Poemas Melancólicos

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ODE AO OUTONO

Como quem quisesse cantar um segredo
Pulastes e Voastes em sossego
Do alto de um galho
Saudades de Brumário

O vento que nina as árvores
E que carrega rios
É o mesmo que varre o chao.
Colore de amarelo a estrada da solidao

O Lírio que decora velório,
Tu é o mais fiel expectador
da expectativa da dor
da vida do que foi e
dos que tentarao
em vao ser saos.

O que tu és se nao um torpor de verao?
O que tu és ingrata agonia?
Se nao a curva que a estrada rasga o chao?

És a sintonia da ironia
A insonia devida
de vida
da Vida.

Inserida por PedroAquino

Apelo

Ó minha amada
me perdoa
pelo o vão
que deixei ao te
deixar.
nem dá para imaginar
o quão doloroso foi
este temporal atemporal.
Ó minha amada
me perdoa
as cicatrizes que te deixei
os beijos que não lhe dei
os abraços que neguei
o amor que relutei
em não lhe dar. perdoa-me.
milhões de vezes, perdoa-me.
perdoa-me meu amor
todas as vezes que corri de ti
centenas de vezes que te neguei
mas quem iria saber que o destino
enfim queria nos unir, hoje, [simplesmente hoje
o hoje que passa e não hesita em
desferir tapas em nossa face
arruinada meus Deus do céu
pelo o tempo atroz e infeliz
que passa porque passa.

Inserida por autorlucas

⁠Navio Negreiro

Lá vem o navio negreiro
Lá vem ele sobre o mar
Lá vem o navio negreiro
Vamos minha gente olhar...

Lá vem o navio negreiro
Por água brasiliana
Lá vem o navio negreiro
Trazendo carga humana...

Lá vem o navio negreiro
Cheio de melancolia
Lá vem o navio negreiro
Cheinho de poesia...

Lá vem o navio negreiro
Com carga de resistência
Lá vem o navio negreiro
Cheinho de inteligência…

Inserida por pensador

...O FIM

Há pedaços da minha vida no asfalto
Carnes dilaceradas
Fragmentos de pele
Mostras de tendões e nervos.
Tudo lá
Exposto
Um belo circo de horrores...
Fora atropelada pela nostalgia
Pelo reprisar dos dias
Pela agonia da mesmice
Pela ausência de amor
...Ou quem sabe,
pelo excesso dele.
Jogado ao relento.
Indigno
Reles indigente...
Sim, há pedaços de mim no asfalto!
Há curiosos que transitam por ali
Há nos rostos de alguns, traços de pesar
Em outros, repulsa
Indiferença...
( E qual é a diferença?)
Já não fora sempre assim?
Por isso jaz ali...
Os destroços de mim
Dos meus sonhos
Das minhas esperanças
Dos meus planos para ser...
Esposa
Amiga
Mãe
Amante...
Ser...
Feliz!
Mas não há nada
Não pode mais existir
À não ser os pedaços da minha vida
no asfalto.
... E uma chuva fina desce sobre ela
Alguém toma uma cerveja no bar da esquina.
Um brinde
à vida que eu poderia ter tido.

Inserida por elisasallesflor

SONETO DA AUSÊNCIA

O cerrado já não mais é meu confidente
o pôr do sol não mais ouve o meu plangor
os cascalhos do segredo fazem amargor
e a saudade já não mais está condizente

Não mais estou melancólico no rancor
nem tão pouco sou aquele imprudente
e ao vento nada mais contei contente
deixo o tempo no tempo ao seu dispor

Até da recordação eu tenho medo, dor
o entardecer tornou-se inconcludente
e o olhar se perdeu nas ondas de calor

O poetar fez da madrugada noite ingente
carente nas buscas do tão sonhado amor

e hoje o meu eu no cerrado está ausente

© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
06/06/2016
Cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

Escorre no cerrado

Arrastam-se as manhãs
nos sulcados do cerrado
como verdadeiros titãs

Horizonte empoeirado
deitado no árido divã
lânguido e ressecado

Escorrem pelo ramalho
melancolia
.
.
negalho
.
.
dia
.
.
cascalho
.
.
poesia.
.
.

© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

deixando cair palavras...

no silêncio do entardecer
todo o cair da tarde se transforma
o céu se veste em tons de melancolia
e faz a alma sonhar d'espavento
voando ao sabor da magia
e ao sabor do tempo.
ao fim da tarde
tudo vale a pena
se não virar amor
vira poema...

-- josecerejeirafontes

Inserida por JoseCerejeira

Eu vivo
Por que?
Não sei
Tanta discórdia existente
Tendo um porém sobretudo.
Não há
Apenas não há nada mais sublime
Tornar seu legado digno
Sua história um filme
A trajetória merecida
Apesar de tudo
Lembranças presentes de sua vida
A salvação
O amparo
Ser o calor no dia mais frio
Custar a ser o ato mais raro.
Sendo esse o valor
O apreço
A inspiração
Até para um novo começo.

Inserida por Apolyti

Enfeitei minha alma de margaridas...
E descobri o meu próprio jardim...
De meus sonhos...
Construí minha realidade...
Descobri que o horizonte não tem fim...

Sou aquele que chora de melancolia...
Que não aguenta se segurar por dentro...
Que descobriu em fração de horas...
Que viver é só um momento...

Sou presença de amor profundo...
Revirando caminho que traço...
Olhar arisco em olho terno...
Destino bordado no tempo...

Criança de alma pura...
Que a Deus conta em murmúrios...
Suas felicidades ...
Suas amarguras...

Sou simples assim...
Tais quais as margaridas do meu jardim...

Sandro Paschoal Nogueira

EM TARDE CHUVOSA (soneto)

Março. Em frente ao cerrado. Chove demais
Sobre meu sentimento calado, aborrecimento
Gotejado do fado.... Rodopiando nos temporais
Enxurrando desconforto, angústia e sofrimento

Verão. E meu coração sentado na beira do cais
Da solidão. Do mar agitado e cheio de lamento
Por que, ó dor, no meu peito assim empurrais
Essa tempestade e tão lotada de detrimento?

A água canta, lá fora, e cá dentro o olho chora
Implora. Para essa tempestade então ir embora
Que chegaste com o arrebol e na tarde ainda cai

E eu olha pela janela deserta, e vejo o céu triste
E, ao vir do vento, a melancolia na alma insiste
Sem que das nuvens carregadas a ventura apeai

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
04/03/2020 - Cerrado goiano
Olavobilaquiando

Inserida por LucianoSpagnol

Lúgubres Rogos Febris
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⁠No doce sal de teus rubros lábios acalento meus entorpecidos e pálidos devaneios d'amor; frio n'alma a se esvair, sussurro n'aurora do suspir'último, tímidos rogos - delírios de lúgubre febril paixão.

Inserida por nyllmergello

⁠Então, pela fresta da janela desgastada e quebrada, emoldurando a parede descascada, mofada e danificada...

A LUZ insistia em entrar e penetrar por dentro da habitação...

Tão grande e tão vazia, tão cheia de mofo, poeira e sonhos desfeitos.

Atravancada com assoalhos soltos, pisados, arranhados e manchados...
nas festas de outrora, as pessoas lá dentro...
no chão de madeira que no passado reluzia como sintecada, de madeira nobre e bases sólidas para a casa.

A Luz Solar, celestial e cósmica mostrava que a Luz Divina sempre irradia e expande por cada fresta e buraco;
trazendo frescor e renovação...
Acalorando o espaço frio e desabitado, restaurando sonhos e fé.
Não havia nada, nem ninguém... apenas o vácuo dos sons de outrora nos passos da dança que riscaram o chão um dia, com saltos, pulos, mobílias e passos diversos...

Não havia nada e nem haveria... A chave da entrada foi perdida...

Mas a Luz penetrava e entrava por dentro e seu brilho resplandecia o chão...
e o espaço. sempre lá... para sempre.
nada mais importa apenas a luz.

11/08/2013
Leticia Gil Siqueira Santos

Inserida por LeticiaGil

Poderia gravar em muros. Tom vermelho sangue. Usando somente as unhas das mãos, escreveria o quanto a solidão me faz companhia. Riscando e riscando até o sangue ser tinta. A dor como matéria prima. Esse seria meu tributo original. Tudo estaria em lingua antiga. Iniciaria em latin e terminaria em yorubá. Pontos e vírgulas estariam dispensados. Quando a carne nas extrimidades dos dedos
já não existissem. Quando o próprio osso fizesse ranger, alternaria com a outra mão. Verdadeiro manifesto de amantes. Daquele dia em diante, aqueles que por alipassarem não conseguirão evitar tamanha contemplação, ajoelharao. A parede fria seria beijada como se beijassem as feridas de jesus ainda cruas. Bem ali, seria constituído ponto de oferenda para os diferentes deuses. Sacro muro. Pagãos seriam bem vindos. Ratos encontrariam verdadeiros banquetes. Baratas dançariam em sincronia com outros insetos. Mariposas teriam refúgio à sombra do muro. Nada poderia ser profanado. O pé que ali pisar, untado em azeite deverá estar. A boca que ali abrir, em vinagre terá sido inundada.

Tudo terminaria assim:

para ela,
solidão
minha algoz e fiel companheira

Inserida por celso_aires

Devaneios
Este amoroso tormento que no meu coração está;
Eu sei que sinto, mas não descubro a causa pela qual o sinto;

E então...

... sinto uma grande agonia, por sentir um devaneio;
... que começa com pequenos desejos e termina em muita melancolia...

Inserida por lisslobo

O que seria a grande massa se não uma imensa concentração de ingênuos?
Se rotulam diferentes como inúteis já é de se imaginar a mentalidade presente em tais pessoas.
Tanto criticaram a hierarquia medieval mas continuam a exercer a mesma prática

Inserida por Apolyti

Constantemente presenciando tanta desgraça
Eles apenas dizem"vai lá e faça"
Como se eu fosse um animal
Que vocês escolhem pela raça.

Inserida por Apolyti

Tantos erros cometidos
Quantos corações partidos
Acabaram transformando
Orgulhosos em arrependidos.

Inserida por Apolyti

Tudo é questão de perspectiva
A morte é resultante da vida;
As mais vazias palavras
Podem se tornar poesias.

Inserida por Apolyti

Apenas mais um dia
O que virá? Penúria? Alegria?
Seja o que for espero que eu não sofra
Nessa cama de pregos fico preso a noite toda
Sangrando amargamente
Demonstrando que sou insuficiente
Caindo em um poço sem fundo eminente.

Inserida por Apolyti

Olhando de minha janela vejo pessoas
Todas padronizadas caminhando igualmente
Seres controlados seguindo seus dogmas
Priorizando sempre suas próprias normas
Escondendo suas asas pois são parasitas
Que sempre vivem famintas
Se alimentando de diferenças
Se apropriando de crenças;
Por que tudo isso?
Será que esse foi o resultado da "evolução" ?
De toda maneira ainda vejo o horizonte
Um horizonte de decepção
Um mar sem vida
O remédio que não cura nenhuma ferida.

Inserida por Apolyti