Poema da Fome

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'TENHO FOME'

O café da manhã não compreende tua falta.
E o almoço,
mero esboço,
repulsa desagradável pelos olhos.
Mesa farta,
e tantos outros tormentos...

Olhar irreflexivo por entre a cozinha abarrotada,
limitada a devoções diárias,
exoráveis.
O estômago,
tritura os inacabáveis espectros ao anoitecer,
criando imagens repetidas...

Martírio zumbidos soando canções aprazíveis,
nuvens carregada pelos ventos.
Pássaros sem moradas,
novas melodias.
Sou sentimentos perdidos na sacada,
manhãs intermináveis...

Tenho fome do infinito,
do abraço colorindo a alma em descobertas.
Da voz suave que perfura uma vida nos seus mais imprescindíveis sentidos.
Fome de você,
transitiva,
aniquilando significados vãs...

Inserida por risomarsilva

'SINTO FOME'

A fome tem gosto queimadura,
e queima a alma.
Grunhido latente apregoando penúria.
A missa ainda reza aos órfãos,
pobres nas calçadas!
Olhares martírios,
e tantas outras melancolias...

Urubus Garbosos,
- mirando pasmos entre si -
pulverizando o divino pernil jogado.
Sublinhadas orações passadas,
alertando o sino amordaçado:
é hora de avocar!
Mendigar acenos...

A luz penumbra,
lembra indumentários,
- e uma cama quentinha! -
Escuridão, escuridão!
Porquê embrulhas o tempo indelével?
Tempos de fome,
sonhado nas portas das igrejas...

Fome na espinha!
A triste viúva e seus rosários,
sem revindas no caminhar matinal.
O contemporâneo-bicho-papão,
e suas rezas não vindas.
Excêntrico que assusta,
fome de arrimos...

Inserida por risomarsilva

'JANELA II' - [Fragmentos...]

Bebe-se uma tequila,
a fome é lembrar dela:
pobre vida!
Na madrugada ornamentando sequelas.
Recriando canções,
há de se sonhar com elas,
bravejando capelas,
sons oblíquos,
imensidão que não se vê.
A janela só tem sentido fechada...

Inserida por risomarsilva

Minha fome
É uma arte
Que faz parte
da minha natureza humana
Minha fome
Me consome
Mas
Mesmo estando um trapo
Eu sempre retiro
O fiapo que tem na banana
Mas eu sei
Que tem gente que come
Há momentos
Em que a fome
é de conhecimento
Mas tem coisas
Que depois que a gente sabe
a gente pensa
Que era melhor não ter sabido
Tem hora
Que é fome de afeto
A palavra correta
Falada no ouvido
Fome de descanso
Fome de viver
Num mundo mais manso
Fome de abraço
Assim que passar
O cansaço
Tem dias
Quase todo dia
Que sinto fome de poesia
daquelas que consomem
Com toda tristeza
E me nutrem de beleza
Depois disso tudo
Me sento à mesa
repleto de fome
Não dá pra fugir
À minha mais primária natureza
de homem

Inserida por edsonricardopaiva

O vento, a fome o medo
a pouca sorte
e a visita periódica
da morte
Não me importa
O importante
é corrigir a vida torta
As notícias que nos chegam de manhã
dizem que o Mundo amanheceu pior
Pior seria se não tivesse amanhecido
eu não veria
a flor pintada em teu vestido
Já não posso mais correr como eu corria
mas ainda passo caminhar no fim do dia
Perdoe minha falta de atitude
Eu não sabia
das vicissitudes da vida
eu não sou nada
Sem você por esta estrada

Inserida por edsonricardopaiva

Os Homens do lixo e os da Fome
Por: amauri valim

De fome ou de sede são todos vítimas da ignorância e dos
poderes dos soberbos; povoam os pátios, tanto quanto os
próprios lixos. Assim como os ratos as moscas por poder
de sobrevivência.
Os lixos que saciam a sede e a fome desses seres vêm
dos grandes pátios dos poderes políticos, dos anciões soberbos
vestidos de homens. Para os homens de poder de influência “lixo é lixo”,
restam aos homens de ignorância cultivada os lixos como alimentos.
A voracidade da fome dos homens não distingue o paladar nem o torna
rejeitável esse lixo como alimento; pois suas necessidades são superadas
e saciadas. Por Deus! O que se pode esperar do bicho homem?
O homem prostra-se diante dos altares da salvação por fome e sede,
mas, o que o homem pode esperar de Deus? São os homens as vítimas
dos víeis das etnias, dos poderes das políticas e dos anciões.
Salvem-se deles! Se puderem.
Mesmo sendo os lixos, alimentam estômagos e cérebros,
o estupefazem na fé e na esperança por um novo lixo no próximo dia.

Inserida por amaurivalim

⁠NOITES INVERNAIS
.
Vejo sobras de comida na mesa
De quem não conhece a fome
E espaços vazios na despensa
De quem há tempos não come
Vejo também cobertores
Largados criando bolores
Sem uso nas noites invernais
Enquanto pessoas nas ruas
Apagam a luz da Lua
E se cobrem com jornais.
.
Para um lado da balança subir
O outro precisa descer
Para a primavera florir
O inverno precisa ceder
E para alguém ter milhões
É necessário que multidões
Vivam em total miséria
Então talvez o ideal
Para haver justiça social
Seja um País de classe média.
.
Não alimento a ilusão
De ter um País só de ricos
Porque sempre haverá distinção
Entre todos os indivíduos
Mas o que espero ver
É uma sociedade em que
Todos tenham acesso irrestrito
A tudo que alguém precisa
Para considerar a vida
Uma dádiva e não um castigo.

Inserida por EDUARDOPBARRETO

⁠PRATOS LIMPOS
Ao prato que come
Que sejas tempero
Difícil ter fome
Quem cuida o celeiro
Para o paroleiro
Só resta impropério
Sutil obsceno
Destila veneno
Só pode ser próspero
Um homem austero.

Inserida por alfredo_bochi_brum

⁠DESEJO

O desejo é insaciável, mata sua fome quando consegue realizar-se.
Sucessivamente, alterna-se entre o prazer da conquista e a busca desenfreada por aquilo que ainda não conquistou.

Inserida por AdmilsonNascSantana

⁠A fome vai além da produção e do desperdício de alimentos. É uma questão de consciência ambiental, da desigualdade social, improbidades administrativas e de educação financeira.

151122

Inserida por J6NEMG

⁠Tenho um hábito preocupante
Quando estou preocupada
Estressada
Ou focada em algo
A fome não vem
Não lembro de comer
Somente sinto sede
Sede de terminar algo que comecei
Sede de beber a minha majestosa
Água

Inserida por yonnemoreno

DE VIVER

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Não de fome ou doença; desprezo; abandono;
solidão nem desgosto; acidente; homicídio;
nem de raiva, paúra ou envenenamento;
por um mal de momento, arrastada saudade...
Pode ser por idade, mas feito quem pousa;
feito quem fecha os olhos ao abrir as asas
ou brotar pra dizer que chegou e já vai,
como a pétala cai; bem feliz; pois foi flor...
Ninguém morra de amor, num campo de batalha,
pelas horas sangradas no trabalho escravo
e por falha da lei, uma bala perdida...
Não de causas que nunca serão descobertas,
de feridas abertas, overdose ou porre;
só há honra em quem morre de vida vivida...

Inserida por demetriosena

FOME & FOME

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Comerei sem parar,
porque comer
(para ser sincero),
é aquela metáfora
da poesia
sobre o que mais quero...

Inserida por demetriosena

FOME

Demétrio Sena, Magé – RJ.

Se quero comer carne,
só serve carne.
Nada mais me sacia
ou me acalma...
Nem o prato mais bonito;
a panela mais cheirosa...
repleta em alma.

Inserida por demetriosena

AQUELE QUERER

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Tenho fome das fomes que já tive,
minha sede de antes me dá sede,
pois a rede repousa o corpo inerte,
mas me cansa o sossego indefinido...
Sinto falta de abismos e vertigens,
muita falta das faltas que não sinto,
minto a esmo verdades inventadas
sobre como alcancei a minha paz...
Quero aquele querer sem tino e prumo,
retomar incertezas do passado
para mais uma vez não ter futuro...
Meu escuro e meus saltos desmedidos,
minhas cismas e o velho desconforto;
este porto seguro é fim de linha...

Inserida por demetriosena

⁠ESCRAVO DE NÃO SER ESCRAVO

Demétrio Sena - Magé

Já tive a fome como a minha escolha,
quando meu cardápio era ter fome ou ser livre.
Quando ter comida e ter também liberdade
não caberiam na bolha do meu mundo...
Na verdade, optei por comer poesia,
por ter as artes como sobremesa,
se a mesa não podia ser variada;
era isto ou aquilo, na barriga ou n'alma...
Hoje como ensopado de cultura,
já tendo alimentado bem o corpo...
não cato mais tanajura pra ter "carne"...
poesia é meu emprego, as artes complemento.
Meu alimento é graças à teimosia
de querer me manter de ambas as formas.
Compro meu vestuário, embora modesto,
com o que "não dá camisa pra ninguém";
não disse amém à receita desumana
de suor e de sangue para ter comida;
da lida insana que os exploradores ditam.
Fui um bravo sem nome; sem escudo;
devo tudo a ter escolhido a fome,
quando a fome queria me tornar escravo.
... ... ...

#respeiteautorias É lei

Inserida por demetriosena

Eu tenho fome de justiça social
Eu tenho fome de afeto


Tenho fome de amor
Tenho fome de prazer


Fome de alegria
Fome de cores


Odores
Sabores…


Tenho fome
Sinto sede.


WJAC / MD

Inserida por mara_dutra_1

⁠O Mundo da Hipocrisia 🤔💭

Falam sobre a fome no mundo, promovem campanhas pedindo centavos para ajudar crianças e adultos vulneráveis, mas ao mesmo tempo, gastam-se bilhões em guerras. 💰💣

Alertam sobre o aquecimento global, mas há décadas deixaram de incentivar a separação do lixo doméstico e continuam permitindo que 90% dos produtos consumidos usem plástico. Sem falar na simples medida de banir sacolinhas plásticas, que até hoje é ignorada. 🌿🚯

Países que se dizem líderes na luta contra as mudanças climáticas pouco fazem na prática para mudar o cenário. 🌍🔥

E o que dizer das imagens "fortes" que supostamente devem ser evitadas? Basta ligar a TV e somos bombardeados, 24 horas por dia, com notícias de morte, assaltos e violência. 📺🔫

E assim segue o mundo… cheio de discursos, mas vazio de ações. Hipocrisia? Talvez. Contradição? Com certeza. 🤷‍♂️

Inserida por william_cury

Ser mineiro é comer quieto o fim das palavras. Mineiro que é mineiro tem fome de sílaba e deve ser por isso que guarda dentro do peito poemas inteiros. Entre tantas letras embaralhadas, o vagão das ideias se perde e a coisa vira trem, ou o trem vira coisa.

É, o trem tá feio.

Ser mineiro é escutar no silêncio uma prosa bonita e musicar em sotaque frases curtas. O mineiro não fala, ele canta com um sorriso tímido no canto da boca.

Nem todo mineiro é tímido, mas todo mineiro carrega o charme da timidez. Das bochechas coradas, do sorriso amarelo que ganha novas cores num piscar de olhos abertos, bem abertos.

Mineiro parece não gostar de elogio, mas gosta, pode apostar. Sempre retruca, mas cá dentro tá todo feliz.

"São seus olhos", ele diz.

Mineiro se esconde em suas montanhas, mas desmorona em abraço apertado. Chora água doce e se derrama em cachoeira.

Ser mineiro é fazer da cozinha a melhor parte da casa. Receber os amigos com mesa farta. Mineiro tem mesmo fome, seja de letra ou de amor.

O mineiro não se apaixona “pelas” pessoas, e, sim, “com” as pessoas. Ser mineiro é sentir as coisas sem dar nome. É se confundir entre dois ou três beijinhos quando conhece alguém.
São três pra casar.

Ser mineiro é passar a noite inteira em um ônibus e ainda não sair de Minas. As montanhas parecem continentes, mas fazem tudo parecer "pertim".

É logo ali.

Nunca confie em um “ali” de mineiro.

De resto, pode confiar. Seja nas reticências que ele não diz ou nos versos dos seus poemas inteiros.

Ser mineiro é saber que as melhores coisas da vida não são coisas.

Inserida por uaibruna

⁠E agora José?
O ano acabou
A Luz apagou
Pandemia ficou
O ano lacrou na fome, na dor

E agora José?
a vacina atrasou
Pandemia gripou,
matou, desolou

E agora José?
Patriotismo esfriou
Ninguém protestou
Conformismo venceu
O povo sofreu

E agora Jose?
Corrupção esquentou
Rachadinha imperou
Punição nem falar
O estado aprovou

E agora Jose?
O discurso é vazio
A loucura surgiu
Desmediu
Reage Brasil.

Inserida por celinamissura