Melancolia

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⁠⁠A melancolia do sentir, perante a incapacidade em meio ao caos; E a forma mais rápida e cruel de pesar.

"Existe beleza na melancolia. Ela sempre te devolve à realidade."

As tardes mortas de um porão escuro e empoeirado, infestadas pelas traças da melancolia que habitam o esconderijo mental dos dias floridos de um calendário que está chegando ao fim.

Às vezes só queria acordar à tarde, com o pôr do sol, um pouco de melancolia, café e um livro.

Mandalas & Tapetes Burgueses

Melancolia
De fado
Português

Regado à vinho
E
Dissolução do fermentado

Pagando os pecados
Com o suor do cansaço

Metabolizados
No calor do fígado


Tristeza
De nobreza
Sem causa

Escutar
De coisas
Não ditas

"Minha casa minha vida
Sua casa é meu problema"

De certeza

Somente
A presença
De sua
Ausência

Passeando
Meus
Anseios
Desajeitados


Nas ladeiras em ruas
De muita pedra

Nos vales profanos
Da dissonância

Esculpidos em vales
Da tradição

A ambição do pecado
Fermentado em vinho

E a solução
É dissolução

Sem solução
Em ruas
De Tradição

A melancolia vai acabar me matando...

⁠“A chuva desperta uma melancolia saudosista que não distingue entre dor e alegria: ambas são marcas do tempo. E, paradoxalmente, recordar é também aliviar.”

Se a melancolia tivesse dentes primeiramente ela morderia meu ser aflito, que passa escondido, perdido no abril que passou e arrastou os dias de minha alegria, que floresce no mês seguinte, haja vista que a desilusão me enche de potência, já que não habito o outro e só me resta a consciência vagando na sala serenizada que explode em cores na introspecção de uma artista que se demora ao pintar sua obra. Se ontem eu te amei a ponto de te odiar, hoje acordei calma e desculpo o seu erro de tom. Os loucos e sua submissão que abunda no quartos amarrados, contidos, sujeito a perigos. Mas isso não tem nada haver com isso, se você não conhece uma instituição e não sabe o preço do abandono. Mas esqueça, em sua sala burocrática tome seu café pequeno. Deixe os loucos e suas loucuras, duras, que são muito engraçadas quando já não falam. Mas esqueça. E eu não consigo esquecer se novamente me vejo amarrada, contida, sem perspectiva de vida. Mas se estou em casa minha alma descansa e agradeço cada minuto do meu sossego, e agradeço esse lar que muito mais representa a mim. Cada alimento, eu agradeço, porque tudo reconheço, se tudo me foi negado. E quando deito minha cabeça no travesseiro, volto a ter nome e identidade. E sonho com o paraíso de flores e águas cristalinas. Eu até que estou indo bem. Tomo meus remédios e, se já não trabalho, tenho um dia produtivo, de cores e letras. E enfim me esqueço se o passado institucional perde seu peso. Eu não quero lembrar, pois sofro e não sei chorar. Se a madrugada tivesse ossos de vidro, eu pisaria descalça na memória de minha infância até sangrar luz na manhã que nasce como se fosse uma semente de vidro que faz crescer os vitrais das grandes catedrais góticas, em que o sagrado se vestia de preto e era luto todos os dias da alegoria, nas velas que acendem orações que rogamos milagres, já que o terreno não basta, e ao etéreo se levantam as mãos como uma dança da chuva na tribo das simbologias ocultas. Eu conheço bem a fonte que desce daquele monte e é um frenético discurso religioso e suas liturgias pagas a prestação. Dentro do meu silêncio quando ninguém está olhando o mundo, dorme em meus olhos uma coruja altiva que quanto mais olha, mais julga e não tem palavras para nomear. A coruja é o símbolo da sabedoria, haja vista que vê e nada fala, mas guarda na lembrança da sala o saber que não passou imperceptível. E acusa sem falar quando pisca seus enormes olhos cor de mel. É como se ela dissesse: Eu sei, eu vi, e isso basta para que as almas se apequenem com culpas ocultas de quem se sabe observado, no esplendor da carícia de um gato alado que voa a atmosfera no azul celeste da terra que se sonha esfera. É uma fera. E todos nós somos também feras, se temos dentes e mordemos. Se o tempo apodressece como uma fruta esquecida sobre a mesa de Deus, de minha infância sairia o cheiro do mesmo, que se repete absurdamente já que a vida é só presente e não passa, não evolui, apenas é um filme mudo com os mesmos gestos, como a vida que estagna as melhores memórias da retina e o cotidiano é uma mentira de Deus, como uma maçã que retorna ao estado de semente e todo vivente é demente e esquece o próprio nome na amnésia das línguas fugitivas de seu lugar comum, a comer as estações e tarda o outono e suas folhas no chão, a clamar libertação de nosso sangue irmão.

O fim da melancolia?
Doce morte sombria,
Nevoeiro da primazia,
Suprassumo da apatia.

Ríspido rasgar psicossomático,
O mundo tem sido monocromático,
Amargo é o pensamento dramático,
O resplendor do ser errático.

O falso sorriso neurotraumático,
As sequelas do passado fático,
O algoz do presente lunático,
Sem um futuro fanático.

Aqui jaz o ser do meu eu,
Tal qual dizer o que doeu,
Aquele homem em mim morreu!
A silenciosa dor apareceu.

A estrondosa morte bateu,
O dia de fim aconteceu,
O eu lírico morreu,
Esvai-se o eu.

O céu não é apenas noite: ele pulsa. E quando olhamos para ele, a melancolia que pesa no peito se transforma em esperança que transcende a alma.

Sonhos suaves como um anelo arcano na introspectiva melancolia na aura de um espírito que se desvia de pensamentos inequívocos na alvorada do dia. São uma bruma cândida no âmago beneplácito do langor de um lago a se perder no remancear de cores quentes a se espraiar longamente. No deleite de um devaneio diletante que espreita a ponta do vento alvoroçado na dissonância efêmera de lânguidas begôneas que se estendem na luz solar a sonhar com vastos campos de papoulas coloridas. No enlevo escarlate de flores de antúrio esmaecido em salas escuras, cujo elísio é promessa de recompensa na terra. O fulgor de um campo de girassol resplandesce nas planícies incertas de nossas aspirações ocultas. E muito se diria de um inóspito solo em que florescem certezas ambivalentes a perder as lentes da retina, no inefável júbilo de alegrias expressivas que convidam a sorver a existência. Na lascívia lúgubre dos desejos impossíveis e por isso mesmo, muito mais desejáveis. É magnânimo nosso ser contradito que são um mísero abrigo de corações que não sabem mais arder na voluptuosa intercessão do agora urgente em pétalas de açucena alcançando o nirvana na terra vermelha de uma opulência insolente a se desmanchar em gotas suaves da madrugada. Pálidas rosas brancas ferem os dedos de sangue em seus espinhos inocentes. A plenitude terrestre vislumbra mares distantes. Sentir é preciso. Viver não é preciso no abismos que convidam. A profusão de grandes quimeras ardem em primaveras radiantes que enumeram flores no crepúsculo prístino de primazia em recôndidos pássaros que somem no horizonte. Meu rosto rubro falava de amor, mas minhas pálidas mãos mostravam sentimentos frágeis. E ressoavam cantigas antigas a perder de íris. O amor sereno se despedia soturno. E em vão as mãos buscavam um corpo que longe se exilava em outras ramagens. Solenemente acenei e na distância fui ignorada. Otimista pensei: Talvez em outra alvorada. Sigo sublime como um vagalume. E oscilo entre apagar e acender a luz, na vasta vereda de minha sina. Eis minha vida.

Toda a minha melancolia longe de qualquer tristeza vazia e paralisante, sim o faço por um sentimento estético e reflexivo. Ela me serve como ferramenta para investigação de todas estas dores da alma e finitude humana.

A chuva traz o silêncio.
Minha alma se acalma,
os sentimentos se aguçam.
Na melancolia, chega também o entusiasmo,
e o alento me compensa
com momentos tão bons.


O pingo na telha…
e um coração em paz.


Otávio Mariano.

A mesma coisa que me faz alcançar o auge da felicidade é a que me rebaixa ao auge da melancolia. Tenho a impressão de que isso não é saudável.

TANKA 001


Ah como te sonho!
Como te cobiço em mim!
És minha alegria,

prazer e melancolia,
no calor do pôr-de-mim!

A melancolia é uma saudade sem endereço, uma dor serena que se instala no peito e colore tudo com tons mais cinzentos. É sentir falta de algo que, às vezes, nem se sabe o que é. É caminhar com o coração pesado, enquanto a mente passeia por lembranças, possibilidades e coisas que nunca aconteceram.

O Caos e a Piada Chamada Brasil: 500 Anos de Escravidão Remodelada Brasil, que piada melancolia é essa? Quinhentos anos de história — desde 1500 que o caos não é acidente, é roteiro sádico. Colonização forjada em sangue africano e indígena, desigualdade como cimento eterno. A escravidão de 1888? Não morreu; trocou a moldura. Chicotes viraram contratos precários, senzalas se metamorfosearam em favelas sufocantes, e o grilhão agora é uma dívida impagável que esmaga gerações. Reflita: o que mudou, além da pose de "democracia racial"?Racismo estrutural não é falha humana; é o esqueleto podre da nação. Negros e pardos — 56% do povo (IBGE) — arrastam-se na base: 70% dos famintos, 75% das prisões, migalhas no poder. A elite, herdeira de senhores de engenho, ri enquanto lucra. No século XXI, o absurdo escala: inflação bater recordes em 2025, corroendo o salário mínimo como ácido, enquanto bancos engordam com lucros obscenos ,bilhões em dividendos para acionistas que brindam com champanhe. O povo? Pão e circo digital, entregadores suando em apps sob sol impiedoso, ecoando as lavouras de cana. E o feminicídio? Virou rotina banal, estatística fria: uma mulher morta a cada seis horas, muitas negras, silenciadas em lares que deviam ser refúgio. Mulheres limpam o chão dos ricos pela manhã, voltam para casa e viram estatística à noite. O Estado assiste, impassível, leis existem no papel, mas o machismo racista as enterra. Que reflexões cabem aqui? Somos uma nação que celebra o carnaval enquanto corpos apodrecem nas ruas. O mito da cordialidade esconde hienas: corrupção sistêmica, terra concentrada em mãos brancas, educação como esmola para manter a pirâmide intacta. Pense no abismo: 500 anos de promessas quebradas, do "país do futuro" que nunca chega. Bancos recordistas, povo no osso; feminicídios cotidianos, impunidade eterna. O Brasil é o caos reflexivo de um espelho torto, nos força a encarar que desigualdade não é destino, mas escolha perversa de quem detém o poder. Quebrá-la exige rasgar a moldura: taxar fortunas vorazes, dividir terras roubadas, punir o terror doméstico com fúria real. Senão, seguimos a piada: rindo por fora, sangrando por dentro, num circo onde o palhaço é o povo.

Uma chuva de lágrimas formou um rio de melancolia que segue por um tortuoso caminho até desaguar num oceano de tristezas!

Sou apenas uma alma presa na melancolia de um passado inflamado, tentando pôr em palavras traumas que jamais conseguiria verbalizar senão por meio de textos.

Quando eu esqueço de me escolher


Hoje, a melancolia chegou sem pedir licença.


Talvez porque, mais uma vez, eu tenha percebido o quanto consigo dar importância a pessoas que, tantas vezes, só me procuram quando precisam de um lugar para despejar os próprios vazios. E o que mais dói não é não saber. É saber de tudo e, ainda assim, abrir a porta.


Se fosse qualquer outra pessoa, eu já teria ido embora há muito tempo. Eu sei partir. Sei fechar ciclos. Sei me proteger.


Mas com ela, alguma coisa em mim desaprende.


Não sei explicar o que existe entre nós. Só sei que, quando ela se aproxima, minhas defesas silenciam. Eu fico vulnerável, esqueço das cicatrizes e me entrego como quem ainda acredita que, desta vez, talvez seja diferente.


E então tudo se repete.


Eu perdoo o que me feriu, abraço o que me faltou, aceito migalhas como se fossem banquetes e chamo de esperança aquilo que tantas vezes já me provou ser ausência.


Talvez minha maior frustração nem seja o que ela faz comigo.


Talvez seja perceber o quanto eu me abandono quando se trata dela.


Porque eu sei que mereço mais. Sei que deveria escolher a mim mesma. Sei exatamente onde esse caminho termina.


Ainda assim, existe uma parte de mim que continua voltando.


Como quem conhece o abismo pelo nome, sabe a profundidade da queda, lembra de todas as vezes em que se machucou...


e, mesmo assim, caminha até a beira outra vez.


Talvez o amor mais difícil de aprender seja aquele que começa quando finalmente decidimos não nos perder de nós mesmos para permanecer na vida de alguém.