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⁠Os homens que não temem a morte?
São dois tipos:
o muito tolo e o muito sábio.
A diferença entre eles é que,
o tolo necessariamente terá que ser sábio,
mesmo que ele tenha que morrer mil vezes,
todavia, o homem sábio
nunca mais voltará a ser tolo
já que o ego morreu em vida.

⁠A poesia sempre confessa
O que se pensa.
O que se sente.
As vezes uma faixada escura.
As vezes uma clareira transparente.
A poesia rima.
Sorrir.
Canta.
Alegra.
Chora.
Do ontem e do porvir.
É uma prosa entre a vida e a alma.
A profundidade da fala silenciosa.
A emoção.
Oh essa, sim.
Uma vidraça super frágil.
Uma parede de concreto, uma barragem.
É um vento que pulsa de Sul a norte.
É a tentativa de explicar a vida, quando cheiramos morte.
Tão violenta e tão suave.
Olhos que enxergam além da trave.
A poesia explica e incita.
Faz fadiga para a próxima letra.
Sempre há um enredo, uma treta.
A verdade que as alegrias e os conflitos.
São posses do livre arbítrio.
E eu.
Mergulhado no universo da incerteza.
Ao que espera de um espírito a leveza.
De perceber a vida.
De entender cada processo.
Porque cada embate sobra dois caminhos.
Desistir ou lutar.
Hoje fico com essa poesia.
Que o espírito venha revelar.
Das fraquezas e possibilidades.
Que venha a sagacidade.
De querer abraçar a vida.
Giovane Silva Santos

Inserida por giovanesilvasantos1

⁠Já é fim do mundo
em outro fuso horário.

Inserida por viniciusbrittes

⁠A poesia viaja
Sim.
Ela é sonho.
É puro devaneio.
Muitas vezes explica.
Implica
Suplica.
A poesia é pra mim.
A realização.
Como se aceitasse meu pedido de perdão.
Ela nunca diz não.
Quando eu me calo.
Ela pede expressão.
Eu falo tanto e muito.
Aqui de fato o meu intuito.
Libertar me.
Decifrar o oculto.
Do mundo.
De mim.
Da vida.
Do tempo de luto.
Minha morte minha vida.
Minha querida Severina.
Meu barranco que escoro.
Na lua viajante que moro.
Além de Marte.
Poder e dinheiro.
Guerra com estrangeiro.
A paz, eu, timidez.
Que falta faz a loucura outra vez.
Eu rei.
Eu sem derrota.
Mas a regra bate na porta.
Eu covarde surge.
Engaiolado continuo.
A sociedade ruge.
A hipocrisia viva.
A poesia viaja.
Na mesma proporção minha mente.
Quer criar asas.
Eu questiono e pergunto.
A quem pertence a chave da algema.
Giovane Silva Santos

Inserida por giovanesilvasantos1

⁠Substantivo imperfeito

O Diabo resolveu ser contemporâneo e fez uma plástica capilar em suas madeixas revoltas. Nada difícil para quem estava acostumado ao cheiro de enxofre. Inalar formol, domar cachos era fácil, somente para ficar plano e formoso.
Decidiu ir ao salão e modificar.
Horas, mais badaladas e promessas do “deus penteador” o irritavam. Para distrair... fez as unhas.
As suas “manicures vampiras”, famintas de “bifes” com o oráculo
edificado na “Romênia” o espetavam.
Paciência sempre foi qualidade infernal e se deitou com ela.
Após seco, o comentado cabelo deslumbrou ao espelho como “Narciso”.
Retificação espelhada em todas as direções, o espetáculo estava nas
ruas.
Era só esperar as considerações.
Cabelos mais escorregadios do que asas de anjos encharcadas. Dormir suspendido como morcego e não amassar o pelo era o único dever de casa.
Mas a vaidade era o pecado que o Diabo mais apreciava.
Exibir a sua tentação achatada e lisa comeria de cobiça os desavisados ao inferno.
A inveja faria sucesso junto aos discípulos mais crédulos. E o Diabo matou alguém por impaciência.
No dia do enterro, só para se exibir, apareceu seguro de seu penteado pensando no sucesso.
Somente o defunto o reconheceu tão falso.
E partiram do planeta, enterrados e irreconhecíveis por instantes naquele dia.
Com todos os diabos universais atrás tocando viola.


Livro Pó de Anjo
Autora: Rosana Fleury

Inserida por RosanaFleury

⁠A roupa dos dias

A elegância sempre aparecia silenciosa.
Não disputava com as cores dos dias nem com o brilho dos céus em tempos de proclamo.
A elegância é muda.
Modificava de estação e nunca de alinho.
Misteriosa e sem explicação.
Discreta e sabiamente sensacional, a elegância tinha seu espaço sem brigas no mundo interrogado.
Ardilosa era a verdade desvestida.
Sem medos e sustos desfilava com finura.
Era mágica, emblemática, sem artifícios.
Acordava faminta e dormia com todas as dúvidas sangrando.
Não, nunca, jamais queria ser reconhecida e seu caminho de fuga era desaparecer.
A elegância induz sem duelos.
O artifício era ser semelhante e macia, como um idêntico caçador. A elegância não era loura nem trigueira, transpirava calada e nos encontramos.
Meu coração não acelerou, a pressão permaneceu inalterável, o estômago não borbolhetou anseios, inalterou e persistiu no mesmo lugar.
Fiquei a olhar se aproximar toda emudecida, sucumbindo ao total silêncio.
E todos os ares emudeceram, a elegância estampou serena, densa e indissolúvel.
Tinha os olhos pequenos, obliculares, maquiados de preto.
No mimetismo que a escondia ela desfilou manchada por segundos,
com cuidado entre as burcas do capim cerrado. Tive inveja do ser bicho.
Onça.
E o animalesco da covardia em mim passa a permanecer e desafiar
a benevolência, somente aspirando bom gosto.


Livro Pó de Anjo
Autora: Rosana Fleury

Inserida por RosanaFleury

⁠Deserto


Nos morros esculpidos pelos ventos, nas mais altas fendas do Jalapão, a Princesa existia.
Presa em um Castelo cheio de ecos onde esquadrinhava a sua solidão.
Jamais descia.
Escondia-se com receio dos bichos que uivavam, rastejavam e se metarfoseavam junto ao capim dourado.
Do alto avistava as caravanas que contornavam as dunas à procura de sombra abaixo do chapadão alaranjado de arenito.
Ouvia os murmúrios dos preparativos do pouso, admirava a pequenas fogueiras iluminando a jalapa em chão de estrelas rastejantes.
Ao dia a savana dourada era castigada pelo vento indomável que carregava grãos de areia em constante combate.
Tinha desejo de descer, pisar naquela areia alaranjada, correr naquele silencioso esmagando o capim que choraria em seus pés estalando lamentos e rugidos.
No Castelo havia somente uma entrada.
E seus contornos e arrabaldes transpunham em curvas e corredores sem saídas obscuros para confundir estrangeiros.
Vivia ali sem nenhuma lembrança do passado somente do presente. À noite o Príncipe chegava carregado de conquistas e presentes alucinantes e ela viajava bem longe em seus verbos.
Na madrugada ele roubava seus sonhos durante o sono. Retirava seus aromas, as cores, suas noites enluaradas e o frescor de seu corpo banhado na alucinação dos rios.
Passou a Princesa a sofrer de nostalgia, de inquietude dolorosa, num choro calado debatendo-se com a sua imaginação.
Não havia superfície em sua vida, tudo era fundo e inatingível. Lembrava-se só das fogueiras estalando no lanço do isolamento das noites.
Tinha, portanto, um Castelo sem sonhos, janelas semicerradas e portas herméticas.
Passou a ficar extremamente branca, enluarada na cor onde se via seu mapa angiológico, desenhado, pulsando em suas veias.
Sua voz passou a ficar vigorosa, com ares de sufoco e repetir desejos. Diziam que a sua formosura estava pregada nas paredes da jalapa e respondia ao chamado dos curiosos.
– Princesa, onde estás? E no eco ela respondia:
– Onde estás?
Quando a caravana passava, abria suas tendas, nas sombras das noites insones, sua lenda sobressaltava junto à lua cândida.
E na placenta do imaginar ela nascia como alma de ilusão de quem deseja habitar na fantasia.
Livro Pó de Anjo
Autora: Rosana Fleury

Inserida por RosanaFleury

⁠Não me julgue, me valorize.

Inserida por EscritorErickpereira

⁠Um lugar... Com aspiração

Quando o mês de Julho chegar, estarei com vocês.
Quando Setembro anunciar, verei as Cavalhadas de Corumbá de Goiás pela primeira vez.
Quando Dezembro espalhar, ficarei na praça debaixo do flamboyant, me escondendo das tardes em choro, das chuvas mornas encharcando meus cabelos.
Estarei submersa na terra. Sentirei seu cheiro.
Acalmando minha ansiedade. No fruto de minha gente.
E nas estações, meus pensamentos constroem pontes de uma viagem internacional ao Corumbá de Goiás, todos os dias, incessantemente. E não me canso, me frustro.
Verei Anita já crescida, dançando em sapatilhas de ponta. Victor apaixonado pela certeza das horas.
Amarei as minhas orações desnudas e farei promessas a Nossa Senhora da Penha.
Ela me ouve.
O ensaio das vozes do coral irá convidar retumbar em minhas janelas e de meus olhos trincados escorrerá balsamo.
Virarei histórias na voz de todas minhas tias.
Amarei o jiló da horta de minha casa, onde Sebastiana plantou e Narcisa aguou.
E tudo aparecerá novo e inconfundível em minha memória.
As corujas visitarão meu alpendre e ficarei admirada com sua
elegância reservada.
Acordarei cedo e irei contemplar a neblina do planalto central. Admirarei as mangueiras retorcidas, centenárias, os muros de adobe, e não me sentirei invadida, namoro a minha solidão.
Vou cozinhar esta ideia, servir a todos com guariroba e pequi na margem arborescida do Rio Corumbá no cerrado.
E dizer que amar é acolhedor, descansado no silencioso do Goiás. E minha saudade acordará do choro de mil dias.
Se navegar, acontecer, a Deus pertence, mas aluguei na vida, momentaneamente, de passagem, enquanto existir um lugar para amar.
Livro Pó de Anjo
Autora: Rosana Fleury

Inserida por RosanaFleury

⁠Fico tão feliz de ter te conhecido
A paz que me trouxe e tem acolhido
Mesmo que o amanhã eu me perca no vazio 
Você foi minha, contemplando o meu sorriso

Graças aos céus  damos por um dia a mais 
Sonhar e viver sem você nada disso é capaz
Te amo mulher, pela simplicidade dos teus anseios nada cortejas, mas me desejas assim como quero seus beijos.

Inserida por HumanoDouglas

⁠A flor se abre por não
suportar tanta beleza.

Inserida por viniciusbrittes

⁠Por tudo que a realidade não mostrou, sobraram-me os sonhos. De lá, trago-te pra mim, e nenhum tempo tem a força de arrancar tua presença. As horas se alongam e os dias lentamente atravessam a noite vazia, tomada pelo silêncio da lua. Se a distância faz a rima, tua imagem declama a poesia. Se o amor fosse uma utopia, as estrelas não existiriam e o poeta vagaria eternamente nas frias noites das desilusões. Mas, ainda bem que existem os sonhos. São eles que fazem a lua cantarolar e as estrelas brilharem todas às vezes que me ponho a te amar.

Inserida por GilBuena

⁠Entre a empáfia e a empatia,
um sorriso de canto e
um sorriso de canto a canto.

Inserida por viniciusbrittes

❀༺LINHAS TORTAS♥

Linhas tortas
Misterioso cemitério
Antigos fantasmas
Candeeiro luminoso
Gritos surdos
Triunfante sacrifício
Amor humilde
Pessoa virtuosa
Futuro esperançoso
Casa especial
Lembranças vividas
Formas escuras
Olhar perdido
Solidão sentida
Trevas revoltas
Tumulto sombrio
Inferno alucinado
Mar adormecido
Mudo adeus
Vergonha escondida
Vento forte
Verdadeira saudade
Tempo esquecido
Despedida cruel.

Inserida por Sentimentos-Poeticos

Paraty dos passarinhos,
Da Capelinha,
Da Pracinha ha qualquer hora,
Paraty do paratiense e dos indio que ja foi e do que aqui chegou,
De todos que se encatam e migram numa história de amor por existir,
Das ruas de pedra dos bairros que cerca
Paraty da área rural vendo a baía
Paraty dos Quilombos onde orgulho é beleza,
Da sua natureza absoluta!
Paraty das cachoeiras brutas
Das Ilhas e grutas.
Paraty é o salto do peixe e o rio desaguando
Paraty do fjord, da península
Paraty das Cirandas encantadas
É remar sua rede nas canoas de kumaru
Paraty de Trindade até Perequê
Paraty é protegida pela Serra Verde
É a mare alta que se espera
É humida e fresca feito a vida
Onde os passarinhos gostam de cantar
Onde o amor de tanta gente ve o mar
Paraty é a alegria de estar aqui.

André Luz

Inserida por 1andreluz

Fica

Quando eu flor
Me beija-flor
Quando eu mar
Me ame por favor

Quando eu menos pedir
Me abrace sem perguntar
Há dias que sou poesia
Há dias que sou brisa
Há dias que sou vendaval
Há dias que sou sorrisos
E há dias que só sou...

Pois meu silêncio grita
E meus olhos declaram
Sou uma loucura imperfeita
E é na minha imperfeição,
que mais quero ser desejada
Só quem aceita o imperfeito
Merece que eu me demore

Pois meu silêncio grita
E meus olhos declaram
Meu sorriso confirma
Que só o amor é capaz de superar

Quando eu flor e tu amor
Beija-flor ama-me como for
Porque é no momento em que eu disser
(Não é nada)
É que eu mais precisarei de abrigo

Querido me faça acreditar
Que o amor é o sentimento mais nobre na existência
Que só ele é capaz de transformar
meus caos em um pequeno grão de areia,
quando envolvido no seu coração quente

E me ame.... Ame tanto
a ponto de não desistir,
por mais difícil que possa ser
Meu eu em você
Poema autoria de #Andrea_Domingues ©


Todos os direitos autorais reservados 22/04/2020 às 13:00 horas
Manter créditos de autoria original Andrea_Domingues

Inserida por AndreaDomingues

Você domina os meus pensamentos.

Inserida por EscritorErickpereira

a coisa mais importante
que descobri sobre a dor
é que ela não pode
ser ignorada
enquanto ainda
necessita ser
sentida.

Inserida por pensador

Amo...

Amo quela que nunca tocarei...
Amo como que em segredo
Mas um segredo revelado
revelado ?
sim, minha alma se declarou para a dela...

Inserida por fulvio_ribeiro

Amor & Morte

Existe ao menos um
Que conseguiu Amar
Sem de algum modo morrer ?

Existe um só
Que passou pela vida
Sem de algum modo Amar ?

Se o Amar é a estrada para morte
A morte é como um pódio
Para erguermos felizes após a chegada
O grande troféu chamado Amor

Inserida por fulvio_ribeiro

Chove tanto, parece que nunca terá sol. Será que um dia teve? Não me lembro! Chove pelo corpo sem fim.

Inserida por AlbertFerreira

A poesia tem por Pai, o próprio Criador e, para nos certificarmos disso, basta-nos prestar a atenção em Suas obras.

Inserida por paduadesousa

Seis momentos: A série.


Portos

Estamos atracados em portos
Impedidos de seguir
Enterramos nossos mortos
Continuamos a Coexistir
Avisasse a todo mundo
Habitante desse mar profundo
O pior está por vir...

Mortos

Os Mortos que nos deixaram
Habitam outro lugar
Aqueles que atravessaram
Pelo portal, atrás do altar.
Estão em um lugar silencioso
Tranquilo, mas assombroso.
Impedidos de gritar...

Escuros

Nas penumbras das noites
Ninguém consegue nos ver
Nos escuros estonteantes
É difícil perceber
Que quando a coisa tá preta
Um punhal ou baioneta
Vai conseguir nos vencer...

Pedras

Construídas de pó em pó
Resiste fortemente
Nunca derramou suor
Porém aparentemente
Sangra sem ter veia
Hoje, pedra, amanhã areia.
E sem vida, segue em frente.

Flores

Também morrem, como qualquer um.
Também cai, como um fruto.
Mas não chora, em momento algum.
É delicada e elegante
De valor quão diamante
100% absoluto.

Muros

Professor dos desastrados
Corretor de desatentos
Testemunha dos namorados
Detentor de detentos
Porém muito criticado
Por que só fica parado
E nunca expõe seu lamento.

Inserida por edgi_carvalho

A poesia é um eco convidando uma sombra para dançar.

Inserida por pensador

Você era uma ótima marinheira e eu era apenas uma barca furada. Juntos atravessamos vários oceanos. Mas uma hora você pulou, e sem ninguém no comando: eu afundei.
Mas cá entre nós...
Ainda existe vida no fundo do mar

Inserida por KsOtaviano