Poesia sobre Cidade
Cidade em Suspenso
A cidade acende e me apaga
No reflexo frio dos semáforos
Cada janela parece uma pergunta
Cada esquina, um rascunho do que sou
Eu caminho entre ruínas discretas
De promessas, vitrines e sinais
O concreto me ensina a dúvida
E a dúvida me ensina a ir além
Quem desenha o mapa da pressa?
Quem decide o valor do silêncio?
Se o futuro mora no relógio
Por que eu sempre vivo no intervalo?
Tem uma fome antiga no asfalto
E um eco que não sabe se responde
Eu carrego a noite no bolso
Como quem guarda o que não se esconde
O que é chegar, afinal,
Se toda chegada já vira partida?
O que é ser inteiro na cidade
Que nos pede versões resumidas?
Se eu me perco, é por lucidez
Se eu me calo, é pra ouvir melhor
No meio da fumaça e do ruído
Ainda existe um nome para o sol
E eu sigo, porque seguir também é verbo
Porque parar parece uma forma de cair
Porque talvez a verdade more
No movimento de não se definir
Daniel Vinicius de Moraes
Priori
Hoje te entendi , não é insegurança ou preguiça mas atravessar a cidade por 31 km e talvez talvez se decepcionar,não tenho idade pra isso estou em desvantagem, o que poder esperar? Me apaixonei pelos seus :Hi bela! Seu jeito estoico de transcrever a vida mas ter que entender que a frustração de um relacionamento de anos nos torna incapaz muitas vezes com todo medo de prosseguir ,ter que entender ,mas de esquecer o quão bom era por um pouco de tempo com vc não conectados mas sem saber quem és,te perdi sem ao menos te encontrar foi erro meu , mexi em feridas sem saber ,tirei o eu do foco fiquei exposta trouxe a tona seus maiores medos, hoje te entendo,Priori.
Se não for pra deixar me como prioridade não me deixes como uma de suas opções.
A felicidade não é a cidade ao fim do mapa, é o próprio vento pela janela, o ritmo das rodas nos trilhos, o horizonte que se desdobra enquanto se vai.
Pois lembre: o pássaro não entoa seu canto por ter a alegria; é no ato de cantar — no ar que vibra na garganta, na nota que se desprende e preenche o arvoredo — que a alegria, plena, nasce e se aconchega em suas penas.
A felicidade não é um porto à espera. É a própria maré dentro de você, o movimento que faz o navio navegar.
Livros e cafés
Entre o som da cidade e o silêncio das páginas,
me encontro.
Cada capítulo é uma viagem, cada gole de café, um abraço quente na alma.
Aqui, vestida de histórias, habito um universo onde o tempo se dobra e a realidade se dissolve nas entrelinhas.
Rosa de São Paulo
No jardim da cidade,
ela ergue a testa e brilha:
não perde a suavidade,
mesmo onde o vento assobia.
Perfuma a calçada inteira,
dá cor ao muro cinzento;
é alegria verdadeira
que chega com o momento.
Pétala por pétala,
desenha um mundo mais belo —
a rosa é flor que fala
sem precisar de apelo.
Loirinha linda eu te encontrei por acaso,
Foi bem distante de mim em outra cidade,
Mas o destino fez com que eu te encontrasse,
E trouxesse para mim felicidade...
Sérgio o Cancioneiro.
Espinheiro
Politicagem virou política.
Política virou ingenuidade.
A cidade foi descuidada,
ela já não pertence ao cidadão.
O homem é um animal apolítico.
O poder não está a serviço.
Não existe o bem comum.
Não há espaço na política,
está preenchido pela politicagem.
A nação é conduzida
pela ignorância da nação.
Uma nação sem consciência
protesta contra si própria.
A democracia aparente
virou ditadura velada.
Sua origem está na perversidade.
O homem é um meio e não um fim.
Se a política é liberdade,
a politicagem é a prisão.
Não há ódio e nem amor.
Há apenas interesses,
instrumentos e inimigos.
Perda de tempo é
fazer política para inúteis.
Sapé não é apenas cidade
é lembrança acesa.
É chão que guarda passos,
vozes, e feridas que ensinaram a resistir.
Entre engenhos e rios,
o tempo moldou o rosto do povo.
De mãos calejadas, eles escreveram história
com enxadas, com sonhos, com sangue.
Aqui tombou João Pedro Teixeira,
não como quem cai,
mas como quem planta.
Sua morte fez nascer o que o medo não podia deter.
Elizabeth, firme como a terra após a chuva,
carregou o nome, a causa,
e o peso de uma nação nas costas.
Ela não fugiu, floresceu na coragem.
E entre as ruas antigas,
ecoam versos de Augusto dos Anjos,
poeta que fez da dor sua morada,
e da palavra, uma cicatriz eterna.
Sapé é também vitória e renascimento.
No grito do torcedor do Confiança,
há algo do mesmo povo das ligas:
orgulho, suor, pertencimento.
Cem anos depois,
Sapé segue de pé.
Não como lembrança morta,
mas como coração pulsando
entre a fé, a luta e o futuro.
Porque Sapé é isso:
um nome que resiste,
um povo que não esquece,
uma história que sempre respira.
"" A cidade geme
pressão e calafrios ao amanhecer
pássaros cantam e voam alvoroçados.
a cidade é criança.
brinca de esconde esconde em cada esquina
é moça bonita que encanta
às vezes é o caos
mas se levanta
tem o mágico, a menina
que são capazes de torná-la feminina
quando sem medida
a abraçarem com amor...
*“No Inverno, Café e Você”*
O inverno chegou devagar,
vestindo a cidade de silêncio
e as janelas de saudade.
Lá fora, o vento desenhava frio nas ruas, mas aqui dentro
existia você.
O café fumegava entre nossas mãos, como um pequeno sol tentando aquecer o mundo.
E eu observava teus olhos
com a mesma calma
de quem encontra abrigo
num fim de tarde chuvoso.
Você sorria baixo,
enquanto o aroma do café
misturava memória e desejo
no mesmo instante.
Há amores que queimam como incêndio.
O nosso não.
O nosso aquece devagar,
como coberta em noite gelada, como música antiga tocando ao fundo, como dois corações aprendendo a morar no mesmo inverno.
E desde então,
toda vez que o frio retorna,
o café perde um pouco do gosto… se você não está aqui.
A vida pendurada por um fio invisível,
um sopro — e tudo desaba.
Na chamada “cidade maravilhosa”,
o cartão-postal não mostra o sangue na calçada.
Aqui, o belo convive com o medo,
e o amanhã… ninguém promete nada.
Helaine machado
Só um garoto tentando sobreviver,
entre prédios altos tentando crescer,
a cidade grita, ninguém quer ouvir,
mas eu sigo firme, não posso cair.
Máscara no rosto, peso na mente,
o herói sorri pra esconder o que sente,
cada escolha tem consequência, irmão,
grandes poderes cobram decisão.
Helaine machado
Música: Brasil, meu Brasil
Verso 1
Do norte ao sul, um só pulsar,
rio, sertão, cidade a brilhar.
Na luta diária, fé que não diminuí,
o povo sonha alto e sempre reluz.
Refrão (2x)
Brasil, meu Brasil, teu nome é esperança,
na batida do coração, o futuro avança.
Verso 2
Tem dor, tem riso, tem sol e suor,
tem mão calejada plantando o melhor.
Entre dificuldades e vitórias, seguimos em pé,
Brasil é coragem, trabalho e fé.
Refrão
Brasil, meu Brasil, teu nome é esperança,
na batida do coração, o futuro avança.
Na grande cidade dos deuses, esculpida no silêncio dos séculos, a Pirâmide da Lua não é um enigma a ser decifrado pelo homem, mas uma resposta em pedra para uma pergunta que a humanidade desaprendeu de fazer.
Reno Fioraso
Depois de todos esses anos, decidi, finalmente, retornar à minha cidade natal e fazer uma visita. Eu era muito jovem quando decidi ir embora e explorar novos caminhos. Não me arrependo jamais dessa decisão. Só que naquela época, jamais poderia imaginar o quão desafiador seria estar aqui novamente.
A sua partida doeu por muito tempo, e esta cidade é repleta de lembranças suas — lembranças lindas, mas dolorosas para alguém que sente tanto a sua falta. Ainda assim, eu sabia que estava na hora de voltar.
Após duas noites seguidas sonhando com você, senti como se fosse um sinal para voltar e revisitar esse lugar que marcou tão profundamente minha infância e juventude. Então, deixei a tristeza de lado e fui. Eu sei que você entenderia as razões pelas quais eu demorei tanto para voltar para cá.
É doloroso lidar com histórias do passado que nunca foram resolvidas, e a sua partida foi uma delas. Eu sabia que, em algum momento, precisaria confrontar todas essas emoções. Definitivamente, não foi fácil. Porém, quando cheguei aqui, senti uma paz imensa. Senti a sua presença — era como se você estivesse orgulhosa por eu estar aqui.
Visitei novamente vários lugares que marcaram minha vida. Essas ruas, parques e casas nos trouxeram tantos momentos bons, não é mesmo? Enquanto eu viver, vou lembrar de você. E eu juro que, desta vez, não vou demorar tanto para voltar.
Lá fora está um dia frio e nublado, enquanto dentro de mim, permanece um sol forte, daqueles que ilumina a alma.
Não posso dizer que fiz as pazes com o passado, mas, de certa forma, estou lidando melhor com essas emoções. Você era força, resiliência e otimismo. Guardo cada memória no meu coração. Saudade é para sempre.
Quantas memórias...
essa cidade faz parte da minha história!
Eu deixei esse lugar quando eu era ainda muito jovem e demorei muito para voltar. Não porque eu não queria, mas porque a minha cidade natal, na qual passei minha infância e juventude, me traz muitas lembranças de pessoas que já se foram. Então, retornar significa encara todas essas emoções e sentimentos não resolvidos.
Mas, finalmente, estou aprendendo a lidar com isso. Voltar não me traz muita dor, pelo contrário, me traz um certo alívio e conforto. Agora, ao passar por essas ruas, consigo me lembrar com menos aflição de pessoas e momentos que fizeram parte da minha história.
Em breve vou embora novamente, porém, valorizando minhas raízes. Jamais vou esquecer de onde eu vim.
A cidade segue funcionando, as pessoas riem nos lugares errados, o tempo insiste em andar para frente.
Eu não acompanho.
Eu administro a falta. Em silêncio. Em turnos.
Não chamo de saudade porque saudade é doméstica demais para o que ficou.
Isso aqui é permanência forçada.
É carregar alguém mesmo quando a outra pessoa largou o peso.
TDAH ... É viver
com a mente parecendo cidade grande em horário de pico.
78 abas abertas.
Uma música aleatória tocando no fundo.
Memórias entrando sem bater.
Pensamentos tropeçando uns nos outros
feito gente desesperada correndo atrás de si mesma.
E no meio desse caos
você ainda tenta amar, ajudar, sobreviver, lembrar.
Mas sempre aparece alguém
transformando esquecimento em defeito de caráter,
como se tua mente cansada fosse ofensa pessoal.
Não entendem que existe diferença
entre não lembrar
e não se importar.
Aí vêm os gritos,
o esculacho,
a humilhação embrulhada em “sinceridade”.
Curioso como tanta gente exige compreensão
enquanto distribui crueldade com naturalidade.
Nossa espécie realmente acorda cedo
pra competir por medalha
de desgaste emocional.
E ainda assim,
mesmo perdida entre ruídos,
você continua tentando ser abrigo
pra quem nunca aprendeu
a não virar tempestade.
Pés machucados
Saí pra caminhar,
nas ruas desertas desta cidade,
sem olhar o sinal,
sem sentir o tempo passar,
sem querer voltar...
Saí pra caminhar,
nas ruas desertas desta cidade,
onde o silêncio embala meus pensamentos,
e a insônia a me rondar em passos lentos.
Cada estrela é um sussurro no escuro,
velando meus sonhos adormecidos,
na esperança de um novo amanhecer.
Andei sem rumo,
milhas e milhas,
dias e dias...
não sei mais quanto tempo faz...
O caminho de volta
encontrar não sou mais capaz...
Andei sem rumo,
milhas e milhas,
dias e dias...
A noite se estende,
silenciosa, fria,
onde o sono se esconde,
tecendo sonhos fugidios,
na dança lenta da insônia.
Andei... ando sempre andando,
sigo caminhando,
sem rumo, sem direção
vou continuar
até a dor dos meus pés
ser maior que a do meu coração.
