Poema sobre Pobreza
Na avenida, faltavam pés para tantos sapatos! Bastou descer a viela, e faltavam sapatos para tantos pés!
Tanta gente morrendo e sofrendo, melhor eu fingir que estou bem para não parecer estar reclamando de prato cheio.
Ainda sonho com um mundo onde qualquer pessoa não precise mais temer expressar-se de forma diferente da maioria porque simplesmente não haverá mais minorias, mas tão somente igualdades. Onde as críticas não mais se voltem para o tema abordado na obra – que será apenas um dentre tantos possíveis – mas para o talento do autor ao criá-la. E onde este último não precise abrir mão desse talento por conta de pensamentos pequenos que não tiveram o mesmo privilégio com que o universo o presenteou para seguir em frente. A carruagem irá sempre preservar sua nobreza, independente dos cães que ladrem enquanto ela passa.
"Que não se desbravem as matas com a desculpa de abrir novos horizontes ...porque horizontes sem matas, tornam-se longínquos e deserticos"
Ao conter os gastos de forma inteligente nascerá uma nova mentalidade sobre o dinheiro, o que vem depois é a abundância financeira.
Se valorizar os centavos, saberá que não importa o tamanho dos gastos eles faram diferença no balanço final.
Se você resolve as emergências sem gerar novas dividas se considere alguém espetacular no trato do dinheiro.
As vezes o ônibus passa antes de você chegar no ponto só para você ter que correr e se sentir ainda mais pobre. Aí você entra e encontra um lugar pra sentar e se sente feliz; fica com aquela cara de pão doce até ver um idoso, levantar para dar o lugar, e ir em pé até Vargem Grande pra lembrar novamente quem você é.
*"Pior que a miséria econômica que mata o corpo é a miséria espiritual e intelectual que matam a Alma"*
Só existe uma diferença entre o rico e do pobre de espírito quando faz faz caridade, o rico, será sempre invisível.
Quando um ser humano faminto preservar a educação diante da comida, saberemos que o mundo foi vencido pelos fracos.
Se eu pudesse ser rico por poupar as palavras, certamente já teria falido.
Se eu pudesse ser pobre por investir no silêncio, certamente já teria ficado rico.
"Na época em que eu crescia, quando o Brasil ainda vivia numa Ditadura Militar, algumas amigas minhas se achavam ricas. Mas descobri, anos mais tarde, que naquela cidade em que nós morávamos só viviam pessoas tão ou muito mais pobres que elas. Aí, caiu a minha ficha, como se diz.
Infelizmente, nesse tempo era assim, pois quem tinha um aparelho de TV e uma linha telefônica se considerava rico, mesmo em meio a tanta pobreza... Na verdade, eram 'ricas' porque os pobres eram pobres demais."
Pode até haver algumas diferenças biológicas entre nós, mas eu ainda continuo pobre, e pior, sem cota "racial".
O problema do pobre que fica rico, é quando ele entra numa outra realidade, totalmente diferente daquela que ele vivia antes de se enriquecer; e se esquece completamente de como era viver na pobreza. A maioria se torna fútil e banal. E dificilmente sabe distinguir o que é importante daquilo que não tem importância, além dos limites do próprio mundinho supérfluo.
