Poemas Sombrios
“Vi flores nascerem em pedras
quando não mais descia a rua,
levitando na sombra das nuvens,
muito tempo após
rodopiar entre borboletas.
Outra vez me vejo atenta…
sinto cheiro de terra molhada,
ouço a melodia da chuva
quando de encontro
ao parapeito e à janela.
Medito… no transparente voal,
fronteira insegura dos sentidos,
que frágil, balançando na brisa,
revela ao meu olhar o horizonte…”
Galhos
Frutos
Planta de folhas de amor
Tua sombra é ternura imperecível
Um universo de cor
Onde a brisa faz volta
De carinho
E beija meu beija-flor.
(Do livro "100 Folhas de Amor")
Uma sombra na estrada,
Quando no transporte do seu gado,
Era sempre ponto de parada,
Para os peões baterem seus papos.
Enquanto se descansava,
Encostado no barranco,
Tranquilamente a boiada,
Pastava no verde campo.
Após seu tempo descansado,
Refrescado do sol escaldante,
O peão ajunta o gado,
Ao doce som do berrante.
Entre laços, peias e corridas,
Nessa lida e profissão,
Assim é que leva a vida,
O boiadeiro, com Deus, no sertão.
Com chuvas ou beijando a poeira,
Matando a sede no cantil,
Nas estradas de terras ou pantaneiras,
És tu peão boiadeiro, orgulho do meu Brasil.
CANTIGA DO DELÍRIO
Entre a inquietude e a calma
Sombra de minha alma
Sinônimo do meu gostar
Luz que invade meu olhar
Forma a tua imagem
Faz palpitar o meu coração
Enche meu peito de coragem
Faço votos em oração
Orgulho do meu prazer
Confidente de teus segredos
Cativo do teu lazer
Brinquedo do teu desejos
Firme insensatez viril
Forja teu palco in glória
Atriz na minha história
Impávida memoria fútil
Minha sobriedade me consome.
Dissolve toda sombra de dúvida,
Que como nuvem de chuva me encobre.
A firmeza da fé se faz como vento,
Impetuoso o momento,
Soprando todo mau para fora.
Nem minha sombra me segue tanto
Igual esses merdas brotando do escuro
Criticando o que faço, analisando minha vida
Querendo dar opinião do meu futuro
A pressão por uma vida perfeita
Desencadeia o término da sua juventude
Mesmo vivendo super bem, conquistando seu espaço
Querem continuar opinando sua atitude
Ser um molde social ou um completo boçal
Já é uma realidade
Se torne um robô dessa indústria
Destinado ao fracasso
Por aceitar viver essa mediocridade
Mas dá tempo de parar
Esboçar em um momento um vestígio de esperança
Indo contra a maré com a ousadia de um espartano e a simplicidade de uma criança
Pode até ser tachado de louco
Ou um fardo da sociedade
No final você verá que em meio a tanto caos mudará metalidades
Pois o que somos no universo
Além de atitudes e história
Mude o mundo ao menos um pouco agora
Antes que a morte comemore
Terminando com um legado
Intitulado de doido ou talvez herói
É melhor que morrer na rotina dessa vida que aos poucos te corrói
Talvez o mal do século não seja a Aids nem tão pouco o câncer
Mas a pressão pela perfeição a própria depressão. Tudo tudo a seu alcance
Mas quem sou eu pra dizer o certo, errado ou talvez o que fazer?
Apenas mais um escritor inspirado
Indagado pela pergunta... Será que irão entender?
Na simplicidade da tua essência,
encanta os olhos com tuas cores,
descanso o corpo em tua sombra,
refresco minha alma na tua paz.
Toda linda
Toda linda.
Desejo de ti? Tornar-me a sombra preferida.
E; com a mesma intensidade?
Desejar o amor, espalhando-se em folhas.
Em volta de uma grande flor.
Por tanto tempo escondida.
E permitir-me,
expressar-me enquanto noite.
Mas, nunca desejei assustar.
Apenas abraçar meu cravo.
Que cravado em meu coração.
Realizaria todas as noites.
A dança da Vida.
A dança do Amor.
Aonde me realizei para encontrar.
Marcos fereS
“ Você aqui… dentro de mim"
Mar…
Sombra…
Sol…
Luz...
Você!
Os mais belos dias.
Os mais belos prazeres.
Nada tanto pelo mar…
… ou pela sombra.
Nada tanto pelo sol…
… ou pela luz.
Mais sim Amor!
Por você aqui.
Nesta areia…
... em meus braços.
Nestes instantes belos…
… é simplesmente mágico.
Por você Amor!
Por você aqui…
… completamente dentro de mim.
Admilson.
29/04/2018
SOMBRA
Sombra que alberga os mortos
Que sozinhos se encontram
Nas páginas escritas do velho livro
Nos sonhos que enfeitam os vivos
Pedras geladas de tantos tormentos
Delirios do mar por se encontrar em terra
Nos cravos perfumados de rosas
A minha alma é um cadáver
Onde pesa-me a dor que sinto no peito
Na lama onde me deito nu
Com as saudades de quem quer estar vivo
Pedras, lama, barro, sombra perfumada
Num belo sonho dos mortos
Sombra perdida deste mundo
Porque dos vivos nada sei nem quero saber.
Para vencer o oponente, primeiro devemos vencer a nós mesmos.
Pois o oponente só é mais uma sombra do nosso combate.
E o combate só é mais uma sombra do nosso treinamento.
No seu “Eu”, se deu conta que é tudo, é nada, é fogo, é água, é luz e sombra…
E como rio que deságua no mar, no encontro do dia com a noite...
Ela não se deixa levar-se pelos obstáculos; apenas continua, embora mude o ritmo, ou a maneira, ou mesmo a direção.
Continua... Se reencontrando.
Sei que vou voltar
Onde talvez a sombra
Da palmeira ainda exista
Sei que ainda irei encontrar
O amor perdido
Eu vou voltar
Sei que vou
Onde me levas essa estrada
Num campo de flor
Sei que ainda vou
Esbarrar no seu abraço
Como foi um dia
Ainda vou voltar
Onde deixei meu pranto
Levar o canto
Vou onde queiras
O meu sopro
De solidão acabar
Um motivo apenas
Me levar
Onde sei que vou voltar
A SOMBRA DUM PEQUIZEIRO
Fugi da sequidão
do mormaço, do calor grosseiro
busquei, na beira do ricão
a sombra de um pequizeiro
O fumo no céu embaçado
ar poeirado, era paragem
e na imensidão do cerrado
o horizonte, uma miragem...
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Setembro, 2017
Cerrado goiano
À MINHA SOMBRA
Você estava cansada
em minha sombra te abriguei.
Quando você teve fome
te dei meus frutos.
E quando veio o frio
te aconcheguei em meu tronco,
e como você estava triste
te germinei com a minha semente
para te transformares em flor.
PLATÔNICO
Triste sina
Amor silencioso
Presença de sombra
Ausência de senso
Olhar sutil
Carinho abstrato
Fantasia inútil
Vida perdida.
Que a Noite seja a estrada por onde eu caminhe;
Que a Noite seja a sombra que me ampara;
Que a Noite eu seja como as feras noturnas;
Que a Noite eu siga aroma do sangue;
Que a Noite eu destrua o que atrapalhar no meu caminho;
Que a Noite eu viva eternamente.
À sombra dos cinamomos,
com suas delicadas e perfumadas flores,
abrigavamo-nos do calor escaldante.
Um perfume exótico tomava conta do campo
e fomos envolvidos pela impressão de que
mais nada seria preciso para que aquele dia fosse inesquecível.
A brisa sacudia de leve as árvores
e dela se desprendiam pétalas
que salpicavam o chão de branco e lilás.
Mamãe estendia a toalha xadrez
e servia sanduíches de patê de salame
e as suas famosas cucas alemãs
acompanhadas por "gengibirras"
que faziam a nossa alegria.
Ali permanecíamos até o anoitecer
a jogar conversa fora
e nós, crianças, encantadas com as histórias
repetidas de geração em geração.
Ou ainda, pelas intermináveis cantorias
de onde não escapavam o "Luar do Sertão",
e outras jóias do cancioneiro popular do sul,
que papai adorava cantar.
Quando a noite chegava, junto com o coaxar dos sapos,
ajuntávamos tudo e voltávamos rumo à casa grande,
iluminados pela lua e sem olhar para trás,
com medo dos boitatás que pareciam nos seguir...
Cika Parolin
Transito por está noite
Com a solidão e minha sombra que me assombra
Sigo adiante preso a mim mesmo
Com resto de liberdade que sobrou
Procurando encontrar uma saída
Que me deixe enxergar o mundo de outra forma
Sem precisar de ninguém para sorrir
Buscando minha felicidade interna
