Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
LEVÍSSIMA
Leve... Levíssima leve
Leve a culpa breve
do bonde do tempo,
da linha que alínea e arrepia,
pegue e leve-me como for
avia! Avia... Espia a passagem
sem motor ou engrenagem
sem amor, sem calor.
Leve se for leve... Leve
a flor as pétalas do caminho
a poeira o pó dos paralelepípedos
os tipos e aerotipos múltiplos
os bullyings e seus insultos
os vultos do futuro caduco
os brutos... Marrucos malucos
e os eunucos da esperança,
judeus da dor...
O fungo dos frutos... E a
corda bamba, de uma criança.
Antonio Montes
CELA DE SALA
Enclausurado em minha sala
eu vejo TV
vejo TV e me acorrento na tela
... Sou um preso dessa esparrela
que me atrela em cadeados
e correntes , d'essas mentes
que mentem...
Desses olhos que sentem, e
essas bocas que se dizem crentes.
Enclausurado em minha sala
recebe palmas do nada
e continuo preso...
Nessa cela espalmada,
entre quatro paredes e um ar
um sofá para imaginar...
E a vontade doida de voar.
Antonio Montes
CARTA COM ASA
Uma carta esferográfica, cruza
os mares o céu é as estradas
atravessando o mundo
para demonstrar as palavras,
que no fundo...
Nunca foi, não é, não será nada.
Fala, avisa...
Improvisa um recado manso
impõe o seu bocado
presente, futuro, passado.
A carta sem asas, propaga risos
derramando lagrimas
especifica prejuízos de tudo aquilo
que nunca será nada.
Antonio Montes
Vaso Chinês
Porcelana frágil, bordado ao acaso
Com um tal dragão nele cunhado
Em perfumado luzidio dourado.
Delicada forma, reflexo Parnaso.
Vaso chinês, arte, audaz talvez,
guerreiro, porém, alma de vaso.
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Maio de 2018
Cerrado goiano
REPETECO DO SOL
O sol em seu crepúsculo
morre a tarde
para se enterrar de noite
... E todo dia sedo!
Nasce de novo e de novo
iluminando o dia
aquecendo o povo
demonstrando a galinha
o horário do ovo.
Antonio Montes
DESANEXA
Como cometa,
se meta...
Se meta, se mecha
de cabelos e mexa
ou de a deixa e desça
d'essa caixa de ameixa.
Desça na terça
pela terça de ferro
ou da semana...
Prometa a sexta
que desanexa a manga
ou essa gente bacana.
Antonio Montes
Bora tomar café e enfrentar o fado com fé!
Bora, ser feliz!
Aprendiz.
Afinal, doutrinar é dia a dia.
Então, Paz e Bem, harmonia,
e também amor sem tirania.
Pois assim, damos asas à fantasia
e a vida, rimada poesia...
BOM DIA!
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Cerrado goiano
Seria maravilhoso amar você em Paris...
Mas sabe de algo interessante?
... Eu te sentiria da mesma forma
se estivesse te abraçando na Avenida 18.
Onde é a Avenida 18?
Não sei!
Mas não faz diferença
Eu amaria amar você em qualquer lugar menina!
Elisa Salles
Detesto dormir...
É uma imensa perda de prazer.
Prefiro passar minhas noites coladas ao corpo teu.
Pondo luz nas nossas escuridões
e risos nos nossos rostos
( Além de mil beijos em nossas bocas)
Sim dormir é perda de tempo
Quero fazer amor contigo enquanto a lua faz vigília
no céu esperando o sol banhar as águas do Atlântico.
Vem amor,
faz festa comigo,
enquanto a coruja pia no galho da amendoeira!
Elisa Salles
Sôfrego desejo
de abraços
de beijos
murmúrios de segredos só nosso,
pele exalando suor e cheiro,
bocas se devorando,
beijos molhados,
corpos em tempestades
entregues à um mesmo sonho
se permitindo viver plenamente em
momentos de estase...
Duas almas numa só
entregues à loucura dos prazeres da paixão
e dor amor compartilhado
Momento intocável e sagrado.
TEU...
E no meio de todo esse sentimento
que transbordava minh'alma
desejo,paixões, entrega.
...Tanta verdade!
Dela eu extraí apenas flores, sorrisos
ternura e felicidade.
Resolvi ficar.
Nunca mais me ausentarei
desta paixão que me solidifica
e enobrece.
Tanto amor roubou meu "eu".
Já não me pertenço.
Sou teu!
O PEDIDO DO BEIJO.
Quero um beijo, pediu ele
Um beijo apenas que me cale o pranto...
Isso tocou o coração dela
Talvez ainda estivesse apaixonada;
mas sentiu ensejos de lhe oferecer a boca
adocicada do tremor na alma,
e daquele friozinho no estômago...
Ainda não era amor...
... Mas ela consentiu no beijo cálido e gentil
E quando nem mesmo viu,
era dela o pedido:
Dá-me um beijo querido meu!
E a poesia cresceu na alma daqueles jovens inocentes,
num pedido dele por um beijo,
no beijo que ela consentiu.
NO TEU CORPO
No teu corpo
No teu corpo
meu corpo verbaliza...
Fluentemente
eloquentemente.
Alimentada
pelo toque sutil
dos dedos teus.
Me contorço
em desvelos
em múrmurios
canto em fagulhas de versos!
Não somos apenas amantes
Não somos apenas corpos
que se tocam e se blindam.
Somos poesia!
Cosmo e universo.!
Elisa Salles
Ah, meu bem. Meu doce bem...
Se soubesse o quanto desejo o seu colo
O quanto espero colar minha pele à sua
Ouvir sussurrar meu nome nesta voz rouca
Que me deixa louca!
Anseio com desespero pelo gosto da sua saliva
Pelo calor do seu abraço que poe luz na minha vida
... Se soubesse,
chegaria cedo,
me traria um buquê de margaridas
só para me encantar...
Mas não sabe não é?
Mas não é por não saber
ou por fingir não ver, que o amarei menos.
Te amo pelo bem que me faz ama-lo
... Desejo-o pelo simples prazer
de amar você.
DEMANDA NÔMADES
Existe um navio no mar
... Água sem doce
onda com sal
gemido no porão...
As gaivotas dão voltas
e reviravoltas, e se voltam
com seu revoar!
E saem rumo, norte e sul
conforme a demanda
da imigração do seu procriar.
Somos nômades...
Já viajamos no passo
nos astros nos sonhos
um dia andamos nos trilos,
n'outro...
Velejamos nas águas do mar.
Antonio Montes
Escrevo somente
De coração e alma
Jogando as incertezas na lama
Chutando os verbos
Compondo o meu eu
Em prosa e em versos
ABACAXI
Espinhada coroa
Casca grossa, fonte tupi
De versos tão atoa
Um poema, um abacaxi!
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Cerrado goiano
Perco um pedaço do meu mundo
Hoje a noite está tão fria
Iluminada pela luz da lua
Desperta em mim a poesia
Recitada por minha voz roca
Me dar uma vontade de beijar uma boca
E que de preferência, seja a sua…
A cada novo dia
Aumenta em mim a ansiedade
Acompanhada de alegria
Que vem por partes ( metade)
Se eu beijar esta guria
Será só felicidade…
A cada hora ou segundo
Que pego a pensar ti
Eu perco um pedaço do meu mudo
Mas só de pensar na distancia
Me da sede, me da ânsia
E caio em desgosto profundo..
De vez enquando cultivo a liberdade
Mas é a saudade quem a mim conduz.
De vez enquando sou igual crepúsculo
Com coração no escuro
Fico aluno, sem luz.
De vez enquando a saudade aperta
Em mim falta a coberta
Todo anoitecer.
Mas eu já sei com toda clareza
Não me falta certeza
O que falta é você...
Saudades de você minha amiga
Garota, seu lindo olhar
Incendiou meu coração
Sequestrou meu pensamento
Libertou minha inspiração
E num momento perfeito
Não sei explicar direito
Era tipo ficção
O sol tocou sua pele
Revelando seu sorriso
Era igual ao paraíso
Que descrevi num poema
Sua mão macia e pequena
Escondendo – se no moletom
Sua voz em afinado tom
Que dominava o espaço
Fez – me querer seu abraço
Que de tão apertado é bom…
Quanto mais o sol subia
Mais mostrava o seu brilho
Já me via fora do trilho
Toda vez que tu sorria
Abrilhantava meu dia
Trabalhava mais contente
Torço muito pra que a gente
Volte a se encontrar um dia…
Mando-te neste cordel
Um abraço carinhoso
Bem forte e bem gostoso
Com um sabor de saudade
Para que nossa amizade
Dure o século todo...
