Poema de Pobre
Sou negro
Sou negro, sou raça
Sou forte, mas sinto dor
Sou negro, sou pobre
Sou rico de cor
Sou negro, sou escravo
Sou massa sem valor
Sou negro, sou terra
Sou calo nas mãos
Sou suor derramado
Nesse pedaço de chão
Sou negro, sou povo
Sou livre, sou feliz
Sou de uma raça que lutou...
Pela liberdade até o fim!
Sou negro, sou começo
Sou meio, sou fim.
Sou negro!
Suplica Cearense
Oh! Deus, perdoe este pobre coitado
Que de joelhos rezou um bocado
Pedindo pra chuva cair sem parar
Oh! Deus, será que o senhor se zangou
E só por isso o sol se arretirou
Fazendo cair toda chuva que há
Senhor, eu pedi para o sol se esconder um tiquinho
Pedir pra chover, mas chover de mansinho
Pra ver se nascia uma planta no chão
Oh! Deus, se eu não rezei direito o Senhor me perdoe,
Eu acho que a culpa foi
Desse pobre que nem sabe fazer oração
Oh! Deus, perdoe eu encher os meus olhos de água
E ter-lhe pedido cheinho de mágoa
Pro sol inclemente se arretirar
Desculpe eu pedir a toda hora pra chegar o inverno
Desculpe eu pedir para acabar com o inferno
Que sempre queimou o meu Ceará
Do encéfalo ao Miocárdio!
Ai de mim pobre coitado
Por dar te ouvidos outra vez
E compactuar com seu jeito tresloucado
Para depois encontrar em meu reflexo, esqualidez
És eloquente como um Arauto
Mas ofuscado, caminha na contra mão
Eu até entendo que mal não há em estar enganado
Mas persistir no no engano é contravenção!
Benquisto és, mas todavia
Há limite em meu bem querer
Ainda que por ti há tamanha primazia
resguardo em mim a excelência do bem viver
Por hora faço-lhe somente um pedido
Tão antes que me esvaia a lucidez
Devaneios é bom, faz sentido
Mas dê-me tempo para restabelecer-me de vez!
Em sua cama pobre garota sonhava..
Num mundo aonde amor platônico seria apenas em filme romântico..
Sentir saudades seria apenas em livros..
E amar de verdade um mito
Verso rico de rima pobre
Amar
É deixar
Partir
Pra não ferir
É querer prender
Mas decidir
A hora de parar
Pra libertar
É saber que prender
Sem ter
Nada pra oferecer
É o mesmo que matar
Amar
É deixar ir
Sem deixar de sonhar
Com o amanhecer
Do dia de reencontrar
Eu quero um Opala de luxo.
- Eu não, humildade sempre!
Humildade pra você é ser pobre? isso é idiotice! não confunda humildade com não querer progresso!
Tente ser melhor, mas nunca, nunca mesmo rebaixe alguém..
-Efemeridades
Estar entre meus próprios sentimentos.
Coitado do meu pobre coração.
Fonte genuína, minha fronte.
Expectativa: palavra desconcertante.
Caixa preta com meus sentimentos...
Uma porção de você.
Goteira irritante, impune.
Você escapou com meu faz de conta..
Predileção minha.
Nuvem de tempo que o vento leva...
Tempo que é inesgotável para quem sabe viver.
Meu plano era ficar na caixa.
Coração a procura de vida.
Coração que não é mais capaz de amar,
Triste sina... é um coração seco.
Setenta vezes sete.
Diz algo a você?
Pretensão de coisas puras e elevadas.
Sinceramente eu não sei o que dizer
Tudo é efêmero menos o amor.
Senhor.
Hoje quero agradecer-te.
Pelo pão nosso de cada dia e por ser pobre.
Ser pobre é ser como Tu!
Rezemos por todos aqueles que são ricos.
E por todos aqueles que vivem obcecados.
Pela mágoa de não serem ricos.
Pelos escravizados..
Pelo dinheiro....
Pelo bem-estar..
Eles não conhecem o bem!
Que se esconde nas coisas simples.
Das conquistas com sacrifício!
Dos sentimentos nobres.
Do amor puro.
Eles não conhecem a virtude da pobreza!
Por dentro sinto teu pranto,
ó pobre coração meu.
Coração, não sofras tanto
por alguém que te esqueceu!...
E como se a vida fosse um desenho feito a lápis
tentou consertar os erros com uma borracha.
Pobre menino, rasgou o papel.
Pobre Coração.
Porque me odeia?
O sangue corre nas minhas veias.
O submundo me liberta da escuridão.
Tudo não passou de uma ilusão;
Meu pobre coração.
Achei que não tinha esperança.
Momentos de aflição
Para que serve o amor;
Se não tem compaixão?
O odio me enfraquece.
Em lagrimas profundas;
de um amor que nos florescia
no calor profundo que nos consumia.
Que me parte o coração.
Cobiça
Antes de Etevaldo ter a ânsia de possuir aquele bem, ele, pobre, vivia muito feliz, obrigado!
E agora Campina que eu me dobre,
para pedir com meu verso pobre,
um pouco de clemência e de paixão.
Não destruas a minha mocidade,
matando meu ideal de liberdade,
e ceifando esta grande ilusão.
Sou candidato e é um grande sonho,
matá-lo é triste teto que medonho,
e um pesar mais triste e mais profundo,
Derrotado sairia em desatino,
criatura vagando sem destino,
uma alma perdida pelo mundo.
Dá-me Campina esta oportunidade,
de te servir com minha mocidade,
e de lutar com a minha rebeldia.
Eu te peço do amor sentindo açoite,
mais um pouco de luz para minha noite,
mais um pouco de sol para meu dia.
Quanto mais pobre eu for, mais livre serei.
Quanto mais rico eu for, mais conforto terei.
Não tem como dar errado.
'JANELA II' - [Fragmentos...]
Bebe-se uma tequila,
a fome é lembrar dela:
pobre vida!
Na madrugada ornamentando sequelas.
Recriando canções,
há de se sonhar com elas,
bravejando capelas,
sons oblíquos,
imensidão que não se vê.
A janela só tem sentido fechada...
'POBRE CRIANÇA'
O destino abraçara o pesar.
Filme à céu aberto,
estampando o prato bestial do meio dia.
Mãe à tiracolo,
sem colo para aquecer o frio matinal.
No ônibus milhares de fúteis paisagens.
Quatro da manhã e sete anos de pura espontaneidade,
sem tantas respostas,
o garoto fez-se homem de idade.
Não decorou ruas paralelas,
nem fadas.
O menino nascera do nada,
criança prodígio...
A vida era-lhe autêntica,
miragens.
Hoje microfilmes.
Turvos dias apenas!
O estômago embrulhara os ecos.
Risos soltos - projeções -,
sem foco,
reflexos.
Infância corroída nos aluviões,
perdido como pedras nos rios profundos.
Os dias não tinham porquês,
longe as expectativas,
tudo vinha meio sei lá pra quê...
Casa de palha.
Entulhos e panos ao redor de uma vida baldia.
Que chatice!
Hoje tem escola.
Mas a barriga ainda ronca.
Vazia de futuro
uma,
duas horas.
Sou mais meus carrinhos de latas!
Fico a Imaginar outros meninos,
fortes e fartos à vontade.
Fazendo trajetória,
futuro promissor...
Histórias sem leitores.
Quase nada mudou!
Apenas retrocesso,
do processo circular estagnando e definhando pessoas.
Sou da lama,
quem se importa?
Trilha sonora nas mãos,
faço lúdica às minhas memórias.
Atual leitor de um mundo melhor.
Ainda inventor,
correndo nas chuvas.
Íngreme em chamas,
utopizante em vitórias...
"Se um pobre pode sentir-se rico
Sabe ser mais rico que um rei que não sente nada"
Edson Ricardo Paiva.
