠Perfeição é um conjunto de cicatrizes.

Inserida por GrupoEditorial

⁠O ACENDEDOR DO DIA (soneto)

Lá vem o sol o acendedor do dia na rua 
Este mesmo, rubro, que vem reluzente
Raiando no horizonte, turvando a lua
Quando o véu da noite se faz ausente

Parodiado a poesia, a prosa continua 
Na energia, na quimera poeticamente
À medida que a luz aos poucos acentua
E a escureza da noite se vai de repente

Encantada evidência que Deus nos doa 
Brilho que doira o dia e ilumina a vida
E que com tal esplendor nos abençoa 

Assim, em nossa alma o amor insinua: 
O bem, a fé, a felicidade a boa acolhida
Que na claridade com a gratidão tatua

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
30/07/2020, 07’22” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠como ventania desajeitada
rama brotada
ilusão encantada…
vivo eu a velhice
no silêncio, meninice
sem crendice...
apenas vivendo
pouco querendo
ou tendo...
afinal, a vida
de uma orquídea, adiante
bela e breve,
a cada instante...
é diverso...
assim vou, vibrante
[…]disperso
eterno poeta errante...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
30/07/2020 – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol