Sou seu Quase Amor Odeio meio Termos
É que sou toda ao avesso , eu não me dou bem com situações que seriam fáceis ao resto do mundo , como um encontro por exemplo. Pode rir de meu nervosismo exagerado se quiser , eu mesma riria se pudesse. É que eu odeio essa falta de controle que há em relacionamentos reais, quando não se pode controlar gestos , falas e pensamentos das pessoas como em um livro . Eu sou toda feita de teoria e praticidade me aterroriza, me assusta, me assombra, porque é algo com o qual não estou habituada.
Minha mulher falou que de todos os canalhas desse mundo, eu sou o único que vale a pena, e olha que eu nunca ouvi falar nessa vida que canalhas valem a pena.
PLANTAR, REGAR E CRESCER
Eu plantei.
Eu reguei.
Mas nada sou.
Agora ELE dará o crescimento.
ELE é tudo em todos.
DELE, por ELE e para ELE.
DELE é o querer e o efetuar.
Inúmeras sementes semeadas.
Não retirarei as minhas mãos.
Afinal, não atentei para o vento.
O que semeia chorando.
Colherá sorrindo.
Bendito o fruto da tua terra.
Sou o doce entardecer de fim de tarde, mas também o inquieto sopro do vento a noite. Sou aroma suave de limão e alecrim ao folhear velhos livros, mas também fina estampa e pura essência. Sou como bala perdida ao meio de guerras por paz, e também como a lágrima que escorre após uma guerra interna. Mas de qualquer forma leve, muito leve .. de um jeito doce e amargo de ser.
nas ondas do asfalto sou mais um na multidão
os pensamentos são presságios de solidão,
as variações dos meus pensamentos são trevor
as pessoas são sombras ambíguas
nas vertigens o horizonte vazio por mais sonho.
ninguém parece notar minha existência,
mesmo no meio da multidão sou vento,
que paira sobre as sombras do medo da minha alma,
o frio ao longe abandonado no solitude
de tantos pesares apenas o julgo esparso
e abandonado por ser distinto...
abadia que floresceu num mar do apogeu.
"SOU OU TALVEZ NÃO SOU"
Sou como sou mais nada
Sou ou talvez não sou
Sou endiabradamente sossegada
Não sei ser conformada
Sou exigente comigo
Não sei calar-me
Sou calmamente apressada
Não sei ficar quieta
Sou efusivamente tímida
Não sou possessiva
Sou terrivelmente doce
Não sou amargurada
Sou duramente sensível
Não consigo deixar os outros sofrer
Sou o que sou, feliz mais nada
Sou ou não sou, como sou mais nada.
Eu não abro mão de ser quem sou, mas todos os dias eu me transformo, existir é renascer todos os dias.
FIGUEIRA DA VIDA
Eu nada sou, para lá desta dor
Recolho os pedaços, fio das lembranças
Gritos na alma dos meus contos
Que são quadras de amor, de dor
Recomeço na figueira da vida
Já não tenho tempo para ilusões
Sei que a figueira que plantei
Olha-me entre as ramagens das suas folhas
Observa-me nesta minha quietude
Quietude onde agradeço todas as decepções
Em cada dificuldade e nos tombos dados
Que tive ao longo da minha vida
Sei que a figueira que plantei
Alberga agora um ninho de pássaros
Que as folhas veem-me entre os livros
Desfolham-se nas asas em lágrimas de pedra
Resguardo sem destino de sol e chuva
Envolto de nevoeiro nas palavras
Orvalho nos lábios das folhas da figueira
Que plantei com o recomeço sem ilusões.
SAUDADE DAQUELE TEMPO
Saudade daquele tempo.Tempo de menino. Está rindo do quê?
Sou garota sim mas, brincava com eles, deliciosa. Jogava bola de gude e armava com varetas as pipas de papel. Carregava meu carrinho de rolimã e subia a ladeira esperando a hora.Amava catar jabuticaba e fingia caçar, com estilingue, para comer as carambolas.
Não dar pra ser só proza.
Eu sei ser poesia.
Sou a métrica rica, decassílaba de Castro Alves
Sou também o fogo ardente de Camões.
Sou um soneto, maltrapilho, vestido de sensações
Sou dependente demais para ser podada por quem de ser livre nada entende, minha casa é o relento, meus pensamentos são pássaros...meus atos, a mim pertencem.
Sou guiada pela consciência, o que pensam de mim não é problema meu, sinto dizer, vai contra os meus princípios se preocupar com que os outros pensam.
sou uma mulher, cheia de ideias, mas não lhe interessa se eu sou daquelas, que erra usando atitudes de criança.
