Poemas Bonitos

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⁠O Beijo: Portal Entre o Corpo e a Alma

O beijo, para mim, é mais do que um toque de lábios. É um portal entre duas dimensões, a passagem que conduz ao outro, a chave que abre o corpo e a alma.

Ele é a senha de todos os gatilhos, acende chamas, desperta desejos. Mas, mais do que isso, é conexão. É o arrepio que denuncia a entrega, a profundidade que dissolve barreiras, a fusão que antecede o infinito.

Por isso, não dá para tocar qualquer boca sem desejar se aprofundar por inteiro. Um beijo sem alma é um gesto vazio, um desencontro. Mas quando há entrega, ele se torna passagem, arrepio, fusão. Ele dá profundidade ao instante e transforma o desejo em algo maior.

Um beijo nunca é só um beijo. É a porta de entrada para tudo que pode ser.

Tem trechos em que a vida amolece a gente, tanto, que até referver de mau desejo, no meio da quebradeira serve como benefício.

IMENSO CÉU SEU



Com ou sem turbulência
O azul daqui de cima
É o imã que prende minha alma
E seus olhares
Brados, pungência...

Algodão celestial
Sobre a imensidão salgada – nu paladar
Doce, no olhar
Traz o que é bom
Ceifa o que é mau
O bem suplanta o sal.

Aroma comestível
Frágil semblante natural
Naturalmente, água e sal
Que do céu ganha um presente
Um azul quase que onipotente
Que traz um sentido - ou vários - real e
Ambivalente
Dualidade do horizonte
Ou horizontes
Retidão do universo sem fim
O azul, o Branco
O mar que morre em mim.

Luciano Calazans. Céu Brasileiro, 02/09/2017

Inserida por Maestroazul

DICÍPULO

Não anelo o alvorecer do cerrado, belo
Quero a inspiração do horizonte divino
Talhando verso, ferino, donzelo e singelo
Que outro, não eu! O faz tão cristalino

Invejo o magarefe, na lida de seu cutelo
Com ele, harmoniza a carne em traço fino
Benino, na retidão e um esmero paralelo
Que reputa, tal o ouvido ao som do violino

Mais que bardo, um eminente extraordinário
Enfeita, desenha, ressona num campanário
A poesia, em alto relevo, em divinal destaque

Por isso, escolto, imito-o, com meu pincel
Meus rabiscos, sobre o branco dum papel
Cingindo honraria, ao maior - Olavo Bilac!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
17/12/2019 - Cerrado goiano
Olavobilaquiando

Inserida por LucianoSpagnol

⁠⁠16.dez, dia de Bilac!

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac, ~16 de dezembro de 1865 - 28 de dezembro de 1918~.
hoje, é dia de ouvir estrelas. e foi vigiando as estrelas, depois seguindo-as, que os três Reis Magos foram ao encontro do menino Deus.

o Natal está próximo!
faça um exercício e, nos próximos nove dias, eleja e acompanhe uma 'estrela'. se você tem fé, se você acredita, Ele virá! e, a estrela que você elegeu, será o seu sinal.

Inserida por LuzeAzevedo

Vamos tentar contar as estrelas que Bilac ouvia,
com este soneto, procuro prestar uma homenagem
ao nosso Príncipe dos Poetas.
Osculos e amplexos,
Marcial

OUVIR ESTRELAS
Olavo Bilac

"Ora direis ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!! E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora! "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las:
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".

*************

ESTRELAS AO LUAR
Marcial Salaverry

Em noites enluaradas,
até o brilho das estrelas é maior,
inspirando almas apaixonadas,
para viver o amor melhor...

Não amar, seria o pior,
e com as carícias desejadas,
uma lição que sabemos de cór,
é bom amar em noites estreladas...

Além de amar, vamos estrelas contar,
parafraseando Bilac que as ouvia,
melhor para a paixão controlar...

Contá-las, para melhor o amor viver...
Ao lado da pessoa que amamos,
Contá-las para melhor as saber...

Marcial Salaverry

Inserida por Marcial1Salaverry

Ah! Que saudades de um certo soneto
O qual ontem deixou-me posto em lágrimas
O soneto que com suas últimas rimas
Fez-me querer ter sido mais inquieto

“Por timidez, oque sofrer não pude”
Gasto de toda minha coragem agora
Se não quero que meu amor vá-se embora
Devo fazê-lo ficar, amiúde.

Não desperdiçarei minha juventude
Não sentirei remorso em minha velhice
Mártir do sofrimento e solitude

Mesmo que não o beije por tolice
Mesmo que eu não sofra se tu me iludes
Não vou sofrer pelo que nunca disse.

Inserida por Layyy

O Reflexo de Quem Sou

Sou Jorgeane Borges, uma mulher que vê o mundo através da poesia da fotografia e da profundidade das palavras. Não apenas escrevo, mas sinto; não apenas fotografo, mas enxergo além do instante. Meu trabalho é um reflexo de quem sou: uma contadora de histórias, uma guardiã de memórias, alguém que busca capturar a essência do tempo para que ele nunca se perca.

Minha jornada com a fotografia e a escrita não começou por acaso, mas como uma necessidade. Embora a fotografia tenha sido uma paixão que sempre esteve presente, foi em 2019 que ela se transformou em parte do meu caminho artístico. A escrita, por sua vez, começou na adolescência, quando eu escrevia rascunhos, textos e poesias, mas acabou ficando adormecida por um tempo. Escrever e fotografar são formas de dar voz ao que transborda dentro de mim e ao que vejo além do visível. Cada fotografia que capto e cada texto que escrevo são fragmentos do que sou, ecos de momentos que insistem em permanecer.

Meu olhar se volta para as raízes, para as histórias que moldam o lugar de onde venho. Busco registrar meu povo, minha cultura, a essência da minha terra – porque acredito que há beleza e força naquilo que nos conecta ao passado e nos impulsiona ao futuro. Quero que minhas fotografias e palavras não apenas contem histórias, mas façam sentir, reviver, reconhecer-se nelas.

Entre todas as buscas, talvez a maior delas seja a conexão. Acredito que o verdadeiro encontro acontece quando nos permitimos ser vistos e compreendidos em nossa essência. Não me contento com a superficialidade; prefiro a profundidade dos olhares, das entregas, das trocas genuínas.

Seja bem-vindo ao meu universo, onde cada palavra e cada fotografia são convites para sentir e enxergar além. Aqui, o tempo se torna memória, e a arte, um elo entre almas que se reconhecem.

O que eu quero da vida ?
_ Todo o amor que cabe dentro do seu abraço!
Lanna Borges-

Se Viver é um rasgar-se e remendar-se, como descreveu lindamente Guimarães Rosa, penso que, pra se rasgar é imperativo ser flexível. Pedra não se rasga.
O que se rasga é seda, frágil, sem gesso, nem armadura. Sem orgulho. Se rasga, se expõe, se reconstrói. Atravez de infindáveis acertos e consertos. E nesse seu remendo, com agulha fina, e muitas lágrimas, escreve letra por letra as viagens de exploração da própria alma, sem julgar. Nunca intransigente, nunca dona da verdade, nunca cristalizada. Toda fluidez. Toda trama fina. Com Aberturas para a luz. Cicatrizes. Aquela rebeldia louca e inquisidora. Que desafia e desfia. Desfia tudo em mil fios, pra fazer do seu jeito, único. Anda por aí, nua e leve, vestida com seu olhar, vestida com suas histórias. E essa rebeldia, de nascença, encara tudo e escancara. Aponta o dedo, sim, mas só pra si. Escava a terra fertil de suas entranhas mais sagradas, e examina grão por grão. E joga pra cima. E se ri. De sua poeira. De seu nada. E se lança com as estrelas, se espalha. Se brilha.
Adriana L S C Adam

ADULTOS EM EXCESSO: Guimarães Rosa, escrevendo sobre a infância: “Não gosto de falar da infância. É um tempo de coisas boas, mas sempre com pessoas grandes incomodando a gente, intervindo, estragando os prazeres.

(extraído do livro em PDF: Do universo á jabuticaba)

Inserida por portalraizes

JOÃO GUIMARÃES ROSA

Belas e perfumadas rosas
A nossa pátria abrigou,
E tantas outras ainda virão;
Mas, como as rosas de Minas...
Não serão.
Deus fora tão generoso com os mineiros...
Que lhes dera a melhor rosa;
Colhida do seu jardim, por Ele mesmo:
João Guimarães Rosa.
(24.08.17)

Inserida por NemilsonVdeMoraes

⁠Viver é ragar-se e remendar--se
Guimarães Rosa já afirmava
A vida é de transformações
Nunca vai ser mais o que estava
A gente sofre, supera, se reinventa
Sai do que machuca, da tormenta
E assim, vem o remendo, superação
Se reinventar, recriar é necessário
Letícia, fez dele o seu intinerário
E quis sua mudança, transformação!

Inserida por RicardoM80

O MATA-BORRÃO
O mata-borrão absorve tudo e no fim da vida acaba confundindo as coisas por que passou... O mata borrão parece gente!

Meu Quintana, os teus cantares
Não são, Quintana, cantares:
São, Quintana, quintanares.
Quinta-essência de cantares...
Insólitos, singulares...
Cantares? Não! Quintanares!

Manuel Bandeira

Nota: Trecho do poema "Meu Quintana"

Ah, esse tal de amor
Tão escrito por Neruda
E, também por Quintana…
Drummond e tantos outros
Eu mesmo sou um fiel seguidor
Acredito em sua existência
O amor só o é
Só é verdadeiro
quando os amantes
moram um no outro
Com desejo e paixão
Amor… é flor …
e beleza no coração
(23/03/2019)

Inserida por DiCello

Porque (Carlos Drummond de Andrade)

Amor meu, minhas penas, meu delírio,
Aonde quer que vás, irá contigo
Meu corpo, mais que um corpo, irá um'alma,
Sabendo embora ser perdido intento
O de cingir-te forte de tal modo
Que, desde então se misturando as partes,
Resultaria o mais perfeito andrógino
Nunca citado em lendas e cimélios
Amor meu, punhal meu, fera miragem
Consubstanciada em vulto feminino,
Por que não me libertas do teu jugo,
Por que não me convertes em rochedo,
Por que não me eliminas do sistema
Dos humanos prostrados, miseráveis,
Por que preferes doer-me como chaga
E fazer dessa chaga meu prazer

Eu sou forçada a contradizer Drummond.Só há uma fase boa de verdade na vida,a infância,em que a felicidade está numa caixa de bombons. A velhice porém só é considerada boa pelas lembranças das coisas que você fez na vida toda.

... e lembrar quantas caixas de bombons ganhou na vida.

Quinta-feira


Depois de ler o poema “Cortar o Tempo” do meu amigo Drummond, me veio uma reflexão, a gente se vê em um momento da vida onde parece que algo novo não vai acontecer, caímos em uma mar calmo de acontecimentos repetidos, então cada dia que vai se esvaindo é apenas mais uma figurinha repetida para o nosso álbum incompleto. Na verdade parece que deixamos tudo para trás, deixando de buscar, conquistar ou almejar algo novo. Um sonho de mudanças diárias que não acontece que na realidade mais machuca o nosso verdadeiro eu. Nesse momento nos damos conta que a vida se tornou apenas rotina, onde os dias não marcados com lembranças, muito menos por bons sentimentos. Notamos que esses dias se passam e é só mais um numero ou apenas uma quinta-feira.

"Passar pelas suas alegrias e angústias como quem passa por quem não lhe interessa."