Poemas Sombrios
O dia despede-se...
A sombra da noite aproxima-se, e um novo cenário nos é oferecido.
Os pássaros aconchegando-se em seus ninhos, o orvalho deitando-se sobre as folhas.
As estrelas acomodando-se uma a uma no céu fazendo referências a lua, que com toda a sua exuberância lá do alto parece nos seguir, nos observar.
Questão de horas e tudo vai se acalmando, silenciando...
A paz chega de mansinho para que tenhamos uma noite reflexiva sobre os acontecimentos do dia.
A calmaria da noite cede espaço para meditação a conduzir-nos num sono tranquilo.
Já é madrugada e o mistério da noite me acompanha, e, por um instante um raio de luar parece inteiramente meu a iluminar-me de sonhos e lembranças...
Faz frio lá fora e eu aqui a entender a melodia do vento.
Rendo-me ao embalo da canção e adormeço.
Evocação
À sombra da usina, teu jardim
Era mínimo, sem flores.
Plantas nasciam, renasciam
para não serem olhadas.
Meros projetos de existência,
desligavam-se de sol e água,
mesmo daquela secreção
que em teus olhos se represava.
Ninguém te viu quando, curvada,
removias o caracol
da via estreita das formigas,
nem sequer se ouviu teu chamado.
Pois chamaste (já era tarde)
e a voz da usina amorteceu
tua fuga para o sem-país
e o sem tempo. Mas te recordo
e te alcanço viva, menina,
a planejar tão cedo o jardim
onde estás, eu sei, clausurada,
sem que ninguém, ninguém te adivinhe.
A imparcialidade é uma
armadura pra poucos.
É sombra na vastidão
de um deserto.
É refresco para o coração
desidratado.
Não se esqueça,
quem com a espada fere,
com a espada será ferido.
Quem com as palavras divide,
com as palavras será dividido.
Roney Rodrigues em "Imparcialidade"
NA DELAS
Não quero ser sombra de ninguém.
Não quero prender ninguém...
Não quero ninguém que eu não queira,
não quero ninguém tirando minha liberdade!
Só quero na minha vida pessoas que precisam de mim...
''na delas''!..
..
Seja você, não a sombra de alguém.
Você pode, você consegue!
O que te impede se chama MEDO E INSEGURANÇA!
Mas, são rebatidas facilmente por CORAGEM E DETERMINAÇÃO!
Então tente.
algo se move pela sombra,
no vale bela tarde,
muita cachoeiras florescem na alma,
disperso pelo descampando,
a luz reflete esperança,
nos olhares esquecidos da terra,
ermo caos do precipício,
a chuva transmite gotas de sonhos,
no qual despõem os trovões
que acalento deslumbra o coração,
o caminho se perde na escuridão,
abrupto sentido o olhar vazio...
enobreci as falhas nas rochas das montanhas,
até que luar aterrador se virtua...
nas maiores aparições reaviva a ternura...
neste compasso que a solidão
dos meus pensamentos se torne palavras.
A PERDA DE UMA CHANCE (ou “A Sombra das 13 Horas)
Como todos os dias sentava
No mesmo lugar, na mesma praça
A via sempre do outro lado
Queria saber o que pensava
Onde ia, o motivo de estar ali
Mas não...
Todos os dias, lá estava eu
Sabe-se lá por que
Mas imagino que por ela
Passava, olhava, esperava
Então saía, e eu ficava
Mas não...
Um pensamento doce
Um sabor amargo
Uma dor sem sentido
Esperava todos os dias
Naquela praça
Mas não...
Se escondiam nos olhos
Um segredo sem fim
Bem cedo estar só
Conseguirei saber?
Seria melhor?
Mas não...
Então aconteceu
O medo nasceu
Nunca mais vi
Aqueles olhos
Pra onde foram?
Pra onde foi?
Que angústia imperdoável
Seria tão bom
Se eu tivesse coragem.
Mas não...
O sol bate forte em meu peito,
Minha própria sombra me guia,
Caminhos que devo seguir,
Não sei para onde,
Nem aonde chegarei,
Caminhos de flores, ventos ,
brisa e
Você???
Cabelos ao vento,
Rosto suado,
Corpo molhado,
Será fantasia?
Não... Toco em você,
Sinto sua presença,
Seu calor, suas mãos...
Será ilusão ou Realidade???
"São fantasmas que perseguem sua sombra,
São lembranças que entorpecem os seus sentidos
São erros tão presentes que desfalecem a realidade
E se tornaram uma rotina, tão errada que originou
O que nos tornamos.
Andando pelo bosque avistei uma sombra sem dono
O amor passeava livremente por ali
Algumas pessoas tocavam harpas
Outras dançavam ao som da melodia
Fui ver quem essa sombra seguia
E me achei.
Estive no mundo dos mortos e perdi minha paz , hoje sou uma sombra do acaso que vaga sem direção e perdido no tempo me encontro sem vida , frio e vazio .
Só restaram as lembranças de uma verdade que se escondeu , deixando uma saudade de tudo aquilo que era bom .
Hoje me vejo velho e cansado , perdido numa trajetória de vida incerta , não restou ninguém , nada daquilo era verdade . Triste estou e me disperso com uma grande tristeza , deixo aqui meu sentimento de humilhação e aonde quer que eu esteja jamais esquecerei desses momentos .
Diário de um amigo a beira da morte.
J.R.M 21/04/15
Não sou seu castelo,mas sim o seu refugio.
Não sou o seu Sol,mas te acolho em minha sombra.
Não sou seu destino,mas o caminho que o conduz.
Não sou a obra prima ,mas sou a inspiração.
Não sou a certeza,mas tiro sua dúvida.
Não sou a sua vida,mas sou seu coração.(A.J)
Cerrado
À sombra do pequizeiro
Delirei a vida a sonhar
No uivo do guará faceiro
Chora o meu recordar
Nos galhos tortuosos
Brotam as saudades
De cheiros maravilhosos
De infância, alacridades
Tem gosto de gabiroba
Aridez do sol a rachar
Vigor doce de mangaba
Buritis a nos sombrear
Constrói o João de barro
Nostalgias em todo lugar
O vaga-lume tão bizarro
Ilumina o meu poetar
O horizonte é sem fim
Onde põe a lua a repousar
Lobeiras talham o jardim
Das savanas a enfeitar
A arapuá em sua cabaça
Ornam o beiral do passado
Ipês em flor pura graça
Desenham o meu cerrado...
Rio, 22/03/2011,
17’07”
LUA NOVA
Lua nova
onde estás
que não te vejo
não me apareces
nem por um lampejo
na sombra da terra
escondes sem cortejo
fase triste
fase escura
fase em riste
fase agrura
as estrelas lá no alto
brilham por compaixão
na estrada o viajante
se perde na escuridão
os pirilampos aqui embaixo
em plena extinção
fico tristonha
fico amargurada
noite enfadonha
noite apagada...
mel - ((*_*))
Melania Ludwig
8 de março de 2012 ·
Hoje é o nosso dia
ELA:
Sombra que alivia o sol escaldante
Refúgio para o cansado viajante
Colo aconchegante do recém nascido
Alívio da dor de um soldado ferido
Suspiro de um poeta apaixonado
Arqueira do guerreeiro cansado
Rio de águas calmas ou turbulentas
Mar que grandes ondas sustenta
Céu que acolhe toda esperaça
Luz que clareia longas andanças
Amor que fecunda a humanidadee
Elo entre Deus e a fertilidade...
mel - ((*_*))
Poema sem acabamento (ou inacabado)
Cada noite que me deito sem dormir
Cada sombra no escuro do passado
Os fantasmas do passado a me bulir
Me agitam o corpo quente e calado.
Turbilhões de memórias, de problemas
Problemas do passado do presente
Me agitam o corpo quieto e quente...
futuro do passado, me condenas?
Me resta o pesar das pálpebras do dia
À noite, o pesar do corpo absorto
...
Estou cansada. Da agonia,
Do desgosto. (?)
:O
Ventos na sombra
Ventos na sombra empurram a luz,
suaves segredos que teu corpo seduz.
Momentos, instantes de puro prazer,
vontade, desejo de apenas te ter.
Dançam os corpos na Noite vazia,
silêncios despidos que a alma temia.
Passos certeiros de meu corpo se elevam,
entregues a ti quando minhas mãos te levam.
Gritos contidos e...nvoltos em magia,
almas perdidas que a Noite vigia.
Formas diversas se agitam no ar,
ondas imensas se levantam no mar.
No instante mais longo do tempo,
minha vida te entrego num simples lamento.
Abraças o corpo que em ti se abandona,
mulher, menina ou simples amazona.
in Reflexos d'Alma
Um dia qualquer à sombra do cajueiro..
Vivia o mesmo sonho misturado a despertares onde a tristeza, angústia e solidão se faziam companheiras, afastando-o mais e mais de um dia distante onde conhecia o seu lugar e sua gente.
Onde estavam seu canto, suas coisas, seu quarto, sua cama, a cômoda onde ficavam alguns porta-retratos?
Essa vaga lembrança o deixava confuso.
Porque seu olhar se fixava no chão quando, vez ou outra, alguém passava?
Quanto tempo mais daquela rotina, como se vivesse horas e horas, dias e dias, numa insossa repetição de nadas, sem sentido, aturdido em seu permanente estado de confusão e melancolia?
Alguns instantâneos faziam-no acordar inquieto e perdido, num outro lugar, ambiente simples, de conversas, da varanda, da sombra do cajueiro onde pessoas animadas conversavam e riam tanto, quanto tempo?
- O senhor não comeu nada hoje, vai ficar doente, pode ser que hoje alguém venha vê-lo...
- Precisa parecer melhor, vamos fazer a barba, cortar esses cabelos, trocar esse pijama, tomar um banho, cheirar melhor, o que vão pensar...
- O senhor não está me ouvindo...
- Não tenho mais tempo...
A água fria, por instantes, o desperta desse torpor, sente às costas a parede úmida onde se escora.
- Quem é você?
- Maria, já me esqueceu de novo...
- Onde estou?
- Na sua casa nova...
- Carla?
- Tá vendo, sua filha não pode vir, mas telefona sempre para saber do senhor...
- Chama a Nê...
- Sua esposa foi fazer uma viagem pra bem longe, vai demorar...
- Tome seu remédio, mais tarde volto com seu chá....
- Que dia é hoje?
- Tá mais esquecido, é sábado, dia de visita, por isso tem que ficar bonito...
- Carla..., Nê..., que dia é hoje...
Apenas um dia qualquer na vida de alguém esquecido que se lembra de uma vida distante e que ainda quer seu canto, sua gente, sua memória, seus amores...
