Coleção pessoal de ademiro_alves

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⁠“... Sonhos dos quais não se lembraria quando acordasse
porque eram perfeitos demais para o ser humano.”

Do livro Manteiga de Cacau – Escritor Sacolinha

⁠Direção

Desolado pelo o que acabara de ouvir
Entrou no carro e ligou o GPS.
O que ele disse?
Siga em frente!

⁠Estética

Ele malhava pra ela,
mas não surtia efeito.
Então passou a ler.
E descobriu que malhar a mente
é também um ato de beleza.

⁠Calor

Nossa, como você tá verão, hein!
É sol você mesmo.

⁠Gula e Luxúria

A gulodice é o meu maior pecado. Estou engordando assustadoramente.
Um dia... vou acabar me comendo.

⁠Inveja

A idade adulta me trouxe a dor de cotovelo.
As crianças são o meu alvo. Morro de inveja delas.

"Avareza"

Seu João, sexagenário, passou a vida toda trabalhando e juntando bens. Às vésperas de se aposentar sofreu um infarto. Morreu com as mãos fechadas e o coração vazio.

⁠Cobiça

Antes de Etevaldo ter a ânsia de possuir aquele bem, ele, pobre, vivia muito feliz, obrigado!

⁠Telhado de meninos

... Mas na cumplicidade
Do perfeito efeito
Estrela, céu, escuro, preto
O universo derrama lágrimas
Através das estrelas cadentes.

⁠Som, cheiro e cor

Palavra encantada
Palavra encanta
Palavra cantada
Palavra canta
Palavra.

"Saci"

Prefiro ser
Um perneta livre
Do que um escravo
Com duas pernas

⁠Cotas, feriado e assunto nas escolas ainda é pouco;
É melhor calcular e rever tudo de novo.

⁠Estado de exceção

Ontem escrevi sobre pipa e bolinha de gude,
Hoje, sobre uma democracia ameaçada
E amanhã? Será que terei mãos para escrever?

"Poeminha lúbrico"
Imagina que eu sou a manteiga,
E você é o pão quentinho,
Me passo em você,
E me derreto todinho.

⁠Poema de rodas

Algumas pessoas julgam
o poema e o cadeirante
dizendo que são limitados
Mas bem sabem os dois
como é vasto o mundo.

⁠O tempo

O tempo está mudando
O tempo está mundano
O tempo é mundo
O tempo está mudo

“O sol sempre foi sol. A gente é que anoitece”.

"Infância"
Quando eu era criança vivia correndo atrás das pipas.
Hoje, que sou grande, as pipas caem em meu quintal.

"Eu, mar!"
Felicidade é quando eu rio, e deságuo de alegria em mim.

⁠De origem jornalística

À Manuel Bandeira e seu
personagem “João Gostoso”.

Zé Negão, ajudante de pedreiro,
Andava na madrugada de sábado,
Na saída do baile pela polícia foi abordado,
Revistado
Interrogado
Surrado
Seu corpo foi encontrado
Pelas crianças
Que brincavam no terreno ao lado
Cheio de mato
Próximo à avenida do Estado,
num terreno abandonado.