Retórica
Andamos tão pra baixo que qualquer discurso ou declaração retórica assume uma postura heroica em nossa consciência.
Demasiadamente forte: Inclusive.
Carregava na ponta da língua uma retórica que mais parecia uma navalha. Tornou-se um rolo compressor de terno, tamanco e perfume.
Como ninguém pratica a concentração do pensamento, todo mundo acha normal o uso da retórica dispersiva.
Vivemos a cultura da ignorância. Tratar intencionalmente de vários assuntos em um diálogo, sem aprofundar nenhum, é rejeitar o esclarecimento em favor da confusão.
Quem rejeita intencionalmente o esclarecimento e a compreensão não está sendo sincero em sua análise. Sofistas e eristas nunca deixarão de existir: eles são a voz da instintiva tendência humana de detestar a verdade. Se não tenho prova alguma de que um feto possua ou não consciência, como posso afirmar escancaradamente que ele nada sente?
Desde o momento da fecundação, começa a se gestar no feto os princípios de um sistema nervoso independente.
Desde o momento da fecundação,o feto começa a ter autonomia em relação à mãe, não sendo por isso um simples órgão do seu corpo. Alguns acreditam que tudo o que não provém do cristianismo provém do Diabo, outros crêem que tudo o que não é da esquerda provém da direita.
Acreditar que só existem direita e esquerda no mundo é algo análogo a crer que só existem Deus e o Diabo. Por que perder o tempo combatendo causas que detestamos se isso lhes dá força?
O fortalecimento de uma causa anula, por si só, a causa que lhe for incompatível.
Se detesto B e desejo A, sendo A e B duas causas contrárias, vale mais a pena direcionar esforços para a fortificação de A.
Normalmente, aqueles que combatem uma causa a fortificam, pois lhe fornecem involuntariamente um ponto de apoio.
Ocupe-se com o mal somente quando for estritamente necessário e realmente não houver outro jeito, mas faça-o minimamente.
Não alimente o mal dentro e nem fora de você.
Construa seu próprio mundo, se ocupando com aquilo que é interessante, sublime e elevado.
Aquilo que você não percebe e no que não pensa, não existe para você.
Você alimenta as emoções negativas que algo provoca ao manter aquilo vivo em sua percepção e em sua mente. Quanto mais pensar, pior ficará.
Para se libertar das influências emocionais nefastas de algo, aquilo não pode mais existir para você.
"Se caráter fosse definido por palavras ou discursos, político seria deus e a retórica, sua bíblia."
A oratória e a retórica são importantes ferramentas para mudar rapidamente o lado da mesa em que se apresenta a comunicação.
Prefiro aos atos às palavras. Prefiro as ações às dicções, pois com o domínio da arte da retórica posso fazê-la acreditar que a amo, mesmo odiando, ou convencê-la que a odeio, mesmo lhe amando.
Para o Ano que chega,
Escolha o que vale a pena
Da paisagem à retórica do amor.
O mundo tem boas surpresas
E o extraordinário ao redor
Dê chance à essa beleza,
E tudo fica ainda melhor.
E o ano será diferente
Cheio de encontros sinceros
e instantes singulares pela frente.
Não se deixe cegar pela antítese da alegria,
Pois antes de cada passo e em cada oração,
existe a semente de um querer bem
e a centelha da própria criação.
DA ÁGORA AO ALGORITMO: RETÓRICA PERSUASIVA E O FLAGELO DAS REPUTAÇÕES.
A linguagem persuasiva tem seu pedestal no século 21. Ela tem a retórica com várias caixinhas, distribui cancelamento gratuito. Todavia, não é algo novo: reis, rainhas, presidentes e pessoas comuns passaram e irão passar por este flagelo mental, tendo reputações atingidas.
A retórica como arte da persuasão sempre existiu para mobilizar emoções, simplificar narrativas e construir ou destruir reputações. Na Grécia Antiga, os sofistas ensinavam técnicas para convencer multidões, muitas vezes priorizando o verossímil e o efeito prático sobre a verdade absoluta. Platão os criticava duramente por manipular opiniões sem compromisso com a essência das coisas (nos diálogos *Górgias* e *Fedro*). Aristóteles, por sua vez, sistematizou a disciplina de forma mais equilibrada em sua *Retórica*, definindo-a como “a faculdade de descobrir, em cada caso, os meios de persuasão disponíveis”. Ele separou a retórica da dialética (busca pura da verdade) e identificou os três pilares fundamentais que ainda hoje orientam a análise persuasiva: *ethos* (credibilidade e caráter do orador), *pathos* (apelo às emoções do auditório) e *logos* (razão, argumentos lógicos e evidências).
A retórica antiga era essencialmente; oral, praticada na ágora, nos tribunais e nas assembleias políticas. O orador enfrentava um auditório presente, concreto e limitado. A entrega (gestos, tom de voz, presença física) era crucial, e havia espaço para réplica imediata. O objetivo ideal era a adesão racional e emocional a favor do bem comum, embora abusos sofísticos fossem comuns.
Retórica Antiga × Retórica Moderna: diferenças, continuidades e evolução
A retórica não morreu com a modernidade — ela se transformou. No século XX, Chaïm Perelman e Lucie Olbrechts-Tyteca resgataram e atualizaram a tradição clássica com a "Nova Retórica" (Tratado da Argumentação, 1958). Eles expandiram o conceito de persuasão para além do discurso oral, enfatizando a “adesão do auditório” em qualquer contexto argumentativo.
No contexto; digital do século 21, a retórica ganha escala, velocidade e complexidade inéditas:
- Meios e formatos: De oral para multimodal (texto, imagem, vídeo curto, meme, stories, algoritmos). A presença física deu lugar à “presença virtual” e à edição cuidadosa.
- Escala e velocidade: Um argumento (ou ataque) pode alcançar milhões em minutos, sem filtro de auditório físico. Algoritmos das redes sociais privilegiam *pathos extremo* (indignação, raiva, empatia rápida) porque gera mais engajamento do que um logos equilibrado.
- Accountability e anonimato: Qualquer pessoa pode participar da persuasão ou do “cancelamento”, mas com menor responsabilidade pessoal. O *ethos* torna-se frágil e volátil — construído ou destruído por snippets fora de contexto ou narrativas emocionais simplificadas.
- Continuidades claras**: Os três pilares aristotélicos permanecem centrais (ethos, pathos e logos).
- Diferenças principais: A antiga era mais contida pelo contexto cívico e pela possibilidade de debate direto. A moderna é mais democratizada, mas também mais manipuladora em potencial, pois ignora contexto profundo, favorece o emocional imediato e opera em bolhas algorítmicas.
Em resumo: a retórica antiga era uma arte ensinada com responsabilidade cívica (mesmo com abusos). A moderna é uma força amplificada pela tecnologia — mais rápida, acessível e poderosa, capaz de distribuir “cancelamento gratuito” em massa, mas também de expor injustiças que antes ficavam ocultas.
Ao longo da história, reis e rainhas também sofreram esse flagelo. Um exemplo clássico é o caso de Maria Antonieta, rainha da França na época da Revolução. A ela é atribuída a famosa frase “Que comam brioches” (Qu’ils mangent de la brioche), como se, ao saber que o povo não tinha pão, ela tivesse respondido com indiferença luxuosa. Na verdade, não há registro histórico confiável de que ela tenha dito essas palavras. A frase aparece primeiro nas *Confissões* de Jean-Jacques Rousseau, quando Maria Antonieta ainda era criança. Anos depois, foi usada como propaganda revolucionária para destruir sua imagem e despertar indignação popular. Mesmo sendo uma lenda, a narrativa emocional simples funcionou como arma retórica poderosa — um lembrete de como uma história bem contada pode superar os fatos.
No século 21, o fenômeno assume contornos partidários, com narrativas seletivas, trechos fora de contexto ou amplificados que atingem reputações antes mesmo de provas concretas.
Como podemos seguir em frente?
O cancelamento é uma forma moderna de ostracismo coletivo, muitas vezes ineficaz para mudanças reais e duradouras. Ele promove medo, autocensura e polarização. Para navegar nesse ambiente com mais resiliência:
1. Não dê poder excessivo ao tribunal da internet — Ignore o barulho inicial e responda com fatos quando necessário.
2. Seja honesto, consistente e contextual — Use ethos forte e logos claro para evitar distorções.
3. Quando errar, admita com humildade e ações concretas — Evite desculpas vagas.
4. Construa reputação resiliente — Foque em contribuições reais, valores claros e diálogos fora das bolhas.
5. Use a retórica com responsabilidade — Prefira verdade + empatia em vez de manipulação emocional pura. Evite “cancelar de volta”.
6. Mantenha perspectiva histórica** — A retórica sempre foi neutra. O antídoto está em priorizar razão sobre emoção coletiva e contexto sobre trechos isolados.
No final, a linguagem persuasiva é neutra. Quem segue com integridade (mesmo imperfeita) tende a resistir melhor ao flagelo.
Leituras recomendadas
- Aristóteles — Retórica
- Platão — Górgias e Fedro
- Chaïm Perelman — Tratado da Argumentação
- Jon Ronson — Humilhado
- Greg Lukianoff & Jonathan Haidt — The Coddling of the American Mind e The Canceling of the American Mind
Ysrael Soler
#DaÁgoraAoAlgoritmo #CulturaDoCancelamento #RetóricaPersuasiva #CancelamentoDigital #LiberdadeDeExpressão #PensamentoCritico #ÉticaDaPalavra
Formulações elegantes, pensamentos rarefeitos:
eis o velho luxo da retórica
quando o conceito se ausenta.
A retórica pode erguer uma liberdade verbal ou refiná-la em
instrumento de domesticação;
tudo depende
da ética de quem a maneja.
A retórica não altera a natureza dos fatos; quem usa o discurso para fugir da própria substância só prova que a inteligência, sem honestidade, é apenas um truque de cena.
A RETÓRICA
(Verso 1)
Na Grécia antiga começou a articulação,
Palavra era arma, argumento munição,
Córax na missão, método na construção,
Convencer na lógica, firme na razão.
Tísias lado a lado, técnica em evolução,
Discurso estruturado, prova na exposição,
Não era emoção, era precisão,
Fundaram a base da argumentação.
(Verso 2)
Górgias surgiu, mestre da persuasão,
Palavra como feitiço, mexe com a emoção,
Encanta multidão, molda percepção,
Mostrou que o discurso move a decisão.
Não é só o fato, é como conduz,
A mente se inclina quando a fala seduz,
Verdade ou ilusão? Quem é que traduz?
Se a forma convence, até mentira reluz.
(Verso 3)
Platão observou, postura crítica na missão,
Disse: sem verdade, é manipulação,
Contra o discurso vazio, contra a ilusão,
Defendia a essência, não a encenação.
Queria o justo, o bem na direção,
Conhecimento puro, fora da distorção,
Alerta pra palavra usada sem razão,
Filosofia acima da argumentação.
(Verso 4)
Sócrates na base, método aplicado,
Pergunta e resposta, saber lapidado,
Maiêutica em ação, pensamento elevado,
Não entrega resposta, deixa preparado.
Quebra a falsa certeza, instiga a visão,
Faz o ignorante buscar compreensão,
A verdade não grita, nasce na reflexão,
Consciência é fruto da indagação.
(Verso 5 – História)
Começa pequeno, ninguém dá atenção,
Um ato simples vira reação em reação,
Só soltaram o cavalo, olha a dimensão,
Do erro mínimo nasce a destruição.
Entrou na plantação, virou confusão,
Um puxou o gatilho, outro buscou vingança,
E o ciclo se fechou na ignorância,
Ninguém pensou, só seguiu na impulsão.
Sangue chama sangue, ódio puxa mais,
Quando a mente apaga, o instinto é que faz,
Ninguém parou pra pensar, só quis responder,
E cada resposta fez o caos crescer.
No fim perguntaram: quem causou isso aqui?
A resposta foi fria, difícil de engolir:
Eu só soltei o cavalo… e saí dali,
O resto foi vocês que escolheram seguir.
(Verso 6)
Aristóteles veio, trouxe definição,
Equilibrou a arte da argumentação,
Não é só falar, tem fundamentação,
Retórica é técnica com direção.
Logos na lógica, base da razão,
Ethos no caráter, gera conexão,
Pathos na emoção, toca o coração,
Os três alinhados moldam a decisão.
(Refrão)
Logos, Ethos e Pathos
A base do discurso que quebra o caos
Logos, Ethos e Pathos
Fala com verdade ou tudo é falso
Logos, Ethos e Pathos
Se não tiver os três, não alcança o alvo
Logos, Ethos e Pathos
Na mente e no coração, esse é o impacto
(Ponte)
Pense antes de agir, vigia o que diz,
A língua constrói ou destrói por um triz,
Entre razão e emoção existe um limite,
Quem não se controla é refém do próprio instinto.
(Refrão final)
Logos, Ethos e Pathos
A base do discurso que quebra o caos
Logos, Ethos e Pathos
Fala com verdade ou tudo é falso
A retórica contemporânea insiste em sustentar a existência de valores como empatia, colaboração e desenvolvimento humano no ambiente produtivo.
Entretanto, tal proposição não resiste a uma análise minimamente rigorosa.
Se esses princípios fossem operacionais — e não meramente discursivos —, seria esperado observar um comportamento sistêmico orientado à formação de indivíduos. Ou seja: investimento deliberado na construção de competências.
O que se verifica, contudo, é o oposto.
O sistema demanda experiência prévia como condição de entrada, ao mesmo tempo em que se exime da responsabilidade de produzi-la.
A expressão recorrente — “contrata-se com experiência” — não é apenas um critério seletivo. É, na prática, a formalização de uma contradição estrutural.
Do ponto de vista lógico, o problema pode ser descrito de forma simples:
* Experiência é um produto de prática
* Prática exige oportunidade
* Oportunidade é negada na ausência de experiência
Tem-se, portanto, um ciclo fechado e autoexcludente.
Não se trata de falha acidental, mas de uma consequência previsível de um modelo orientado por eficiência imediata. Treinar implica custo: tempo, recurso e risco. Selecionar alguém “pronto” representa, no curto prazo, uma solução mais conveniente.
Essa escolha, entretanto, ignora uma variável essencial: sustentabilidade do próprio sistema.
Ao abdicar da formação, o sistema passa a depender exclusivamente de um estoque de profissionais já qualificados — estoque este que não é renovado na mesma proporção em que é consumido.
O argumento frequentemente utilizado — o de que “não compensa treinar, pois o indivíduo pode sair” — revela uma tentativa de racionalização de um problema distinto. A evasão de talentos não invalida o investimento em formação; indica, antes, falhas nos mecanismos de retenção.
Logo, a decisão de não ensinar não elimina o risco — apenas desloca o problema para o futuro.
O resultado é um ciclo previsível:
1. Exige-se experiência
2. Reduz-se a formação
3. Diminui-se a entrada de novos qualificados
4. Aumenta-se a escassez
5. Intensifica-se a exigência inicial
Esse sistema, ao longo do tempo, converge para a própria limitação.
Síntese
Não há escassez intrínseca de capacidade humana.
Há, sim, restrição deliberada de acesso aos meios que permitem desenvolvê-la.
Um sistema que condiciona a entrada àquilo que ele mesmo se recusa a fornecer não é apenas incoerente — é estruturalmente insustentável.
Agora é tapa cara da direita,
Sempre foi falatório e retórica da patria e família agora se torno o algoz de milhões,
Parece que o filme terá novos capítulo.
Pobre bebe detergente o rico bebe leite no fraco de detergente e depois vamos escutar os áudios filho da ratazana lavando dinheiro público em delação premiada...
Ainda tem deepfakes ou fakes news...
Para depor a favor e colocar os novos parâmetros do caos no algarismo...
Ou agora ira fugir para outro pais ou vai para o hospital...
Vai continuar sua candidaturas ( a ditadura deve voltar papai precisa de liberdade meu velho babão.)
Figura suja e corrupta escreve mais uma página nos moldes da democracia.
Somos objeto de estudo enriquecimento o conhecimento do futuro da nação....traidores da patria...
Agora faça um comício dizendo que é inocente, diga o para o brasil que vai sangrar por justiça...!
Diga que verdade sera dita nada mais que a verdade e seja homem, continue sendo rato sempre foi ....
