Poesia eu sou Asim sim Serei
ATREVIDO
Quanto mais escrevo,
mais me atrevo,
por natureza já sou atrevido,
me jogo nos versos,
e perco todos sentidos,
mas encontro cada sentimento,
nem que seja por um instante,
nem que dure um momento,
me atrevo por qualquer motivo,
não me contenho,
a poesia é que me contém,
mas por favor,
não contem a ninguém.
.
ALMA (soneto)
Tenho idade de um tempo qualquer
Vivo menino, jovem ou sou senhor
Neste olhar, tenho o olhar do amor
Embalado, às vezes, no o que vier
Se não vem, tudo bem, sou o que for
Adiante, radiante, serei o que quiser
Depende de mim e de onde estiver
Então, posso ser razão ou sonhador
A idade em mim nunca será mister
É estado de sentimento, um exterior
Garoto ou velho, vai do que dispuser
Às vezes amador, noutras um jogador
Porém, o corpo, não é o que eu disser
Já a alma, estará ao meu total dispor...
Luciano Spagnol
Cerrado goiano
Tenho idade de um tempo qualquer
Vivo menino, jovem ou sou senhor
Neste olhar, tenho o olhar do amor
Embalado, às vezes, no o que vier
Luciano Spagnol
cerrado goiano
Créditos ao anonimato
Sou um poeta de poucos recursos.
De fato, de poucos méritos.
E apesar de todos os maus percursos.
Busco meus créditos.
Sou alma do cerrado, pé no chão, do triângulo, do chapadão... Pão de queijo com café, fogão de lenha, das vilas ricas, arraiais, sou filho de Araguari, das Gerais...
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Em nome de Deus...
Sou semente de milagre milenar
Brotada criança do ventre de mãe forte
Menino somado de verbo e esperança
Que a sorte desdenha e a dor já não alcança
Sou filho de muitas aldeias
E de todos os mundos
Trago no peito todas crenças
E no sangue frágil, um sonho que teima
Não tomo a fome por inimiga
Nem o sol, por castigo
Das defesas, que me são poucas
A tez é a de mais orgulho e valia
Meu melhor emana de meu olhar
É ele que fere de vida qualquer morte
É ele que leva o perdão que entrego
Aos dias da infância que não visitei
Sou estranha, assumo. Sou toda do avesso e de ponta cabeça. Mas gosto disso, vejo o mundo de uma forma diferente, consigo ver o que mais ninguém vê, consigo ir além.
Gabriela Oliveira
insta: @sejaamodaantiga
Sou do tipo que ri
Dou risada mesmo
Em qualquer situação
Meu riso pode ser alegria
Pode ser tristeza
Um susto
Pode ser raiva
E também incerteza
Porém não se assuste
É bem fácil os identificar
Pare, me repare e pare
De me julgar
Não sou imatura
Ou insegura
Só é assim que com a vida
Aprendi a lidar
Gabriela Oliveira
insta: @sejaamodaantiga
PROCURO POR UM POETA
Fui, sou, ainda irei
Ser um bom poema
Uma rima atravessada no seu verso.
Eu fui
Eu sou
Eu serei.
Um bloco de notas cheio
Cheio de rascunhos esperando um leitor
Disposto a me aceitar em seu leito.
Leia-me
Sinta-me
Reescreva-me.
Seja a mão correta
Me transcreva com outras palavras
Seja meu poeta.
Eleição amorosa
Sou candidato para investidura e provimento
no seu coração por meio de um belo sentimento.
Ou você me elege com sensatez,
ou me deixa de fora de vez.
Seu voto é obrigatório
Seu afeto é facultativo.
Quero saber a sua intenção
sem te forçar a ficar comigo.
A virtude compõe minha instância superior,
pra receber seu voto não preciso ser ilegal.
As pesquisas podem não estar ao meu favor
entretanto, não ofendo a Justiça eleitoral.
Na sua democracia representativa,
você é responsável por suas escolhas.
Eu sou apenas uma opção intuitiva
que pode representar coisas boas.
Mas, não sou objeto de propaganda,
não tenho slogan, nem faço promessa.
Por minha transparência se demanda
a essência que de mim se arremessa…
Seu futuro é proporcional às suas ações
e a vida te oferece dois diferentes cenários,
o primeiro e o segundo turno são opções
pra confirmar se eu sou, para você, majoritário.
Seu título eleitoral te atribui competência,
e caso não tomar uma decisão
outros tomarão por sua omissão
e não há justificativa para essa ausência.
Saiba que eu espero um extenso mandato,
e coloco meu amor disponível neste ultimato:
Ou você me elege com sensatez,
ou me deixa de fora de vez.
Só não quero ser vice e nem suplente,
pois não sou substituto de ninguém.
Nasci para ser eleito, ser competente,
e governar a felicidade de alguém!
Ir querendo ficar
Ser ou não ser,
Não sei o que ser,
Não sei o que sou.
Se querer encarnasse o ser,
Queria ser você.
Loucura querer te possuir,
Como um demônio,
Que toma o corpo alheio,
Sem domínio,
Muito anseio.
Se é contigo,
Que sei o que sou,
Onde estou,
Porque não te roubar,
Te levar,
Sem somar?
As pessoas não entendem,
O que é ser e não ter,
O que é ter e não ser,
Mas, nem eu entendo,
O que é ser e ter.
Já tive sem ser,
Hoje sou sem ter,
Desejo saber como é,
Aquilo que eu não sei.
A vida é uma loucura,
Pessoas nos brindam,
O tempo todo,
Algumas apenas passam,
De um lado a outro,
Outras cruzam caminhos,
Passam algum tempo, se vão,
Mas existe um valor inestimável,
Quando encontramos quem deva ficar,
E ela sem conseguir ir, fica!
Deixo-te, que vá,
Como é difícil ir querendo estar aqui.
Se precisar mesmo, entendo,
Explico tudo bonitinho,
Com início, meio e fim.
Mas não existe quietude,
Quem sabe mesmo a razão,
É a alma, que mesmo sem pedir,
Te prende aqui,
Sem deixar jamais partir,
Já não há inquietude,
Existe paz, tranquilidade,
Amor, barulho do mar e sopro do vento,
Lá não tem, duvido!
O valor mais inestimado,
Está quando quem tem que ficar não vai,
Quando quem precisa sorri o entrega,
Os olhos encontram o que procuram,
A bochecha dói e a cara de bobo.
Aquilo que julgo tão valoroso, encontrei,
Querer ficar, poder ir!
Será que ela fica ou vai?
A revelia
Sou o poeta que escreve seus versos nos muros
artista dos becos e das vilas que declama suas dores e amarguras
sou o filho do meio, de outros tantos, criados a revelia e sem recursos por uma dona Ana ou uma dona Maria...
Na rua sou ligeiro, nem bala perdida me acha
sou rima faceira que combina em seu corpo tempo e espaço, ódio e amor, paz e guerra
sou a linha de frente da guerra, a lâmina da faca, o cano do fuzil
sou o verbo inteiro, vez ou outra partido ao meio, transformado em refrão
sou o mundo inteiro e o meu bairro
e o desespero da mãe quando falta o pão
sou a minha esperança
a ponta aguda da lança - nunca se esqueçam!
Sou o pai de família que acorda todos os dias bem cedo
e segue firme sem pedir arrego, sem desejar vida fácil.
Sou o pretinho longe do tráfico, salvo pelo passinho e pelo futebol
sou a segunda parte do hino nacional que ninguém canta:
a liberdade
os campos verdes
o lábaro que ostentas estrelado.
Sou apenas mais um filho da pátria Brasil com nome de santo
feito outros tantos Silvas nos becos, nos morros, nas periferias
apenas mais um brancopretovermelhoamarelhoíndio e favelado
renegado pelo sistema, vestindo preto por fora e por dentro.
Sou um louco sonhador
Que sonha a vida
A Vida que nunca tive
De quem nunca esteve ao meu lado
Nos meus sonhos ela é bela
Em vida apenas uma tela
E quando volto a sonhar;
Sempre a vejo tao linda tao bela
Os amores de hoje em dia
Queria que fosse em meus dias
que dar uma flor era uma poesia de amor
E amar era demonstrar para o mundo
O nosso amor!
Sou um louco sonhador
Que Sonha a vida e a morte;
e com uma certeza
Amar não é questão de sorte
È demonstrar tao forte até os teus últimos dias
"Não sou poeta. / Não quero ser poeta. / Se ainda tivesse meus vinte anos, / Escolheria o pugilismo."
[E se todos fôssemos Muhammad Ali?]
Humano
Acusam - me de ser um demônio, que sou tão ruim que nem o próprio me aceitaria ao seu lado, que irônico, pois se tão ruim force, acredito que teria um espaço reservado.
Nunca fui um Deus, nem pretendo ter esperanças de ser um, mais engraçado, novamente a vida propôs um ato de ironia, pois fui criado à imagem e semelhanças de um Deus.
Agora estou confuso, não sou um demônio, não sou um Deus, e agora, que criatura poderia ter tantas características de crueldade de um demônio e a compaixão de um Deus?
Acho que sou Flor, quem me beija é Beija-Flor
Tristonho ele vem voando esperando um afeto a ti negado
E além de comida, ele busca um inebriante amor
Que o leve onde nem ele conseguiu ir ainda
A natureza observa sua tentativa de conquista
E seguido do revés desta sua ação
Eu grito: Vem cá ser feliz nos braços meus.
Diálogo
A escuridão, ainda menina, chama-me às ruas frias
Sou a andarilha proscrita das noites de luas vazias
Não escondo meu rosto destas gentes curiosas...
Que vejam a mulher vil, triste que sou...Lamuriosa.
Mas amiga, nem sempre foste assim, amarga e sombria
Houveram dias de sol e mar à brilhar sobre tua tez macia
Diga-me: Porque te enfadastes das doçuras do amor?
Porque voltaste as costas ao toar das carícias em clamor?
Ah, minha amiga, nada sabes das minhas dores imensas...
Das noites em que doei o mais sublime amor que pensas
Ofertei-me de corpo e alma, desnuda em juras e poesias
Ofereci rosas e mel; em troca ganhei abandono e heresias.
Mas não te entregues às trevas, óh amiga tão triste e bela.
Busca a luz dos sonetos mais puros, alegres em aquarela
Esqueça-te do passado, volta-te para os presentes dias...
Quem sabe, ainda pousam nos teus jardins as andorinhas?
Não perca teu precioso tempo com minh'alma, óh amiga!
Não haverão pássaros à cantar para minha causa perdida.
Sou aquela que vaga em busca da morte que trará paz
Somente o corvo me acompanha, nada e ninguém mais...!
É um século cheio de informações, mas todos escrevem histórias que não podem contar. Sou avesso, poeta, minhas palavras são feitas para voar.
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Novo mundo
ABORTO
Sou filho de seus anseios
Que com beijos e afagos
Afegante de respiração
Colocou-me intenso
Bem perto do teu coração.
Tive a chance de uma vida
De ver a luz tão querida
Sem direito e sem sopro
E sem chance de nascer
Transformou-me em aborto.
Sem mãe e sem futuro abrigo
Tive a chance de ser filho
Quem sabe ser professor
Que sem me deixar viver
Tirou-me mesmo sem dor.
Poderia também ser doutor
E viver para salvar
Mas sem direito de vir ao mundo
Com um antídoto qualquer
O que fez, foi me tirar.
Se todas as mães do mundo
Pensassem assim por segundo
O que seria do criador
Hoje não existia vida
E nem Cristo redentor
SOU POEMA
Sou poema, sou amor...
Sou rascunho interno da alma
Expressão integra do sentimental
Lagrimas de puro fervor
Sou deserto comunidade, capital.
Sou poema, sou amor...
Sou a lagrimar no rosto inocente
O pólen da flor o pulsar do coração
O gesto do lábio o tic, tác do momento
O chilrear do vento sobre o tempo
O chorar da solidão... A paixão.
Sou poema, sou amor...
Sou o semear da harmonia
O romper e o entardecer do dia
As ondas ao morrer na praia
O peixe a rabanar no ar
Sou o falar a expressão o gargalhar.
Sou poema, sou amor...
Sou partículas da natureza
Expressão real do momento
Um grito que sai do intimo
Notas brotadas sobre um tempo
Sorriso a plainar sobre o vento
Cifras do som do arpoador.
Sou poema, sou amor...
Eu sou o carreiro com a poeira
O berrante do boiadeiro
O menino, moeda, chuva a lama
O grito a porteira, moça a janela
A tranquilidade um repousar na cama
O segredo guardado na algibeira.
Sou poema, sou amor...
Sou musica que acalenta os anjos
As rugas que demarcam o rosto
Timbre da paz sobre o mundo
Os sentidos de todos os gostos
Eco da expansão da alegria
Esperança de um vagabundo
Sou astral que eleva os dias.
Sou poema, sou amor...
Sou a beleza da natureza
A serenidade de um olhar
A discrição esbouçada da pétala
O farfalhar de um sonho na noite
O açoite da mimica no jardim
A algazarra alada dos pássaros
As dores do principio ao fim.
