Coleção pessoal de juliocsmachado

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Eu tenho essa mania, vício, de exagerar o simples e de simplificar o imensurável.
Brigo por bobagens e desconsidero as piores das ofensas.
Se for para traçar meus defeitos vou listar extensivamente adjetivos pouco utilizados de nosso rico e diversificado dicionário.
Em contrapartida, tecer auto elogios é complexo e, às vezes, impraticável.
Dedicamos mais tempo conhecendo os outros do que a nós mesmos.
Consideramos que relacionar-se bem é conhecer melhor e de fato é, porém, mais importante do que conhecer o outro é conhecer o eu.
Esse eu que se esconde entre os traumas e decepções, o eu que intrinsecamente amedronta nossa alma e nos castra os desejos e sonhos.
Antes de conhecermos o amor da nossa vida, o príncipe encantado, nós precisamos conhecer o vilão que habitá o reflexo que não enxergamos.
Foi olhando intimamente para a filosofia do "quem sou eu" que pude entender: apesar de meus defeitos, tenho o dom de não esquecer sentimentos.
E por mais que eu não demonstre, sou cheio deles.
Meu sentimento tem forma, cor, sabor.
Eu vivo tropeçando no meu ego orgulhoso, e peco pelo excesso de medo de amar.
Mas por ironia da vida,
quanto mais medo eu tenho
mais amor, em mim, transborda.

JULIO MACHADO
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Tags: amor exageros

Eu sei, mas não devia

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora.

A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.

Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.

A gente se acostuma para poupar a vida.

Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.

(Do livro "Eu sei, mas não devia", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1996, pág. 09.)

Marina Colasanti
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O amor não é louco. Sabe muito bem o que faz, e nunca, nunca, age sem motivo. Loucos somos nós, que insistimos em querer entendê-lo no plano da razão.

Marina Colasanti
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"Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. (...)"

Marina Colasanti
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O importante é não deixar de ser criança, mesmo que o espelho mostre as areias do tempo acumuladas como marcas e lembranças.

JULIO MACHADO
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Tags: jovialidade juventude

Algo só deixa de ser arte quando não é mais um sentimento ou lembrança e nem mesmo te projeta para dentro de um momento, seja ele passado ou futuro.
Arte não remete ao presente dos gostos e desgostos na vida de alguém, a arte não é singular. Ela é plural, é de todos, representa as questões e não as respostas.

JULIO MACHADO
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Tags: arte sentimento

Censuram o que sou e tudo o que sinto...
Censuram porque isso não me cabe no peito...
Censuram meu sentimento por não ser tão empírico quanto a moeda que eles veneram...
Censuram meus desejos por eles serem tão palpáveis quanto o nervo rígido e febil que se entrega aos prazeres...
Censuram... e isso me castra, me amputa a alma.
Censuram e limitam meu universo em um único grão.
Censuram o gesto, o fato, o ato...
Censuram, céticos das minhas emoções, mitigam minha própria essência.
Censuram esse sentimento nu, sem mascaras sociais nem farsas ancestrais...
Censuram e julgam: sentimento fora das suas leis.
Censuram, mas não há tarjas...
Censuram não porque eu sinto demais, mas sim porque não são capazes de enxergar a imensidão que transbordo.
Censuram meu amor porque não são mais capazes de amar.

JULIO MACHADO
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Três coisas agradam a todo o mundo: gentileza, frugalidade e humildade. Pois os gentis podem ser corajosos, os frugais podem ser liberais e os humildes podem ser condutores de homens.

Textos Taoístas
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O segredo do sucesso está em ser feliz e em se adaptar às bruscas mudanças que ocorrem ao nosso redor.

Alex Verly

quando o mundo estiver em chamas, lembre-se, o mesmo fogo que machuca, cauteriza

Henrique Alves

O tempo é o poder. Advém dele a transformação, do novo para o velho e do velho para o novo. Cabe ao tempo reger entre os espaços e dimensões uma linha que permite cada ser seguir no mesmo universo seus caminhos paralelos, embora tão distintos. Cabe ao tempo levar e trazer. Ele existe e ninguém percebe, ele rege todas as coisas até mesmo as que não podemos tocar. O tempo é o poder, pois é capaz de destrir e capaz de viver, é capaz de deixar marcar e refazer descontinuidades. Ele machuca quando te faz lembrar e te da esperança quando te faz esperar. O tempo estraga as coisas, mas também as amadurece e de todas as coisas que o tempo toca, a mais incrível é o amor, pois o tempo toca gentil e permite que o amor assuma a forma e o tamanho que ele mesmo quiser e é por isso que podemos sentir o amor em todas as coisas e tudo que tem amor e preservado pelo tempo.

JULIO MACHADO
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Para o navio é sempre o porto que se distancia, mesmo que ele nunca saia do lugar.

JULIO MACHADO
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Tags: pontodevista navio

Às vezes, alguém tem que chegar e fazer tudo diferente. Fazer você quebrar as regras que se coloca e que, consequentemente, se tornam defesas como uma grande muralha. Às vezes, a pessoa tem que ficar de longe, alimentando o desejo. Às vezes, algumas trocas de olhares irão valer por milhares de palavras. O momento certo pede a atitude certa! Suas mãos vão suar, suas pernas irão tremer, seu coração irá sair pela boca; mas, na medida que você se entregar, verdadeiramente, algo recíproco pode corroborar a existência de um sentimento único e jamais vivido antes. Quando ele tocar seus lábios pela primeira vez sentirá, instantaneamente, a compreensão do porque antes não tinha dado certo coisa alguma (os erros também revelam os caminhos certos). Às vezes, o cara romântico também tem que ser intenso e isso inclui falar abertamente o que sente, pois é esse o passo mais importante da conquista. Não é preciso acreditar em amor a primeira vista, não é preciso acreditar em almas gêmeas só é preciso se permitir, afinal de contas há muitos milagres nessa vida e o amor, certamente, é um deles! Encontre o seu amor, ele não é a sua cura, mas sim a cura do mundo!

JULIO MACHADO
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Tags: curagay cura

As pessoas vão criticar o amor até começar a senti-lo, aí se tornarão tão doentes quanto nós.

Cheios de sintomas de felicidade!

JULIO MACHADO
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Se você procura um relacionamento para encontrar sentimentos, deve saber que as relações não foram feitas para suprir a sua falta de emoção. Um relacionamento de verdade é mútua doação. Quando não há troca torna-se roubo de alma, furto de tempo, deixa de ser lindo... não é amor é latrocínio!

JULIO MACHADO
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Tags: relacionamento amor

Tem um aviso na porta do meu coração: Quem não dança conforme o ritmo da casa, não perca tempo tocando a campainha.

Maria Bethânia
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Aproveitei uma hora vaga, entre a rotina e os vícios, para escrever.
Escolhi um canto do quintal, a sombra do pé de acerola e lá sentei em uma cadeira branca e velha mas que suportava meu peso. Não o peso imposto pela gravidade, mas o da bagagem de uma vida marcada e muito bem sentida.
E como se usasse um tear, estiquei fio-a-fio meu pensamento.
Pensei, senti, ressenti e escrevi. Mas antes de parar eu ainda resumi.
Não importa quantas milhares de páginas e versos eu escreva, sempre estarei em um resumo de minha intensa completude.
Parece pouco as maneiras que demonstro, mas esses detalhes são muito para quem sabe meu valor.
Posso escrever um milhão de palavras para descrever meus sentimentos ou só escrever amor.

JULIO MACHADO
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Abandonei aquela postura vitimista de culpar todos por não demonstrarem o interesse suficiente para criar vínculos sentimentais. Não espero amores eternos e nem mesmo o romance dos contos de fadas. Na realidade, se as coisas dão certo ou errado nem sempre é culpa do desinteresse alheio, às vezes, são as nossas expectativas que afundam todas as nossas chances. Muitas vezes queremos que a pessoa seja mais do que ela está proposta a ser, ou exigimos um tempo de reação igual ao que temos, porém, apaixonar não é uma ciência e mesmo que fosse não seria das exatas. Nosso maior erro é começar algo com alguém e exigir dessa relação a mesma sequência do que lê-se nos livros ou do que presenciamos das relações já existentes. Cada ser tem seu tempo embora conviva no mesmo espaço. Somos trem de carga e cada um puxa seus vagões repletos de história, sucessos e frustrações. A força que cada um precisa para seguir em frente é diferente e não adianta colocar a culpa no maquinista. Amor não é uma troca pois a ele não cabe exigências, o amor verdadeiro é entrega, honesta e sem medidas.

JULIO MACHADO
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Tags: jucsom amor

Esse meu ímpeto de voar é maravilhoso! Penso grande, viajo longe e percebo com um olhar distinto. ♒

JULIO MACHADO
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Penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio - e eis que a verdade se me revela.

Albert Einstein
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