Poemas de Janela
Nos Detalhes
Da janela espero o amanhecer
O dia em seu clarear
Em pensamento o filme da vida
Na paisagem a reflexão
Dias felizes serão em detalhes
Antes do beijo aquele olhar
Um abraço forte na despedida
Um obrigado na mão estendida
Na brincadeira de uma criança
Um sonho para dar esperança
Nos ensinamentos de uma mãe
Antes de pai tem que ser filho
Passa rápido e o sol chegou
Mais um dia, tenho que ver
Para ensinar, tem que aprender
Lute para que não falhe
Porque a vida
Se encontra nos detalhes
Janela Parte I
Na sacada a visão emociona,
O amor me abandona,
E o medo me abraça.
O sufoco me mata,
E o desespero me enlaça,
Com tal força que me impressiona.
A decisão torna-se tão incómoda.
Meu desejo é o socego.
É como o belo sobejo,
Que a morte me traz.
Perde-se então a paz,
Pois não acalma o que a alma faz
Para me tornar um pouco cego.
Minhas mãos tocam o ar que não pego.
Pássaro na Janela
E o tempo cuida, o tempo domina e mantém, você rega e o tempo passa, ela toma sol e não toma tempo,o tempo a seca em meio à seca, mas, o tempo toma o tempo que ela não és minha.
O Banco e a Janela
A fragmentação e a efemeridade
Sonho como um espaço de descanso
Atônito diante dos caminhos
Inaptidão para a vida
Quando quis tirar a máscara e respirar um suspiro
Estava pegada e pregada à cara
Quando a tirei e me vi ao espelho
No âmbito de meu lar
Já tinha envelhecido.
Metamorfismo de Impacto
Janela do meu quarto, quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é e,se soubessem quem é, o que saberiam?
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente, para uma rua inacessível a todos os pensamentos.
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres, com a morte a pôr umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens, com o destino a conduzir a carroça de tudo, pela estrada de nada.
Passa-se um asteroide, fico pensando: brilhante e cria vida, mas muda a rota e me acerta pelo menos uma vez na vida.
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama, mas acordamos e ele é opaco, levantamo-nos e ele é alheio,saímos de casa e ele é a terra inteira,mais o sistema solar, Via Láctea e o Indefinido.
Quartzo, martelo e Janela
Uma contradição
Metade verdade
Metade ficção
Dias passando
Com sua
Regularidade
Monótona
E só
Esperando
Quando muito
O Sol
Brilhar
Uma pedra
A janela do tempo chamou
a atenção da vida...
que aos poucos estava indo.
À beira do riacho, pensativa,
queria dizer qualquer coisa,
contar
que a menina que havia,
e que corria depois pelos caminhos,
sorrindo, quando as flores azuis
pequeninas colhia...
e as amava,
elas lhe causava estranha alegria,
porém a menina, não estava mais.
A descoberta aconteceu
no descer as escadas da casa,
no topo da serra, por onde
destemida atravessava o riacho,
envolvia-se com o barulho
das fontes, incessante feito
os pensamentos que ferviam.
De fundo, o verde.
Inconfundível, chamando,
cantava o sabiá-laranjeira...
ela escutava,
entre outros cantos.
De volta à realidade,
sentia a brisa
refrescante, sob o sol brando.
Pés de caminho livre, pedras variadas
de cores, algumas delas
escorregadias por força do limo.
Um sonho fugindo,
sequer aparecia.
O encanto era só da natureza,
e não da sua alma,
por dentro morriam as fantasias.
Precisava voltar para um lugar
que já não era refúgio,
enfrentaria o evidente agora!
Sem lágrimas ou desgostos,
sem desejos de nada mais percorrer...
De nada mais precisava e,
sem pedras nas mãos, delas
apenas uma, e precisava,
para pôr no lugar do coração,
aos poucos estava à morrer.
Nessa quarentena
decoro o meu olhar
na paisagem outoniça dessa minha janela
onde o luxuriante verde da Serra da Tiririca
enaltece a poesia feraz do meu ser.
Novidades do velho mundo
Abro a janela, enxergo o que passou
No horizonte, prédios cortam a visão
Um poderoso calor ofusca o inverno
Aquecimento global não é invenção
Se o amor é para sempre, tudo bem
Nada terminou sem motivo aparente
Ainda encontrarei uma alma comum
Para ter esconderijo além da mente
As placas direcionam ao precipício
À direita ou à esquerda há sangue
Jovens intolerantes são engajados
Não comovem disparos de tanque
Se nada for para sempre, tudo bem
Estamos adaptados à efemeridade
Amigos cabem nos bolsos da calça
Fácil descartar quando der vontade
Fui condenado à chatice moderna
Cumprirei a pena enquanto puder
Que novidades animam o mundo
Se são velhas diante do que vier?
Quando ela entrou no rock bar
Quando ela entrou no rock bar
Eu estava olhando pela janela
Meia-noite e quinze de sábado
Acreditei numa vida mais bela
Todas as ações espalhafatosas
Ao menos refletiam a verdade
Cabeça no lugar não foi o forte
Mas confie: não faltou vontade
É fácil perceber interesse real
Ainda tenho alma e me dedico
Nada espero ganhar em troca
De afeições puras não abdico
Não importa o que pensarão
Jogados num mundo carente
Homens e mulheres imóveis
Gente sem coração de gente
Sim, eu faria tudo outra vez
Devoto das causas perdidas
Um cara estranho a olho nu
Entre as chegadas e partidas
Quando ela entrou no rock bar
Eu estava saltando de alegria
Sem tempo para ver o relógio
Apaixonado por uma melodia.
Dois olhos, uma árvore
Eu e a natureza
Abro a janela e é o que vejo, o verde
Mas a verdade é que nem tudo são flores (ou folhas)
Há situações que são espinhos, como a moça de verde na calçada
De verdade, meus olhos nunca foram tão facilmente convencidos a olhar
Olhar uma estrela caminhar sobre o chão
Mas estrela, o que te trazes aqui?
Eu mesmo respondo, visivelmente vejo seus motivos
Era uma tática, mais uma tentativa astral de me tirar o foco do que realmente importa
Meu pé de laranja lima, com suas lindas folhas cor de natureza, naturalmente verdadeiro.
O simples
Na pequena casa de madeira as velas acesas iluminam a escuridão,
a janela aberta permite o cheiro do mato entrar,
os cavalos descansam, os cachorros estão com seus olhares hipnotizados pela beleza da lua e das estrelas,
o sereno aqui e a cerração acolá são as companhias de cada gole dado na boa cachaça,
o silêncio da noite calma as vezes é interrompido pelo rastejo no mato,
sentado na cadeira de balanço observo a paisagem sem celular, sem televisão, sem carro e me emociono ao perceber o quanto è bom poder desfrutar da simplicidade.
Saudosa escrita
Através da janela aberta ventos saudosos chegaram,
Escrita em linhas tortas, versos sujam o papel,
Do celular, fotografias foram mergulhadas em sentimentos,
Na mesa, o café frio, a peça intima perfumada, rabiscos lacrimejantes,
Ventos fecham as janelas, muralhas crescem além da conta,
Amargos, são os detalhes da história recente,
Doces, são as migalhas das lembranças sem prosa,
As linhas, levam a uma estrada deserta abaladas pela saudade.
Espelho
Da janela;
Do retrovisor;
Do celular;
Do ônibus;
Do banheiro;
Dos meus olhos;
Do meu coração;
Do lugar aonde eu estiver sempre haverá um espelho refletindo você!
O sol da manhã.
A luz dourada escorre pela janela, aquecendo a ponta do meu nariz e abrindo um sorriso em meu rosto. O mundo parece um pouco mais alegre.
A brisa suave acaricia meu cabelo e me faz dançar. O canto dos pássaros me faz querer voar. A xícara de café quente me deixa aconchegante, mas o gosto amargo me faz lembrar da vida. Meu coração bate em ritmo de alegria.
O tempo parece se estender, a pressa se dissipa, a mente se acalma, e a paz se instala em mim. Sinto uma leveza tomar conta de mim, a alma se abre para um novo dia, o mundo se torna um palco de encantamento, e a vida se revela em sua beleza.
Mera imensidão
A Lua iluminada,
Vejo da minha janela,
Bonita e aclamada,
Penso na beleza dela.
Vejo uma constelação,
Eu estou admirada.
Por que há tanta beleza,
Numa estrelinha de nada?
As Marias andam juntas,
Gosto de observá-las,
Pois a culpa é das estrelas,
E ninguém pode julgá-las.
Eu queria ser a Lua,
Satélite deslumbrante.
Eu queria ser as estrelas
Para brilhar na escuridão.
Mas o triste é saber
Que eu não seria um ser pensante
E a coisa mais frustante:
Eu não teria um coração!
Falando de amor
Hoje ao acordar logo cedinho, abri a janela e observei que tudo estava mais belo.
O céu era mais azul, o verde mais vibrante, a sinfonia dos pássaros era muito mais harmônica.
Num piscar de olho, materializei a imagem do homem pelo qual me encantei.
Minha boca foi até as orelhas,meu coração bateu descompassado, logo o imaginei.
Então, emiti ligações espirituais , senti emanar de meu ser uma força incontrolável.
De repente o telefone tocou,a minha felicidade se completou ao ouvir a sua linda voz sussurrando em meu ouvido.
Você é a minha alegria, ao teu lado me sinto feliz me sinto mulher.
Homem especial ,és a minha concreta fantasia , a cada instante lembro de teus beijos, de tuas mãos deslizando em meu corpo, dos nossos devaneios de prazer.
Posso afirmar , és a vida da minha vida, és o amor do meu amor , és amigo, és o meu amante.
Quero te confessar , em minhas preces rogava ao Senhor Deus, a benção de poder te reencontrar.
Sinto, entre nós há uma forte ligação espiritual,temos muitas coisas em comum .
Gostamos de músicas, da expressarmos através da comunicação verbal e de andar de bicicleta.
Abraçamos as causas sociais e temos Deus como nosso amigo e protetor.
Agradeço a sabedoria do tempo e ao céu por nos permitirem, vivenciar o amor.
Homem especial , me faz levitar, teus carinhos me surpreendem me encantam e me possuem.
Ao fazer amor contigo, sinto emanar de mim uma energia cósmica, que se espalha pelo ar.
Abençoado seja o nosso amor,que chegou sem avisar, veio cheio de essência para nos completar.
Me sinto uma mulher com alma de menina, que por isso estou a te amar.
Zélia Lima 21 de maio 2012
Segunda- feira
Da roça, na roça.
De manhã acordo.
A janela passada a taramela.
O sol preguiçoso.
A esbirra na figueira.
Café na tigela.
Bolo de fubá.
Broa quentinha, mamãe felizinha.
Cama de campanha rangendo como uma velha.
Hei pecado ser da roça.
Pecarei sempre por essa terra.
Mansidão, tranquilidade pito na boca.
O canário a tintirilar.
A brisa sopra as folhas secas correm.
A gente acorda cedo para ver o sol raiar.
Pássaros, borboletas e beija-flores.
Uma diversidade de multicores.
Cantares diferenciados, mas uma só harmonia.
Vivo aqui, sou daqui e aqui viverei.
Quero arrancar as grades da minha janela,
Tocar as flores! sentir a brisa singela,
Dormir com a porta aberta
nas noites de verão!
Quero a honestidade meu irmão!
Ainda que seja rara
Quero a vergonha na cara,
Mas pra dizer a verdade,
Quero a solidariedade
Quero a esperanca,
a alegria e confiança!
Onde exista amor a fraternidade.
Minha Janela
Lanços fulgurantes da minha história
Retalhos da minha infância
Guardado na memória
Quando ainda criança
Vividos com alegria
Pequeno uma doçura
Brincadeira e fantasia
Colo de mãe muita ternura
Adolescência fragilidade
Incertezas, procura e vaidade
No mundo de tanta gente
Primordial controlar a mente
O amadurecimento necessário
Colo n’outro lado do morro
Pouca roupa no armário
Sem alguém pra pedir socorro
Sementes novas lançadas regando todo dia
Renascendo a alegria
Um quadro pintado em aquarela
Suplício fechar a janela.
