Palco
Palco do Silêncio
Por Nereu Alves
Um dia brilhou como estrela na aurora,
salão imenso, janelas abertas, luz que aflora.
O palco, infinito em sonho e criação,
morada da arte, da vida, da imaginação.
Ali dançaram ideias, versos e canções,
ecoaram risos, palmas, gerações.
Cenário de peças, recitais, emoção —
cada ato, um sopro de transformação.
Ainda está lá, firme, sobrevivente,
com vida que pulsa, embora diferente.
Mas algo o abafa, o cerca, o silencia,
como um véu pesado que cobre sua poesia.
Ergueram ao lado um gigante sem alma,
frio, sem história, que rouba a calma.
Um elefante branco de concreto e vaidade,
que engoliu a luz, abafou a verdade.
O vizinho tombou, não por tempo ou idade,
mas pelo descaso, pela falsidade.
Assassinaram paredes cheias de memória,
e enterraram ali um pedaço da história.
Agora o palco, mesmo em uso e movimento,
vive ofuscado por fora e por dentro.
Resiste em silêncio, com dignidade,
mas luta contra a sombra da modernidade.
Não é preciso demolir pra matar —
basta sufocar, fazer o brilho apagar.
E onde antes brotava beleza e união,
fica a sensação de lenta extinção.
Mas há quem veja, quem guarde, quem clame,
quem sinta que a arte é chama que inflame.
Enquanto houver alma, memória e razão,
não se fecha jamais o grande portão.
Abram-se janelas, cortinas, corações —
que o palco renasça em mil gerações.
—
Nereu Alves
Dedico este poema à Irmã Maria.
No palco da vida, somos todos protagonistas. Escreva sua história com ousadia, fé e resiliência, lembrando que cada escolha é um passo em direção ao seu propósito. Que a estrada da vida seja repleta de conquistas e que a fé ilumine sempre o seu caminho.
"Somos personagens num drama cósmico, onde o palco é a sociedade. Nossas ações, pequenas ou grandes, alteram o cenário e influenciam o destino de todos os atores."
Perturbação
Eis que se abriu a primeira cortina
Nada vi naquele palco
Fiquei a espera e observando
O velho tecido que não sacudia.
Eis que se abriu a outra cortina
E nada vi naquele palco
Escutava a música de fundo
Inalando o mofo que ali envolvia.
Eis que se abriu a terceira cortina
Nada vi naquele palco
Um zum zum zum acontecia na plateia,
Reduzi-me a ler o encarte da peça de teatro.
Eis que se abriu a última cortina
Novamente, nada vi naquele palco,
Agora havia um silêncio aterrorizante
Mas era esta, a peça no teatro.
Faces caídas
No palco frio da hipocrisia,
amizades nascem sem raiz,
crescem à sombra da cortesia,
mas morrem sempre por um triz.
Sorrisos largos, gestos belos,
promessas feitas sem calor,
olhares falsos, frios, amarelos,
vestidos todos de impostor.
Enquanto a cena se desenrola,
fingem afeto, juram ser leais,
mas basta a queda da coroa,
e os rostos mostram seus sinais.
E quando enfim saio de cena,
o brilho some, não há mais voz,
a falsa amizade se condena,
só resta o eco do vácuo atroz.
Tantos anos, tantas trilhas,
e ainda assim não compreendi,
como há almas tão vazias,
que somem quando já não há o que fingir.
No mundo existe um palco pronto encenado peças de ilusões e mentiras. Atores sempre prontos para agradar a plateia, que se deslumbra com tão pouco. Fingem acreditar no amor, mas entre a ficção e a realidade o que prevalece e um coração vazio e frio.
Vem viver a realidade, apaga as luzes , fecha a cortina e desce do palco . O mundo real, espera por você. Vem aprender a amar, a sorrir, e a viver. Vem!!!
A primeira vez que me encontrei com a solidão, foi quando eu desci do palco e não tinha nenhum sorriso e nenhum abraço ou simplesmente um olhar de aprovação...
Dar a vida é oferecer a alguém o palco do tempo, onde a brevidade da existência é o que torna cada instante um tesouro de valor infinito.
Na vida, é preciso saber quem merece estar no palco e quem deve permanecer na plateia. Alguns até tentam se projetar, subir, chamar atenção, mas talento, essência e propósito não se improvisam. Quem não nasceu preparado para brilhar, até pode aparecer por um tempo, mas jamais se sustentará na luz que não lhe pertence.
Será que eu pensei?
Em como chegar no final do arco-íris
Nas letras que dançaram no palco do céu
No vento que trouxe o cheiro das flores
Na abelha que fez, o tal do doce mel
Será que eu pensei?
Nas luzes entre as sombras no humilde lar
Que tinha um poeta, que me fez sonhar
Com aquela cantiga, tão angelical
Será que eu pensei, terá um final?
Vir.
Vida,
Planeta,
Grande teatro,
Palco de ilusões,
Parecem ter corações,
Mas sempre vivem em aflições.
Precisamos de boas intenções,
Já Chega de falar palavrões
Necessitamos de perdões,
Mais colaborações,
Boas funções,
Boas ações,
Canções,
Morte,
Fui.
Quem anda com propósito não disputa palco, não se perde em comparações.
Não entra em competições vazias, nem mede seu valor pelos aplausos dos outros.
Segue em silêncio quando é preciso, confia no processo e espera o tempo certo.
Quem permanece fiel ao seu caráter, à sua essência e aos seus princípios
não perde nada do que está alinhado ao propósito.
Não precisa gritar nem provar nada mesmo que ninguém veja
porque quem sabe para onde vai não precisa de aprovação externa.
