Pensadores Alemães
Immanuel Kant nos ensina que, para aprender a pensar, é preciso pensar por si mesmo.
Infelizmente, no mundo pós-moderno, onde eu, você e nós estamos presos dentro de pequenas caixinhas, muitas vezes deixamos de pensar por vontade própria.
Estamos sofrendo uma espécie de lobotomia moderna, na qual os algoritmos determinam o que assistir, o que comer, o que consumir, o que pensar e, até mesmo, como viver.
Se René Descartes observasse a modernidade, talvez, diante de seu famoso Cogito, ergo sum — “Penso, logo existo” —, perguntasse se ainda estamos realmente pensando. E Kant provavelmente nos lembraria de que pensar exige autonomia, não apenas receber informações prontas.
Se deixamos de pensar por nós mesmos, corremos o risco de apenas existir, como organismos que respondem aos estímulos que lhes são apresentados.
Talvez o maior perigo da modernidade não seja deixarmos de existir, mas continuarmos existindo sem, de fato, viver.
Porque existir é estar no mundo.
Pensar é questioná-lo.
Viver é escolher, conscientemente, como queremos habitá-lo.
Kant transformou a dignidade em uma ideia poderosa: pessoas não deveriam ser tratadas simplesmente como instrumentos.
Vamos repensar?
Kant — “Ouse saber.”
“Ousar saber é mais do que buscar conhecimento; é ter coragem de abandonar certezas confortáveis. A maior prisão do homem não é a falta de inteligência, mas o medo de pensar diferente da maioria.”
Carlos Eduardo Balcarse
DESCARTES ENSINOU A DUVIDAR. KANT, A EXAMINAR A RAZÃO. FREIRE, A QUESTIONAR A OPRESSÃO. MAS QUEM EXAMINA A AUTORIDADE QUE CONCEDEMOS AOS NOSSOS PRÓPRIOS PENSAMENTOS?
A história da filosofia e da educação é atravessada por uma inquietação permanente: como distinguir conhecimento de opinião, liberdade de submissão e consciência de ilusão?
Sócrates fez do questionamento um caminho para reconhecer os limites do próprio saber. Sua contribuição permanece fundamental: não basta possuir respostas quando desconhecemos a fragilidade das perguntas que as sustentam.
René Descartes sistematizou a dúvida metódica, submetendo crenças à investigação antes de aceitá-las como conhecimento seguro.
Immanuel Kant examinou as condições e os limites do conhecimento humano, além de defender a autonomia da razão diante da tutela intelectual.
Paulo Freire compreendeu a educação como prática de liberdade, vinculando consciência crítica, diálogo e transformação das relações de opressão.
John Dewey aproximou pensamento reflexivo, experiência e investigação, demonstrando a importância de examinar problemas e consequências na construção do conhecimento.
Daniel Kahneman, em suas pesquisas sobre julgamento e tomada de decisão, evidenciou como processos intuitivos e vieses cognitivos podem comprometer nossas avaliações, mesmo quando acreditamos estar raciocinando corretamente.
Essas contribuições não são equivalentes, tampouco constituem etapas de uma mesma teoria. Mas permitem reconhecer um problema que atravessa diferentes épocas: a capacidade de pensar não assegura a qualidade daquilo que pensamos.
É nesse campo de investigação que situo minhas propostas científicas.
No METADISCERN, examino o discernimento como uma operação de segunda ordem, voltada à avaliação dos critérios pelos quais pensamentos, interpretações e crenças recebem autoridade funcional.
Na Pedagogia do Discernimento, investigo uma formação educacional que não se limite à aquisição de conteúdos, mas desenvolva a capacidade de examinar, justificar e revisar as razões pelas quais determinados conhecimentos são aceitos.
Na Alfabetização do Discernimento Consciente (EADC), proponho uma abordagem formativa para reconhecer informações enganosas, avaliar evidências, identificar influências e desenvolver maior autonomia diante da desinformação.
Na pesquisa sobre evocação e desautorização, examino um problema frequentemente negligenciado na aprendizagem cotidiana: recuperar uma informação da memória não significa que ela permaneça válida ou mereça orientar novas conclusões.
No estudo sobre discernimento na regulação da relação entre emoção e ação, abordo a necessidade de distinguir intensidade emocional de autoridade decisória. Sentir algo intensamente não comprova que a interpretação associada ao sentimento esteja correta.
No Método PROTAGONISTA, desenvolvo uma proposta centrada na consciência, na responsabilidade pelas escolhas e na autoria da própria trajetória.
Não reivindico que esses problemas tenham sido ignorados pelos grandes pensadores. A metacognição, a epistemologia, a psicologia cognitiva e as teorias educacionais já oferecem contribuições fundamentais para compreendê-los.
A especificidade que proponho está na articulação entre discernimento, autorização funcional, calibração de critérios e possibilidade de desautorização de conteúdos anteriormente aceitos.
A dúvida cartesiana não é o mesmo que a calibração discernitiva. A autonomia kantiana não se confunde com a autoria proposta no Método PROTAGONISTA. A conscientização freireana não é idêntica à Alfabetização do Discernimento Consciente. E o estudo dos vieses cognitivos não esgota a investigação sobre os critérios pelos quais uma interpretação recebe autoridade para orientar uma ação.
Há aproximações, diferenças e possibilidades de complementaridade que precisam ser examinadas, não presumidas.
“O senso comum comumente mente.”
Uma pessoa pode conhecer filosofia e permanecer intelectualmente dependente. Pode defender a liberdade e obedecer cegamente às próprias convicções. Pode reconhecer os erros dos outros e continuar incapaz de identificar os seus.
O problema não é apenas aprender a pensar. É aprender a reconhecer quando aquilo que pensamos perdeu o direito de continuar governando nossas decisões.
“A mente mente e o discernimento desmente.”
“Se penso, resisto; se resisto, existo.”
Carlos Eduardo Garcia Moreno Balcarse
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Escritor e Pesquisador
19 de outubro de 2026
Acho que já nasci meio Cético, mas tenho certeza de que o Immanuel Kant poliu meu Ceticismo Desapaixonado.
Não porque tenha me ensinado a duvidar de tudo, mas porque me ensinou a desconfiar das certezas fáceis e, sobretudo, das fabricadas.
Há uma diferença enorme entre não acreditar e aprender a perguntar.
O ceticismo apaixonado, imaturo, fecha janelas; o pensamento crítico mete o pé na porta.
O mundo se move com as respostas, mas subsiste com as perguntas.
Kant me fez perceber que a razão, tão orgulhosa de sua capacidade de compreender o mundo, também precisa reconhecer os seus próprios limites.
Há coisas que podemos conhecer, coisas que podemos apenas pensar que conhecemos e outras diante das quais só nos resta o silêncio.
Talvez a verdadeira Maturidade Intelectual comece justamente quando deixamos de confundir aquilo que pensamos com aquilo que sabemos.
Com o tempo, descobri que duvidar não é necessariamente afastar-se da fé.
Às vezes, a dúvida é o caminho mais curto pelo qual a fé deixa de ser herança, hábito ou medo e passa a ser uma escolha consciente.
Uma fé que nunca enfrentou perguntas difíceis pode ser apenas uma convicção protegida do vento.
Já aquela que atravessou noites de dúvidas talvez tenha aprendido a permanecer de pé sem precisar fingir que possui todas as respostas.
Talvez por isso eu desconfie tanto dos que têm explicações definitivas para quase tudo.
Há uma espécie de Arrogância Intelectual em quem transforma o mistério em certeza e uma espécie de Sabedoria Portentosa em quem consegue dizer: “não sei”.
Afinal, pensar não é acumular respostas; é aprender a formular perguntas melhores.
E talvez o meu Ceticismo Desapaixonado tenha começado como uma resistência a acreditar em qualquer coisa, mas, depois de Kant, tornou-se algo mais humilde: a disposição de não acreditar cegamente nem naquilo que eu gostaria muito que fosse verdade.
No fim, talvez seja essa a grande lição: não precisamos abandonar a fé para respeitar a razão, nem abandonar a razão para admitir o mistério.
Podemos caminhar entre as duas, conscientes de que há verdades que a mente alcança, verdades que o coração intui e mistérios diante dos quais ambos precisam aprender a se calar.
Porque, às vezes, duvidar não é perder a fé.
É apenas impedir que a nossa certeza se atreva a tentar se tornar maior do que a verdade.
Se reinventar é necessário. "Os tempos mudam, e os gostos também" - já dizia Kant.
Está claro a necessidade que sentimos de fazer ou viver algo novo. Ligar para o que o mundo diz, só nos leva a repensar sobre nossos atos, e na maioria das vezes a se arrepender, quando não possuindo convicção sobre aquilo.
Sabe o que aconteceria se deixássemos de fazer o que queremos ou gostamos por causa dos outros? Não viveríamos como sempre sonhamos. Seríamos Marias que vão com as outras nesta sociedade que busca moldar um tipo de pessoa só. Estamos com Hitler entre nós é isso? Mais parece que sim...
Vamos lá, chega de só falar em melhoras e não buscar melhorar. Não somos políticos. (NÃO ESTOU GENERALIZANDO).
Vamos aos poucos para que o progresso aconteça de verdade. Começar de cima só nos leva a um destrutivo tombo.
E não esquecendo que, sempre haverão as críticas. Então, seja como o sapinho que queria sair do fundo do poço. Olhe-os, ouça aquelas palavras como encorajamento, e persista. Quando lá fora, eles se perguntarão como pôde fazer aquilo. Não precisa responder.
Eis a crítica da Ignorância pura!
Se Kant Criticou a Razão pura, ou se la mostrou a razão, e se formos entender isso no sentido de razão in natura, elevamos a critica para a razão criada ou derivada de de outra, quando o sujeito a adere, razão esta que deve ser cultural, fruto de um meio, de um modo ou da imposição, da vontade de outrem a quem se submete.
Acho que nesse caso, poderíamos chamar essa cítica de, ignorância letrada, o ignorante letrado, é o instruído, porém mais ignorante que a própria ignorância. se há razão pura, deve haver ignorância pura, se há inteligencia pura é obvio que ha inteligencia construída, já a ignorância construída é o resultado da transformação da ignorância pura. ela pura é in natura, construída, pode se entender por uma ignorância fruto de informações viciadas nos meios, no cotidiano, é como pegar uma criança ingênua e sem um determinado conhecimento e ensinar-lhe por exemplo que política, religião e futebol não se discute, é obvio que esta aberração fará sentido em sua mente e toda vez que algo que se ligue e faça menção a um destes tópicos, isto será arrotado como verdade. agora imaginemos que esta criança cresça, estude e se forme em por exemplo, física ou matemática. Bom se admitirmos que este conhecimento é especifico e normalmente pouco exige no diz respeito a reflexão que não seja aquela exata, não que seja uma regra, é perfeitamente possível um grande intelectual, ter todo este conhecimento e muito mais. porém, seguindo este raciocínio, Eis um ignorante letrado.
A ignorância pura é aquela destituída de interferência da ignorância já definida nos meios e nos modos do cotidiano, pois assim como há verdades construídas, há também ignorância construída, esta é aquela que nasce da inteligencia in natura que já foi contaminada. Todos somos inteligentes, todos aprendemos coisas do mesmo modo, fazemos do mesmo modo, as desenvolvemos do mesmo modo, logo todos temos o mesmo tipo de pacacidade. então porque algumas pessoas possuem tanta dificuldade para certas coisas, para entender, conhecer e desdobrar. E a profundidade do seu entediamento? será mesmo que todos temos o mesmo tipo de inteligencia e de capacidade? seria porque assim como ha razão pura que é destoada pelo mundo, ha também ignorância pura por falta de cabedal de informações e pratica. assim de modo antecipado e precoce conclui se que a ignorância é o atrofiamento da pacacidade de desenvolver a razão e a interpretação. Assim sendo a noção de realidade fica comprometida por sensações irreais. exemplo fé. é um sentimento que tenta explicar o todo, porém esbarra no nada! (e ela explique o nada) kkkk
(Em Construção)
Kant distingue três formas de Egoísmo: Egoísmo lógico, de quem não acha necessário submeter seu próprio juízo ao juízo alheio; Egoísmo estético, que se satisfaz com seu próprio gosto; Egoísmo moral, de quem restringe todos os fins a si mesmo e não vê utilidade no que não lhe traz proveito. Além dessas três espécies de Egoísmo, Kant distingue o Egoísmo metafísico, que responde negativamente à pergunta: "eu, como ser pensante, tenho razão de admitir, além da minha existência, também a de um todo de outros seres que estão em comunhão comigo?".
Se ao invés de sentar - se à mesa com os doze, Cristo tivesse sentado a mesa com Voltaire, Kant, Sartre, Bukowski, Freud, Chico Anysio, Sócrates, Nietzsche e Sêneca? Qual seria o papo?
Kant
tentou traduzir Cristo
num elogio a paz perpétua.
se a "razão pura" fosse humana,
teria dado certo.
Kant disse que se pode saber o coração de um homem pelo modo como se trata os animais, entretanto isto não se aplica à Hitler.
Como Diria Kant, o homem é impotente para
para conhece as coisas até o fim, incluindo o próprio homem.
Decodificações descoisadas de si mesmas.
Na era do Kant Quântico, as pessoas estão cada vez mais se afastando da coisa em si e cada vez mais se aprisionando nas representações das coisas. onde o brilho intuitivo fica ofuscado pelo carisma das aparências fenomenais.
"Se não posso conhecer 'a coisa em si' [como disse Kant], eu também não posso conhecer o 'eu' em mim. [...] Se eu só posso conhecer as coisas como 'fenômenos', também só posso me conhecer a mim mesmo como 'fenômeno'. [Desse modo], em que medida um 'fenômeno' pode ser sujeito, e com que direito você diz que um simples 'fenômeno' tem uma estrutura de percepção universalmente válida? Se é um 'fenômeno', só se conhece empiricamente. E tudo o que [Kant] fez para analisar a sua estrutura de percepção, também seria fenomênico. [...] Em suma, o universo de Kant está todo errado, é tudo fantasia, é tudo besteira, e é melhor esquecer."
Entrevistador: Por que filósofos como Platão, Aristóteles, Santo Agostinho, Emmanuel Kant, não transmitem suas obras psicografadas?
Chico Xavier: Porque talvez eles também sejam médiuns.
(Programa Pinga Fogo 1971)
Autonomia de Kant
A angústia é uma "azia existencial" percebida pelo nosso inconsciente quando ele conclui que a existência é comportamental.
Ninguém consegue viver kantianamente, tem dia que tomo uma xícara de angustia enquanto converso com o café,se você achar que tudo tem de ter um propósito, já é sinal de que você precisa de medicação.
Não Concordo
Como comentei ontem à noite, se eu dou um texto de Kant, maior nome da filosofia do início contemporâneo, para um aluno de 18 anos e ele lerá 3 páginas e dirá, não concordo.
No mais tardar, digo a ele que se ler mais 30 anos Kant em alemão, você talvez entenda. Para não concordar, serão necessários mais 30 anos e as chances de você não concordar serão pequenas, ou seja, eles possuem a opinião sobretudo. Essa dissolução da ideia de autoridade é uma ideia muito contemporânea. Quando criança, se levava o exame médico lacrado ao médico e o mesmo abria como se fosse um oráculo, tinha uma reação bovina. Atualmente, na contemporaneidade, o exame já chega marcado pelo doutor Google. Assim sendo, meu clínico geral e amigo, brinca comigo quando digo " estou com o HDL alto" e o mesmo me faz a pergunta: E o que me recomenda nestes casos?
Kantianamente
Kant, como Everest da filosofia. Tento ler, mas sou brutalmente humilhado, estou fazendo uma jornada para chegar aclimatização. Naturalmente que Kant, exija paciência, já que a repetição de palavras é devido à semiologia geográfica e às influências do pensamento local. As teorias tridimensionais vêm da semiótica do verbo alemão e poesia.
Assim como a kultur, que é cultura em alemão. Eu olho desde Friedrich Ratzel, para resolver o problema Estado-Prisão. Como sendo a Filosofia geográfica, ela por si só é essencialmente linguística e hermenêutica. Conheçamos e prossigamos
