Poemas Melancólicos

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SONETO DA AUSÊNCIA

O cerrado já não mais é meu confidente
o pôr do sol não mais ouve o meu plangor
os cascalhos do segredo fazem amargor
e a saudade já não mais está condizente

Não mais estou melancólico no rancor
nem tão pouco sou aquele imprudente
e ao vento nada mais contei contente
deixo o tempo no tempo ao seu dispor

Até da recordação eu tenho medo, dor
o entardecer tornou-se inconcludente
e o olhar se perdeu nas ondas de calor

O poetar fez da madrugada noite ingente
carente nas buscas do tão sonhado amor

e hoje o meu eu no cerrado está ausente

© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
06/06/2016
Cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

Escorre no cerrado

Arrastam-se as manhãs
nos sulcados do cerrado
como verdadeiros titãs

Horizonte empoeirado
deitado no árido divã
lânguido e ressecado

Escorrem pelo ramalho
melancolia
.
.
negalho
.
.
dia
.
.
cascalho
.
.
poesia.
.
.

© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

deixando cair palavras...

no silêncio do entardecer
todo o cair da tarde se transforma
o céu se veste em tons de melancolia
e faz a alma sonhar d'espavento
voando ao sabor da magia
e ao sabor do tempo.
ao fim da tarde
tudo vale a pena
se não virar amor
vira poema...

-- josecerejeirafontes

Inserida por JoseCerejeira

Eu vivo
Por que?
Não sei
Tanta discórdia existente
Tendo um porém sobretudo.
Não há
Apenas não há nada mais sublime
Tornar seu legado digno
Sua história um filme
A trajetória merecida
Apesar de tudo
Lembranças presentes de sua vida
A salvação
O amparo
Ser o calor no dia mais frio
Custar a ser o ato mais raro.
Sendo esse o valor
O apreço
A inspiração
Até para um novo começo.

Inserida por Apolyti

EM TARDE CHUVOSA (soneto)

Março. Em frente ao cerrado. Chove demais
Sobre meu sentimento calado, aborrecimento
Gotejado do fado.... Rodopiando nos temporais
Enxurrando desconforto, angústia e sofrimento

Verão. E meu coração sentado na beira do cais
Da solidão. Do mar agitado e cheio de lamento
Por que, ó dor, no meu peito assim empurrais
Essa tempestade e tão lotada de detrimento?

A água canta, lá fora, e cá dentro o olho chora
Implora. Para essa tempestade então ir embora
Que chegaste com o arrebol e na tarde ainda cai

E eu olha pela janela deserta, e vejo o céu triste
E, ao vir do vento, a melancolia na alma insiste
Sem que das nuvens carregadas a ventura apeai

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
04/03/2020 - Cerrado goiano
Olavobilaquiando

Inserida por LucianoSpagnol

Lúgubres Rogos Febris
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⁠No doce sal de teus rubros lábios acalento meus entorpecidos e pálidos devaneios d'amor; frio n'alma a se esvair, sussurro n'aurora do suspir'último, tímidos rogos - delírios de lúgubre febril paixão.

Inserida por nyllmergello

⁠Então, pela fresta da janela desgastada e quebrada, emoldurando a parede descascada, mofada e danificada...

A LUZ insistia em entrar e penetrar por dentro da habitação...

Tão grande e tão vazia, tão cheia de mofo, poeira e sonhos desfeitos.

Atravancada com assoalhos soltos, pisados, arranhados e manchados...
nas festas de outrora, as pessoas lá dentro...
no chão de madeira que no passado reluzia como sintecada, de madeira nobre e bases sólidas para a casa.

A Luz Solar, celestial e cósmica mostrava que a Luz Divina sempre irradia e expande por cada fresta e buraco;
trazendo frescor e renovação...
Acalorando o espaço frio e desabitado, restaurando sonhos e fé.
Não havia nada, nem ninguém... apenas o vácuo dos sons de outrora nos passos da dança que riscaram o chão um dia, com saltos, pulos, mobílias e passos diversos...

Não havia nada e nem haveria... A chave da entrada foi perdida...

Mas a Luz penetrava e entrava por dentro e seu brilho resplandecia o chão...
e o espaço. sempre lá... para sempre.
nada mais importa apenas a luz.

11/08/2013
Leticia Gil Siqueira Santos

Inserida por LeticiaGil

Poderia gravar em muros. Tom vermelho sangue. Usando somente as unhas das mãos, escreveria o quanto a solidão me faz companhia. Riscando e riscando até o sangue ser tinta. A dor como matéria prima. Esse seria meu tributo original. Tudo estaria em lingua antiga. Iniciaria em latin e terminaria em yorubá. Pontos e vírgulas estariam dispensados. Quando a carne nas extrimidades dos dedos
já não existissem. Quando o próprio osso fizesse ranger, alternaria com a outra mão. Verdadeiro manifesto de amantes. Daquele dia em diante, aqueles que por alipassarem não conseguirão evitar tamanha contemplação, ajoelharao. A parede fria seria beijada como se beijassem as feridas de jesus ainda cruas. Bem ali, seria constituído ponto de oferenda para os diferentes deuses. Sacro muro. Pagãos seriam bem vindos. Ratos encontrariam verdadeiros banquetes. Baratas dançariam em sincronia com outros insetos. Mariposas teriam refúgio à sombra do muro. Nada poderia ser profanado. O pé que ali pisar, untado em azeite deverá estar. A boca que ali abrir, em vinagre terá sido inundada.

Tudo terminaria assim:

para ela,
solidão
minha algoz e fiel companheira

Inserida por celso_aires

Devaneios
Este amoroso tormento que no meu coração está;
Eu sei que sinto, mas não descubro a causa pela qual o sinto;

E então...

... sinto uma grande agonia, por sentir um devaneio;
... que começa com pequenos desejos e termina em muita melancolia...

Inserida por lisslobo

O que seria a grande massa se não uma imensa concentração de ingênuos?
Se rotulam diferentes como inúteis já é de se imaginar a mentalidade presente em tais pessoas.
Tanto criticaram a hierarquia medieval mas continuam a exercer a mesma prática

Inserida por Apolyti

Constantemente presenciando tanta desgraça
Eles apenas dizem"vai lá e faça"
Como se eu fosse um animal
Que vocês escolhem pela raça.

Inserida por Apolyti

Tantos erros cometidos
Quantos corações partidos
Acabaram transformando
Orgulhosos em arrependidos.

Inserida por Apolyti

Tudo é questão de perspectiva
A morte é resultante da vida;
As mais vazias palavras
Podem se tornar poesias.

Inserida por Apolyti

Apenas mais um dia
O que virá? Penúria? Alegria?
Seja o que for espero que eu não sofra
Nessa cama de pregos fico preso a noite toda
Sangrando amargamente
Demonstrando que sou insuficiente
Caindo em um poço sem fundo eminente.

Inserida por Apolyti

Olhando de minha janela vejo pessoas
Todas padronizadas caminhando igualmente
Seres controlados seguindo seus dogmas
Priorizando sempre suas próprias normas
Escondendo suas asas pois são parasitas
Que sempre vivem famintas
Se alimentando de diferenças
Se apropriando de crenças;
Por que tudo isso?
Será que esse foi o resultado da "evolução" ?
De toda maneira ainda vejo o horizonte
Um horizonte de decepção
Um mar sem vida
O remédio que não cura nenhuma ferida.

Inserida por Apolyti

Tudo tão repetitivo
Tudo tão nocivo
Furando minha pele para ver se ainda vivo
Buscando no mapa como saio desse labirinto.
Quando digo: um dia superarei tudo
É uma falsa esperança?
Um desejo incompreendido de uma criança?
Fica difícil raciocinar
Quando no seu peito há uma lança.

Inserida por Apolyti

Profano Tempo:

Há um inimigo meu
Um ser que nunca se cansa
Eu incompleto e ele pelo contrário, se esbanja
Você nunca serás meu amigo
Para mim um eterno conflito
De você eu nunca serei conivente
Prefiro morrer de amargura à ser seu assistente;
Pergunto-me as vezes
Por que és tão insistente?
Se de mim já arrancaste tudo
Tirou minha vida e me deixou em luto;
De você tenho o ódio mais profano
Quero que se acabe o mais breve possível
Pena que és eterno, um eterno inimigo.
Para mim já não resta nada
Você me deixou na chuva sem morada
Levou meus amigos e meus momentos
E ainda deixou as lembranças a meu tormento;
Passa devagar mas leva tudo consigo
Arranca meu coração e me fura com vidro
Não sei se darás ouvido
Mas de você guardo muito rancor
Congelou-me e nunca ofereceu calor;
Nunca vencerei você mas eu sempre tento
Para meu maior inimigo
O tempo.

Inserida por Apolyti

O que seria o amor se não um erro estático?
Me nego a crer que algo "infinito" precise de proximidade para chegar a seu ápice, algo como imãs que só se encontram juntos.
Amar ou ser amado não está no sangue humano, nascemos pra morrer em prol de nossas loucuras, sem nada de divino.

Inserida por Apolyti

Em meio a uma vastidão
Se encostra alguém em profunda solidão
Que aparece somente as noites
E presencia tantas mortes;
A lua é triste
Ela queria ser uma estrela
E de todas ser a mais bela
É este seu sonho a todo momento
Ser mais do que mais uma passagem do tempo.

Inserida por Apolyti

Imprevisivelmente transparente
Um livro parcialmente aberto
Com páginas fora de ordem
Algumas palavras sem significado
E muitos rabiscos sem tradução
É difícil me explicar
Ainda mais me entender
São muitas as antíteses e paradoxos
Que compõem a metáfora do meu eu

Inserida por gabrielbatistte