Coleção pessoal de jose_nilton_de_faria
Senhores, eis o meu povo — silencioso, austero, marcado pelo tempo e pelo sofrimento. Diante de vós estão meus irmãos, guardiões de uma história sombria. Basta de ilusões: o que clamamos da terra e dos homens é dignidade, trabalho, pão, paz e liberdade.
O Senhor recolhe o nosso choro e o transforma em chuva mansa de bênçãos, florescendo a terra que parecia seca.
O amor de Deus nos encontra exatamente onde estamos, mesmo quando achamos que nos perdemos no caminho.
Entre as montanhas da Serra do Espinhaço, Brejaúba repousa em um vale onde o frio e a brisa se encontram ao aconchego da névoa.
No silêncio do campo, a brisa e o canto dos pássaros convidam à reflexão profunda, onde cada plantio e irrigação moldam a história que culminará em frutos maduros e na poesia da vida.
O amor é uma força transformadora, baseada em atitudes práticas, paciência e doação, longe de ser apenas um sentimento passageiro.
Brejaúba guarda no peito das suas montanhas a simplicidade de um tempo que não passa, apenas permanece.
Todo ato de criação carrega a alma de um poeta, aquele que lapida o cotidiano e o transforma em verso, o comum em arte. Criar nada mais é do que poetizar o mundo.
Casinha Branca de janelas azuis
José Nilton de Faria
Era uma casinha branca de janelas azuis e um alpendre em vermelhão...
E eu com os pés no chão,
Era feliz e não sabia.
O inverno em Brejaúba era rigoroso,
Com a temperatura mais baixa do Estado,
E o frio e a brisa encontravam o aconchego da névoa que cobria todo o largo da igreja
Que beleza.........
Do alto da torre da igreja,
Tinha-se uma vista panorâmica do distrito...
E da casinha branca de janelas azuis,
Jesus! Que beleza...
De manhã era hora de buscar o gado
Do Joãozinho do Aldo, e ganhar um pão sovado.
À tarde era hora da escola,
E logo após, a cachoeira e a bola.
À noite era hora de lavar o rosto e os pés,
Ouvir a conversa dos meus pais com os amigos,
Tomar o café com leite adoçado com açúcar e dormir feliz.
No sábado de manhã, era a hora de caminhar
Com a moçada e a meninada até a região da posse.
À tarde era hora de tomar o banho... E que banho!
E aos domingos de manhã, abrir a igreja, ou seja, tocar o sino pra anunciar a conferência de São Vicente de Paulo.
Quando no final havia leilões, e
Do alto da torre da igreja...
Tinha-se uma vista panorâmica do distrito,
E da casinha branca de janelas azuis,
Jesus!
