Somos aquilo que fazemos quando Ninguem nos Ve
Hoje em dia o povo está mudado
Vejo gente demais sendo arrogante,
Não se vê mais ninguém sendo alegante
Como era no tempo do passado.
Quem consegue manter-se educado
Não recebe de volta educação,
O respeito virou malcriacão
E o ódio a moeda do presente,
Quando morre um culpado ou inocente,
O que muda é o preço do caixão.
Talvez a morte fosse mais gentil
há um limite que ninguém vê
um lugar depois do cansaço
onde a alma não pede socorro
apenas silêncio
não é desejo de fim
é desejo de paz
de não acordar com o peito em ruínas
com a alma sangrando quieta
talvez a morte fosse mais gentil
do que essa vida que me obriga a fingir
que ainda tenho chão
quando tudo em mim afunda
cansada de me reconstruir
sobre os escombros da esperança
de dizer que estou bem
quando nem sei onde estou
já não me reconheço no espelho
sou só vestígios
restos de uma mulher que sonhava
e agora apenas resiste
não quero palavras bonitas
nem fé emprestada
quero que entendam
que viver assim dói mais
do que desaparecer
e que talvez
só talvez
seria mais fácil fechar os olhos
de uma vez
do que continuar morrendo aos poucos
todos os dias
os de bem me ensinaram
a nem sempre fazer o que só me convém,
não detestar ninguém, ajudar sem ver a quem,
mas o mundo me mostrou
que é mais fácil concordar fingindo que escutou no meio do barulho.
pare esse mundo que eu quero descer,
já estamos em julho, já pulei o muro
e gostei mais do outro lado,
de borboleta não sei apenas o nado,
rindo chapado, coração blindado,
se deus vier, que venha armado,
o show principal já está completo,
agora o after é ir naquela rua e seguir reto.
filho de adão e eva, fruto do pecado.
em pé sou assim como estaria deitado,
sem direitos e sem deveres,
libertado de todas obrigações sociais que me apresentaram;
um parasita devora meus órgãos e a sanidade que já fora roubada,
assim como ele, devoro meus sentimentos mais lúdicos
e fico calado como o som de uma granada,
enquanto minha própria mão me dá uma bofetada.
rodamos o mundo em busca de ser menos mal,
mas a primeira refeição do dia é o falso moralismo
que grita em urgência de invadir o meu próprio espaço,
fazendo parte do mundo sujo que finge querer se limpar,
parte dessa massa deixa mais sem graça,
ânsia de mainstream (mesmo sendo),
ignorando mensagem sendo lida,
bebo da minha comida, comendo da minha bebida.
sou o cheque-mate que leigo joga,
música não é minha única droga,
respiro no mar que me afoga,
pois eu já era grande antes antes de você chegar,
portanto, estamos quites quando me crucificar.
meus segredos só eram assustadores até aceitar que eu tinha medo,
os quais você só se tranquiliza quando sente o toque do meu dedo;
quando minha música toca no seu rádio,
sem fingir de coitado, pois antes pagava de santo
mas era o que mais fazia pecado.
só obedeço ao que me convém,
maldade virou coisa do cotidiano,
pulo de um prédio, me mato sem causar nenhum dano,
protestos irônicos queimando pneu, nascido no breu,
uma veia corre sangue latino,
na outra, sangue europeu.
recito poemas, invento romances do avesso;
pelo meu amor, tudo tem seu preço:
belas palavras, pena que eu me conheço,
provando cérebros em ordas de zumbis,
não sou um simples aprendiz,
eu tenho a p0rra do fator X.
Eriec e seu silêncio...
todo mundo fala
do perigo que vem
mas quase ninguém vê
o que já mora no bolso
temem as máquinas que pensam
mas não temem os dedos distraídos
que matam em silêncio
com um “só um segundo”
o futuro assusta
mas o presente... anestesia
enquanto a vida passa
no reflexo da tela
todo mundo critica o novo
mas quase ninguém questiona o velho
que já virou hábito
mesmo quando sangra
e se o problema não for a máquina?
e se for o piloto que não olha pra frente?
ou pior — que olha,
mas finge que não vê?
porque pensar dói,
e assumir... mais ainda
então seguimos:
acusando espelhos
pra não encarar a própria imagem
“A felicidade não se encontra nos palcos digitais, mas nos bastidores daquilo que ninguém vê.”
Do Livro (Entre a Razão e o Delírio - Confissões de uma insensatez Necessária)
— Nina Lee Magalhães
CAMINHO INVISÍVEL
Há um caminho que ninguém vê,
Traçado no peito, gravado em você.
Sem placas, sem mapas, sem chão definido,
Mas cheio de passos do ser escondido.
Cada escolha é uma curva sutil,
Cada silêncio, um sinal do perfil.
Não há chegada, só o eterno ir,
Pois quem se busca, aprende a sentir.
Sabe aquele cara que vê em você o que ninguém mais vê
Que repara em cada detalhe seu
Que te admira
Que se inspira em você para compor músicas e poemas
Que, mesmo te amando, é tímido o suficiente para não ousar
Que te respeita
Que vê beleza e perfeição em você
Que te ama sem pedir nada em troca
Esse cara é o amor da sua vida...
Ninguém consegue tocar o pensamento, segurar o vento ou o ar por muito tempo; ninguém vê o sinal do wi-fi; ninguém vê a cor dos anjos da guarda... São coisas que existem para além da visão.
Hei, seja lá o que tu tens feito achando que ninguém tem visto, estás errado, há sempre gentes a verem, se for positivo continue, tem gente se motivando pelos mesmos feitos, e se for ruim, pare tem gente se decepcionando pelos mesmos. Não é uma questão de opiniões sobre a sua vida mas é importante que façamos as coisas certas com ou sem gente vendo para o nosso próprio bem.
Luminária à Senhora da Orada -
Na aldeia é noite escura,
não se vê quase ninguém.
Mas no adro da Igreja,
vai de negro vestida, Marianita do Outeiro,
que junto à porta da capela
se ajoelha p'ra rezar
profundamente por alguém!
À porta da Igreja
põe um pote com azeite
com um trapo embebido,
qu'ilumina as tristes preces,
orações, rezas, pedidos,
da pobre viuvinha
com tantos anos já vividos.
E o adro da capela fica todo iluminado
parecendo um Sol de Primavera
qu'ilumina o tumulo
de Nosso Senhor Ressuscitado.
"-Oh Senhora da Orada, vinde abençoar,
proteger, encaminhar, este vosso povoadao!"
E de pé frente à capela
um'Alma simples, boa,
pedindo à virgem esta graça!
Que a Senhora da Orada se lembre dela
como o brilho d'uma estrela
que brilha no seu manto e nunca passa.
"-Oh Senhora das novenas,
oh Senhora dos pregões,
vinde ceifar todas as penas,
vinde salvar os Corações!
Acudi ao meu pedido,
ouvide minha oração,
escutai o meu gemido,
escutai o meu pregão!"
Marianita do Outeiro
cai por terra fervorosa,
rezando, frente à porta da capela
com tal força, devoção,
que ao longe, se escuta um trovão!
Assustada, nem se mexe!
De mãos postas, olhos fixos na Igreja, pede,
"-Nossa Senhora nos proteja!"
Abrem-se as portas de par em par!
A Senhora da Orada, sobre o altar,
de roxo vestida, de Luz adornada,
surge risonha, de manto a esvoaçar ...
E erguendo os olhos, levantando o braço,
sobre o Outeiro, traça no espaço,
o doce Sinal da Cruz!
E p'la madrugada fora
lá fica a luminária,
de Marianita do Outeiro
à Senhora da Orada,
junto à porta da Capela ...
(Recordando com Saudade a "Ti" Mariana Paias que, tantas e tantas vezes, durante a minha infância, pelo cair da noite, vi iluminar o adro da Igreja da Senhora da Orada no Outeiro (monsaraz) com as suas luminárias ...)
Estou queimando
Estou chorando
Ninguém vê
Ninguém vê
Desejo um dia alcançar o céu
Perdida nesse mundo
Tento me encontrar
Uma facada está no meu peito
Estou curando com música
Mas sei que não é suficiente
Falta Deus
Mas é tão complicado por agora
Estou fraca
Estou sangrando
Dentro de mim há gritos
Hoje estou louca
Meu travesseiro vive molhado todas as noites pelas lágrimas que ninguém mais vê porque estão ocupados demais focando em seus próprios problemas
Guitarra -
Uma guitarra gemia
a um canto da saudade
se cantava ou se sofria
ninguém via na verdade.
Numa viela sombria
há um canto peregrino
uma guitarra perdia
o pisar do seu destino.
E num cantar de solidão
há uma voz que se levanta
recostada ao coração
é uma guitarra que canta.
Traz uma glória perdida
nos braços tristes de ninguém
há uma guitarra sofrida
chorando triste por alguém.
Existe uma parte de mim que todo mundo vê e uma outra que ninguém enxerga. Entre essas duas partes está quem eu realmente sou e não quem as pessoas supõem que eu seja. E você aí me olhando só pela metade e achando que me conhece o suficiente para falar da minha vida.
DEIXA-ME SONHAR
Não me olhes, não me invejes
Olha-te apenas e vê-te como tu és
Ninguém é como ninguém
Todos temos a nossa própria essência
Se não gostas do que eu faço paciência
Deixa-me viver em cada olhar
Deixa-me respirar em cada flor
Deixa-me escrever em cada pétala
Deixa-me amar-te em cada amanhecer
Deixa-me simplesmente viver •*
Deixa-me sonhar com intensidade
Deixa-me ver a serra aberta na alma
Deixa-me ter a liberdade dos lobos
Deixa-me o sussurro dos pássaros
Deixa-me a ramagem verdejante
Deixa-me sentir a fria neve do monte
Deixa-me o perfume do teu olhar
Deixa-me sentir desejo de ti
Deixa-me apenas sonhar acordada
Deixa-me o aroma da tua pele
Deixa-me prender o teu sorriso
Deixa-me viajar pelas ondas do mar
Deixa-me eu só quero simplesmente amar
Não me olhes, não me invejes
Sou alguém que ama a vida como ninguém.
