Tag poeta
DOR DO MOMENTO
Há solidão sem fundo, há sofrer tiranos
Mais sufocantes que a cruel desventura
Sentimentos loucos, cheios de amargura
E as saudades mais extensas que os anos
São tormentos sem piedade, são danos
E as sensações na alma vazia de ternura
Eu as renuo... e a está árdua sorte dura
Que augura na poesia versos profanos
Devaneio, sim, e só assim, somente
Saio do algoz versejar tão cruento
Que me fere no tratear lentamente
Oh! gemidos assim jogados ao vento
Que chora e dói na emoção da gente
Leva pra longe todo este sofrimento
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
29/09/2020, 10’07” – Triângulo Mineiro
Gentileza
Gentileza é como um ser dependente
Que para sobreviver
Depende da atitude da gente.
Gentiliza não tem regra
E nem exceção
Faz bem pra alma
Enobrece o coração.
Nesse mundo tão corrido
De indiferenças e competição
Parasse que ser gentil
Só ficou na intenção.
O mudo seria outro
Com amor e delicadeza
Se o homem não espalhasse o ódio
Mas sim gentileza.
Nessa vida nada de estresse
O bem que você faz
Quem recebe compartilha
E jamais se esquece.
Nesses versos tão sutil
Expressem o que meu coração sente
Que pra ser gentil
Gentiliza é a semente.
DISCORDE
Eu quitado estava e nada mais queria
O anseio ansiado a mim face a face
E como um outro alguém te amasse
Te amei, duradouro: - que bom seria!
Tinha cheiro, vontade, me parecia
Que nesse amor o querer, guiasse
E que só a força da paixão falasse
Se teve aperto, também teve alegria
Mas, temporão desmantelou o sonho
A ofuscante graça, era mais um engano
Se um dia compus, não mais componho
Vejo, enfim, que em um afeto profano
Se o dístico ao ardor não for inconho
Discorde é o desencontrado quotidiano
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
02, outubro de 2020 – Triângulo Mineiro
Música fingindo que esqueceu
compositor Poeta Adailton
Guarde seu amor
Que eu guardo o meu
Se alguém lhe perguntar por mim
Diga que me esqueceu
Se alguém me perguntar por você
Vou dizer que lhe esqueci
Só não vale chorar olhando as fotos no celular
Só não apagar as mensagens que me escreveu
Só não vale ficar fingindo que esqueceu(refrão)
Quando o dia amanhecer e alguém perguntar a você
Como passou a noite.
Diga que dormiu bem
Diga que estava frio
Diga que o lençol lhe aqueceu
Mas o amor no peito não adormeceu
Só não vale chorar olhando as fotos no celular
Só não apagar as mensagens que me escreveu
Só não vale ficar fingindo que esqueceu (refrão)
Quando o dia amanhecer vou falar que sonhei com você
Vou dizer que a noite virou dia
Aquela cama vazia
Ainda espera por você
Só não vale chorar olhando as fotos no celular
Só não apagar as mensagens que me escreveu
Só não vale ficar fingindo que esqueceu (refrão)
Poeta Adailton
SONETO DESBOTADO
De tiranas nostalgias, sobrevivido
o fado, vou suspirando, e vazado
vou passando ao ocaso passado
dos dias onde o jeito é nascido
O agrado em rasgas dividido
corre da satisfação apressado
pro vazio, palpita compassado
na solidão, em pesar convertido
E, murmurando tão cruelmente
o trovar alvorece no desalento
e um aperto no peito então sente
Oh! má sorte, no amor sedento
Que vive a lastimar no poente
desbotando está o sentimento!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
04/10/2020 – Triângulo Mineiro
CERRADO DO GOIÁS
Quando, a primeira vez, lhe vi a vastidão
uma confusão fiz de sua sinuosa mesmice
e quedei-me ao parecer de quem visse
e sentisse, o desigual em plena evolução
Depois, no andejar, ao olhá-lo, disse:
é graça, é sertão na minucia e razão
do encanto, magia, mistério e criação
este chão, tão menino, na sua velhice
Os tortos galhos e secos barrancos
riscam planícies e maçudo abrigo
e o céu nos seus rubentes e brancos
E, ao aprecia-lo, agora, então digo:
vendo-lhe, diverso, e seus trancos
hoje o sinto poetificando comigo!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
06/10/2020, 20’49” – Triângulo Mineiro
POETA FUI
Poeta fui e do causar ferino
Me acariciou a carícia dura
Versei mais dor que ventura
Andei sonhador e peregrino
No devaneio, vivi o desatino
Amando o que pouco dura
Gozando da decepção dura
Poeta sem charme no destino
Porém, a cada verso, tentei
Ter o acaso e a doce poesia
Não agonia que não sonhei
Entendo, que versar alegria
Tem de tê-la. Pouco cantei
Se cantei foi porque sofria
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
09/10/2020, 08’06” – Triângulo Mineiro
paráfrase José de Abreu Albano
DESEJO
Eu quis paixão, pelo amar pleno
sem ambição dum fatal amado
onde apenas valeria ser ameno
ou talvez aquele algo desejado
Quis me doar, sem ser pequeno
e desse amor não fosse deserdado
mas, senti na alma o acre veneno
do amor na futilidade ser banhado
E vejo que o amado é, na vida
aparte, ao que é o escolhido...
a este, tem, uma boa acolhida!
É. Se castigo ou sina, eu digo:
- que nunca quis ter perdido
Se perdi, é por não ter comigo!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
09/10/2020, 19’28” – Triângulo Mineiro
RESETAR
Na minha paixão otimista e inocente
eu nunca soube pra onde foi... um dia
a sorte que me preferiu tão prudente
ao sonho perguntei, e ninguém sabia
E numa fúria, manou-se, de repente
duma quimera expansiva e correntia
para uma áspera ilusão sem cortesia
e a vida suspirou lerda e descontente
E o andejar se foi... e vai distante
mas o silêncio, um outro instante
chora, mas vai em frente, teimoso
E eu sinto, a emoção, sem tê-la
De um algo especial e desejoso
É. E nunca é tarde para havê-la!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
10/10/2020, 10’10” – Triângulo Mineiro
E aí?
E aí eu aqui nesta cidade
Cativo da liberdade
Sem legitimidade
Sem ninguém
Num horizonte além
Nos caminhos sem rumo
Desatando o prumo
Tentando o resumo
Do sumo que escorre na face
Há se ele falasse
Se ele chorasse
Eu também quereria chorar
Desapegar pra parar de sufocar
Me alegrar com o muito do pouco
O pouco do muito do eu louco
E eu aqui nesta cidade
Já com cumplicidade
Da secura do amanhecer
É o craquelado do entardecer
Que dorme e acorda
Acorda, dorme e borda
Cada fio da saudade
Aqui nesta cidade
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
10 de outubro, 22'48", 2015
Cerrado goiano
TORNAR
Agigantado cerrado, quão alterado
te vejo e vi, e ainda assim, resiste
te vejo a ti, em um suspirar triste
e tu no rogo suplicante e calado
A ti foi-te na quentura devastado
teu chão sugado, no penhor caíste
a mim o olhar aflito em que consiste
os teus dias, sufocado e tão mirrado
Já que somos no azar participantes
sejamo-los na mansidão, na espera
do suave, e tuas relvas verdejantes
Que venha a revirada da atmosfera
aí, tu será a ser quem eras dantes
e eu, quiçá serei quem dantes era.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
10/10/2020, 19’53” – Triângulo Mineiro
paráfrase Francisco Rodrigues Lobo
ACÚSTICA
O prazer rindo está, está na medida
Do bom matiz, pintado em mil cores
louvam tarde e manhã os amores
em exímia proporção, feito da vida
O dantes, já na sua eleita despedia
e fica na alma o perfume das flores
e no coração o desejo, com valores
numa sensação de ventura incontida
O sentimento que no eu pode tanto
a graça, que pela paixão então arde
lhe tornando leve no haver amador
E, o olhar com afeto nunca é tarde
Emanando paz e bem, afável canto
Pois, tudo falta a quem falta amor.
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
11/10/2020, 05’55” – Triângulo Mineiro
Livra-te das folhas mortas.
Escancara essas portas.
Faz chover na tua horta.
Se feliz! Cultiva o que importa!
ANTÚRIO
Se belo, o teu belo á alguns é espúrio
no murmúrio da vaidade de um olhar
és tu, variada cor, ó flor do antúrio
no vermelho da paixão a celebrar
é natureza em esplendor purpúreo
flor do antúrio como não poetar!!!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
outubro de 2020 – Triângulo Mineiro
TRAGÉDIA
É a tragédia, bardo, desta vida
neblina que na manhã embaça
solidão com desleixo sem graça
que na agonia sem dó é erguida
É gemido que na dor favorecida
por tristuras n’alma em carcaça
um choro, um sonho de fumaça
sulca ufana, e devora destemida
É reza, enfim, que na pobreza
da fé, numa carência generosa
olha aos céus com certa frieza
Mas ter desilusão, tão gulosa
na alegria, é prosa sem defesa
ao fado traz frustação furiosa
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
12/ outubro, 2020 – Triângulo Mineiro
TEIMA
Retratar o amor em vão procura
quem na vida dele sentir não teve
porque um rasto na alma obteve
pois, longo ou breve, há ternura
Todavia eu, ideando, na ventura
a mínima sorte o destino deteve
sentir o que sinto, nunca leve
no vazio, minha solidão figura
E nestas paixões de boas alianças
poética redigiu só sofrido pesar
e uma, foi, dentre as lembranças
E, porém, neste suspiroso causar
do único, nas turronas esperanças
vou amador que cobiça mais amar!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
13, outubro, 2020 – Triângulo Mineiro
POÉTICA
A poesia na rica imaginação voa
lançando à terra de um criador
no encanto de encanto povoa
o ilusório de quem é um ledor
No escrito a doce prosa entoa
o coro de fantasias ao dispor
é a ilusão que a poética doa
ao poeta que vive sonhador
Por ti, devaneio, tudo é certo
do cascalho grosseiro ao rubi
se o amor, ali, está por perto!
Por ti, inspiração: - se senti
no prazer, num leve aperto
eclodido num grato frenesi
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
13, outubro, 2020, 13’13” – Triângulo Mineiro
Para ser poeta, não basta observar que se inicia um poema com letra maiúscula e se conclui com pontuação...
Entre um e outro, é preciso colocar o coração!
