Webster Freires
E quando digo, é verdade - me acredite, amor.
O ontem e o amanhã, o hoje não tem valia
Se meus olhos não descansam sob os teus.
Que belo seria! Se todo olho que se enxerga, contemplasse o íntimo da alma de cada um. O precioso tesouro que há no outro. Além dessas embalagens, copos e corpos.
Se eu me afastar, nem queira..
Não espere me encontrar
noutras retinas,
noutras esquinas,
noutros olhos de lágrimas
que não serão minhas.
Se eu desencantar, nem me impeça..
Não se faça ressentimentos,
nem lamentos,
nem por um dia ao menos
tente pesar este mundo
sob tuas promessas.
Desconheço e não vejo nenhuma parte minha nessa geração que dia após dia aprende a não amar, ensinando uns aos outros a indiferença, e gritando a exaustão que o amor é desengano e sem nenhuma valia. Sim, ele é um risco. Mas a maioria das coisas dessa vida são perigosas!
Todo dia é um dia a menos. E temos que perceber isto. O tempo nos escapa e escorre pelas mãos, ele é alheio a nós e a nossas vontades. A areia correndo à ampulheta numa roda viva que um dia acaba. Irredutível, seguindo sempre a frente sem dúvidas ou meias certezas. Amanhã, talvez. E depois, ninguém sabe!
Não se trata de quando você irá encontrar o amor. Ou onde ou não ele deve estar. Não se trata de quanto tempo ele irá durar, se um mês, um ano ou uma vida toda. Não se trata de você amar em demasia, pouco ou pela metade. Se é recíproco ou não. Trata-se de você amar, simplesmente, e permanecer atento a ele. Ele pode está à esquina.
Faço do acaso um passo dado e certo,
caso contrário, é descompasso e o inédito é a maravilhade um sonho beloainda inacabadoe perfeito.
Algum dia
Hei algum dia, saber que amores não são iguais
Conhecer que cores não são iguais
Flores não são iguais
Iguais apenas são as reticências
E mais daqueles pontos finais
Mais desculpas fingindo coincidências
Traços ao meu olho
Vírgulas à minha garganta
descendo em ais!
Hei algum dia, de saber no vento meu destino
Conhecer no acaso a sorte de sermos mortais
Contemplar em olhos a paz
Distinguir porto de cais
Iguais apenas são as reminiscências
De noites tão claras em claro sem paz
Pretextos à tua consciência
Sono e mais sonhos
E lembranças de quando criança
ainda sem finais.
"Quando as Folhas Caem"
Adoro como as folhas caem,
quando e onde elas pousam, se lançam
ao impossível e improvável
e apenas caem;
Adoro o balançar delas ao vento
à procura de abrigo,
um colo seguro
que se possa aconchegar.
Adoro a leveza delas
o modo como voam, planam
e apenas caem;
não um cair nervoso
com medo,
mas um cair
de se libertar.
Adoro como as folhas caem,
é parecido como se erguer
e caminhar.
Como aprendem as crianças
longe do seio materno
a viver, correr e a sonhar.
Aprendo com elas,
aqui abstruso e absorto
entre pensamentos
sob um céu de reticências,
aguardando apenas
o momento
quando elas caem.
