Palco
Em cena, ação.
Convivo com histórias que protagonizei
Mas que não mais subirão aos palcos
Acabaram-se as sessões e só quem pagou, consumiu
E cheio de emoções se foi
Porque sou tão volátil que não me presto
Nem a ser imprestável por muito tempo
Faço o mal dizendo o bem
E me dispo inteiro para caber em uma peça
Afim de poder escrevê-la
Descobrindo quem fui
Enterrando o que senti
Desenhando quem sou
Já fiz, já revivi,
Guardo os pôsteres das exibições
Não me considero culpado
E também não sinto a dor do remorso
Já que sou mero ator das minhas vontades,
Das minhas repentinas e fluídas fases
Muito embora não as busco repetir
Agora quero o agora, quero ouvir aplausos que nunca soaram antes e dispensar os cochichos de reprovação
Quero adiante até quê
Um pouco depois de fecharem as cortinas e acenderem as luzes
Esteja eu novamente livre...
de volta pra mim.
O ator de teatro é como um Deus. O seu poder de representação está no grau do frio na barriga, mesmo sabendo que não a fará igual a cada apresentação; é o que o torna onisciente do texto, onipresente no palco e onipotente à plateia.
"- Ela era impressionante. Para fazer o garoto de "Pega Fogo" enfaixava a região dos seios com tiras largas de esparadrapos. Depois de uma semana de representação, a pele saiu e ficou a carne viva. Ela teve de se enfaixar com tiras de pano. Cacilda sempre fez esses sacrifícios. Quando montamos "Maria Stuart" sofreu dores nos rins porque a roupa era pesada demais e a peça durava 3 horas e 15 minutos. Aos sábados fazia três sessões e, no domingo, duas. Exauria-se de cansaço. Representou "Arsênico e Alfazema" gravida de sete a oito meses. Esta é a Cacilda Becker que conheço há quase trinta anos".
“O que eu acho que dei ao teatro brasileiro, quando eu apareci, foi um repertório diferente do que se representava, e o amor pelo teatro”.
"Lembro-me dela, uma moça que não comia, tinha a fragilidade de uma flor de estufa. Alimentava-se com um ovo cru e um pedaço de carne. Chegou a pesar 42 quilos. Ela nos preocupava. A Cacilda Becker que todos conheceram nos últimos anos era robusta perto daquela mocinha que conheci. Mas ela tinha a dedicação mais absoluta ao teatro, ao fenômeno de teatro, ao amor do teatro."
Saudade é um violino preso no peito, vibrando as cordas numa canção que sufoca, mas a queremos tocar e reviver em cada nota o que se passou no palco de nossa vida.
Peça
Somos atores de uma peça com um único ato.
Cabe a nós a saber dirigir, interpretar,
vivê-la.
No final desse ato único,um crítico,
apenas um, nos julgará.
Caberá a ele a palavra final a ser dita,
e dela depende o nosso futuro.
Pode ser que não seja mais preciso voltar para
a interpretar.
Se no entanto voltarmos ao palco, sinal será que nós
fracassamos.
E essa volta é uma nova chance de a representarmos
Saibamos agora interpretá-la melhor, entendendo mais
os atos da vida, façamos da melhor maneira posível
o nosso papel.
Tomara o consigamos, sem que mais seja preciso uma
nova volta, uma novo desempenho.
Roldão Aires
Membro Honorário da Academia Cabista de Letras Artes e Ciências
Membro Honorário da Academia de Letras do Brasil
Membro da U.B.E
A unção do Espírito Santo deve redundar no amor, na compaixão, na misericórdia, e no serviço – mas a “unção” que vemos em muitos lugares por aí ,só tem poder para criar lúciferes com purpurina na cara, que atuam em palcos com luzes
Domino a platéia, provoco lágrimas de alegria e sou recompensado com aplausos. Às vezes, somente às vezes, me dou conta de que aprendi a fazer as pessoas sorrirem. Qual platéia me ensinará a sorrir?
Ausência
Separada, apartada...
Cada caminho trilhado leva a nada.
Afastada, desconectada...
Cada dia vivido é sempre, pra alguém, o fim da estrada.
O cenário montado.
Quanta gente lado a lado.
(Des)conhecidos sofridos...
Cada um seu papel a sério sabe... deve ser levado.
A peça continua...
Embora muitos já tenham dela se ido.
Indiferença... não faz a menor diferença.
A minha... a sua presença.
Se você no palco está... se eu no palco estou...
Ou... se já tenhamos embora ido...
Ninguém nota a nossa ausência.
DESAJUSTADO SOCIAL
Eu rabisquei seu nome dentro de um coração
Num beco sujo da cidade
Mas me assustei e ocultei essa paixão
Num segredo com sete chaves
E de bem longe eu te vejo e explodo de emoção
Furtando meu mundo perfeito, assim como ladrão
Eu fico louco de desejo ,estranha sensação
De ver você,em meio a sombras geométricas
E eu me atirei sem rumo (e sem direção)
Numa fria chuva de Abril
E eu bem sei,até certo ponto"cê" tinha razão
Eu não me ajusto a sociedade
Um zé ninguém que sem trabalho vive num porão
Aos trinta e cinco de idade
Mas me conheço e me respeito com a mesma proporção
Do amor que eu sinto em meu peito e escrevo essa canção
E fecho os olhos quando canto em meio a multidão
Vejo você...naquela noite ela não estava não .
E eu me atirei sem rumo (e sem direção)
Numa fria chuva de Abril
Não existe algo que me pertença, nada que se ostenta
Só um punhado de poemas e meu violão
Também não sou do tipo de homem que pensa
Que possa valer a pena, uma mulher que se compra...
Até sonhei com a gente de mão dada no centrão
Vem da minha vida fazer parte
Mas acordei com a saliva fria num balcão
Foi tudo um simples disparate
O advento da poesia traz transformação
Com três acordes e a essência ensaio o meu refrão
E as luzes do palco da vida afastam a escuridão
Vejo você, num dia claro e lindo de verão
E não mais andei sem rumo (e sem direção)
Numa fria chuva de Abril.
Quando temos certeza de quem nos vê no secreto, não precisamos nos preocupar com o olhar da platéia. O autor da vida a nos observar é suficiente!
Teatro da noite
Teatro da noite apresenta:
Ela vai chegando
No tic-tac do relógio
Vai se aproximando.
Agora sim
Luzes apagadas!
No palco?
Frias e tristes estradas.
Vazias e empoeiradas.
Apenas soluços ecoam
O que tem para além da estrada
exceto o dia e a noite que vem?
O que tem?
O que tem para calar o soluço da noite que vem?
No teatro da noite.
No palco da vida.
A noite mostra as feridas
Do amor que não tem.
No teatro da noite
No palco da vida
Estradas se cruzam
Soluços se misturam
Abre-se às cortinas
É o espetáculo da vida fazendo amor
Fecundando dia e noite.
Lavando a dor.
21/01/14
Há quem precise de palcos para existir, mas há quem transforme o mundo no silêncio de um gesto ético.
Nosso lema é ser feliz.
Não importa de onde surgiu, a vida evoluiu sem um sentido aparente / um palco no qual a gente na representação vigente/ procura sobreviver /Nascemos sem perceber, crescemos no aprender e morremos sem querer/ ensaio nem parcial num improviso total e tudo está contido nesse teatro real / no palco muita surpresa, de feiúra e de beleza, de alegria e de tristeza / nesse caos universal / Seguindo essa trajetória Viver o hoje é vitória já que o ontem é história e o amanhã é mistério / não se leve muito a sério/ pois não existe critério nosso lema é ser feliz, em nosso tema de aprendiz / pois assim nosso Deus quis e em cada pedra que topar temos que compartilhar aos poucos vamos juntar para erguer nosso castelo / brincando, rindo ou chorando, nossas perdas lamentando iremos representando o lado feio e o belo / Vivamos o ser, esqueçamos o ter, pois tudo irá perecer e assim no fim do ato, finalizando o contrato, restará nosso retrato após nossos ocasos restarão os nossos causos recebendo os aplausos se a gente merecer! Moacir Farias.
A Arte sempre reverbera em quem a consome. Pode não ser imediatamente, mas em algum momento ela reverberá!
