Retórica
A beleza de longe brilha, de perto é cinza, quase desbotando. Seja bem vindo a realidade, construída de retóricas, apenas.
Qualquer um pode desenvolver habilidades para falar a multidões. Poucos tem a sensibilidade para lidar com corações.
Retóricas II
"E quando a gente perde todo o controle que pensávamos ter da vida?
E quando as feridas parecem nunca parar de sangrar?
E quando não existe sutura capaz de impedir que elas se abram cada vez mais?
E quando pensamos que o mar está acalmando e as ondas quebram mais forte?
E quando a gente só se encontra no outro, mas o outro que está perdido dele mesmo?"
Iasmin Borges
Escrever, para mim, é um ato físico, carnal. Quem me conhece sabe a literalidade com que escrevo. Eu sou o que escrevo. E não é uma imagem retórica. Eu sinto como se cada palavra, escrita dentro do meu corpo com sangue, fluídos, nervos, fosse de sangue, fluídos, nervos. Quando o texto vira palavra escrita, código na tela de um computador, continua sendo carne minha. Sinto dor física, real e concreta, nesse parto.
Entre suas dúvidas e minhas exclamações há um espaço vazio onde o inaldível dialoga com o indizível sobre as reticências da retórica.
O problema central da "ética libertária" é que ela confunde propriedade em sentido lógico com propriedade em sentido jurídico. Por exemplo, em lógica, uma substância pode ser definida independentemente de existir ou não, e nesse sentido a existência se acrescenta à substância como uma propriedade. Juridicamente, aquilo que não existe não pode ser titular de direitos, a existência passando a ser portanto não uma propriedade, mas um PRESSUPOSTO da possibilidade mesma de haver direitos, inclusive o de propriedade. Matar um cidadão, suprimi-lo da existência, não é violar um direito de propriedade, mas sim extinguir a possibilidade mesma de que ele desfrute de quaisquer direitos, inclusive o de propriedade. Inverter isso é um erro lógico tão elementar que não deveria ser preciso discuti-lo.
“Há inúmeros presos já condenados, que foram soltos sob o pretexto soez de se estar os protegendo do contágio pandêmico, por juízes que fazem do anticronismo o seu café da manhã diário e da hipocrisia, disfarçada de humanismo, a sua merenda vespertino cotidiana. Assim, tentam coonestar seus atos e decisões tão indefectíveis quanto seus próprios egos.”
“Está-se, ademais, a viver una difícil quadra constitucional. Contra os estratagemas urdidos pelo judiciário, sobretudo a Corte Maior, não há recursos cabíveis. Não àqueles que defendem o devido processo legal e o Estado democrático de Direito.”
“Quer fazer algo para não mudar nada nem alterar coisa alguma? Fácil... Marque uma reunião ou forme um comitê”.
“Discursos negligentes tergiversam ideias transformadoras; Transformadoras ideias são negligenciadas por discursos tergiversados.”
“Não há verossimilhança entre a teoria e a prática. Assim sendo, é-se assim: discursos eloquentes de mudanças carecem de mudanças eloquentes de discursos.”.
Antes de ter a prática, o amor vem da teoria dos sonhos, da imensidão dos desejos, da ligeira vontade de chegar e ficar. Antes de o amor ser ida, ele é chegada; vida que se multiplica, na sagrada divisão do se doar. E quem pensa que o amor não é também teoria, engana-se. Porque ele se manifesta na mais completa retórica entre o silenciar e o agir: o amor sabe tão bem se expressar. Então, que hoje o teu mundo se encha de amor. E que hoje o amor seja repleto de ti.
Ilicitismo retórico: discurso de uma pessoa pública tentando desqualificar provas irrefutáveis de seus crimes.
Crescimento intelectual se dá através do exercício dialético e retórico para solidificar o autoconhecimento e a autoconfiança, a partir da cultura adquirida.
“Oxalá os oximoros metafóricos e as dialéticas paradoxais não precisem ser explicadas para pessoas que usam corriqueiramente suas respectivas massas cinzentas.”
A verdade que retóricas vazias, sem validação com a experiência e a prática, não inspiram lealdade !
Aos conterrâneos brasileiros, ocasionalmente se apresentam "fatos" com uma função social análoga a da arena romana, conquanto, nada verossímil a eloquência de Górgias ou à retórica sofisticada de Protágoras.
A violência física e moral é o instrumento dos fracos desprovidos de argumentos e oratória e que não sabem usar a retórica e que optam por atos covardes principalmente quando investidos em importantes cargos públicos, ou riquezas e abusam do poder usando a violência ou judicializando para calar seus críticos e tudo tem consequências e colhemos o que plantamos.
