Poesia sobre a Seca
COISAS INGÊNUAS
O que fizemos ontem
O céu azul, o vinho, o blue e a caatinga
A arder a seca, a derramar carências
Santa demência,
Poeira branca do que foi o Jaguaribe
Deus me livre daquele olhar
A inquirir os meus desejos
Chama ardente a queimar na alma
Que quanto mais olhava mais incendiava o meu olhar
Sempre acreditei no amor das coisas ingenuas
Sempre declamei a grandeza das coisas pequenas
Mas se desvirtuei foi por paixão,
Foi por paixão que derramei o meu querer
Foi por querer que perfurei seu coração
O que fizemos ontem nunca mais se fez
A caatinga ainda rasteja, arde esparsa
Parca, incendeia, mas se chove, floresce e viceja
Porque vicejar é da flor...
Ao meu pai
Seu nome foi concebido no árido, no prólogo de uma vida de muitas lutas, na fonte seca de esperanças sem chão. E com essa bagagem, ombreou-se de coragem, sem nobreza ou trovador para contar suas histórias, como que por obrigação ser sobrehumano, sobre toda a humana cadência. Não se trata da jornada do herói, mas da origem do meu herói, da gênese do meu entendimento e a força da minha vontade.
Não digo que sou os erros e acertos do pai, sou o ouvinte curioso das suas histórias, o observador paciente de todos os seus passos. Não creio que tudo seja apenas matéria, que tudo seja aleatório em um ciclo do nascimento até a morte, há de se galardoar aqui ou em outro lugar tantas obras e um bom coração. Mais valioso para mim é o teu exemplo do que os inúmeros livros que já tive acesso, do que os heroísmos nascidos da imaginação criativa do autor. O teu fardo não é fado, é minha herança, para que assim eu conte o teu nome nos meus atos, na educação aos filhos, nas escolhas dos amigos, no temor a Deus, no bem ao próximo que sobrepuja a vaidade. Vou sentar e te ouvir mais uma vez, enquanto calmamente me ensina a vida.
DEPOIS DA CURVA, HÁ UM RIO
Pouco importa o sol ardente,
O rosto molhado e a garganta seca;
Pouco importa a poeira da estrada,
Os pés descalços e as pedras no caminho;
Pouco importa o andamento sem fim,
As pernas cansadas e o quase parar;
Pouco importa as quedas sofridas,
Os laços desfeitos e o tempo perdido;
Pouco importa o pensamento distante,
A saudade no peito e a incerteza constante;
Pouco importa se a vida é dura,
Os sonhos são muitos e o tempo é pouco;
Depois da curva, há um rio.
Virtudes
Deixarei o rio que me banha
Estes olhos afogados
Umedecendo a terra seca
Que prepara o amor...
Ainda é adormecida
A sementinha que plantei
No coração da minha amada menininha...
Regarei com lágrimas
Aguardando a estação
Do tempo oportuno
Que me germine o seu amor...
E do tempo que se vai
Aos teus dias adormecidos,
Ainda que demore o quanto for
Verei nascer o teu amor...
Deixaste a aparência de menina
Pra te tornares para mim mui mais bela
Que eu pudesse imaginar...
As minhas afeições são por ti a cada dia,
Cobrindo-lhe o tempo generoso
Com todas as virtudes
Que alimentam o meu amor.
Edney Valentim Araújo
Terra seca
Chorei...
Cada lágrima corrida
Deste rio de saudade,
Eu chorei...
Águas banham a terra seca
E não saciam a minha sede.
A semente do amor
Dorme tenra sem dar flores...
Mas cada gota destas lágrimas
Não se perde sem destino...
É gotas feitas o orvalho
Que alimenta o nosso amor.
Edney Valentim Araújo
1994...
Terra seca
Esse vento que sopra,
E de longe vem, para longe se vai,
Esse amor que chegou tão de repente.
Se for para ficar, fique.
Se for vendaval, que se vá.
Vá também essa tempestade.
Nessa terra seca da solidão
Onde a semente dorme,
As águas que banham são lágrimas.
Edney Valentim Araújo
Resumo da manhã de hoje.
'Passarim'!
Rola na areia,
toma uma ducha
se seca na cadeira
pertinho de mim.
Ficou um tempão nesta brincadeira.
A netinha na escola.
Ele veio me fazer companhia.
Eu sou feito vinho... posso ser doce ou posso ser seca ..posso te embriagar de amor ou te derrubar em um só gole.. posso te deixar feliz ou até com dor de cabeça... bebida não faz se apreciada da forma correta... degustada do jeito que ela merece...
O Lamento Incrédulo
Choro de pedra, de pó e de abismo,
lágrima seca na face do tempo,
um grito que rasga o véu do infinito,
mas Deus se esconde no entendimento.
As dores dos mortos pesam na carne,
vozes antigas sufocam o sono,
nas ruas, exércitos marcham sem glória,
resta-me o nada, o pó do abandono.
Abraço que afaga e logo desfaz-se,
esperança em cinzas, fé em ruína,
o beijo da culpa que arde na pele,
o pecado sem nome que nunca termina.
E se Deus não houver? Se tudo for sonho?
Se a dor for em vão, se o mundo for frio?
Sou sombra sem dono, sou noite sem astro,
cometa perdido no próprio vazio.
Por Evan do Carmo
"O Quinze apresenta as consequências devastadoras da grande seca de 1915 no Nordeste do Brasil, onde a resiliência e resistência do povo nordestino se erguem como um testemunho da luta incansável contra as adversidades impostas pela natureza e a negligência do governo."
(PAULA, Vitor Ferreira de. "O quinze?" Campo Grande: Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, 2024, p.01)
Há lugares onde já não há maná.
Há estações onde o poço seca.
E há promessas que só brotam
quando obedecemos e damos o passo da fé.
*Água sobre a cidade*
Num tempo, São Paulo seca.
Agora, encharcada...
Como se as águas conscientes,
Morando nas profundezas da terra,
Entendessem o seu lugar
para retornarem sempre:
Ora amigas.
Ora bravias.
Matando a sede,
Enchendo casas,
... Ruas
... e as próprias almas!
junho/04
"A terra seca anseia pela chuva
Chamando a garota para a dança das gotas
Haja felicidade, comtemple o vôo das águas
Una-se ao magnífico homem! e
Venha apenas apreciar a garota dançando
Assim como a água
Evoque sua criança,
Alivie o que ela pensa a respeito do seu ser.
Gruniu o céu com luz empoderando a beleza
Aprisionada de uma mulher, quebrou-se a
Restrição que abita teu corpo?
Ouve as gotas
Tocando o rosto dela? Olhe o seu sorriso, vai
Abraçar-la, se sentires que o cheiro da chuva salta daquele corpo parabéns, tu amas de verdade."
Sapienciais 2:4
A seca e os furacões vêm em suas épocas; governantes e presidentes são substituídos; tudo passa, mas a sabedoria de Deus é imutável.
A hora certa surpreende
No poema que cura a alma,
A alma seca plangente
Da terra que não pertence.
A Pátria desconhecida,
Na poesia imaginada,
A alma surge extasiada
De tê-la assim escrita.
No galope do verso,
Na glória do Ahalteke,
Que o destino não me negue.
Na rima do deserto,
No rodopio do vento,
Que o som seja o do saltério.
Não estou autorizada,
A inspiração me encontrou;
Sei que ando radiante,
O Universo me iluminou.
Primaverei
Já fui água de chuva
Já fui folha seca
Já fui intenso calor
Primaverei, virei flor!
☆Haredita Angel
"Sou a espada flamejante nas mãos do meu General de guerra. É Ele que me conduz à rama seca para a qual deve ser cortada."
— By Coelhinha
A minha boca anda
seca porque falta água,
só sabe disso
é quem por isso passa,...
Se você não passa,
ao menos respeite.
A minha barriga
anda vazia
por de falta comida,...
Se a tua
se alimenta,
a minha respeite.
Falta gasolina,
sobram bloqueios
e notícias de incêndios.
Se não tem autocontrole,
ao menos não atrapalhe.
Um país infernizado
evidentemente
pelo Império epicentro
do Mal pandêmico
que não dá descanso.
Ontem foi dia de lembrar
também do velho General
que salvou a vida
do Comandante Eterno,
e dele não há notícia.
Não se sabe nada
até o momento
do General que preso
está injustamente
há dois anos e sem
nenhum acesso a luz da justiça.
Escondidinho
O Escondidinho da minha
preferência sempre será
o feito com Carne Seca,
O meu gosto é sempre
tradicional: este é o poema.
Basta ser!
O preconceito tem cura
o orgulho fica no fundo
a morte vem seca e dura
tudo acaba num segundo
então deixe de frescura
que o frio da sepultura
é igual pra todo mundo.
