Pensadores Alemães
Preciso encontrar uma nova maneira pra fazer com que suas garotas vibrem
Santos, sangue, sorrindo a anjos
Enquanto demônios me agridem
Quem dera eu tivesse um coração partido, ainda restariam duas partes
Sem cinto, sinto que eu tô melancólico
Algumas drogas e muito vinho, mas calma, eu sou católico
Estou cansado de ser tão julgado
Às vezes acordo e me sinto o próprio diabo
Pelos versos e formas que eu tenho conjugado
E quanto mais me vejo triste, mais me vejo tatuado
Vire a página, então, vamo embora
E pulem pra parte do toalete, onde eu ponho um rap
Ganho um patrocínio de Gilette
E meu pulso uma tattoo nova
É que a vida me deu um rodo
E eu guardei até comprar minha própria casa
Desde pequeno eu sonho com o céu caindo
Um ser de luz, só que de capuz, um anjo caído
Duas coisas me inspiram profundo respeito: o céu no alto e o universo moral interior.
Nota: A citação costuma ser erroneamente atribuída a Albert Einstein, mas é, na verdade uma adaptação de um pensamento de Immanuel Kant.
...MaisNão é de esperar nem também de desejar que os reis filosofem ou que os filósofos se tornem reis, porque a posse do poder prejudica inevitavelmente o livre juízo da razão.
Com efeito, relativamente à natureza, a experiência dá-nos a regra e é a fonte da verdade; no que toca às leis morais a experiência é (infelizmente!) a madre da aparência e é altamente reprovável extrair as leis acerca do que devo fazer daquilo que se faz ou querer reduzi-las ao que é feito.
Age só segundo máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal.
Bossa de Schopenhauer
De tudo nessa vida eu queria acreditar
Que a verdade não machuca eu queria acreditar
Dolo não é minha forma de agir
Estou afogado em meus pensamentos indubitáveis
Sentado em uma pedra lhe esperando pra tocar
Um metalzinho na viola eu quero só te impressionar
Além do amor
Além da morte
De todo o meu presente eu queria aproveitar
Do passado e do futuro não queria nem lembrar
Para dessa forma então evitar a dor
Realidade? Realidade?
De todas as “certezas” eu queria não acreditar
Que a morte não existe eu queria acreditar
A ponto de nem hesitar
Meu mundo é assim
Pura vontade de uma representação
Será que meu medo é da morte ou medo de não existir?
Que mais terrível ironia ter medo da vida
Em tudo nessa vida eu queria me desligar
Essa verdade não existe
Essa verdade é só uma herança
Maldito Platão
Maldito Cristão
Gostaria que minha razão fosse friável
Imploro minha libertação dessa podre erotomania
Não preciso dessas coisas presentes e aparentes
Terei um mundo melhor... Esse é descartável
Este eu descarto!
Sinfonia dos niberlungos
vejo em ti a tragédia grega
Schopenhauer, já dizia que não devemos atar
atar em terras que não são nossas
O levante, cai-se a gota,
fecha-se os olhos e respira
cadê o prazer de cada momento
o prazer de cada momento é a sua dominação
Fechei os olhos,
me perdi,
cadê a semente que estava ali?
ah!
esqueci de regar.
Até que a morte os separe
O filósofo Arthur Schopenhauer disse que o casamento é uma dívida que se obtem na juventude e se paga na velhice, mas na época em que ele disse isso a separação era algo praticamente incomum, e de fato só a morte separava um casamento, o que fazia talvez com que os maridos mandassem assassinar suas mulheres, e elas seus maridos.
Hoje em dia as coisas estão mais fáceis, as pessoas terminam tão rápido, às vezes só até acabar a lua de mel, mas o padre ainda continua dizendo a sentença final: até que a morte os separe. Seria mais fácil dizer “até quando vocês não aguentarem mais olhar pra cara um do outro”, pois sempre chega esse momento, uns casais preferem terminar, outros preferem se torturarem e empurrar com a barriga, até que finalmente a morte os separe...
Essa coisa de casamento precisa ser inovada, ter novas regras, acompanhar a mudança de século, acompanhar as mudanças climáticas, as vontades. Precisa ter uma nova cara, sinceramente não conheço uma pessoa que seja casada e completamente satisfeita, ou feliz por inteira. O casamento deveria completar os espaços que faltam pra gente ser feliz por inteiro, mas isso só acontece no começo, na lua de mel, afinal a lua de mel é pra adoçar o começo, pois depois é uma amargura que só.
Tudo bem que eu ainda não sou casado, talvez não seja assim mesmo, mas pelos exemplos que vejo já estou traumatizado, mas de uma coisa eu tenho certeza, a sentença final deveria mudar, os padres deveriam dizer: Até que o amor acabe.
Em sua obra, Aforismos para Sabedoria de Vida, Arthur Schopenhauer disse: "Homens de inteligência elevada são pouco sociáveis". Desde então, algumas coisas precisam ser esclarecidas sobre tipos como esses. Desde os primórdios da humanidade, existem indivíduos que encontram satisfação ao estarem isolados dos seres da própria espécie, ou seja, humanos. Para a maioria desses seres, isso se associa à idéia de que eles não possuem a capacidade de relacionarem-se com os demais, resultando no afastamento da sociedade e na aquisição de poucos amigos. Mas, em um ponto de vista contraditório à tal concepção errônea, benefícios existem nessa condição. Estamos cercados de pessoas que substituem o intelecto pela tolice, preferem ocupar a mente com pensamentos pobres e atividades irrelevantes ao invés de aproveitar a vasta quantidade de coisas proveitosas, diversificadas e evolutivas que estão à mercê de qualquer um, mas não é qualquer um que as quer, sendo então desprezadas ou rejeitadas. O homem em plena solidão pensa por ele mesmo, sem a influência inercial de terceiros que querem conduzi-lo à obtusidade intelectual. Se o mundo por completo fosse um pouco mais rico de razão, não seria necessária a abstinência a seres humanos.
Manifesto do Nadar
Bati de frente com a ilusão e me decepcionei.
Schopenhauer me mostrou o mundo sem filtro. Dói, mas é real.
Nietzsche me deu a chave: se não tem sentido pronto, cria o teu.
Libertar-se é parar de pedir permissão pro rebanho.
Sartre pesou essa liberdade.
Você é livre, sim. Mas cada escolha tua carrega consequência.
Ninguém vive por você, e você não vive por ninguém.
Bauman me ensinou a nadar entre os maremotos.
O mundo é líquido, caótico, sem chão.
Não parei a onda. Aprendi a não me afogar nela.
E quando achei que precisava explicar tudo, veio Clarice:
_Nem tudo pede explicação. É mistério._
Então eu sigo.
Sem ilusão, com liberdade, carregando a responsabilidade,
nadando no caos, e respeitando o que não cabe em palavra.
Filosofando com os filósofos
De Marcio Melo
Meus pensamentos na ideia de Schopenhauer
Aqui fiz uma espécie de conversa minha com Schopenhauer, e não uma negação dele.
A ideia dele permanece como ponto de partida, mas a pergunta muda: se a vontade move o homem, por que alguns possuem muito mais poder para transformar a nossa vontade em realidade do que outros? É aí que a filosofia encontra a política.
“O Mundo com Vontade”
Schopenhauer enxergou no fundo do mundo uma vontade cega: uma força que deseja sem saber exatamente por quê, que alcança uma coisa apenas para desejar outra, condenando o homem à inquietação de nunca estar inteiramente satisfeito. Talvez estivesse certo sobre a vontade. Mas talvez tenha olhado demais para dentro do homem e pouco para o mundo que construímos ao redor dele.
Porque nem toda vontade nasce livre.
Há quem acorde desejando conhecer o mundo e precise primeiro pensar no pão. Há quem tenha vontade de estudar, mas encontre uma porta fechada pelo preço. Há quem sonhe com arte, música, filosofia, literatura, mas tenha suas horas consumidas pela necessidade de sobreviver.
E há quem possa dedicar a vida inteira à procura de si mesmo simplesmente porque outros, em algum lugar, trabalham para sustentar o conforto dessa procura.
Então pergunto: de quem é a vontade que governa o mundo?
A vontade do trabalhador de descansar ou a vontade do capital de produzir mais? A vontade daquele que deseja uma casa ou a daquele que transforma casas em números? A vontade de quem sente fome ou a vontade de quem calcula o preço do alimento?
Talvez o sofrimento humano não venha apenas dessa eterna insatisfação descrita por Schopenhauer. Parte dele nasce de algo muito menos metafísico e muito mais concreto: construímos sociedades em que algumas vontades possuem poder para se realizar enquanto milhões de outras precisam pedir permissão até para existir.
E nisso há uma crueldade silenciosa. Dizemos ao pobre que basta querer. Dizemos ao trabalhador que basta se esforçar. Dizemos ao jovem que basta sonhar. Como se todos começassem a corrida da mesma linha. Como se vontade fosse moeda. Como se esperança pagasse aluguel.
Não paga.
Mas também não acredito que devamos matar a vontade para escapar do sofrimento. Talvez seja justamente o contrário. Precisamos transformar a vontade individual em vontade coletiva.
A vontade de comer deve encontrar a vontade política de acabar com a fome. A vontade de aprender deve encontrar uma escola aberta.
A vontade de viver precisa encontrar dignidade.
A vontade de ser livre precisa significar mais do que escolher aquilo que podemos comprar.
Porque liberdade sem condições para exercê-la corre o risco de ser apenas uma palavra bonita pronunciada por quem nunca precisou escolher entre duas necessidades.
Schopenhauer desconfiava profundamente da esperança. Eu ainda prefiro desconfiar de um mundo que exige desesperança dos que estão embaixo para preservar o conforto dos que estão em cima.
Talvez a humanidade jamais deixe de desejar.
E talvez isso não seja nossa condenação.
Talvez seja nossa possibilidade.
Enquanto houver um homem com vontade de mudar aquilo que lhe disseram ser imutável, haverá política. Enquanto houver vontade de repartir aquilo que foi concentrado, haverá justiça. Enquanto alguém olhar para a miséria de outro ser humano e disser “isso também me diz respeito”, haverá alguma esperança.
O mundo é vontade, sim.
Mas eu acrescentaria uma palavra que Schopenhauer talvez não acrescentasse:
nossa.
Porque o mundo que vale a pena desejar não deveria nascer da vontade de possuir o outro, mas da vontade de não abandonar ninguém.
Vamos repensar?
Schopenhauer — “O homem pode fazer o que quer, mas não pode querer o que quer.”
“O ser humano acredita ser livre porque escolhe, mas raramente questiona quem escolheu suas escolhas. A verdadeira liberdade começa quando investigamos os desejos que nos governam.”
Carlos Eduardo Balcarse
